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História de circo 11 a 12 anos Leitura 16 min.

Um circo chamado amizade

Lina, Ravi e Bia ajudam a organizar a fila para o Circo Roda-Feliz, onde descobrem que a verdadeira magia acontece quando se trabalha em equipe e se espalha alegria. Em meio a risos, desafios e surpresas, eles aprendem a importância da amizade e da união.

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Há 3 personagens: - Lina: uma menina de 11 anos com cabelos longos e castanhos e olhos brilhantes. Ela usa uma camiseta amarela e um short jeans. Ela está no centro, sorrindo, segurando um troféu em forma de boca sorridente. - Ravi: um menino de 11 anos com cabelos pretos bagunçados e óculos redondos. Ele veste uma camiseta azul e uma calça verde. Ele está à esquerda de Lina, segurando um grande pedaço de giz, pronto para desenhar no chão. - Bia: uma menina de 11 anos com cabelos loiros trançados e óculos de sol na cabeça. Ela usa um vestido colorido com flores e está à direita de Lina, segurando estrelas de papel que está pronta para distribuir. O local é sob um grande picadeiro de circo, com cores vibrantes de vermelho e amarelo, e luzes brilhantes iluminando o espaço. O chão é coberto de serragem dourada, e balões flutuam no ar, criando uma atmosfera festiva. Ao fundo, vêem-se caminhões decorados com padrões vibrantes e artistas se aquecendo. A cena principal mostra Lina, Ravi e Bia organizando uma fila alegre para o circo, com crianças de todas as cores esperando ansiosamente. Lina sorri segurando o troféu, enquanto Ravi desenha setas no chão e Bia distribui estrelas, criando uma atmosfera de camaradagem e alegria. reportar um problema com esta imagem

Capítulo 1 — O circo que cabe num sorriso

O Circo Roda-Feliz chegou à cidade com luzes piscando como vaga-lumes apressados. Os caminhões eram tão decorados que pareciam bolo de aniversário com rodas: estrelas pintadas, listras coloridas, e até um rinoceronte de papelão acenando no retrovisor. Lina, Ravi e Bia, três amigos de onze anos, correram até a grade curiosos, cheirando serragem, açúcar queimado e mistério.

— Olha aquilo! — sussurrou Bia, apontando para um caminhão azul que tinha um chapéu de mágico gigante em cima.

— Aquele deve ser do ilusionista — arriscou Ravi. — Aposto que tem um coelho dirigindo.

— Coelhos não dirigem — disse Lina, rindo. — Mas se dirigirem, eu compro o ingresso em dobro.

Foi quando um homem de macacão brilhante, bigode em forma de ponto de exclamação e boné de lantejoulas acenou para eles. No bolso, havia um adesivo: “Seu Zico — motorista-chefe dos caminhões decorados”.

— E aí, turma! — gritou ele. — Querem ver de perto?

Os três se entreolharam, olhos acesos.

— Podemos? — perguntou Lina.

— Se prometerem não apertar todos os botões ao mesmo tempo — respondeu Seu Zico, abrindo o portão lateral. — Aqui, cada botão faz magia… ou barulho.

Eles seguiram o motorista entre rodas enormes e cordas penduradas. De um lado, um malabarista testava laranjas; do outro, um palhaço espirrava confete pelo nariz.

— Bem-vindos aos bastidores — disse Seu Zico, com orgulho. — É aqui que os números ganham vida antes de saltarem para a pista.

Capítulo 2 — Bastidores que piscam mais que estrelas

No corredor dos figurinos, Bia quase tropeçou em uma peruca verde-limão.

— Desculpa! — disse uma acrobata baixinha, com um sorriso que dava cambalhotas. — Sou a Jade. Se precisarem de ajuda para dar mortal, eu ensino. Mas primeiro, chiclete? É sabor algodão-doce.

— Eu topo — disse Ravi, mas o chiclete colou no nariz. Jade riu e tirou com habilidade de trapezista.

Lina se aproximou da pista. O chão de serragem parecia uma praia de poeira dourada. Um ilusionista com capa de fumaça, que se chamava Doutor Neblina, tirou um pinguim de papel de dentro de uma luva. O pinguim pareceu piscar para Lina.

— Não é truque — sussurrou Ravi. — É magia de verdade.

— É trabalho de equipe — corrigiu Seu Zico. — A magia nasce no número, mas cresce nos bastidores. Todo mundo ajuda: quem costura, quem acende luz, quem dirige caminhão decorado. Querem ver o painel de regras do circo?

Ele apontou para um quadro negro com desenhos de estrelas e letras coloridas:

1) Aqui ninguém trabalha sozinho.

2) Sorrisos contam como ingresso.

3) Se for para tropeçar, que seja no confete.

Um palhaço de sapatos gigantes, chamado Pim-Pom, apareceu equilibrando três chapéus e um pratinho de sobremesa.

— Ensaiem seus aplausos, crianças — disse Pim-Pom, em voz séria. — Preciso acertar o cronômetro dos risos.

— Como se cronometra um riso? — perguntou Bia.

— Fácil — respondeu Pim-Pom, apontando para um relógio de borracha. — Quando o riso é de verdade, o relógio amolece.

Seu Zico deu uma piscadela.

— À noite, a cidade inteira vem. Vocês vão ver: o Roda-Feliz faz cabide virar varinha.

— E se chover? — perguntou Ravi.

— A gente põe capa no sorriso — disse Lina, sem pensar. E todo mundo concordou.

Capítulo 3 — A fila que parecia cobra

À tardinha, a frente do circo virou farol de festa. As pessoas chegaram com balões, casacos coloridos e fome de pipoca. A fila de entrada começou educada e longa, mas logo se retorceu como uma cobra impaciente, soltando pequenos resmungos.

— Ih, deu noz no barbante — comentou Bia, ao ver gente entrando pelo lado errado.

— Cadê o moço que organiza a fila? — perguntou Ravi.

Pim-Pom surgiu, mas tropeçou no próprio relógio de borracha e derrubou uma caixa de narizes postiços. Narizes rolaram como bolinhas de gude.

— Hoje vocês chamaram? — Seu Zico aproximou o caminhão com luzes piscando em arco-íris. — Posso fazer a buzina cantar, mas precisa de maestro.

Lina olhou para o portão, para o emaranhado de gente, e sentiu o coração pular no peito. O quadro negro das regras piscou dentro dela: “Aqui ninguém trabalha sozinho.”

— Eu posso organizar — disse, com voz firme e alegre. — A gente consegue.

— Você? — espantou-se Pim-Pom, pegando um nariz do chão. — Tem que ter planos, setas, gentilezas e… megafone de voz doce.

— Tenho algo melhor — respondeu Lina, apontando para a própria boca. — Tenho um sorriso.

Ela pediu a Ravi para desenhar setas enormes com giz no chão. Bia amarrou fitas coloridas formando duas filas: uma para quem já tinha ingresso, outra para quem ia comprar. Seu Zico estacionou o caminhão de forma que as luzes fizessem um corredor brilhante. Pim-Pom equilibrou um cone na cabeça e passou a ser um cone humano, guiando as crianças.

— Pessoal! — gritou Lina, que nem precisava de megafone. — Vamos entrar por cores! Quem estiver com alguma coisa amarela, vem por aqui. Azul, por ali. Se for multicolorido, pode fazer parada de desfile no meio!

As pessoas riram e obedeceram, orgulhosas de suas cores. Um senhor de cachecol amarelo brilhou como sol, uma menina de laço azul fez reverência, e dois irmãos com camisas listradas foram ovacionados. A fila virou brincadeira.

— Quem contar uma piada avança três passos! — continuou Lina. — Mas tem que ser boa!

— O que o malabarista disse para a laranja? — gritou um menino. — “Não se esprema!”

A fila andou e gargalhou em ondas. Ravi, com giz, desenhou carinhas sorridentes no chão; Bia distribuía adesivos de estrela que Pim-Pom tirava da manga. Seu Zico tocava buzinas como trombetas de festa, marcando o ritmo da entrada.

Uma senhora impaciente tentou furar a fila, mas Pia, a bilheteira, aproximou-se com doçura.

— Dona, a graça aqui é brincar junto. Quer cortar caminho? Então conte uma história que nunca acaba.

A mulher pensou, riu de si mesma, e voltou para o lugar contando a saga de uma sopa que nunca esfria. De tão engraçado, o povo bateu palmas para ela também.

Em poucos minutos, o emaranhado virou um cordão bem alinhado, colorido, feliz. Lina respirou fundo. Seu Zico levantou o polegar do banco do caminhão.

— Maestro, a orquestra obedeceu — ele disse. — E a buzina está afinada.

— Essa entrada foi um número de espetáculo — comentou Pim-Pom, com o cone escorregando até o nariz. — Cronometrei: riram de verdade.

Capítulo 4 — O Troféu Sorriso

Quando o último ingresso passou pela catraca, o Diretor de Pista, um senhor de casaca vermelha que andava como se estivesse sobre uma música invisível, apareceu com um brilho nos olhos.

— Quem organizou a fila? — perguntou, a voz pulando como mola.

— Foi a Lina — apontaram Bia, Ravi, Pim-Pom e até a bilheteira.

O Diretor fez um gesto e, do nada, Doutor Neblina tirou um troféu de dentro da cartola. Era prateado, em forma de boca sorridente, com estrelinhas dançando em volta. Luzes do caminhão de Seu Zico refletiram nele como fogos minúsculos.

— Este é o Troféu Sorriso — anunciou o Diretor. — É dado a quem espalha alegria antes mesmo do espetáculo começar.

— Mas eu só falei alto e desenhei setas — disse Lina, corando.

— Você pôs todo mundo do mesmo lado — corrigiu o Diretor. — E isso é a maior magia do circo.

Ele entregou o troféu, que fez um “tlim” quando tocou as mãos de Lina. Ravi e Bia a abraçaram.

— Eu seguraria com você — murmurou Bia.

— Eu mostro para minha mãe! — disse Ravi, já imaginando uma foto.

— Esperem — Lina ergueu o troféu devagar. — Posso ganhar… com vocês?

Pim-Pom enxugou uma lágrima que, na verdade, era tinta branca.

— Ah, pronto. Vou ter que rir para não chorar.

— Então que tal uma foto? — sugeriu Seu Zico, tirando uma câmera do bolso. — E depois, um lugar especial para o troféu na cabine do meu caminhão, até o final do show. Prometo que as buzinas cuidam.

Eles fizeram a foto. O troféu foi colocado num pedestal improvisado em cima do painel do caminhão, entre um patinho de borracha e um adesivo que dizia “Cuidado: este veículo freia para aplaudir”.

Capítulo 5 — A noite vira carrossel

A música começou com um tamborim que parecia saltitar. As luzes baixaram e a pista virou um lago de ouro. Pim-Pom fez um número com pratos girando, Jade cruzou o ar como raio manso, e Doutor Neblina devolveu o pinguim de papel à luva, mas desta vez o pinguim saiu dançando.

— Isso é impossível — sussurrou Ravi, grudado na grade dos bastidores.

— Impossível até acontecer — disse Seu Zico, que assistia com o queixo apoiado no volante do caminhão estacionado ao lado da lona.

No intervalo, um imprevisto: a tenda lateral ficou presa num gancho e o cenário de castelo não descia. O Diretor correu:

— Preciso desse cenário em cinco minutos ou teremos um castelo invisível!

— Invisível seria elegante — brincou Pim-Pom, mas já estava puxando cordas.

Lina foi atrás, sem soltar o Troféu Sorriso. Bia subiu em um banquinho, Ravi achou uma escada. Seu Zico acendeu as luzes do caminhão de modo que iluminassem o gancho como se fosse alvo de teatro.

— Mais para a esquerda! — gritou Lina.

— Esquerda circense ou esquerda normal? — perguntou Pim-Pom.

— A que tem o coração — respondeu Lina.

Eles ergueram, afrouxaram, torceram, e o castelo desceu com dignidade, só um pouco torto, o que fez parte do charme quando o público aplaudiu achando que a inclinadinha era proposital.

De repente, uma confusão de risos e surpresas: um dos palhaços novatos, o Fubá, escorregou na própria calça larga e foi parar com o bumbum na serragem, bem perto da cortina. A plateia achou que era gag, mas Fubá ficou por um segundo sem graça de verdade. Seus olhos procuraram um porto.

Lina encostou o troféu num caixote e correu. Estendeu a mão.

— Vem, Fubá. Levanta que a graça continua.

Ele segurou, levantou com um salto quase acrobático, e ainda tirou do bolso uma flor que espirrou água na mão de Lina. A plateia explodiu em risos e aplausos. Fubá piscou para ela.

— Valeu, chefe do sorriso.

O show seguiu como carrossel solto: cavalos de pau imaginários, malabares com luzes, uma chuva de papel picado que parecia neve com sabor de algodão-docinho. Em um número final, os caminhões de Seu Zico apareceram por trás da lona como cenário móvel: um deserto pintado num, uma lua no outro. As rodas andavam devagarinho, e as luzes formavam uma constelação andando. A cidade inteira prendeu a respiração.

— Agora, o gran finale! — berrou o Diretor. — Um brinde à amizade que segura tudo!

Os artistas se deram as mãos e fizeram uma reverência que parecia um abraço gigante.

Capítulo 6 — Mão estendida

Depois, a tenda respirou em suspiros de gente feliz. Nos bastidores, o cheiro de serragem e suor virou cheiro de chocolate quente. Lina, Bia e Ravi riam, exaustos e vibrando. O Troféu Sorriso brilhava no painel do caminhão como uma lua domesticada.

— Vocês mandaram bem — disse Seu Zico, entregando canecas. — Tem gosto de “ufa”. Sabiam que eu comecei de palhaço antes de dirigir caminhão decorado?

— Sério? — arregalou os olhos Bia.

— Sério — confirmou ele. — Descobri que meu dom era fazer o circo caber nos caminhos. Hoje, meus caminhões têm asas que não derrubam lataria: derrubam cansaço.

Ravi encostou na roda, pensando no pinguim dançante, no castelo torto, nos narizes rolando.

— Acho que hoje o impossível nem teve coragem de aparecer.

Perto do portão, um garoto de boné vermelho, que mais cedo tinha tentado furar a fila e acabara voltando emburrado, observava a felicidade alheia como quem vê festa pela vitrine. Ele mexia no cadarço, cabisbaixo.

Lina o reconheceu. Sentiu o troféu pesado e leve ao mesmo tempo. Olhou para Bia e Ravi.

— Já volto.

Ela se aproximou do garoto. Ele não levantou a cabeça.

— Boné bonito — disse Lina, sem pressa. — Vermelho de super-herói.

— Eu não sou herói — murmurou ele. — Hoje fui chato.

— Todo mundo tropeça no próprio cadarço às vezes — respondeu Lina. — Quer ver o troféu de perto?

Ele levantou os olhos, desconfiado.

— Pode?

— Pode tudo que cabe num sorriso — disse ela, e mostrou o troféu.

— Como você ganhou?

— Organizei a fila. Mas, na verdade, ganhei com meus amigos. A gente sempre ganha junto aqui.

O garoto pigarreou.

— Eu sou o Dudu.

— Eu sou a Lina. Aquela de olhos curiosos é a Bia. O que faz graça sem querer é o Ravi.

Dudu riu de leve, como quem testa um brinquedo novo.

— Posso… posso conhecer o palhaço que caiu?

— O Fubá? Claro. Mas a porta dos bastidores só abre com… — Lina estendeu a mão, sorrindo. — Com mão amiga.

Dudu olhou para a mão dela, para o próprio tênis, para a tenda que ainda brilhava. Respirou fundo e segurou.

A mão de Lina estava quente de circo, macia de serragem. Quando dedos tocaram dedos, Seu Zico tocou a buzina mais suave e feliz do mundo, como quem diz “bem-vindo”.

Bia e Ravi acenaram, Pim-Pom apareceu equilibrando um biscoito no nariz, e o Diretor, de longe, fez um chapéu tirar outro chapéu.

— Vem — disse Lina, guiando Dudu por entre cordas e risos. — Hoje o espetáculo continua. Aqui dentro, a gente aprende truques novos todos os dias: o de escutar, o de dividir, o de levantar junto.

E, enquanto a lua recortava a lona em prata, o Troféu Sorriso refletiu um pequeno arco-íris no chão. Lina seguiu com Dudu pela luz colorida, mão na mão, e o circo inteiro, da pista aos bastidores, pareceu dar uma piscadinha cúmplice. A amizade, aquela artista principal que nunca erra a entrada, fez sua reverência. E a noite, satisfeita, aplaudiu.

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Ilusionista
Pessoa que faz truques de mágica, enganando os olhos das pessoas.
Acrobata
Artista que realiza exercícios de ginástica, saltos e acrobacias, normalmente em apresentações.
Malabarista
Pessoa que faz malabarismo, jogando e equilibrando objetos como bolas e bastões.
Figurino
Conjunto de roupas e adereços usados por artistas em uma apresentação.
Reverência
Ato de curvar-se em sinal de respeito ou agradecimento, geralmente feito após uma apresentação.
Cobertura
Em um espetáculo, é o que se coloca sobre um cenário ou palco para protegê-lo ou escondê-lo.

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