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História de circo 11 a 12 anos Leitura 11 min.

O furão Tico e o cerceaux rebelde do Circo Pingo-Pongo

Tico, um furão malabarista, e Dudu, um castor consertador, unem-se no circo para reparar um cerceaux rebelde e treinar entradas em cadência, enfrentando confusões e muita purpurina.

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Tico, um pequeno furão malabarista sorridente de pelos ruivos e brancos e olhos redondos brilhantes, salta graciosamente através de um grande aro vermelho e amarelo, patas estendidas e cauda em arco; Dudu, um castor engenhoso e atarracado com colete de bolsos e uma chave inglesa, segura o aro por fora, ligeiramente inclinado para apoiar o salto; uma arara colorida azul-vermelha-amarela voa ao fundo deixando um fita brilhante, expressão surpresa e alegre; no chão, capivaras e guaxinins em pequenos grupos aplaudem com patas salpicadas de purpurina e confetes; cenário: pista de circo circular dentro de uma grande tenda listrada azul e amarela, chão de serragem dourada e refletores projetando círculos de luz quentes; situação: número final durante um treino — Tico atravessa o aro reparado por Dudu sob um fluxo de confetes e purpurina, em clima festivo, cores vivas e formas simples. reportar um problema com esta imagem

Capítulo 1 — O Vento na Lona

No Circo Pingo-Pongo, a lona não ficava parada nem quando ninguém puxava as cordas. Ela respirava. Estalava. Sussurrava. E quem mais gostava de ouvir esse sussurro era o Tico, um furão malabarista, fininho como um ponto de exclamação e curioso como uma pergunta.

Tico encostou a orelha na lona azul e amarela. O vento passava por fora e fazia a lona falar em língua de tecido: frrruuuf… flááá… prrrr.

— Hoje vai ter gargalhada — murmurou Tico, como se o vento lhe tivesse contado um segredo.

Atrás dele, o corredor das coxias parecia um formigueiro, só que com bichos de todo tipo e sem uma formiga sequer: um grupo de capivaras equilibrava baldes de purpurina; uma coruja afinava um apito desafinado; dois guaxinins discutiam se “confete” era comida.

Tico saltitou até a pista vazia. Os refletores ainda dormiam, mas a serragem já cheirava a festa.

— Certo, Tico — disse ele para si mesmo, estufando o peito —. Hoje é dia de treinar as entradas em cadência. Entrada um, entrada dois, entrada… ai!

Ele escorregou numa bola de borracha esquecida e foi parar dentro de um barril de lenços coloridos.

— Pelo menos já entrei com estilo — resmungou, cuspindo um pedaço de fita brilhante.

Capítulo 2 — A Repetição das Entradas em Cadência

Tico colocou três marcas no chão com giz: uma estrela, um peixe e um pepino (ninguém sabe por quê, mas ficou assim).

— A regra é simples — explicou ele para um grupo de plateia imaginária feito de vassouras e caixas. — Eu entro na estrela com passo forte, giro no peixe e saio no pepino com… dignidade.

Ele tentou. Um-dois, um-dois. Pata direita, pata esquerda, cauda alinhada. Girou no peixe com a elegância de um parafuso feliz.

— Perfeito! — comemorou, e então tropeçou no próprio entusiasmo e saiu no pepino de barriga no chão.

Do alto de um caixote, uma arara muito tagarela comentou:

— Dignidade escorregou pela serragem!

— Eu ouvi isso! — Tico respondeu, limpando o focinho. — Repetição é o caminho da glória… e também do tombo.

Ele recomeçou. E recomeçou. E recomeçou mais uma vez, porque o vento na lona parecia soprar “de novo” em cada frrruuuf.

Quando finalmente acertou três entradas seguidas, uma roda enorme rolou sozinha pela pista e parou bem na frente do pepino de giz.

— Hã… isso não fazia parte do meu plano — disse Tico, encarando a roda como quem encara um pepino de verdade.

A roda era um cerceaux gigante, desses de número acrobático. Só que estava torta, com uma emenda que parecia mastigar chiclete.

Capítulo 3 — O Bricoleur de Cerceaux

De dentro de uma nuvem de parafusos e fitas adesivas, apareceu o Dudu, um castor bricoleur de cerceaux. Ele usava um colete cheio de bolsos, e cada bolso parecia guardar uma surpresa: pregos que riam, porcas que cantavam, uma chave inglesa que tinha cara de poucos amigos.

— Alguém viu meu aro rebelde? — perguntou Dudu, puxando a roda pelo chão. — Ele fugiu de novo. Jura que foi por causa do polimento, mas eu desconfio que é drama.

Tico apontou para a emenda mastigadora.

— Ele está… com fome?

— Está com defeito — corrigiu Dudu, ofendido. — E eu preciso dele inteiro para o número das voltas perfeitas. Sem aro, não há “uau!”. Só há “ai”.

Dudu tentou alinhar o cerceaux e apertou um parafuso. O cerceaux respondeu com um “plim” e abriu um sorriso imaginário de metal torto.

— Viu? — o castor suspirou. — Ele faz isso.

Tico coçou a cabeça.

— Posso ajudar? Eu sou bom em… entrar em lugares apertados. Tipo barris de lenço.

Dudu ergueu as sobrancelhas.

— Você cabe dentro do aro por dentro do aro?

— Eu caberia até dentro de uma ideia — disse Tico, confiante.

O vento fez a lona tremer: flááá. Parecia um aplauso de tecido.

— Então vamos fazer uma oficina de emergência — decidiu Dudu. — Mas rápido. O ensaio geral é já!

Capítulo 4 — Cadeiras, Fitas e uma Confusão Brilhante

Nas coxias, o “cantinho do conserto” virou um carnaval de ferramentas. Dudu colocou o cerceaux no chão, e Tico se enfiou por dentro como se fosse um fio passando pelo buraco de uma agulha.

— Agora segure a emenda firme — instruiu Dudu. — Eu vou apertar aqui.

— Segurar firme é meu sobrenome — disse Tico, abraçando o aro.

Dudu apertou. O aro “plimou” de novo… e soltou uma fita brilhante que estava presa lá dentro como um espaguete preso no dente.

A fita chicoteou o ar e grudou na arara tagarela, que estava espionando.

— Socorro! Virei presente! — gritou a arara, rodopiando.

A fita ainda pegou um saco de purpurina das capivaras. A purpurina explodiu como uma mini-neve de carnaval. Em segundos, Tico, Dudu e o cerceaux ficaram cobertos de brilho.

— Agora sim ele está com fome — Tico tossiu, cuspindo purpurina. — Comeu o estoque inteiro!

Dudu, apesar do caos, deu uma risadinha.

— Pelo menos está com energia.

Eles tentaram de novo, desta vez com calma. Dudu ajustou a emenda com uma plaquinha nova e um reforço de madeira lisa. Tico, por dentro, pressionou com as patas e a cauda, como se estivesse segurando o mundo para não desandar.

— Mais um pouquinho… — sussurrou Dudu.

— Eu tô fazendo cara de “mais um pouquinho” desde ontem — resmungou Tico.

O vento assobiou lá fora e a lona respondeu com um estalo. O cerceaux, finalmente, encaixou com um “clac” firme, como tampa de pote fechando.

Dudu parou, sério.

— Você ouviu isso?

— Ouvi. Foi o som de um problema indo embora — Tico respondeu.

Dudu ergueu o cerceaux e girou no ar. Ele ficou redondo, obediente, quase elegante.

— Funcionou! — Dudu exclamou. — Tico, você salvou meu número.

— E você me deu purpurina grátis — disse Tico, sacudindo o corpo. — Acho que agora eu brilho até no escuro.

Capítulo 5 — A Pista Pede Cadência

Na hora do ensaio geral, a pista já estava iluminada. As luzes faziam a serragem parecer um campo dourado. A lona, lá em cima, mexia com o vento como se dançasse uma valsa.

Tico voltou às suas marcas de giz. A estrela, o peixe e o pepino estavam meio borrados, mas ainda eram… filosofia de chão.

— Lembrete para mim mesmo — murmurou. — Não entrar no pepino de barriga.

Dudu apareceu com o cerceaux consertado, orgulhoso, e fez um gesto de agradecimento com a cauda.

— Preciso testar meu aro. Você pode fazer suas entradas junto comigo? Fica mais divertido.

Tico arregalou os olhos.

— Um número combinado? Eu e você?

— Cadência dupla — disse Dudu. — Você entra, eu giro o cerceaux, você passa por dentro, eu passo por fora, e ninguém vira panqueca.

— Essa última parte é importante — concordou Tico.

A música começou: tum-tum, tá! tum-tum, tá!

Tico respirou. Encostou a orelha na lona por um segundo, só para ouvir o vento: frrruuuf… como um “vai”.

Ele entrou na estrela com passo firme. Um-dois. Um-dois. Girou no peixe. Dudu girou o cerceaux como um planeta brilhante. Tico atravessou o aro com um salto elástico.

— Uau — sussurrou a coruja do apito desafinado, esquecendo de desafinar.

No pepino, Tico quase escorregou… mas Dudu empurrou de leve o cerceaux, fazendo uma espécie de “corrimão” circular. Tico se apoiou e saiu em pé.

— Dignidade voltou! — gritou a arara, ainda com uma fita pendurada no bico.

Eles repetiram. E repetiram de novo, agora sorrindo. A cada entrada em cadência, o vento parecia acompanhar, sacudindo a lona no ritmo certo, como se fosse um percussionista invisível.

Capítulo 6 — O Final com Calor no Coração

No fim do ensaio, todos os bichos do circo apareceram para ver o último teste. Capivaras bateram palmas com as patas molhadas de purpurina. Guaxinins ofereceram “confete” como lanche (ninguém aceitou, por segurança). A coruja tentou assobiar e, dessa vez, quase acertou a nota.

Tico e Dudu fizeram a cadência final: estrela, peixe, pepino. O cerceaux rodou perfeito, redondo como lua cheia. Tico passou por dentro e saiu com uma reverência tão exagerada que quase caiu… mas não caiu. Só balançou, como uma gelatina decidida.

— Eu consegui! — Tico falou, com o peito quente de alegria.

Dudu colocou uma pata no ombro dele.

— Ajudar é isso — disse o castor. — A gente aperta um parafuso no problema do outro e, de quebra, conserta um pedaço do próprio dia.

O vento soprou forte lá fora, e a lona estalou como se estivesse rindo.

Tico encostou a orelha no tecido mais uma vez. O sussurro do vento agora parecia dizer uma coisa simples, bem simples: “juntos”.

Ele olhou para a pista, para os amigos, para o cerceaux brilhando sem drama.

E sentiu um calor no coração, daqueles que não precisam de holofote para iluminar.

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Lona
Tecido grande que cobre o circo e protege do vento e da chuva.
Serragem
Pó e pedaços finos de madeira que ficam no chão do picadeiro.
Coxias
Os corredores e bastidores atrás da pista onde os artistas se preparam.
Malabarista
Artista que faz truques lançando e pegando objetos no ar.
Cadência
Ritmo ou sequência regular de passos ou movimentos.
Cerceaux
Grande aro usado em números de circo para saltar ou girar.
Bricoleur de cerceaux
Pessoa que conserta e ajusta aros e objetos do circo.
Emenda
Parte que junta dois pedaços de algo, como uma união ou remendo.
Parafusos
Peças de metal com rosca usadas para prender partes de objetos.
Purpurina
Pó brilhante e colorido usado para decorar e brilhar no palco.
Ensaio geral
Treino final antes do espetáculo, como se fosse o show todo.
Reverência
Curvar-se ou inclinar o corpo para mostrar agradecimento ou respeito.
Caixote
Caixa de madeira usada para sentar, subir ou guardar coisas nos bastidores.

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