Tomé tinha quatro anos. Ele gostava muito do seu papagaio vermelho. O papagaio voava alto. Um dia, o papagaio ficou preso no alto do grande carvalho do parque. "Oh não!" disse Tomé. "Ele está lá em cima. Não consigo alcançar."
As pessoas disseram que era impossível. "Ninguém pega o papagaio no carvalho", disse o senhor da banca. "É muito alto", disse a senhora que vende biscoitos. Tomé ouviu. Ele ficou quieto. Depois ele sorriu.
Tomé gostava de ouvir. Ele ouviu o vento. O vento fez "shh shh". "Tente soprar", sussurrou o vento. Tomé soprou. O papagaio não desceu. Tomé ouviu o sabiá. O sabiá piou. "Faça um som amigo", piou ele. Tomé bateu palmas. O papagaio chamou: "Craaac!" Mas ficou na árvore.
Tomé pensou. Ele tinha ideias pequenas. Ele tinha ideias grandes. Ele pegou uma escova de roupa. Ele pegou um balde. Ele pegou três balões que estava no bolso. "Vamos brincar", disse ele ao balde. O balde não falou. Mas Tomé falou com alegria. Ele era feliz tentando.
Ele subiu numa caixa. A caixa tremia. Ele tentou esticar a escova. A escova era curta. "Hum," disse Tomé. Ele ouviu o carvalho. O carvalho rangia. "Puxe o galho baixo", soprou o carvalho com folhas. Tomé ouviu. Ele viu um galho baixo. Ele tentou. Era difícil. Ele puxou com força. O galho balançou. O papagaio pigarreou. "Ui!" O papagaio não caiu, mas rodou como um foguete de brinquedo.
Tomé riu. Éramos todos rindo no parque. Rir fazia tudo mais leve. Tomé ouviu a mãe falar ao longe. "Tomé, cuidado", disse a mãe. "Escuta a mamãe", disse o pai. Tomé escutou a mãe e parou de empurrar o carvalho. Ele respirou fundo. Ele sorriu. "Eu vou tentar de outro jeito", disse ele.
Tomé amava ouvir ideias. O cãozinho do parque latiu duas vezes. "Use algo para puxar", latiu o cão. Um esquilo pulou e mostrou uma sombra longa. O esquilo fez "pip pip". Tomé escutou tudo. Ele juntou caixas, uma corda pequena, dois balões e seu chapéu vermelho. Colocou o chapéu na ponta da escova. "Vai ser um anzol engraçado", disse ele.
Ele amarrou a escova na corda. Depois amarrou os balões na corda. Ele puxou devagar. O papagaio olhou. "Craaac?" papagaiou. Tomé puxou com cuidado. A corda subiu. A escova bateu nas penas do papagaio. O papagaio fez um pequeno salto. A corda puxou mais. O papagaio rodou outra vez. Crianças sorriram. Alguns disseram: "Que maluquice!" Todos riam.
A escova desencalhou uma pena que estava presa num galho. A pena caiu no chão como uma pluma. Tomé sorriu. Mas o papagaio ainda estava na copa. Tomé respirou. Ele lembrou do vento. O vento dizia: "Faça uma festa." Tomé fez. Ele bateu palmas. Chamou os passarinhos. Todos vieram. Eles cantaram. O papagaio ouviu a canção.
De repente, o papagaio esticou as asas. Ele fez um pulo. A corda soltou com cuidado. O papagaio planou até o ombro de Tomé. "Craaac!" disse o papagaio feliz. Tomé agarrou o papagaio. Ele deu um abraço macio. O papagaio riu com seu bico. "Você me ouviu", disse Tomé baixinho.
A mãe veio correndo. "Conseguiu!" disse ela, com olhos brilhando. O pai sorriu e bateu palmas também. O carvalho farfalhou como quem aplaude. O vento fez uma canção leve. Tomé escutou tudo. Ele aprendeu que ouvir ajuda.
Na volta para casa, Tomé segurou a mão da mãe. O papagaio ia no outro braço. As crianças do parque acenaram. O cachorro latiu feliz. O senhor da banca sorriu e deu um biscoito. "Bravo, Tomé", disse a senhora que vende biscoitos.
Antes de dormir, Tomé colocou o papagaio ao lado da cama. Ele fechou os olhos. O vento da janela fez "shh shh". A canção do carvalho entrou pela janela. Tomé ouviu e sorriu. "Boa noite", sussurrou ele. O papagaio respondeu com um quase ronco engraçado.
Tomé dormiu tranquilo. Ele sabia que com ouvir, com ideias bobas e com coragem, até o impossível vira brincadeira.