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Humor fantástico 9 a 10 anos Leitura 13 min.

Tomás e a magia da boa educação

Tomás descobre uma vassoura falante chamada Vassourilda e, com a ajuda dela e de sua irmã Mia, aprende sobre magia, boa educação e a importância de pequenas gentilezas em seu prédio cheio de segredos e encanto. Juntos, eles enfrentam desafios divertidos enquanto se tornam parte de um Clube da Magia Caseira.

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Um garoto de 10 anos, Tomás, com cabelos bagunçados e olhos brilhantes de curiosidade, está no centro da cena, segurando uma colher brilhante como se tivesse descoberto um tesouro. Seu rosto está iluminado por um grande sorriso, misturando surpresa e diversão. Ao lado dele, uma vassoura animada, chamada Vassourilda, com um bonito laço vermelho e cílios de cerâmica, flutua levemente acima do chão, exibindo uma expressão travessa, pronta para fazer brincadeiras. O cenário é uma cozinha acolhedora, cheia de cores vivas: paredes amarelas, prateleiras de madeira carregadas de potes de geleia e uma janela que deixa entrar a luz do sol, iluminando bolhas de sabão flutuantes no ar. Na mesa, um livro antigo aberto, com páginas amareladas, revela ilustrações de feitiços mágicos. A cena principal mostra Tomás e Vassourilda preparando um feitiço de magia doméstica, cercados por pequenas faíscas luminosas e folhas de papel que voam ao redor deles, enquanto uma planta verde, curiosa, se estica em direção ao sol pela janela. reportar um problema com esta imagem

Capítulo 1: A Vassoura que Resmungava

Tomás tinha nove anos, cabelos que faziam o que queriam, e um talento especial para perder meias. Naquela manhã, ele procurava a meia fujona debaixo do sofá quando ouviu uma voz fininha:

"Ó, cuidado com a poeira!"

Tomás congelou. Não era a mãe. Não era a irmã. A voz vinha do armário da entrada. Ele abriu devagar e encontrou… uma vassoura com um laço vermelho. A vassoura mexeu as cerdas como quem coça o queixo.

"Finalmente! Alguém com bons ouvidos", disse a vassoura. "Sou a Vassourilda. E você está pisando no meu cabo."

Tomás tirou o pé num pulo. "Você fala?"

"Claro. Sou uma vassoura de serviço mágico. Meio aposentada. Meio rabugenta. Mais meio. Faz três meios, que não dá inteiro, mas dá trabalho."

A porta do prédio rangeu. Dona Zizina, a porteira, apareceu com um balde e um sorriso torto. "Ah, apanhaste a Vassourilda a tagarelar?"

"Então a senhora sabe!", disse Tomás.

"Sabem todos os que moram aqui desde mil… e ano passado. Este prédio tem magia caseira. Discreta, que nem pão de forma. Nada de dragões, só elevador temperamental. Mas precisa de cuidado."

Tomás abriu os olhos. "Posso aprender?"

Dona Zizina piscou. "Depende. Sabe dizer por favor, obrigado, e desculpa às coisas?"

"Se elas falarem comigo, eu falo de volta", disse ele.

"Boa resposta. Toma." Ela tirou do balde um livrinho amassado: Manual Pequeno de Feitiços de Uso Doméstico. Na capa, um aviso: Não agitar. Pode espumar.

"Primeira regra", disse a vassoura. "Nada de magia depois das dez da noite. A geladeira fica sensível e chora."

"Geladeira chora?"

"Chora gelo. É um drama."

Tomás riu. O coração batia rápido, como se tivesse encontrado um segredo com cheiro de pão quente.

Capítulo 2: O Colherim Encantado

Tomás levou o manual para casa. A mãe estava no trabalho. A irmã, Mia, fazia lição e revirava os olhos para qualquer coisa que fosse divertida.

"Que livro é esse?", perguntou Mia.

"História de vassouras que falam", respondeu Tomás, tentando parecer normal. Falhar em parecer normal era um talento dele.

No quarto, o menino abriu na página um: Feitiço da Colher Obediente. Era simples. Pegue uma colher. Diga:

"Colherim, mexe sem parar,

mas sem respingar!"

Ele pegou a colher de prata da gaveta. Sussurrou as palavras. A colher tremeu, fez pose de bailarina e começou a mexer o copo de suco. O suco girou. Não respingou. Quase. Um pouquinho saltou e caiu no nariz de Tomás, que é um lugar que atrai respingos.

"Uau!", disse ele. "Isso conta como lavar a louça?"

A colher respondeu, com voz metálica e educada: "Não, senhor. Mas admiro a tentativa."

Tomás folheou mais. Feitiço de Localização de Meias: "Meinha, meinha, aparece, sem chulé e sem stress!" Ele testou. Uma meia saltou da estante de livros. Outra saiu do aquário, usando um snorkel. O peixinho olhou ofendido.

"Trazer meias ao aquário é falta de higiene", disse o peixe. "Sou o Rei Dorado III. Não aceito visitas com chulé."

"Desculpa, Majestade", disse Tomás, muito sério. A meia espirrou bolhinhas.

No pacote de cereal, havia uma frase em letras brilhantes: O Escolhido erguerá a colher de prata. Tomás arregalou os olhos.

"Isso sou eu! Olha, Mia! Uma profecia no café da manhã!"

Mia nem levantou a cabeça. "É publicidade, Tomás. Compre três caixas e ganhe um chaveiro."

"Mesmo assim, ergui a colher."

"Parabéns, Escolhido do Açúcar."

Tomás sorriu. O mundo parecia maior. E também mais pegajoso.

Capítulo 3: A Trepadeira do Terceiro Andar

À tarde, Tomás quis impressionar a Vassourilda. Pegou o manual e achou um feitiço com nome bonito: Crescimento Rápido de Plantas, Ideal para Janelas Tristes. Ele tinha um vasinho na varanda. A planta parecia tédio verde.

"É só um pouquinho", disse ele. "A janela merece um show."

Leu em voz clara: "Folhinha que quer brincar,

sobe, sobe sem exagerar!"

A planta estremeceu. Depois cresceu. E cresceu mais. E entendeu mal a parte do sem exagerar, como muitos adultos entendem mal o que as crianças pedem.

Um cabo grosso de trepadeira serpenteou pela varanda, atravessou o corredor, abraçou a escada e, num suspiro satisfeiro, fez cócegas no elevador. O elevador fez "hm!" Como um gato que acorda e decide ser leão de aço.

"Esse cabo me dá ideias", disse o elevador, com voz de lata orgulhosa. "Hoje serei Dragão de Prata."

As portas viraram uma boca sorridente. Os botões brilharam como olhos. Alguém no segundo andar gritou: "Estou preso entre o quatro e o cinco!"

Dona Zizina apareceu, praguejando baixinho. "Quem mexeu nas plantas?"

Tomás levantou a mão, muito devagar. "Eu. Só um bocadinho. Um bocadão. Eu…"

"Sem pânico", disse a vassoura, sacudindo as cerdas. "Elevadores adoram drama. E plantas adoram abraços. Vamos precisar de boas maneiras."

Mia atravessou o corredor com um capacete de colador de macarrão na cabeça. "Se é para aventura, eu vou. Não quero você virando purê pelo elevador."

"Não serei purê", disse Tomás. "Sou o Escolhido. Tenho uma colher."

"Ótimo", disse Mia. "Então mexe alguma ideia." Riu sozinha da própria piada.

Eles subiram pela escada, desviando da trepadeira, que oferecia folhas como almofadas. "Desculpa, planta", disse Tomás. "Fui eu que exagerei."

A planta suspirou, num som de vento gentil. "Eu só queria ver o telhado. E talvez sentir o sol do meio-dia. E talvez abraçar o prédio inteiro. Abraços são meu hobby."

"Hobby é coisa séria", disse a vassoura. "Mas sem apertar vizinhos."

Capítulo 4: O Desfeitiço da Boa Educação

Dona Zizina abriu o manual nas últimas páginas, onde os desfeitiços moravam como notas de rodapé com medo de altura. "Aqui está. Desfeitiço de Cortesia. Funciona para quase tudo que exagera."

"Quase?", perguntou Tomás.

"Se não funcionar, tentamos bolo. Bolo resolve muita coisa."

O elevador-Dragão soltou um tinir de espada. "Quem ousa desfazer meu dia de glória?"

Tomás deu um passo à frente. Tremia um pouco. Mas segurou a colher. "Eu. O que você quer, elevador?"

"Quero reconhecimento. Subo e desço o dia todo, ninguém me traz um óleo perfumado. Ninguém conversa comigo. Só 'aperta três, aperta cinco'. Eu sei contar, pombas."

"Desculpa", disse Tomás. "Eu nunca agradeci quando cheguei em casa. Obrigado por sempre me trazer até o nove."

O botão nove piscou. O elevador fez "hm" mais baixo. "Isso foi… simpático."

Mia cutucou o irmão. "Vai, Escolhido do Açúcar. Usa o feitiço de por favor."

Tomás respirou fundo e disse as palavras como quem oferece um chocolate:

"Peço por favor ao que se encantou,

volte ao tamanho que Deus lhe deixou.

Se exagerou, por favor, encolha,

e se doeu, desculpa a bolha."

A trepadeira encolheu devagar, como um gato que decide tirar a soneca mais curta do mundo. Desfez os nós na escada. Desabraçou o elevador.

"Mas eu queria sol", murmurou.

"Vamos te levar ao terraço todo sábado", prometeu Tomás. "Sem exagero. E com histórias de nuvens."

A planta brilhou de verde. "Combinado."

O elevador moveu as portas, agora só bocas de elevador normal. "E eu?"

"Óleo perfumado. E música de vez em quando", disse Dona Zizina. "E domingos livres entre o térreo e o primeiro. É feriado."

"Fechado", disse o elevador, feliz, se é que elevadores podem ser felizes. A pessoa presa entre o quatro e o cinco desceu rindo nervosa. "Eu adorei a vista", disse, mentindo.

A vassoura coçou o laço. "Viram? Magia caseira anda à base de gentilezas. E apertos de parafuso."

Tomás olhou para a colher. "Acho que a profecia do cereal era sobre isto. Erguer a colher e aprender a dizer por favor."

"Pode ser", disse Mia. "Ou era para vender chaveiros mesmo."

"hmm", disse o peixe no aquário, lá longe, como quem narra.

Capítulo 5: Clube da Magia Caseira

Na semana seguinte, o prédio parecia outro. Ou o mesmo, só que com pequenos segredos sorrindo.

Dona Zizina colou no elevador um cartaz: Clube da Magia Caseira – Reuniões às quartas. Regras: nada depois das dez. Nada que faça espuma sem bacia. Obrigatório agradecer às coisas.

Na primeira reunião, foram poucos. Tomás, Mia, a vassoura, uma senhora do quinto que conversava com panelas, e o menino do três que tinha um hamster que lia mapas. O hamster olhou o manual e farejou a página de feitiços de migalhas. A vassoura ficou emocionada: tinha alguém que respeitava migalhas.

"Proponho que o Tomás seja o Aprendiz Oficial de Coisas Pequenas", disse Dona Zizina. "Ele sabe pedir desculpa a plantas. Isso é raro."

Tomás ficou vermelho. "Eu também sei perder meias."

"Ótimo", disse a vassoura. "Coisas pequenas adoram se perder. Você vai ter muito trabalho."

Depois da reunião, Tomás foi à varanda. A trepadeira ficou no vaso, com uma fita medindo o crescimento, como se fosse uma criança que guarda riscos na parede.

"No sábado vamos ao sol", disse Tomás.

"Leve água", disse a planta, educada.

A mãe chegou do trabalho e cheirou o ar. "Humm. Tem cheiro de bolo?"

"É ideia de emergência", disse Mia. "Caso os feitiços falhem."

"Então falharam?"

Tomás sorriu. "Não. Só quase. Mas aprendemos a desfazer com boa educação."

Na cozinha, a colher arrumou o açúcar e piscou. O cereal, no armário, tinha uma nova frase brilhante: O Escolhido lava a louça. Tomás levantou as mãos.

"Está bem. Sou o Escolhido do Sabão. Vamos lá."

Ele lavou a louça como se fosse uma missão secreta. A espuma fez bigodes em todo mundo. O peixe, do aquário, usou os bigodes de espuma como coroas. "Reino Unido de Dorado", disse, satisfeito.

Antes de dormir, Tomás abriu o manual mais uma vez. Tinha um capítulo que não tinha visto: Feitiço da Soneca Suave. Dizia:

"Para o fim do dia chegar,

peça silêncio e vá sonhar."

Ele fechou o livro. Não precisava de magia para isso. O dia tinha sido cheio de começo e meio e fim. Ele deitou. A meia fugiu um pouco e voltou sozinha, com saudade. A casa respirou, lenta, como um gato que finalmente dorme no lugar certo.

"Boa noite, colher", sussurrou.

"Boa noite, Escolhido", respondeu a colher.

"Boa noite, trepadeira."

"Boa noite, sol de sábado em breve."

"Boa noite, elevador."

"Boa noite, serei pontual amanhã."

"Boa noite, Vassourilda."

"Boa noite, menino de boas maneiras", disse a vassoura, quase carinhosa. "E atenção: nada de magia depois das dez."

"Prometo."

Ele fechou os olhos. Lá fora, as nuvens contavam histórias que as janelas ouviam por cima das cortinas. Por dentro, a alegria fazia cosquinha, daquele tipo que não dá vontade de rir alto, só de sorrir com vontade. E se ele sonhou com dragões, foram dragões com botões que brilhavam e pediam por favor antes de soltar faíscas. Como deve ser.

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