Capítulo 1
Mamãe apaga a luz. Tudo está calmo no quarto da Sofia. Sofia abraça sua boneca e olha para a janela.
— Mamãe, posso te chamar se eu quiser? — pergunta Sofia com voz baixinha.
— Pode sim, Sofia. Estou aqui pertinho. — responde mamãe, sorrindo.
Sofia fecha os olhos. Ouve um barulhinho — tic-tic-tic — vindo do armário.
— Mamãe, tem um barulho estranho! — diz Sofia, com medo.
Mamãe entra no quarto de novo, devagarinho.
— Que barulho estranho, Sofia? — pergunta mamãe, sentando na cama.
— Ouvi tic-tic-tic, igual a um passarinho, mas não é passarinho. — diz Sofia, abraçando forte a boneca.
— Vamos ouvir juntas? — diz mamãe.
Elas ficam quietinhas. O barulho faz tic-tic-tic outra vez.
— Ouviu, mamãe? — sussurra Sofia.
— Ouvi sim, Sofia. — responde mamãe. — Sabe, às vezes a casa faz barulhos quando todos dormem. Pode ser o vento, pode ser a chuva, pode ser só o chão falando baixinho.
Sofia pensa. Faz silêncio. O barulho some.
— Agora parou, mamãe! — diz Sofia, sorrindo um pouquinho.
— Viu? Não foi nada de assustar. Eu estou aqui, sempre que você quiser. — diz mamãe, dando um beijinho.
Mamãe sai do quarto. Sofia fecha os olhos outra vez. O barulho faz tic-tic-tic de novo.
— Boneca, você ouviu de novo? — pergunta Sofia, baixinho. — Eu tô com um pouquinho de medo.
Capítulo 2
No dia seguinte, Sofia está na cozinha com a mamãe. O sol entra pela janela.
— Mamãe, por que o quarto faz barulho? — pergunta Sofia.
— Porque as casas vivem, Sofia. — diz mamãe. — Elas respiram, elas estalam, elas dançam no vento.
Sofia pensa.
— Mas eu tenho medo quando escuto à noite. — diz Sofia, olhando para mamãe.
— Eu entendo, Sofia. Quando estamos no escuro, tudo parece diferente. Mas você pode me chamar. Eu posso vir com você olhar o armário, olhar debaixo da cama, olhar a janela. Tudo está bem.
Sofia abraça mamãe.
— E se eu ficar com medo de novo? — pergunta Sofia.
— Você pode respirar devagar, abraçar sua boneca e pensar: “Estou segura, mamãe está perto, é só um barulho de casa.”
Sofia sorri.
— Posso praticar agora? — pergunta Sofia.
— Pode sim, Sofia. — responde mamãe.
Sofia fecha os olhos, abraça a boneca e respira devagar.
— Estou segura, mamãe está perto, é só um barulho de casa. — diz Sofia, baixinho.
Mamãe sorri.
Capítulo 3
À noite, de novo, Sofia está na cama. O relógio faz tic-tac-tic-tac. O vento bate na janela. O armário faz tic-tic-tic.
Sofia sente o medo chegar. Segura a mão da boneca.
— Estou segura, mamãe está perto, é só um barulho de casa. — sussurra Sofia.
O barulho fica mais pequeno. O medo também.
Sofia sorri para sua bonequinha.
— Não é ruim, boneca. É só a casa falando. — diz Sofia, feliz.
Mamãe abre um pouquinho a porta.
— Tudo bem aí, Sofia?
— Tudo bem, mamãe! Eu ouvi os barulhos, mas falei pra mim: “É só a casa falando. Estou segura.” — diz Sofia, contente.
— Que orgulho de você, Sofia! — diz mamãe, com abraço apertado.
Sofia fecha os olhos, tranquila. Ela sabe: pode sentir medo, mas pode aprender a ter coragem. E mamãe está sempre, sempre pertinho.
Fim.