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História de dinossauro 7 a 8 anos Leitura 16 min.

Risco e Lume na trilha do vulcão adormecido

Risco, um velociraptor pequenino e cuidadoso, perde o rebanho perto de um vulcão e parte à sua procura. Com a ajuda de Lume, um anquilossauro de placas brilhantes, enfrenta medos e aprende a guiar os outros por caminhos seguros.

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Um pequeno velociraptor chamado Risco, expressivo e corajoso, rosto redondo e olhos grandes e luminosos, pele escamosa verde-oliva com manchas ocre, postura orgulhosa porém levemente tremula, levantando uma pata para acalmar e olhando à frente; um anquilossauro chamado Lume, corpo robusto com placas dorsais luminescentes azul-esverdeadas e sorriso suave, está logo atrás iluminando o caminho com um halo em papel recortado; vários membros do rebanho (adultos e filhotes) com silhuetas arredondadas e amigáveis, padrões em tons de marrom e cinza, sentados ou se erguendo, reunidos atrás de Risco na colina; cenário é a entrada de um vulcão em papel: rochas pretas recortadas, fissuras alaranjadas coladas, vapor branco em algodão e uma larga passarela de pedra marrom texturada; a cena mostra Risco guiando seu rebanho para fora do túnel do vulcão, a luz de Lume cria sombras suaves, expressões de alívio e coragem, composição colorida com texturas de papel sobrepostas, contornos nítidos e contrastes vivos. reportar um problema com esta imagem

Capítulo 1: O rasto das folhas dançantes

O sol brilhava como uma moeda dourada no céu antigo, e o vento fazia as folhas das fetos dançarem no chão. Perto de um rio que cantava “xiii-xiii” entre as pedras, um velociraptor pequenino e atento caminhava com passos rápidos.

Chamava-se Risco.

Risco gostava de duas coisas: correr e cuidar dos outros. Se um filhote tropeçava, ele era o primeiro a dizer: “Eu ajudo!” Se alguém estava com sede, ele sabia onde havia água fresca. E se alguém ficava triste, Risco fazia uma careta engraçada e dizia: “Olha, a minha cara de caracol assustado!” E todos riam, até os mais rabugentos.

Naquela manhã, o rebanho tinha ido colher bagas do outro lado de umas rochas. Risco ficou para trás só um bocadinho, porque viu um pequeno dinossauro herbívoro com uma espinha presa numa pata.

“Espera! Não mexas muito,” disse Risco, com a voz calma.

“Mas dói!” choramingou o filhote.

“Eu sei. Respira comigo: um… dois… três.” Risco puxou a espinha com cuidado. “Pronto! Agora vais correr mais depressa do que um lagarto com pressa.”

O filhote sorriu. “Obrigada, Risco!”

Risco acenou e virou-se para seguir o rebanho. Só que, ao dar a volta às rochas, a paisagem parecia… vazia. Nenhuma pegada fresca, nenhum chamamento, nem uma sombra amiga.

“Olá? Rebanho?” chamou ele. A voz dele ecoou entre as pedras.

Um pássaro pré-histórico passou a planear e soltou um “craa”, como se estivesse a rir da confusão.

Risco engoliu em seco. O coração bateu mais forte, mas ele levantou o queixo. “Eu vou encontrar-vos. Prometo.”

Ele baixou o focinho e cheirou o chão. Lá estavam marcas, muitas, indo na direção de uma colina escura, onde o ar tremia como se estivesse quente demais.

Ao longe, uma montanha enorme soltava uma fumacinha branca, como se fosse uma panela a ferver.

“Um vulcão…” murmurou Risco. “Vocês foram para lá?”

Ele podia voltar e esperar… mas cuidar do rebanho também era não deixar ninguém perdido. Então, com coragem a crescer dentro dele como um tambor, Risco seguiu as pegadas.

Capítulo 2: O guia que brilhava por dentro

À medida que Risco se aproximava do vulcão, o chão ficava morno. Não queimava, mas parecia uma pedra que esteve ao sol o dia inteiro. O ar cheirava a terra quente e a enxofre, um cheiro estranho, como ovo muito cozido.

“Ui… alguém deixou o almoço passar do ponto,” brincou Risco, tentando sorrir.

De repente, ouviu um som: “Plim… plim… plim!” como gotas a cair num sino.

Risco parou. Entre duas rochas negras, apareceu um dinossauro que ele nunca tinha visto bem de perto: um pequeno anquilossauro, baixo e redondinho, com uma armadura de escamas e uma cauda forte. Mas o mais espantoso era que algumas das suas placas brilhavam por dentro, com uma luz suave, verde-azulada, como vaga-lumes escondidos.

“Olá,” disse o anquilossauro, com um sorriso tranquilo. “Estás com a cara de quem perdeu a sopa… e também o rebanho.”

Risco piscou, surpreendido. “Eu… sim. Sou o Risco. E tu és… um dinossauro-lanterna?”

O outro riu-se com um “ha-ha” baixinho. “Chamam-me Lume. E não, não sou uma lanterna… mas dá jeito quando a noite cai cedo.”

Risco olhou para o vulcão e depois para Lume. “As pegadas do meu rebanho vão para lá. Mas eu… eu nunca entrei num vulcão.”

Lume inclinou a cabeça. “O vulcão está acordado, mas não está zangado. Ele resmunga e suspira, como um velho a espreguiçar-se. Se fores com calma, ouvindo o chão e o ar, ele deixa-te passar.”

“E tu sabes o caminho?” perguntou Risco.

“Sei atalhos frescos e grutas seguras,” respondeu Lume. “E sei também que coragem não é não ter medo. É andar mesmo com um friozinho na barriga.”

Risco respirou fundo. “Então… queres ser o meu guia inesperado?”

“Quero,” disse Lume. “Mas com uma condição.”

“Qual?”

“Quando encontrarmos o teu rebanho, tu ensinas-me a fazer essa cara de caracol assustado. Eu quero muito rir.”

Risco soltou uma gargalhada. “Combinado!”

Os dois caminharam juntos, e o brilho de Lume fazia desenhos no chão escuro, como se pintasse estrelas em pedras.

No caminho, passaram por uma poça quente a borbulhar. “Não toques,” avisou Lume. “É água muito quente.”

Risco afastou-se. “Obrigada. Eu cuido dos outros, mas também preciso que cuidem de mim.”

Lume assentiu. “Cuidar é uma estrada de duas mãos.”

Mais adiante, o vento trouxe um “AAA-ATCHIM!” bem alto.

Risco parou. “Isso foi… um espirro?”

Lume escutou. “Foi. E não foi do vulcão.”

Os olhos de Risco brilharam. “O meu rebanho!”

Capítulo 3: A canção do vulcão

A entrada para dentro do vulcão não era uma boca assustadora. Parecia mais uma caverna grande, com pedras lisas e vapor a sair como suspiros. Lá dentro, o som era diferente: “bum… bum…”, como um coração gigante a bater devagar.

Risco engoliu em seco. “Ele está mesmo vivo…”

“De certa forma,” disse Lume. “É a Terra a cantar.”

O chão tremia levemente, como se alguém estivesse a bater o pé a acompanhar a música. E, no alto, havia luz alaranjada, como um pôr do sol preso numa fenda.

Risco cheirou o ar. “Está quente… mas dá para respirar.”

“Segue os meus passos,” disse Lume. “E não corras. O vulcão gosta de visitas educadas.”

Risco sorriu. “Eu sou muito educado. Eu até digo ‘com licença' às pedras.”

“Então diz agora,” brincou Lume.

Risco olhou para uma rocha grande e falou baixinho: “Com licença, rocha. Passo aqui só um bocadinho.”

A rocha não respondeu, claro, mas Lume riu-se tanto que quase tropeçou.

Caminharam por um túnel onde pequenas pedrinhas brilhavam. Lume explicou: “São cristais. Não são doces, por isso não mordas.”

“Eu não mordo cristais,” respondeu Risco. “Eu só mordo… vento. Às vezes. Sem querer.”

A certa altura, ouviram vozes. Muitas.

“Por aqui!” dizia uma voz adulta, apressada.

“Estou cansado!” queixava-se outra, fininha.

“Eu disse para seguirem as folhas vermelhas!” reclamava alguém.

Risco acelerou o passo, mas lembrou-se: não correr. Mesmo assim, o coração dele corria por ele.

Virando uma curva, viu-os: vários dinossauros do seu grupo, juntinhos numa gruta ampla. Havia sombras de corpos grandes e pequenos, e todos pareciam meio sujos de cinza, mas inteiros. Um filhote espirrava sem parar.

“ATCHIM! ATCHIM!”

Risco saltou para perto. “Eu estou aqui!”

Uma dinossauro mais velha do rebanho virou-se e abriu um sorriso enorme. “Risco! Pensámos que tinhas ficado do outro lado das rochas!”

“Eu fiquei um pouco… mas depois perdi-vos,” disse Risco, com a voz a tremer de alívio.

Um filhote correu até ele. “Risco! O ar lá fora ficou cheio de cinza e eu não via nada!”

Risco ajoelhou-se e limpou com cuidado a cinza do focinho do filhote. “Já passou. Estás bem. Respira devagar.”

Lume aproximou-se, brilhando como uma lamparina amiga. Alguns do rebanho arregalaram os olhos.

“Quem é esse?” perguntou um adulto, desconfiado.

“É o Lume,” disse Risco depressa. “Ele guiou-me. E sabe caminhos seguros.”

Lume fez uma pequena reverência. “Prazer. E aviso: o vulcão vai soltar mais vapor em breve. Nada de pânico. Só precisamos sair pelo túnel mais fresco.”

“Mas… e se houver lava?” perguntou um filhote, com os olhos redondos.

Lume falou com voz tranquila. “A lava fica no seu lugar, lá em baixo. Nós vamos pelo lado onde o chão está apenas morno. Eu já passei aqui antes.”

Risco olhou para o rebanho. “Eu vou na frente com o Lume. E eu fico atento a quem estiver cansado. Ninguém fica para trás.”

A dinossauro mais velha respirou fundo. “Isso é coragem, Risco.”

Risco sentiu um calor bom no peito, mais forte do que o calor do vulcão. “Eu sinto medo… mas o meu rebanho é mais importante.”

De repente, o vulcão fez um som de tosse: “Brrrmmm!”

Um pouco de cinza caiu do teto como farinha. Todos se encolheram.

“Tudo bem,” disse Risco, levantando a voz com carinho. “É só poeira do teto. Olhem para mim. Vamos sair juntos.”

Lume acendeu ainda mais as placas brilhantes, e a luz dele pareceu dizer: “Sigam-me.” A gruta ficou menos escura, e o medo ficou mais pequeno.

Capítulo 4: A ponte de pedra morna

O grupo começou a andar em fila, como uma minhoca gigante e bem organizada. Risco ia ao lado dos mais pequenos.

“Como te sentes?” perguntou ele a um filhote que espirrava.

“Eu sinto… cócegas no nariz,” respondeu o filhote.

“Então faz assim.” Risco ensinou: “Cheira uma folha fresca, devagar. Ajuda.”

Lume guiava à frente, parando de vez em quando para tocar o chão com a ponta da cauda. “Aqui está fresco. Aqui está morno. Aqui não.”

Chegaram a um lugar onde o túnel se abria e havia uma espécie de ponte natural: uma placa de pedra por cima de um buraco profundo. Lá em baixo, via-se um brilho vermelho distante, como um lago de fogo muito longe. Não havia perigo ali em cima, mas a visão fazia o estômago dar uma voltinha.

Um filhote sussurrou: “É como… sopa de tomate gigante.”

Risco quase riu. “Sim, mas ninguém vai provar.”

Lume falou: “A ponte é segura. Vamos atravessar devagar, um de cada vez.”

A dinossauro mais velha hesitou. “E se a ponte tremer?”

“Eu vou primeiro,” disse Risco.

Todos olharam para ele. Risco sentiu as patas a ficarem um pouco moles. O medo estava ali, sentado como um passarinho no ombro. Mas ele não deixou o passarinho mandar.

Ele olhou para o rebanho e depois para Lume. “Se eu conseguir, vocês conseguem.”

Risco começou a atravessar. Passo… passo… passo… Ele sentia o calor a subir, mas a pedra não se movia. No meio, ele parou um segundo e respirou fundo.

“Estou bem!” gritou. “A ponte é forte!”

Chegou ao outro lado e virou-se. “Venham! Eu estou aqui.”

Um a um, os outros atravessaram. Alguns tremiam um pouco, mas todos passaram. Lume foi por último e, com o seu brilho, ajudou quem não gostava de olhar para baixo.

Quando todos estavam do outro lado, o vulcão soltou outro suspiro grande: “Fuuuu…”

Saiu vapor por uma fenda, como uma nuvem branca a correr. Não era perigoso, mas surpreendeu.

“É só o vulcão a bocejar,” disse Lume. “Ele faz isso quando está cansado.”

O filhote da “sopa de tomate” riu-se. “Então vamos deixar o vulcão dormir!”

Risco apontou para a frente. “Já sinto ar fresco.”

E era verdade: o túnel começou a ficar mais claro, com cheiros de plantas e vento. O grupo apressou o passo, sem correr, mas com alegria a crescer.

Capítulo 5: O rebanho inteiro e o brilho da coragem

Saíram do vulcão por uma abertura lateral, numa encosta onde cresciam fetos altos. O céu estava azul, com algumas nuvens, e a cinza no ar era só uma poeira leve que o vento ia levando embora.

O rebanho parou para respirar. Alguns deitaram-se na relva, outros beberam água de um riacho próximo. O filhote que espirrava deu um último “atchim!” e depois sorriu, como se o nariz finalmente tivesse feito as pazes com o mundo.

A dinossauro mais velha aproximou-se de Risco. “Tu perdeste-nos… e mesmo assim encontraste-nos.”

Risco baixou a cabeça, um pouco envergonhado. “Eu só… eu não queria que ninguém ficasse sozinho.”

“E não ficou,” disse ela. “Porque tu voltaste. Isso é coragem.”

Risco olhou para Lume. “E porque ele me ajudou.”

Lume abanou a cauda, humilde. “Eu só mostrei o caminho. Quem carregou o coração foi o Risco.”

Um filhote puxou a ponta da cauda de Lume. “Tu brilhas mesmo! Dá para ler histórias com a tua luz?”

“Se as histórias forem curtas,” respondeu Lume, divertido. “Eu também preciso descansar as placas.”

Risco lembrou-se da promessa. Fez a cara de caracol assustado: os olhos muito abertos, a boca torta, e a língua um bocadinho de fora.

Lume ficou parado um segundo… e depois riu tanto que quase caiu de lado. “É perfeita! Parece um caracol que viu uma pedra!”

O rebanho todo começou a rir. A risada subiu para o céu como um bando de passarinhos felizes.

Mais tarde, quando o sol começou a descer, Risco caminhou ao lado dos seus, sentindo-se leve. O medo tinha passado, mas deixara uma marca boa: ele agora sabia que podia atravessar coisas difíceis.

Lume caminhou com eles até um cruzamento de trilhas. “Aqui eu viro para a minha colina brilhante,” disse ele.

Risco aproximou-se. “Obrigada, Lume. Foste um guia… e um amigo.”

Lume sorriu. “E tu foste corajoso. Quando a Terra cantar alto, lembra-te: passos pequenos, coração grande.”

Risco repetiu, para guardar bem: “Passos pequenos, coração grande.”

Lume começou a afastar-se, e o brilho dele foi ficando mais suave, como uma estrela a dizer boa noite. Antes de desaparecer entre os fetos, ele gritou: “Não te esqueças: a tua cara de caracol é um tesouro!”

Risco riu e respondeu: “E o teu brilho também!”

O rebanho seguiu junto, inteiro, conversando e contando como cada um tinha sentido um friozinho na barriga… e como, mesmo assim, tinham caminhado. E enquanto o vento balançava as folhas, parecia que o mundo pré-histórico aplaudia baixinho, feliz por ver uma coragem tão gentil.

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Pré-histórico
Que veio de tempos muito antigos, quando viviam dinossauros na Terra.
Enxofre
Um cheiro forte parecido com ovo podre, que vem de rochas quentes.
Anquilossauro
Um tipo de dinossauro com corpo baixo e uma armadura no dorso.
Placas
Peças duras no corpo de alguns dinossauros, como escudos naturais.
Cristais
Pedrinhas brilhantes que nascem em rochas e parecem vidro dentro da terra.
Resmunga
Falar baixinho e zangado, como quando alguém reclama sem gritar.
Cinza
Pó que sobra depois de algo que queima, como de fogo ou vulcão.
Lava
Rocha derretida muito quente que sai de um vulcão.
Túnel
Passagem comprida e fechada por onde se pode andar dentro da terra.
Espreguiçar-se
Esticar o corpo devagar para acordar ou sentir-se melhor.
Vulcão
Montanha que pode soltar fogo, fumaça e pedra derretida.
Fumacinha
Pequena nuvem de fumaça, como quando algo solta um suspiro quente.
Poça quente
Lagoa pequena de água muito quente que borbulha.
Vaga-lumes
Insetos que piscam luz no corpo à noite, como lanternas vivas.

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