Carregando...
História de dinossauro 7 a 8 anos Leitura 17 min.

A ponte do velho árvore-relógio e o protetor silencioso

Lumo e sua amiga Tita partem em busca do Velho Árvore-Relógio perdido, enfrentando mistérios ao longo da ribeira e fazendo amizade com um estegossauro protetor. A jornada ensina-lhes que confiar nos outros e em si mesmos revela caminhos inesperados.

Baixar esta história em PDF

Ideal para compartilhar ou imprimir esta história!

Baixar o e-book (.epub)

Leia esta história no seu leitor de e-books.

Lumo, um jovem diplodoco de pescoço longo e pele verde-clara com manchas douradas, inclina-se para cheirar e tocar a velha casca do tronco-ponte; Tita, pequena tricerátops redonda de carapaça creme e olhos vivazes, equilibra-se sobre o tronco com folhas no lugar de chapéu; Xis, um estegossauro maciço de placas castanhas, vigia a margem com a cauda apoiada como barreira; cena de amizade e confiança numa clareira úmida coberta de musgo, pedras lisas e um riacho prateado correndo sob o tronco, com raios de sol filtrando entre as árvores. reportar um problema com esta imagem

Capítulo 1

Na época em que as manhãs cheiravam a samambaias molhadas e o sol parecia uma moeda quente no céu, vivia um jovem diplodoco chamado Lumo. Ele era comprido, curioso e tinha um jeitinho especial de olhar para tudo como se o mundo fosse um grande livro aberto.

“Por que as nuvens mudam de forma?” perguntava Lumo, esticando o pescoço devagarinho.

“Porque gostam de brincar,” respondia a sua amiga Tita, uma tricerátopo pequena e esperta. “E porque o vento é o mestre das brincadeiras.”

Lumo ria com um som macio, como água passando por pedras lisas. O que ele mais gostava era de entender. E, naquele dia, ele tinha uma pergunta maior que as outras: onde estava o Velho Árvore-Relógio?

O Velho Árvore-Relógio era um marco antigo, conhecido por todos os dinossauros da planície. Não era um relógio de verdade, claro. Mas as suas folhas mudavam de cor um pouquinho a cada estação, e a casca tinha marcas naturais que pareciam riscos de tempo. Diziam que, quando alguém se sentia perdido, bastava encostar o focinho na sua casca e respirar fundo: a confiança voltava, como se o coração encontrasse o caminho de casa.

Só que, depois de uma tempestade que dançou e rodopiou por três noites, ninguém tinha visto o velho árvore. Alguns diziam que ele tinha sido escondido pela neblina. Outros achavam que ele tinha “saído a passear” (Tita adorava essa ideia e até acenava para as árvores, como se uma delas pudesse responder).

Lumo não gostava de não saber. E também não gostava de ver os outros dinossauros meio inseguros.

“Eu vou encontrar o Velho Árvore-Relógio,” anunciou ele, com firmeza.

Tita inclinou a cabeça. “E se ele estiver longe?”

“Então eu vou mais longe,” respondeu Lumo. “E se eu não souber o caminho… eu aprendo.”

Tita sorriu. “Posso ir com você?”

Lumo pensou. A aventura parecia grande, e ele queria fazer tudo direitinho. Mas ele também sabia que confiança não era só seguir sozinho. Às vezes era confiar num amigo.

“Pode. Mas vamos devagar, e vamos ouvir o rio. O rio sempre sabe coisas.”

E assim, os dois partiram rumo à parte mais curiosa da floresta: uma grande margem onde uma ribeira sinuosa fazia curvas como se estivesse desenhando no chão.

Capítulo 2

A ribeira não era uma linha reta. Era um caminho brilhante que se mexia, mudava de ideia e voltava a mudar. Às vezes ela parecia sussurrar; outras vezes, cantava mais alto, batendo em pedras.

“Olá, ribeira,” disse Lumo, educado. “Estamos à procura do Velho Árvore-Relógio. Você viu?”

A água respondeu com um borbulhar alegre, como se estivesse rindo de cócegas.

Tita aproximou o chifre pequeno da superfície. “Eu acho que isso significa ‘talvez'.”

Eles caminharam pela margem, com o som da água como companhia. Pelo caminho, encontraram pequenas surpresas: uma pedra que parecia uma cara sorridente, um tronco que lembrava uma ponte, e até uma folha grande o suficiente para servir de “chapéu” para Tita.

“Veja, agora sou uma rainha!” disse ela, colocando a folha na cabeça.

Lumo abaixou o pescoço e fingiu uma reverência. “Vossa Majestade das Samambaias.”

Eles riram, e a ribeira pareceu rir também.

Mas então a margem ficou mais estreita. A ribeira fez uma curva tão apertada que quase abraçou a terra. No meio dessa curva, havia um trecho de água mais escura, por causa da sombra de rochas altas.

Tita parou. “Hum… parece diferente aqui.”

Lumo olhou com atenção. Ele não sentia medo. Só sentia aquela coisinha que dá quando a gente não entende bem uma parte do caminho.

“É só sombra,” disse ele, tentando falar com calma para o próprio coração. “Sombra não morde.”

Mas, quando ele deu mais um passo, ouviu um som… não era o da água. Era um “toc… toc…” bem lento, como se alguém estivesse batendo de leve numa pedra.

“Você ouviu?” sussurrou Tita.

“Ouvi.”

O “toc… toc…” parou. O silêncio ficou tão redondo que parecia uma bola.

“Quem está aí?” perguntou Lumo, com voz firme e gentil.

Nenhuma resposta. Apenas uma brisa passando.

Tita aproximou-se de Lumo, encostando de leve no seu pé enorme. “Talvez seja só… um eco?”

Lumo não tinha certeza. E era aí que a confiança precisava aparecer. Ele respirou fundo, como se o ar pudesse organizar as ideias dentro dele.

“Seja lá quem for, não queremos briga,” disse ele para a sombra. “Só queremos encontrar um velho árvore.”

Nesse momento, algo se mexeu. Não foi um salto. Não foi um rugido. Foi apenas um deslocar silencioso, como folha que cai sem querer chamar atenção.

De trás das rochas, apareceu um dinossauro grande e escuro, com placas nas costas. Um estegossauro. Ele não falou. Só olhou.

O olhar dele era calmo, mas muito atento. Como um guarda que não dorme.

Tita engoliu em seco. “Ele… ele não fala?”

Lumo manteve o pescoço erguido, mas suave. “Olá. Eu sou Lumo. Esta é Tita. Estamos perdidos… quer dizer, quase perdidos.”

O estegossauro piscou devagar. Depois, com a ponta do rabo, apontou para a água, bem na curva.

“Ele está mostrando algo,” disse Lumo.

Na superfície, havia redemoinhos pequenos, como círculos dançando. E, bem no centro, uma flor que girava sem sair do lugar.

“Que estranho,” murmurou Tita. “É bonito, mas estranho.”

O estegossauro fez um som baixo, quase como um suspiro. E apontou para uma pedra seca mais acima, longe da margem estreita.

Lumo entendeu. “Ele quer que a gente suba. Para não ficar perto do redemoinho.”

Tita arregalou os olhos. “Então ele está… protegendo!”

Lumo sorriu. “Um protetor silencioso.”

Eles subiram, com cuidado. Lá em cima, a ribeira parecia menos misteriosa e mais brincalhona de novo. O estegossauro os seguiu a uma distância certa, sem pressa.

Tita cochichou: “Como a gente agradece alguém que não fala?”

Lumo pensou. Depois, falou alto, com sinceridade. “Obrigado por cuidar da margem. Você pode caminhar conosco, se quiser.”

O estegossauro não respondeu com palavras. Mas caminhou ao lado deles, como se dissesse “sim” com os passos.

Capítulo 3

O caminho continuou por entre pedras, plantas altas e luzes que escapavam do topo das árvores como fitas douradas. Em alguns trechos, a ribeira se dividia em dois braços, como se ficasse indecisa.

“Qual lado?” perguntou Tita.

Lumo olhou para a água, depois para o céu, tentando ligar pistas como quem monta um quebra-cabeça.

O estegossauro, sempre calado, aproximou-se do chão e cheirou uma marca úmida numa pedra. Depois, com cuidado, colocou uma placa das costas bem perto, como se escutasse vibrações. Então apontou para o braço da esquerda.

Tita abriu um sorriso. “Ele tem um jeito de sentir o caminho!”

Lumo sentiu uma alegria quente. Não era só por ter uma direção. Era por perceber que confiar podia ser também aprender com o jeito do outro.

“Vamos pela esquerda,” decidiu Lumo.

A ribeira fez uma curva grande, depois outra, e mais outra, como uma serpente de prata. Em certo ponto, o som da água ficou mais alto. Não era perigoso; era como uma música mais animada. Eles chegaram a uma parte onde a ribeira corria por cima de pedrinhas, fazendo espuma branca.

Tita pulou para perto, sem entrar na água. “Parece leite de coco!”

Lumo riu. “Você já viu leite de coco?”

“Não, mas eu imagino,” disse ela, com cara séria, e isso fez Lumo rir mais ainda.

O estegossauro observou os dois, e por um segundo pareceu… quase divertido. Ele não sorriu (estegossauros não eram muito de mostrar sorriso), mas seus olhos ficaram mais leves.

Depois, a margem se abriu numa clareira. No centro dela, havia muitas árvores. Algumas novas, algumas tortas, algumas cheias de ninhos. Lumo sentiu o coração acelerar.

“Será aqui?” perguntou ele.

Eles entraram na clareira com respeito. A ribeira passava ao lado, dando uma volta completa como se quisesse mostrar tudo.

Lumo olhou para cada tronco. Um por um. Nenhum tinha as marcas do tempo que ele conhecia.

Tita percebeu a expressão dele. “Não desanima,” disse ela, encostando o ombro no seu corpo enorme. “Talvez ele esteja por perto.”

Lumo respirou. “Eu só… quero fazer certo.”

O estegossauro caminhou até uma árvore mais grossa e bateu a ponta do rabo no chão: “tum… tum…” bem de leve. Depois, apontou para a ribeira, como se dissesse: siga.

“Ele acha que não é aqui,” disse Lumo. “Vamos continuar.”

Eles seguiram, e a ribeira ficou mais estreita. Em certos lugares, a água parecia tão clara que dava para ver peixinhos rápidos. (Sim, naquela época já havia peixes, e eles eram especialistas em brincar de esconde-esconde.)

De repente, Tita parou e apontou com o focinho. “Olha! Ali!”

Na margem, parcialmente escondido por folhas, havia um pedaço de casca antiga, com marcas parecidas com riscos.

Lumo correu o mais rápido que um diplodoco consegue correr (o que era mais um “andar com muita vontade”), e empurrou as folhas com cuidado.

Não era o Velho Árvore-Relógio inteiro. Era uma parte do tronco caída, como um pedaço de história no chão.

Lumo ficou em silêncio por um momento. Ele não estava triste, mas sentia uma coisa apertadinha: e se o velho árvore tivesse mesmo desaparecido?

Tita falou baixinho. “Talvez ele tenha caído na tempestade.”

O estegossauro aproximou-se. Cheirou o tronco caído. Depois, caminhou até a ribeira e apontou para a água. No fundo, perto das pedras, havia raízes grossas. Muitas raízes.

Lumo piscou. “Raízes… na água?”

A ribeira, como se estivesse esperando essa pergunta, fez um brilho diferente. A luz bateu e mostrou algo: um tronco enorme, deitado, atravessando um braço do rio, coberto de musgo e folhas. Não era fácil ver de longe. Parecia parte da margem.

“Ele está ali!” gritou Tita. “O velho árvore caiu e virou… uma ponte!”

Lumo sentiu uma onda de alívio tão grande que quase parecia a própria ribeira passando dentro dele.

“Então não sumiu,” disse ele. “Só mudou de lugar.”

Capítulo 4

Eles chegaram perto do grande tronco caído. Era mesmo o Velho Árvore-Relógio. As marcas do tempo estavam lá, e as folhas, mesmo espalhadas, ainda tinham tons diferentes, como se guardassem as estações dentro delas.

Lumo aproximou o focinho da casca e respirou fundo. O cheiro era de madeira antiga, sol e chuva juntos. E, como diziam as histórias, algo bom aconteceu: o coração dele ficou mais calmo, mais firme, como se dissesse: “Você consegue.”

Tita encostou também. “É quentinho,” disse, surpresa. “Eu achei que árvore era só árvore… mas esse é especial mesmo.”

A ribeira passava por baixo do tronco e fazia um som contente, como palmas de água.

Lumo olhou para o estegossauro. “Foi você que guardou este lugar, não foi?”

O estegossauro não respondeu. Mas ficou bem ao lado do tronco, como um muro gentil. Um protetor que não precisava de palavras.

“Eu queria saber seu nome,” disse Tita, curiosa.

O estegossauro olhou para uma pedra lisa e, com a ponta do rabo, desenhou na terra úmida um símbolo simples: duas linhas cruzadas, como um X bem aberto. Depois, apontou para si.

Lumo pensou. “X… Cruz?”

Tita inclinou a cabeça. “Ou… Xo?”

Lumo riu baixinho. “E se for ‘Xis'? Porque é o som da letra.”

Tita bateu o pé. “Sim! ‘Xis'! Que nome engraçado e bom.”

O estegossauro piscou, como se aceitasse.

Lumo sentiu uma vontade grande de agradecer de um jeito que Xis entendesse.

“Xis,” disse ele devagar, “eu confiei em você mesmo sem você falar. E isso me ajudou a confiar em mim também. Obrigado.”

Xis encostou a placa das costas no tronco do Velho Árvore-Relógio, como quem faz uma promessa silenciosa: “eu cuido.”

Tita olhou para a ponte-árvore. “Agora ele é um marco diferente. Em vez de ficar em pé e dizer ‘estou aqui', ele virou caminho e diz ‘passem por aqui'.”

“Isso é bonito,” disse Lumo. “Às vezes, quando a vida muda a gente… a gente vira outra coisa útil.”

Eles atravessaram o tronco com cuidado. Para Lumo, era fácil, porque ele era comprido e equilibrado. Para Tita, parecia uma aventura de circo. Ela abriu os braços como se fossem asas.

“Estou andando num relógio de árvore!” anunciou.

“Não caia, Vossa Majestade das Samambaias,” brincou Lumo.

“Eu nunca caio!” disse Tita… e aí escorregou um tiquinho.

O coração de Lumo deu um pulo. Mas, antes que qualquer susto durasse, Xis colocou o rabo bem na frente dela, como uma barreira macia.

Tita recuperou o equilíbrio e ficou corada. “Eu… eu quis testar se o rabo dele era confiável.”

Lumo riu, aliviado. “E foi.”

Do outro lado, a clareira se abria para a planície. O caminho de volta parecia mais simples, como se o mundo dissesse: “Vocês já aprenderam o que precisavam.”

Lumo olhou para o Velho Árvore-Relógio, agora ponte, e depois para a ribeira sinuosa que continuava sua dança. Ele pensou em todas as perguntas que ainda tinha, e sentiu alegria por isso. Perguntar era bom. Descobrir era melhor ainda. E confiar… era como ter uma luz por dentro.

Tita encostou nele. “Quando contarmos para os outros, eles vão ficar tranquilos.”

“Sim,” disse Lumo. “Vamos dizer que o marco está aqui. E que ele não desapareceu. Ele só virou ponte.”

E então Lumo olhou para Xis. “Você vem conosco?”

Xis hesitou por um segundo. Depois, caminhou até a sombra de uma árvore e ficou ali, parado, como um guardião escolhido pelo próprio lugar.

Tita entendeu. “Ele fica. Ele é o protetor.”

Lumo assentiu. “Um protetor silencioso. E um amigo.”

Antes de partir, Lumo abaixou o pescoço e falou com o rio: “Obrigada, ribeira sinuosa. Você teve surpresas, mas também teve respostas.”

A água brilhou e correu, como se dissesse: “Voltem sempre.”

Lumo e Tita seguiram pela planície com passos firmes. Não porque o caminho fosse perfeito, mas porque eles tinham aprendido algo precioso: confiança é uma ponte. Às vezes feita de palavras, às vezes de silêncio, e às vezes do tronco de uma velha árvore que, mesmo caída, ainda sabe apontar o caminho.

Sem publicidade 3 € por mês

Deseja uma leitura sem interrupções? Apoie Oh My Tales, remova todos os anúncios e aproveite outras vantagens incluídas a partir de 3€ por mês.

Veja os planos e tarifas
Compartilhar

reportar um problema com esta história

O que você achou desta história?

Dê sua opinião atribuindo uma nota a esta história com base no que você e/ou seu filho acharam. Obrigado antecipadamente!

Obrigado! Sua nota foi levada em conta!

O quiz: você entendeu bem a história?

Samambaias
Plantas verdes que gostam de lugares úmidos e têm folhas divididas.
Diplodoco
Um dinossauro grande e comprido com pescoço longo e cauda longa.
Tricerátopo
Dinossauro com três chifres na cabeça e um grande escudo na nuca.
Estegossauro
Dinossauro com placas grandes nas costas e cauda com pontas.
Neblina
Nuvem baixa e fina que deixa o ar úmido e dificulta ver longe.
Ribeira
Pequeno curso de água, como um riacho que corre pela terra.
Redemoinhos
Movimentos circulares da água que giram e podem puxar coisas.
Clareira
Lugar aberto numa floresta onde há mais luz e menos árvores.
Musgo
Planta pequena e macia que cresce sobre pedras e troncos molhados.
Raízes
Partes da planta que ficam debaixo da terra e puxam água e alimento.
Placas
Partes duras no corpo do estegossauro, como escudos nas costas.
Vibrações
Pequenos tremores ou movimentos que podemos sentir ou ouvir.

Crie uma história mágica e única para o seu filho!

Crie em poucos minutos uma aventura personalizada onde seu filho se torna o herói. Com nossa ferramenta exclusiva, é fácil, gratuito e divertido!

Criar uma história

Baixe esta história:

Baixar esta história em PDF Baixar o e-book (.epub)

A ler em seguida em Histórias de dinossauros para 7 a 8 anos

Receba novas histórias todos os domingos à noite!

Receba 7 histórias emocionantes e cativantes, adaptadas à idade e aos gostos do seu filho, todo domingo às 17h*. É grátis e garantido sem spam!
*E-mail enviado às 16h00, hora de Lisboa.
Nós também não gostamos de spam. Assim, nós só lhe enviaremos histórias. Você poderá se descadastrar quando desejar.