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História sobre a guerra 11 a 12 anos Leitura 10 min.

Pombas de papel e gestos de paz

Sofia e suas amigas enfrentam o medo causado pelas notícias de conflitos e, com a ajuda de uma vizinha, aprendem sobre os símbolos da paz e a importância de dialogar, transformando suas preocupações em ações positivas na escola.

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Há 4 crianças: - Sofia: uma menina de 12 anos com longos cabelos castanhos e olhos brilhantes. Ela usa uma camiseta azul e jeans, segurando uma pomba de papel com um sorriso encorajador. - Inès: uma menina de 12 anos com cabelos curtos e cacheados, usando óculos. Ela veste um vestido colorido e escreve em um pequeno caderno, sentada ao lado de Sofia. - Yara: uma menina de 12 anos com cabelos negros trançados e pele caramelo. Ela usa um moletom rosa e está de pé, mostrando um desenho de símbolo da paz para suas amigas. - Lara: uma menina de 12 anos com cabelos loiros e sardas. Ela está pintando um grande painel com cores vivas, logo atrás de Inès. O cenário é uma sala de aula iluminada, com paredes decoradas com desenhos de crianças e pôsteres coloridos sobre a paz. Há mesas de madeira e cadeiras dispostas em círculo, com lápis e folhas espalhados. Uma grande janela deixa entrar a luz do sol, iluminando os rostos das crianças. A situação principal mostra os quatro crianças preparando um evento sobre a paz, rindo e trocando ideias, cada uma segurando um símbolo de paz, como uma pomba de papel ou um desenho colorido. A atmosfera é alegre e criativa, cheia de energia positiva e esperança. reportar um problema com esta imagem

Capítulo 1 — O medo na sala de estar

Sofia estava sentada no sofá com a mãe quando a televisão mostrou pessoas a falar sobre um conflito longe dali. As imagens eram rápidas. Vozes sérias. Sofia sentiu um aperto no peito. Não sabia o que aquilo significava de verdade.

— E se nos acontecer também? — sussurrou ela.

— O que aconteceu, querida? — perguntou a mãe, inclinando-se para perto.

Sofia encontrou as palavras aos poucos. Falou do barulho das notícias. Da ideia de casas a partir. Da sensação de não conseguir dormir. A mãe ouviu. Abraçou-a. Disse que estava ali para conversar sempre que fosse preciso.

No dia seguinte, Sofia encontrou as amigas no recreio. Inês, Lara e Yara repararam na cara dela. Eram quatro amigas de doze anos. Todas sentiam um pouco de medo quando ouviam a palavra guerra.

— Vamos ao clube de leitura mais tarde? — propôs Inês.

— Quero ir onde possamos falar sobre isto, — disse Sofia. — Não sei bem o que a palavra quer dizer.

As amigas prometeram investigar. Falar era o primeiro passo.

Capítulo 2 — O plano das quatro

No clube da biblioteca, a professora Carla ouviu as perguntas das meninas. Era uma pessoa calma. Sorriu e disse que era bom perguntar e aprender. Propôs um pequeno projeto: descobrir o que são os símbolos da paz e como as pessoas respondem aos conflitos sem violência.

— Vamos falar com a vizinha do quinto andar. Ela veio de outro país e conhece muitas histórias, — sugeriu a professora.

Amira, a vizinha, recebeu-as com chá e bolachas. Tinha mãos que sabiam costurar e uma voz tranquila. Contou que, quando era pequena, como elas, gostava de desenhar pombas. Falou que ouvir sobre conflitos deixa o coração pesado. Mas também disse que havia maneiras de aliviar o medo — conversar, escutar, ajudar.

— A paz começa em coisas pequenas, — explicou Amira. — Gestos, símbolos e conversas. Vamos ensinar-vos alguns?

As meninas ficaram curiosas. Era como abrir uma caixa cheia de peças para montar.

Capítulo 3 — Os símbolos e o que significam

Amira mostrou desenhos antigos e fotos. Falou de pombas, ramos de oliveira, bandeira branca e o símbolo circular da paz. Contou as histórias de forma simples.

— A pomba é um sinal que muitas culturas usam para dizer: quero calmaria e um lugar seguro, — disse Amira. — Não é só um desenho bonito. É um convite para deixar de lado o medo e falar.

Ela pegou um ramo de oliveira de um vaso e explicou:

— O ramo de oliveira tem sido usado há muito tempo. É um sinal de reconciliação. Quando se entrega um ramo, está-se a dizer: quero solução, não luta.

Em seguida, mostrou uma bandeira branca dobrada cuidadosamente.

— A bandeira branca é para pedir uma pausa. Para dizer: vamos conversar antes de continuar. Não é um sinal de fraqueza. É um pedido de diálogo.

As meninas olharam para um símbolo simples desenhado num papel — um círculo com linhas no meio.

— Esse símbolo nasceu quando um grupo de pessoas quis que parassem os perigos novos, — explicou Amira. — Hoje, é um pedido por segurança e respeito.

Amira não falou apenas dos símbolos. Falou também de ações concretas que correspondem a eles: ouvir quando alguém chora, dividir o que se tem, ajudar quem perdeu algo, explicar um problema com palavras em vez de empurrões. Cada símbolo passou a ter uma ação na cabeça das meninas.

— Se viste alguém com medo, podes oferecer atenção, — disse Yara, já a pensar em voz alta. — Ou chamar um adulto.

Inês sorriu e escreveu as ideias num caderno. Sofia repetia as palavras devagar, como se fossem chaves para fechar o medo.

Capítulo 4 — Mãos à obra

As quatro amigas decidiram fazer um gesto prático. Queriam partilhar o que tinham aprendido com os miúdos mais novos da escola. Com a ajuda da professora Carla e de Amira, organizaram uma tarde chamada "Símbolos e Gestos de Paz".

Passaram a semana a preparar. Dobraram pombas de papel, pintaram ramos de oliveira em cartolina e costuraram pequenas bandeiras brancas para segurar. Lara trouxe tintas e pincéis; Inês fez um folheto com palavras fáceis; Yara aprendeu uma breve peça de teatro onde duas crianças resolvem um desentendimento conversando.

Enquanto trabalhavam, Sofia ia ficando mais calma. As mãos ocupadas, os dedos a dobrar papel, o riso das amigas. Era tranquilizador transformar o medo em algo que se podia tocar.

— Acho que quando eu fizer uma pomba para alguém, vou dizer: "Isso é para quando te sentires sozinho", — murmurou Sofia.

— E se te sentires assustada outra vez, fala comigo, — respondeu Lara. — Ou com a professora. Não tens de guardar isso sozinha.

A promessa ficou escrita num bilhete e colada no caderno que levavam para o evento.

Capítulo 5 — A tarde da paz

No dia do evento, a sala pequena encheu-se de risos e de crianças que queriam aprender. As quatro abriram com uma pequena explicação. Mostraram a pomba, o ramo e a bandeira. Explicaram com calma o que cada um significava.

— A bandeira branca não é só para grandes coisas, — disse Inês. — Às vezes usamos uma palavra calma para pedir uma pausa numa briga do recreio. É a nossa bandeira branca.

Na peça, dois miúdos discutiam por um brinquedo. Em vez de empurrões, sentaram-se, respiraram e explicaram o que lhes doía. Um adulto — a professora — ajudou-os a encontrar uma solução. No final, apertaram as mãos e partilharam o brinquedo.

Uma menina pequena levantou a mão.

— E se alguém estiver longe e a guerra for grande? — perguntou ela com os olhos arregalados.

Amira respondeu, com a voz suave:

— Mesmo quando as coisas são grandes e assustam, nós podemos fazer coisas pequenas para ajudar. Podemos ouvir, doar roupas, acolher quem precisa, enviar cartas de apoio. E podemos sempre falar com um adulto se nos sentirmos confusos ou com medo.

As crianças pintaram pombas e escreveram mensagens de esperança. Sofia entregou uma pomba de papel a um menino que parecia tímido.

— Para quando precisares de calma, — disse ela.

Ele sorriu timidamente. O gesto foi simples. Mas para Sofia parecia um passo enorme.

Capítulo 6 — Depois do evento: o que ficou

As semanas seguintes trouxeram dias normais. Às vezes, Sofia via outra notícia na televisão e o medo voltava por um instante. Mas agora sabia o que podia fazer. Lembrava-se da pomba no bolso, do bilhete das amigas, do chá de Amira. Falava com a mãe. Contava à professora quando algo a preocupava. E conversava com as amigas sobre as coisas que apertavam o coração.

As quatro criaram um caderno de paz na escola. Nele, qualquer aluno podia escrever um medo, desenhar um símbolo ou pedir ajuda. Era um lugar seguro, cuidado pelos professores e aberto a todos.

— A guerra é um problema grande, — disse Sofia um dia ao anotar uma frase no caderno. — Mas há sinais e gestos que nos ajudam a ficar mais calmos e mais unidos.

— Precisamos uns dos outros, — afirmou Inês. — A paz nasce quando as pessoas escutam e ajudam.

Amira visitava a turma de vez em quando. Trazia histórias e receitas. Contava como, mesmo em momentos difíceis, existem pequenas pontes que unem as pessoas. Essas pontes fazem-se de diálogo, de abrigo, de partilha.

No fim, as meninas perceberam algo importante: conhecer símbolos da paz ajuda a transformar o medo em ação. Uma pomba de papel não acaba com um conflito no mundo. Mas pode lembrar alguém de respirar. Um ramo desenhado pode lembrar dois amigos a resolverem uma luta com palavras. Uma bandeira branca pode ser a coragem de pedir uma pausa e falar.

Sofia, Inês, Lara e Yara continuaram a ser amigas. Continuaram a ouvir e a ajudar. E sempre que lhes surgia uma preocupação grande demais, lembravam-se de um conselho que ouviram no começo:

— Fala com um adulto de confiança. Não carregues o medo sozinho.

E assim, com gestos pequenos e palavras verdadeiras, as meninas aprenderam que a paz começa no gesto de cada dia.

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Conflito
Uma situação em que duas ou mais pessoas ou grupos têm opiniões ou interesses opostos, levando a desentendimentos ou brigas.
Reconciliação
O ato de restaurar a amizade ou harmonia entre pessoas que estavam em desacordo ou briga.
Símbolos
Imagens ou sinais que representam ideias, sentimentos ou conceitos, como a paz.
Dialogar
Conversar, trocar ideias ou opiniões entre duas ou mais pessoas.
Gestos
Ações ou movimentos que expressam sentimentos, intenções ou mensagens sem usar palavras.
Tranquilizador
Algo que acalma ou traz segurança, tirando a sensação de medo ou preocupação.

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