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História divertida de fraternidade 9 a 10 anos Leitura 15 min.

O tribunal das almofadas e o mistério do último biscoito

Inês e Tomás entram numa disputa pelo último biscoito que desencadeia travessuras, um misterioso “monstro” no canto dos abraços e um plano para resolver o conflito com calma e imaginação.

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Uma menina de 10 anos, rosto redondo, cabelo castanho em rabo de cavalo, olhar malicioso e concentrado, roupa colorida (suéter amarelo e jeans), segura uma grande lanterna prateada que projeta um cone de luz sobre almofadas; o irmão mais velho de cerca de 13 anos, cabelo castanho desgrenhado, expressão culpada e sorridente, ajoelhado atrás de uma manta com a mão na boca, próximo à menina; a mãe, silhueta desfocada e sorriso terno, aparece no batente da porta com as mãos na cintura; um grande urso de pelúcia bege (Senhor Bigodes) entre as crianças como juiz silencioso; no canto aconchegante da sala: tapete macio, almofadas coloridas empilhadas, caixa de biscoitos aberta e vazia com migalhas, um mini ventilador USB escondido vibrando entre as almofadas e uma manta em formato de tenda; a menina ilumina o canto revelando o "monstro" — o mini ventilador — enquanto o irmão confessa sorrindo, cena bem-humorada com cores quentes, sombras nítidas e texturas de recorte e colagem. reportar um problema com esta imagem

Capítulo 1: A Guerra do Último Biscoito

A Inês tinha 10 anos e uma certeza muito séria: o último biscoito de chocolate da caixa tinha dono. E, claro, o dono era ela.

Só que o Tomás, o irmão mais velho, tinha outra certeza muito séria: se um biscoito está sozinho, está a chamar por companhia. A dele.

Na cozinha, os dois ficaram a olhar para a caixa aberta como se fosse um tesouro pirata.

— Esse é meu — disse a Inês, cruzando os braços.

— Teu? Tem o teu nome escrito? — provocou o Tomás, já com a mão a fazer “plim!” no ar, quase a apanhar.

— Tem sim. Invisível. É tinta especial. Só os mais novos conseguem ver — respondeu a Inês, com um sorriso de quem tinha inventado uma lei do universo.

— Ah, então eu vou buscar uns óculos de bebé.

— Vai, vai. E aproveita e traz uma chupeta.

O Tomás fez um “hmpf!” exagerado, como se fosse um rei ofendido, e saiu. A Inês encostou a caixa ao peito, triunfante.

Mas, quando voltou a olhar… o biscoito já não estava.

— QUÊ?! — ela girou sobre si mesma. — Tomás!

Do corredor, veio uma voz inocente demais para ser verdadeira:

— Eu? Nem vi biscoitos! Só vi… ar!

A Inês franziu os olhos. Aquilo cheirava a mal-entendido… e a chocolate.

Capítulo 2: O Canto dos Abraços e o Mistério do “Monstro”

Na sala havia o “canto dos abraços”, um cantinho com almofadas gigantes, uma manta fofinha e um urso de peluche chamado Senhor Bigodes. Era o lugar onde a mãe dizia: “Cinco minutinhos de calma, por favor.” E, normalmente, funcionava… mais ou menos.

A Inês entrou a passo de detetive e encontrou o Tomás meio escondido atrás da manta.

— Apanha-te! Devolve o biscoito! — sussurrou ela, como se estivesse num filme de espionagem.

— Shhh! — o Tomás apontou para o canto dos abraços. — Não podes gritar… há um monstro.

— Um monstro? Aqui? — A Inês olhou para o Senhor Bigodes. — Ele mal sabe respirar.

— Não, não. Um monstro muito pior… o Monstro das Almofadas Assustadoras.

Nesse momento, uma almofada do canto fez um barulho estranho: “Pfff… pfffff… PRRR!”

A Inês congelou.

— Isso… isso foi uma almofada a… a bufar?

— Viste?! — sussurrou o Tomás, arregalando os olhos. — Eu avisei!

“PRRR!”

A manta mexeu-se sozinha. A Inês deu um passo atrás, depois outro, até bater no sofá.

— Está bem… talvez seja… o vento?

— Vento com gases? — o Tomás tapou a boca para não rir. Quase, quase conseguiu.

A Inês estreitou os olhos. Aquilo era esquisito demais. E ela, sendo a mais nova, tinha um talento especial: transformar coisas esquisitas em coisas… ainda mais esquisitas.

— Ok. Se há monstro, temos de fazer um plano — disse ela, já a entrar no papel de comandante. — Um plano calmo. Muito calmo.

— Um plano calmo? — o Tomás piscou.

— Sim. Porque se entrarmos em pânico, o monstro ganha. E eu não vou perder para uma almofada com barulhos.

A Inês sentou-se devagar no canto dos abraços, como se fosse uma domadora de leões, e falou com voz doce:

— Olá, monstro. Nós só queremos conversar.

“Pfff… pffff… PRRR!”

O Tomás mordeu o lábio. A Inês olhou para ele, desconfiada.

— Não estás a ajudar, Tomás.

— Eu nem… — ele apontou para a almofada. — Foi ela!

A Inês respirou fundo. Um. Dois. Três. A mãe dizia sempre que a calma era como um botão secreto. A Inês decidiu carregar nele.

— Vou resolver isto com… serenidade — anunciou, como se fosse uma apresentadora de televisão.

E nesse exato momento, a luz da sala falhou. Ficou tudo mais escuro.

— Ok… agora o monstro desligou a eletricidade — sussurrou o Tomás, dramatizando.

A Inês engoliu em seco. Depois, de repente, sorriu.

— Perfeito.

— Perfeito?! — o Tomás quase caiu sentado.

— Sim. É a hora da minha arma secreta.

Capítulo 3: A Lanterna Heroica e a Missão “Xiii-Cuidado”

A Inês correu até ao armário do corredor e voltou com a lanterna do pai. Era grande, pesada e fazia um clique muito satisfatório: “CLIC!”

Um feixe de luz atravessou a sala como se fosse um sabre de luz… mas sem fazer “vuuum” (a Inês fez na mesma, porque ficava melhor).

— Vuuuum! — ela apontou a lanterna para o canto dos abraços. — Lanterna Heroica, ativar!

— Isso existe? — perguntou o Tomás, já a esquecer o biscoito.

— Agora existe. E tem uma missão: revelar monstros e… irmãos mentirosos.

— Ei!

A Inês avançou com passos cuidadosos, iluminando cada almofada. O Senhor Bigodes parecia muito sério, como se fosse um guarda.

— Senhor Bigodes, está de serviço? — perguntou ela.

O Tomás sussurrou:

— Ele disse que sim.

— Ele não fala.

— Está a falar por telepatia.

A Inês revirou os olhos, mas manteve a calma. Calma era importante. Além disso, a luz da lanterna deixava tudo mais engraçado, com sombras gigantes na parede. A Inês fez uma cara assustadora e projetou-a na parede.

— BUU! — sussurrou ela.

O Tomás deu um saltinho.

— Ai!

— Vês? A lanterna é poderosa.

Chegaram mais perto da almofada que fazia barulhos. A Inês apontou a luz bem de cima. Devagar, levantou a ponta da manta, como se estivesse a abrir uma caixa misteriosa.

Dentro… estava um pequeno ventilador de bolso, daqueles que se carregam por USB, escondido entre duas almofadas. Estava ligado e a vibrar, a fazer “pfff” e “prrr” quando batia no tecido.

— Ahá! — Inês ergueu a lanterna como um troféu. — O monstro é… um ventilador.

O Tomás tentou fazer cara de inocente, mas a sua boca tremia, quase a explodir em riso.

— Eu… eu não sei como isso foi parar aí.

A Inês cruzou os braços, mas com um sorriso.

— Tomás.

— Está bem, está bem! — ele confessou, rindo. — Eu pus aí para te assustar um bocadinho. Só um bocadinho pequenino!

— E o biscoito?

O Tomás ficou vermelho.

— Eu… comi.

A Inês inspirou fundo. Um. Dois. Três. Quatro. Cinco. Ela podia gritar, fazer drama, declarar guerra… mas lembrou-se do canto dos abraços. E lembrou-se do botão secreto da calma.

Ela apontou a lanterna para a própria cara, fazendo uma sombra assustadora no teto.

— Então, Tomás… temos duas opções.

— Quais? — ele perguntou, meio preocupado e meio divertido.

— Opção A: Eu fico zangada e tu ficas com medo do meu silêncio eterno.

— Ui.

— Opção B: Transformamos este mal-entendido num sketch familiar. Com direito a julgamento, efeitos especiais e… castigo cómico.

O Tomás arregalou os olhos.

— Castigo cómico é melhor do que castigo a sério?

— Muito melhor. Mas vais sofrer… de cócegas de vergonha.

O Tomás riu.

— Ok. Aceito. Mas tu és a juíza.

— Sou a juíza, a polícia, a lanterna heroica e o Senhor Bigodes.

— O Senhor Bigodes é imparcial?

— Ele é um urso. Logo, é muito sério.

E os dois sentaram-se no canto dos abraços, com a manta por cima, como se fosse uma tenda de tribunal.

Capítulo 4: O Tribunal das Almofadas e o Plano Calminho

A Inês bateu numa almofada como se fosse um martelo.

— TUM! — ela fez. — Está aberta a sessão do Tribunal das Almofadas! Acusado Tomás, és culpado de roubo do último biscoito e de criar um monstro de ventilação.

O Tomás levantou a mão.

— Objeção! Eu não roubei. Eu… adotei o biscoito.

— Objeção rejeitada — disse a Inês, muito séria. — O biscoito não queria ser adotado. Ele queria ser comido por mim.

O Tomás suspirou como se fosse um ator num teatro.

— Eu confesso. Mas peço clemência. Eu sou um homem fraco perante chocolate.

A Inês encostou a lanterna ao queixo, como um detetive.

— Hmmm. O tribunal aceita a confissão… mas exige reparação.

— Quanto custa a reparação? — perguntou o Tomás.

— Custa… uma coisa difícil para irmãos: calma e gentileza.

— Isso é caro.

— Eu sei. — A Inês sorriu. — Por isso vamos treinar.

Ela puxou a manta e fez um “canto dos abraços” ainda mais apertadinho. Os dois ficaram ali, ombro com ombro, com o Senhor Bigodes entre eles como um árbitro.

— Regra número um — disse a Inês. — Quando uma coisa irritante acontece, respiramos antes de falar.

O Tomás fez uma respiração exagerada: “HUUUUU… HAAAAA…”

— Não é para assustar os móveis — ela avisou.

— Desculpa. Os meus pulmões são dramáticos.

A Inês riu e continuou:

— Regra número dois: se houver mal-entendido, fazemos perguntas em vez de acusar.

— Tipo “Comeste o biscoito?” — perguntou ele.

— Sim.

— Então… comeste o biscoito? — perguntou o Tomás, com cara de santo.

— Eu não! — disse a Inês. — Mas eu vou aceitar… um pagamento.

— Em quê?

— Em sketch.

Ela apontou a lanterna para o ventilador.

— O monstro vai voltar, mas desta vez vai ser nosso amigo. Um monstro que só ataca… com cócegas de vento.

O Tomás começou a rir antes mesmo de perceber.

— Um monstro de cócegas?

— Sim. E nós somos os caçadores de calma. Quando alguém se zanga, o monstro aparece e faz “pfff!” na cara até a pessoa rir.

O Tomás ligou o ventilador e apontou, muito devagar, para a bochecha da Inês.

— Pfff…

A Inês tentou manter-se séria… tentou mesmo. Mas o vento frio fez-lhe cócegas e ela começou a rir.

— Para! Para! — ela disse, rindo. — O tribunal está a perder a compostura!

O Tomás apontou o ventilador para o próprio nariz.

— Pfff! — Ele fez uma careta estranha e espirrou. — Atchim!

A Inês caiu para trás nas almofadas.

— Vês? O monstro é justo. Ataca toda a gente.

Os dois riram tanto que a mãe apareceu à porta da sala, desconfiada.

— O que se passa aqui?

A Inês, ainda a rir, endireitou-se e falou com dignidade.

— Nada de grave, mãe. Estamos a resolver um conflito com… calma e tecnologia.

O Tomás acrescentou:

— E com um urso juiz.

A mãe olhou para o Senhor Bigodes, para a lanterna, para o ventilador escondido… e depois suspirou, mas com um sorriso.

— Desde que não desmontem a sala… continuem com a vossa calma.

Quando a mãe saiu, a Inês olhou para o Tomás.

— Reparação final — anunciou ela. — Vais-me dar… o teu iogurte de morango do lanche de amanhã.

— Ai, isso é cruel.

— É justiça.

O Tomás fingiu que chorava.

— Adeus, iogurte… nós mal nos conhecemos…

E os dois voltaram a rir, agora mais calmos, como se a manta fosse mesmo um botão de paz.

Capítulo 5: A Piada Final do “Biscoito Invisível”

Mais tarde, a luz da sala voltou. A Inês desligou a lanterna heroica com um “CLIC!” importante, como se estivesse a terminar uma missão.

O Tomás levantou-se e fez uma vénia ao Senhor Bigodes.

— Obrigado, meritíssimo urso.

A Inês puxou a caixa de biscoitos vazia e abanou-a. Só saíram migalhas: “cric-cric”.

— Sabes — disse ela —, eu ainda estou triste pelo último biscoito.

O Tomás colocou a mão no coração.

— Eu posso fazer uma coisa para compensar.

— Uma coisa… calma? — perguntou a Inês.

— Calma e deliciosa.

Ele foi à cozinha e voltou com um prato.

Em cima, havia… um biscoito.

A Inês arregalou os olhos.

— Mas… como?

O Tomás piscou.

— Eu tinha escondido um de reserva.

A Inês pegou no biscoito com cuidado, como se fosse um diamante.

— Então tu mentiste duas vezes!

— Não, não. Eu… fiz suspense.

A Inês aproximou o biscoito da boca. Nesse momento, o Tomás apontou a lanterna para ele, bem forte, como se fosse um holofote.

— Atenção! — disse ele. — Biscoito invisível em modo de camuflagem!

A luz era tão forte que o biscoito ficou cheio de brilho… e, por um segundo, pareceu mesmo meio invisível por causa do reflexo.

A Inês parou, confusa.

— Onde está o biscoito?!

O Tomás arregalou os olhos, fingindo pânico.

— SUMIU! O monstro das almofadas comeu!

A Inês olhou para a própria mão… e viu o biscoito lá, inteiro. Ela entendeu na hora e começou a rir.

— Tomás, isso foi a pior magia do mundo!

— Foi magia de irmão mais velho. É diferente. — Ele aproximou-se e sussurrou: — Funciona melhor se a vítima estiver com fome.

A Inês deu uma trinca. “CROC!”

— Mmm… magia deliciosa — disse ela, com a boca cheia.

O Tomás sorriu.

— Vês? No fim, ninguém precisa gritar. A gente respira… e faz piadas.

A Inês levantou a lanterna como se fosse um microfone.

— Declaro encerrado o Tribunal das Almofadas! E anuncio que amanhã… o iogurte de morango vai ser meu.

O Tomás suspirou, teatral.

— Que injustiça… tão calma.

E, do canto dos abraços, o ventilador soltou um último “pfff”, como se estivesse a aplaudir.

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Tesouro pirata
Coisa muito valiosa que piratas procuram, como um baú com moedas ou doces.
Detetive
Pessoa que investiga mistérios e procura pistas para descobrir a verdade.
Serenidade
Calma profunda, sem stress, quando alguém está tranquilo e controlado.
Lanterna Heroica
Lanterna especial usada na história como objeto que protege e revela coisas.
Telepatia
Ideia de comunicar pensamentos sem falar, só na mente.
Confissão
Ato de admitir que fizeste alguma coisa errada ou que tens culpa.
Reparação
Ação de consertar ou compensar um erro, para deixar tudo bem outra vez.
Compostura
Manter a calma e a ordem, não perder o controlo do comportamento.
Imparcial
Quando alguém não toma partido e trata todos com justiça.
Caçadores de calma
Expressão usada para quem tenta trazer calma quando há brigas.
Sketch
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Tribunal
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