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História de cidade futurista 5 a 6 anos Leitura 16 min.

O Tomás e a passarela que adormeceu na cidade do amanhã

Tomás, um menino curioso que vive numa cidade que se rearranja, encontra um trecho apagado numa passarela e, com a mãe e a comunidade, toma iniciativas para avisar e proteger moradores e animais enquanto aguardam ajuda.

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Um menino de 6 anos, rosto redondo com sardas, cabelo castanho curto, expressão doce e concentrada, sorri levemente segurando uma longa vara de madeira de um lado e um canto de um pequeno cobertor colorido do outro, inclinado sobre um buraco escuro numa passarela; à sua esquerda, a mãe (30–35 anos), cabelo castanho preso em coque, roupa simples e acolhedora, ajoelhada ajudando a segurar o cobertor e observando com orgulho; um técnico (homem, ~40 anos) de macacão verde, com uma pequena caixa-robô aos pés, em pé um pouco atrás, segurando uma chave longa e pronto para intervir; um drone do tamanho de um beija-flor, metal polido e luzes azuis, paira sobre o buraco projetando um brilho azul; um ouriço encolhido na parte sem luz da passarela, farejando o cobertor prestes a atravessar; cenário: passarela suspensa moderna e verde com ripas translúcidas, floreiras com samambaias e flores violetas, trecho central sem luz entre edifícios de vidro colorido; situação: resgate terno e calmo — menino e mãe improvisam uma pequena “ponte” com o cobertor e a vara para ajudar o ouriço a sair, enquanto o técnico e o drone vigiam, atmosfera de luz suave e cores em tons pastéis num cenário futurista acolhedor. reportar um problema com esta imagem

Parte 1: A cidade que mudava de lugar

O Tomás tinha cinco anos e um sorriso tranquilo, daqueles que fazem a barriga parar de dar voltas. Ele morava na Grande Cidade do Amanhã, num tempo bem lá na frente, quando os prédios tinham pele de vidro que mudava de cor e as ruas podiam se encaixar como peças de montar.

A cidade era enorme, mas parecia uma colcha feita com muitos pedaços diferentes: o Bairro das Casas-Flor, o Bairro das Pontes Verdes, o Bairro do Mercado Redondo. E o mais bonito era que os bairros eram modulares. De vez em quando, com um ronco bem baixinho, eles deslizavam um pouco, só um pouco, para abrir espaço para uma escola nova, uma horta maior, ou um parque para brincar.

Na janela do apartamento do Tomás, passava uma passarela verde bem alta, como um caminho suspenso de jardim. Ali, não andavam só pessoas. A fauna também circulava. Havia coelhos que iam de um canteiro a outro, pássaros que pousavam nas grades cheias de flores e até um pequeno grupo de macacos-das-nuvens, que pareciam feitos de algodão cinza e pulavam sem fazer barulho.

“Bom dia, passarela!” dizia Tomás.

A passarela respondia com luzinhas: pisc-pisc, como se falasse.

Naquela manhã, a mãe do Tomás prendeu nele uma pulseira lisa e brilhante.

“É a tua pulseira de caminho seguro”, explicou ela. “Se você encostar nela num poste azul, ele acende e te mostra a rota mais tranquila.”

Tomás gostou. Ele era curioso. Gostava de saber como tudo funcionava.

“E se eu for para um lugar diferente?”

“Você pode. A cidade é de todos. E a gente sempre pede ajuda se precisar.”

Tomás assentiu com calma. Ele gostava disso na cidade: todo mundo se ajudava. As pessoas se cumprimentavam, emprestavam coisas, dividiam sombras nos dias quentes e cobertores nos dias frios.

Hoje, ele ia pela primeira vez ao Jardim das Passagens, um lugar onde as passarelas verdes se juntavam e formavam um grande laço no ar. Lá em cima, diziam, dava para ver os bairros mudando de posição, bem devagar, como um brinquedo gigante.

Tomás saiu com a mãe. O chão da rua era macio, feito de um material que parecia borracha de parque. Não escorregava. E as calçadas tinham faixas de luz. Quando alguém ia atravessar, a faixa brilhava e cantava baixinho: “Agora, agora.”

No caminho, Tomás viu gente diferente de todo tipo. Uma menina com cadeira de rodas que parecia um carrinho de corrida. Um senhor alto com um chapéu cheio de sensores, que apitavam quando ele ria. Duas irmãs com tranças longas, e nelas pequenos sinos coloridos. Um moço que falava com um robô pequenino no ombro.

Tomás olhou tudo com atenção, sem pressa.

“Por que eles têm sinos no cabelo?” ele perguntou.

“Porque elas gostam do som”, disse a mãe. “Cada um escolhe um jeito de ser.”

Tomás achou isso bonito. A diversidade parecia uma caixa de lápis: quanto mais cores, mais desenho.

Quando chegaram ao elevador público, ele não tinha portas. Era um círculo transparente que subia com um vento suave. Tomás entrou. A cidade ficou menor lá embaixo, e as passarelas verdes ficaram bem pertinho, com folhas brilhando ao sol.

Lá em cima, no Jardim das Passagens, havia bancos de madeira clara e um cheiro bom de terra molhada. Um pequeno lago guardava peixes que pareciam luzes nadando. E, de repente, Tomás viu uma coisa estranha: um pedacinho da passarela estava apagado. Sem luz, sem brilho. Como se estivesse dormindo.

A mãe franziu a testa.

“Isso não é comum.”

Tomás apertou a pulseira. Ela vibrou, como um coraçãozinho.

E, nesse mesmo instante, um esquilo listrado correu, parou bem na borda do trecho apagado e ficou olhando para baixo, confuso, com o rabo tremendo.

“Ele não quer atravessar”, sussurrou Tomás.

“Ele sente que não está seguro”, disse a mãe.

Tomás engoliu em seco. Mas o seu jeito era doce e cuidadoso. Ele não gostava de sustos. Gostava de soluções simples.

“Vamos ajudar?” perguntou ele.

A mãe sorriu.

“Vamos, meu curioso.”

Parte 2: O pedaço que sumiu

No Jardim das Passagens, havia um quiosque de ajuda comunitária: uma cabine branca com uma tela grande e um botão verde escrito “Chamar”. Tomás apertou. A tela acendeu e apareceu o rosto de uma senhora com óculos redondos.

“Olá, eu sou a Lila, da Equipa de Bairro Solidário. O que está acontecendo?”

Tomás apontou.

“A passarela ali… está apagada.”

Lila ficou séria, mas a voz dela continuou calma.

“Obrigada por avisar. Vou mandar um drone de verificação.”

Um zumbido leve se aproximou. Um drone, como um beija-flor metálico, voou até o trecho apagado. Ele projetou uma luz azul e fez um “piiiim”.

“Detectado: módulo desconectado”, disse uma voz de máquina, bem educada.

Tomás piscou.

“Módulo?”

A mãe se agachou para ficar na altura dele.

“A passarela é feita de módulos, como peças. Se uma peça solta, ela perde energia e fica apagada.”

Tomás olhou de novo. O pedaço apagado parecia firme, mas sem vida.

Lila falou pela tela:

“Às vezes, quando os bairros se movem para se reorganizar, uma peça pode se soltar um pouquinho. Não é perigoso se a gente notar rápido, como vocês notaram.”

O esquilo listrado deu um passo para trás e correu para uma moita. Um pássaro pousou, olhou e voou embora.

Tomás sentiu um nózinho no peito. Ele pensou nas patinhas do esquilo, tão pequenas. Pensou nas pessoas que iam passar ali com sacolas, com bebês, com carrinhos.

“Dá para consertar agora?” ele perguntou.

“Dá sim”, disse Lila. “Mas preciso que alguém ative os postes azuis para bloquear o caminho e avisar todo mundo. Aí a equipa chega em segurança.”

Tomás viu dois postes azuis perto do trecho apagado. Tinham um símbolo de mão.

A mãe apontou para a pulseira.

“É para isso que ela serve.”

Tomás respirou fundo e caminhou até o primeiro poste. O chão era seguro. As folhas das plantas balançavam como se estivessem torcendo por ele.

Ele encostou a pulseira no poste.

TIC.

O poste acendeu uma luz forte e apareceu uma seta no ar, feita de brilho. E uma voz suave falou:

“Atenção! Caminho em manutenção. Siga a rota alternativa.”

Tomás sorriu. Funcionava! Ele se sentiu útil, pequeno e importante ao mesmo tempo.

Ele foi ao segundo poste e fez a mesma coisa.

TIC.

Outra seta apareceu, apontando para uma ponte ao lado, cheia de trepadeiras com flores roxas.

As pessoas começaram a desviar, sem pressa. Um homem com uma mochila enorme levantou o polegar para Tomás. A menina da cadeira de rodas passou pela rota alternativa e acenou. As irmãs dos sinos no cabelo tocaram os sininhos de leve: tlin-tlin, como um “obrigada”.

Tomás sentiu o coração quentinho.

Mas então veio um mini-reviravolta, do jeito que a cidade gostava de fazer: o drone-beija-flor pousou perto do Tomás e falou:

“Alerta: um animal ficou preso no trecho isolado.”

Tomás arregalou os olhos.

“Preso? Quem?”

O drone projetou uma imagem: era um ouriço-cacheiro pequenino, enrolado em bolinha, bem no meio do trecho apagado. Ele tinha atravessado antes do bloqueio e agora não sabia para onde ir.

Tomás mordeu o lábio. O trecho estava desconectado. Ninguém devia pisar ali.

A mãe ficou bem calma.

“Não vamos correr. Vamos pensar.”

Tomás olhou ao redor. Viu um cesto de jardinagem com uma vara comprida, usada para guiar plantas trepadeiras. Viu também um banco com um cobertor dobrado, para quem quisesse sentar e observar os pássaros.

Tomás teve uma ideia simples.

“Se a gente fizer uma ponte pequena… com a vara e o cobertor?”

A mãe sorriu, orgulhosa.

“Boa ideia. Vamos pedir ajuda para alguém segurar.”

Eles chamaram um senhor com chapéu de sensores. Ele veio rápido, com passos firmes.

“Claro! Eu ajudo.”

Tomás e a mãe esticaram o cobertor sobre a vara, como uma faixa macia. O senhor segurou uma ponta. A mãe segurou a outra. Eles colocaram essa “pontezinha” da parte segura até perto do ouriço, sem ninguém pisar no trecho apagado.

Tomás se abaixou e falou com voz doce:

“Oi, ouriço. Pode vir. Aqui está fofinho.”

O ouriço levantou o focinho, cheirou o ar, e devagarinho, bem devagarinho, começou a andar. Patas pequenas. Passo a passo. Ele sentiu o cobertor, achou confortável, e seguiu.

Quando chegou ao lado seguro, Tomás deu espaço para ele passar. O ouriço atravessou e correu para um canteiro de samambaias.

Tomás soltou o ar que nem sabia que estava segurando.

“Conseguimos.”

A tela do quiosque mostrou Lila sorrindo.

“Vocês fizeram um resgate gentil. A equipa já está chegando.”

Parte 3: O conserto e o novo passeio

Pouco depois, chegaram três técnicos do bairro. Eles usavam macacões verdes com bolsos cheios de ferramentas pequenas. Um deles tinha um robô em forma de caixa que carregava peças. Outro trazia uma chave que parecia uma grande caneta.

Eles não fizeram barulho alto. A cidade do futuro gostava de trabalhar sem assustar ninguém.

“Obrigada por bloquear o caminho”, disse a técnica mais velha. “E por avisar do ouriço.”

Ela olhou para Tomás.

“Você foi corajoso e cuidadoso. Isso é muito importante.”

Tomás ficou com as bochechas quentes.

“Eu só… pensei.”

“Pensar é um superpoder”, disse ela, rindo.

Os técnicos se prenderam em cintos de segurança e foram até a borda do trecho apagado, sem colocar peso onde não devia. O robô-caixa abriu uma tampa e entregou um pequeno conector brilhante, do tamanho de um biscoito.

A técnica encostou a “caneta-chave” no lugar certo.

ZUM.

Uma linha de luz correu pela passarela. Primeiro uma faísca azul, depois um brilho verde, depois um brilho dourado, como se o sol tivesse acordado ali.

O trecho apagado acendeu.

A passarela voltou a respirar com luz.

As setas no ar mudaram e a voz suave disse:

“Manutenção concluída. Caminho liberado. Obrigado por cuidar da cidade.”

As pessoas aplaudiram baixinho. Não era um aplauso de teatro, era um aplauso de bairro, daqueles que dizem: “Somos um time.”

Tomás olhou para as passarelas verdes. Viu coelhos voltando a atravessar. Viu pássaros descendo em espiral. Viu um macaco-das-nuvens balançando numa corda de cipó, como se tivesse assistido a tudo.

A mãe pegou a mão do Tomás.

“Quer continuar até o mirante?”

Tomás queria. A curiosidade dele era uma lampadinha que não apagava.

Eles seguiram pelo caminho, agora seguro. A passarela tinha pequenos círculos de luz no chão. Cada vez que Tomás pisava num, ele mudava de cor: azul, amarelo, verde. Era como andar num jogo.

No mirante, havia um painel grande que mostrava o mapa da cidade. Os bairros apareciam como blocos coloridos. Um deles se mexeu devagar, encaixando do lado de outro, como um abraço.

“Olha!”, disse Tomás. “A cidade está se arrumando!”

Um menino um pouco mais velho, com uma mochila cheia de adesivos, estava ali também. Ele apontou para o painel.

“Aquele é o Bairro do Vento. Ele se move para ficar perto das turbinas eólicas.”

Uma menina com uma prótese brilhante na perna completou:

“E o Bairro da Água chega perto do rio quando está muito quente, para todo mundo ter frescor.”

Tomás ouviu com atenção. Ele gostava quando as pessoas diferentes explicavam coisas diferentes. Cada um tinha um jeito de ver o mundo, e isso fazia o mundo ficar maior.

“Eu ajudei a passarela hoje”, contou Tomás, sem se gabar, só com alegria.

Os dois olharam para ele.

“Sério?” disse o menino dos adesivos. “Então você é um cuidador de caminho.”

Tomás achou esse nome bonito. Cuidador de caminho.

A mãe beijou a testa dele.

“Ele é.”

No fim da tarde, o sol ficou laranja e as folhas das passarelas ficaram com brilho de mel. O Tomás e a mãe voltaram para casa por uma calçada ampla, com proteção alta e luz suave nas bordas. O chão tinha uma faixa que piscava bem devagar, como se dissesse: “Por aqui, com calma.”

Tomás reparou num detalhe novo: perto das travessias, a cidade tinha colocado pequenas placas com desenhos simples — um ouriço, um coelho, um pássaro — mostrando que ali também era passagem de animais. E, ao lado, um botão baixo, na altura de crianças, para chamar a “pausa verde”, um momento em que os veículos paravam e as luzes ficavam bem clarinhas para atravessar.

“Isso já estava aqui?” perguntou Tomás.

A mãe leu a plaquinha pequena:

“Atualização de segurança do bairro. Inspirada por um resgate gentil.”

Tomás arregalou os olhos. Ele sentiu uma alegria macia, como o cobertor que tinha ajudado o ouriço.

“Então… a cidade aprendeu com a gente?”

“Sim”, disse a mãe. “A cidade aprende com quem cuida dela.”

Quando chegaram ao prédio, Tomás olhou para o trottoir — a calçada — e viu como era seguro: bordas iluminadas, uma faixa macia, postes azuis atentos, e setas que apareciam quando alguém precisava. Era um caminho que parecia abraçar os pés.

Tomás apertou a pulseira uma última vez. Ela vibrou, tranquila.

No céu, um drone-beija-flor passou e soltou um “piiiim” baixinho, como um tchau.

Tomás entrou em casa, cansado e feliz. Antes de dormir, ele pensou no ouriço, no esquilo, nas pessoas com sinos no cabelo, na cadeira de rodas veloz, nos bairros que se mexiam como peças de montar.

E pensou numa coisa simples, que ele guardou no peito:

Ser curioso é olhar com atenção.

Ser valente é pedir ajuda e fazer com cuidado.

E, numa grande cidade do futuro, quando a gente cuida do caminho, o caminho cuida da gente também.

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Modulares
Que pode ser feito em peças que se juntam e se mexem facilmente.
Passarela
Caminho alto e estreito onde as pessoas andam, como uma ponte para pedestres.
Fauna
Conjunto de animais que vivem num lugar, como pássaros e coelhos.
Pulseira
Tira que se coloca no pulso e pode ter funções especiais.
Módulo
Peça que faz parte de algo maior, como um tijolo de construção.
Drone
Aparelho voador que funciona sozinho ou com controle remoto.
Manutenção
Trabalho para consertar ou cuidar de algo para que funcione bem.
Técnicos
Pessoas que sabem consertar coisas e usam ferramentas próprias.
Conector
Peça pequena que junta duas partes para que voltem a funcionar.
Mirante
Lugar alto de onde se pode ver a cidade inteira.
Prótese
Peça que substitui ou ajuda uma parte do corpo que não funciona.
Travessias
Locais feitos para as pessoas passarem de um lado para o outro.
Atualização
Mudança feita para melhorar algo e deixá‑lo mais novo ou seguro.

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