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História de cidade futurista 5 a 6 anos Leitura 17 min.

A menina que ouviu os sussurros da água

Lia, uma menina curiosa na Cidade dos Sussurros de Água, segue pistas por jardins e canais para descobrir por que a água está triste e ajudar a restaurar o caminho das águas.

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Menina de 6 anos de cabelos castanhos presos por laço amarelo, rosto redondo e olhos concentrados, agachada com a mão estendida a um anel-sensor num tubo transparente, veste vestido azul-claro e uma bicicleta azul atrás; ao lado, o Senhor Rui, ~45 anos, barba grisalha, macacão cinza e boné, com olhar benevolente, segura um vaporizador morno enquanto ajuda segurando a etiqueta luminosa; ao fundo à esquerda, um robô varredor branco e verde com olhos azuis observa; local: corredor técnico claro com paredes de vidro, tubos de água com peixinhos-robôs e plantas, luzes LED em anéis e chão cinza; cena calma e precisa de remoção delicada de uma etiqueta-luz de um sensor com vapor dissolvendo a cola, gotas brilhantes, atmosfera calorosa e futurista, paleta aquarelada suave. reportar um problema com esta imagem

Parte 1: A cidade dos sussurros de água

Na Grande Cidade do Futuro, as ruas eram lisas como vidro e brilhavam com luzes suaves. Entre os prédios altos, havia jardins pendurados, árvores em varandas e rios fininhos correndo por canais transparentes. A água não fazia barulho alto. Ela falava baixinho, como se contasse segredos. Por isso, todo mundo chamava aquele lugar de Cidade dos Sussurros de Água.

Lia tinha seis anos e uma vontade forte dentro do peito. Quando queria resolver uma coisa, ela resolvia. Tinha um cabelo preso com um laço amarelo e uma mochila leve, cheia de coisinhas úteis: um lenço, uma garrafinha, um lápis e um caderno pequeno. Ela gostava de anotar pistas, do jeitinho dela, com desenhos simples.

Naquela manhã, o céu tinha drones-pássaros voando em fila, bem acima, levando sementes para os parques. O chão, em certos lugares, era um tapete verde que fazia cócegas nos pés. E, nas paradas de ônibus, paredes vivas de plantas filtravam o ar, deixando um cheiro fresco, como depois da chuva.

Lia estava na praça do Mercado das Nuvens, onde as bancas tinham toldos que mudavam de cor devagar. Ali, havia frutas redondas que brilhavam um pouco, pães quentinhos e sucos gelados que faziam fumacinha de tão frescos. No meio da praça, um chafariz cantava bem baixinho, com bolhas que subiam e estouravam como risadinhas.

Lia segurava o guidão da sua bicicleta pequena, azul-clarinha, com uma cestinha na frente. Ela tinha prometido a si mesma: “Hoje vou ajudar a cidade. De um jeito bem certinho.”

Ela tinha reparado numa coisa estranha: os sussurros da água estavam diferentes. Não era um segredo feliz. Era um “pss… pss…” mais triste, como quando alguém perde algo.

Lia fechou os olhos e escutou. A água parecia dizer: “Falta… falta…”

“Falta o quê?” perguntou Lia, baixinho, como se estivesse falando com um bichinho assustado.

Uma senhora que cuidava do jardim ao lado, a Dona Marina, sorriu com calma. Ela usava luvas verdes e tinha um regador inteligente que soltava gotinhas só onde precisava.

“Bom dia, Lia. Você também ouviu?” perguntou Dona Marina.

“Ouvi. A água está com saudade de alguma coisa,” disse Lia, séria.

Dona Marina apontou para um poste com uma tela fina, que mostrava notícias da cidade. Na tela, aparecia um desenho de uma gota com cara preocupada.

“Esta noite,” explicou Dona Marina, “o Caminho das Águas Claras ficou mais fraco. É uma rede de canalzinhos que leva água para as plantas e para os bebedouros. Sem ele, os jardins ficam com sede.”

Lia olhou para as plantas, que ainda estavam verdes, mas pareciam menos animadas.

“E por que ficou fraco?” perguntou ela.

“Não sabemos ainda,” disse Dona Marina. “Os técnicos vão ver. Mas… às vezes uma pista pequena ajuda muito.”

Lia apertou o caderno contra o peito. Pista. Isso era com ela.

Ela olhou ao redor com atenção. Embaixo do chafariz, havia uma tampinha transparente. Lia se abaixou e viu uma luz piscando lá dentro, bem fraquinha, como um vaga-lume cansado.

No seu caderno, ela desenhou uma gota, uma luz e uma tampinha. Depois escreveu, com letras tortinhas: “Luz fraca.”

Ela levantou e agradeceu, como sempre fazia quando alguém ajudava.

“Obrigada, Dona Marina. Vou procurar mais pistas,” disse Lia.

“Vá com cuidado. E confie nos seus olhos,” respondeu Dona Marina.

Lia subiu na bicicleta. O selim era macio, e a bicicleta tinha rodas que faziam pouco som. Ela pedalou devagar, passando por um túnel de videiras que brilhavam com pontinhos azuis. As folhas tinham sensores minúsculos que avisavam quando precisavam de água. Era tecnologia amiga da natureza.

Enquanto Lia pedalava, ela escutava os sussurros. “Pss… falta…”

Ela parou perto do Canal das Janelas, onde as pessoas tinham janelinhas com vasinhos que se abriam sozinhos para pegar sol. Lá, a água corria num tubo transparente ao lado da calçada. E, de repente, Lia viu algo que não combinava: uma folhinha seca, presa na entrada de uma grade.

“Uma folhinha pode fazer tanta falta?” pensou ela.

Ela tirou a folhinha com cuidado. A água deu um suspiro leve, como se tivesse aliviada, mas ainda não estava feliz. Lia anotou: “Folha presa na grade.”

Ela seguiu, determinada. Ela sabia: uma pista sozinha é só um pontinho. Duas pistas já fazem uma linha.

Parte 2: As pistas na rua dos jardins suspensos

A Rua dos Jardins Suspensos era como um corredor de floresta no alto. De um lado, prédios com varandas cheias de flores. Do outro, pontes verdes ligando torres. No meio, a rua tinha uma faixa de água bem fininha, correndo como fita de prata.

Lia pedalava olhando para os lados, sem pressa, mas sem perder nada. Ela gostava de fazer assim: primeiro observar, depois pensar, depois agir. Era o seu método.

Na esquina, havia um robô varredor redondo, com olhos na frente e uma vassourinha que girava. Ele fazia “bip-bip” e desviava das pessoas com educação.

“Olá,” disse Lia, parando ao lado.

“Olá, cidadã pequena,” respondeu o robô, com voz simpática. “Precisa de ajuda?”

“Eu estou procurando uma coisa que está deixando a água triste,” explicou Lia. “Você viu algo diferente?”

O robô piscou as luzinhas e mostrou uma imagem na sua telinha. Era a câmera dele, gravada de madrugada. Lia viu uma cena escura, com luzes da cidade ao fundo. Um ventinho forte balançava as plantas. E, por um segundo, algo brilhante passou voando e caiu perto de um cano.

“Isso!” disse Lia, apontando. “O que é esse brilhinho?”

O robô pensou um pouco, como se revirasse uma gaveta de memórias.

“Possível etiqueta-luz de entrega,” respondeu. “Usada em pacotes. Se cair no lugar errado, pode atrapalhar sensores.”

Lia sentiu um friozinho de mini-reviravolta. Então não era só uma folha. Era uma coisinha tecnológica no lugar errado.

Ela agradeceu na hora, do jeitinho que Dona Marina gostava.

“Obrigada, robô varredor. Você é muito atento.”

“Obrigado por agradecer,” disse o robô. “Poucos lembram.”

Lia sorriu. Gratidão fazia bem até para robôs.

Ela seguiu o caminho mostrado pela imagem, até um cano largo que descia para baixo da rua. Ao lado, havia uma portinha com um desenho de gota e uma folha. Era a entrada do Centro de Água e Verde, onde os canalzinhos eram controlados.

A portinha tinha um visor com luz verde, mas agora estava piscando amarelo, como se estivesse indecisa.

Lia encostou a mão no visor. Ele reconheceu a palma dela e mostrou uma frase simples: “Precisa de autorização.

Lia mordeu o lábio. Ela era pequena. Mas não era boba. Ela pensou com calma. Se precisava de autorização, então ela precisava de um adulto. Só que ela já tinha pistas. E pistas não devem ficar guardadas no bolso.

Ela olhou para o lado e viu um quiosque de manutenção com uma pessoa consertando um drone de rega. Era o Senhor Rui, um técnico com macacão cinza e um boné com o símbolo da cidade.

Lia parou a bicicleta, desceu e foi até ele, com o caderno na mão.

“Senhor Rui, posso falar uma coisa importante?” perguntou, com voz firme.

Ele olhou e sorriu, mas sem risadinhas. Ele respeitava crianças curiosas.

“Claro, Lia. O que foi?”

Lia abriu o caderno e mostrou os desenhos: a tampinha com luz fraca, a folha presa na grade, e o brilhinho que caiu perto do cano.

“Eu acho que algo caiu e está atrapalhando os sensores do Caminho das Águas Claras,” disse ela. “E a água está dizendo ‘falta'.”

O Senhor Rui franziu a testa, depois assentiu.

“Você juntou pistas. Muito bem. Vamos conferir.”

Ele pegou um tablet fino e um pequeno detector de sinal. Juntos, eles foram até a portinha. O Senhor Rui encostou o cartão de autorização, e a luz mudou para verde com um “plim”.

Lia sentiu o coração bater rápido. Era como entrar num lugar secreto, mas seguro.

Dentro, havia um corredor fresco, com paredes de vidro. Por trás do vidro, passavam tubos com água e raízes de plantas, tudo junto, como se fossem mãos dadas. Pequenos peixinhos-robôs nadavam ali, limpando o que fosse sujinho. Luzes suaves piscavam em cores: azul para “tudo bem”, amarelo para “atenção”, vermelho para “problema”.

Mais à frente, uma luz vermelha bem pequena piscava.

“Ali,” disse Lia, apontando.

O Senhor Rui se agachou. Havia um sensor em forma de anel, preso ao tubo. E, grudada nele, estava uma etiqueta-luz de entrega, brilhante e teimosa. Ela não era grande. Mas cobria a parte que lia o fluxo da água.

“Então era isso,” murmurou o Senhor Rui. “Uma coisinha pode causar um problemão.”

Ele tentou puxar, mas a etiqueta estava presa com um tipo de cola inteligente, que grudava mais quando puxavam rápido.

Lia observou, ligada. Se puxar rápido piora… então precisava de calma.

“Senhor Rui,” disse ela, “e se a gente fizer devagarinho? Como quando tira adesivo do dedo?”

Ele olhou para Lia e riu baixinho, com alegria.

“Boa ideia.”

Ele pegou um spray de vapor morno, usado para soltar peças sem machucar. Soprou um pouco, e a cola foi ficando mole. Aí, bem devagar, ele tirou a etiqueta. Ela soltou com um “ploc” satisfeito.

Na mesma hora, a luz vermelha virou azul. A água no tubo pareceu brilhar um pouco mais. E, do lado de fora, lá em cima, o som da cidade pareceu respirar melhor.

Lia fechou os olhos e escutou. O sussurro mudou.

Agora era: “Obrigada… obrigada…”

Lia sorriu de orelha a orelha.

“Eu também agradeço,” ela disse, olhando para o tubo, como se a água pudesse ver. “Obrigada por cuidar das plantas e da gente.”

O Senhor Rui guardou a etiqueta-luz numa caixinha.

“Vou avisar o centro de entregas,” disse ele. “Para prenderem melhor essas etiquetas. Você ajudou muito, Lia.”

Lia ficou quentinha por dentro. Ela não tinha superpoderes. Só tinha atenção, método e coragem.

Mas, quando eles estavam saindo, um novo mini-problema apareceu: no visor do corredor, apareceu um aviso amarelo.

“Reservatório do Parque da Neblina: nível baixo.”

Lia arregalou os olhos.

“Tem mais?” perguntou.

O Senhor Rui olhou para o mapa.

“Pode ser só porque o sensor ficou errado por algumas horas. Vamos conferir no parque. Você vem?”

Lia endireitou os ombros.

“Eu vou. Eu sou determinada,” disse ela, como quem faz um juramento.

Parte 3: O Parque da Neblina e o final aconchegante

O Parque da Neblina ficava entre duas torres altas. Ele era famoso porque tinha uma nuvem baixinha que flutuava perto do chão, refrescando todo mundo. As crianças corriam dentro dela e saíam com o cabelo cheio de gotinhas, como se tivessem virado estrelas molhadas.

Lia chegou pedalando ao lado do Senhor Rui. A bicicleta dela passava por uma ciclovia com desenhos de folhas e circuitos. Ali, natureza e tecnologia eram como amigos brincando juntos.

No parque, as árvores tinham troncos grossos e, nos galhos, pequenos pontos de luz que acendiam quando o sol se escondia. Os bancos eram feitos de madeira reaproveitada e tinham carregadores para tablets, mas também tinham passarinhos de verdade pousando neles.

A nuvem baixinha estava lá… mas bem fininha, quase tímida. Algumas plantinhas estavam inclinadas, pedindo água.

Lia se agachou perto de um bebedouro para pássaros. A água saía, mas bem pouco. E o sussurro dizia, com voz cansada: “Falta… caminho…”

Lia tirou o caderno e desenhou o parque e uma setinha: “Parque fraco.”

O Senhor Rui abriu uma tampinha de manutenção perto do chão. Dentro, havia um mini-filtro com folhas, poeira e… uma tampinha de garrafa antiga, daquelas que alguém poderia ter deixado cair sem perceber.

“Olha,” disse ele. “Um entupimento simples.”

Lia fez uma carinha séria.

“Então não é culpa da água. É só uma coisa no caminho,” falou.

“Isso mesmo,” respondeu o Senhor Rui. “A água faz o trabalho dela. A gente precisa ajudar.”

Ele tirou o filtro com cuidado. Lia pegou um saquinho de lixo reciclável do bolso da mochila — ela sempre carregava um, porque aprendia na escola que cidade limpa é cidade feliz. Ela segurou o saquinho aberto, e o Senhor Rui colocou ali as folhas e a tampinha.

“Obrigada,” disse o Senhor Rui, de verdade.

“Obrigada você,” respondeu Lia. “E obrigada, parque.”

Eles lavaram o filtro com água limpa do próprio sistema, num jato fraquinho. Depois encaixaram de volta.

Um segundo depois… “fuuuu…”, a nuvem baixinha ficou mais gordinha. A água começou a correr melhor nos canalzinhos, e as plantas levantaram as folhas, como quem acorda de um cochilo.

As luzes do parque mudaram para um azul alegre. No alto, um drone-pássaro passou e soltou duas sementes numa jardineira. Parecia comemorar.

Lia escutou de novo os sussurros. Agora era um som macio, como uma canção de ninar.

“Obrigada… obrigada…”

Lia colocou a mão no peito e respirou fundo.

“Eu estou feliz,” ela disse. “Mas também estou agradecida.”

O Senhor Rui se agachou para ficar da altura dela.

“Você sabe uma coisa importante, Lia? Gratidão é como água boa. Ela passa por dentro da gente e deixa tudo mais leve.”

Lia pensou nisso, bem sério, do jeito que criança pensa quando entende algo grande.

Depois, ela olhou para a bicicleta. Estava ali, pronta para mais aventuras. Mas a aventura de hoje já tinha resolvido o que precisava.

Eles voltaram pela ciclovia. A cidade parecia mais brilhante. As paredes de plantas estavam mais verdes. Os canais transparentes corriam com alegria. Até o chafariz da praça parecia dar risadinhas.

Quando chegaram perto da casa de Lia, o sol já estava mais baixo, pintando os prédios de laranja e rosa. No caminho, Lia fez questão de agradecer mais uma vez.

“Obrigada, Senhor Rui, por me escutar. Obrigada, Dona Marina, por me contar. Obrigada, robô varredor, por lembrar. Obrigada, água, por sussurrar.”

Em casa, havia um corredor com um pequeno jardim na parede. O cheiro era de hortelã e de terra molhada. Lia levou a bicicleta até o cantinho certo, bem perto de uma prateleira com capacete.

Ela colocou a bicicleta no lugar, alinhou a roda com cuidado e baixou o descanso. Ficou bonita, quietinha, como se também estivesse descansando.

Lia olhou para ela e falou, baixinho:

“Obrigada por me levar.”

Depois, entrou, lavou as mãos e bebeu um copo d'água fresquinha. Ela fechou os olhos e sentiu: a cidade estava bem. O caminho da água estava livre. As plantas estavam contentes.

E, lá fora, na Cidade dos Sussurros de Água, os canais continuaram a cantar baixinho, num tom feliz, como quem diz: “Tudo está no lugar.”

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Sussurros
Sons muito suaves, como quando alguém fala baixinho.
Jardins pendurados
Plantas e flores que ficam em varandas ou paredes, como jardins no ar.
Canalzinhos
Pequenos caminhos por onde a água passa devagarinho.
Filtravam
Quando algo limpa o ar ou a água, tirando sujeira e deixando limpo.
Toldos
Coberturas que protegem bancas e janelas do sol e da chuva.
Chafariz
Fonte de água que joga água para cima e faz figura bonita.
Vaga-lume
Inseto que brilha no escuro como uma luzinha pequena.
Selim
Parte do assento da bicicleta onde a pessoa se senta.
Autorização
Permissão para entrar ou usar alguma coisa, como um sinal que diz sim.
Entupimento
Quando algo fica bloqueado e a água não passa direito.
Sensores
Aparelhos que sentem mudanças, como quando falta água ou fica frio.

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