Capítulo 1: O Sapato que Faz Bum!
No meio de uma tarde normal, cheia de barulhos engraçados, havia um menino chamado Tavico. Tavico tinha 8 anos e uma energia parecida com a de um foguete prestes a decolar. Todo mundo da rua conhecia Tavico porque ele era, sem dúvida, o menino mais barulhento do bairro. Tavico não falava baixo, não andava devagar e, se pudesse, até os pensamentos dele fariam “PLOC!” quando surgissem.
Um dia, Tavico estava a tentar saltar só com um pé, depois com o outro, depois com os dois ao mesmo tempo. “Se conseguir saltar mais alto que o poste do senhor Jacinto, ganho um gelado!” dizia ele, mesmo sem ninguém ter prometido nada.
De repente, ao saltar, Tavico sente algo estranho debaixo do seu pé direito: “Scriiitch!” O sapato riu-se, ou foi impressão dele? Olhou para o chão e percebeu que, atrás de si, havia uma pequena moeda dourada presa no tapete da entrada. Curioso, Tavico tentou apanhá-la, mas o tapete enrolou-se sozinho num canto… e “POF!”, Tavico tropeçou e foi parar a um lugar onde tudo, tudo mesmo, fazia bolhas.
Capítulo 2: A Baía das Bolhas Birrentas
Tavico abriu os olhos e piscou. Não estava mais em casa, nem no tapete, nem na rua do senhor Jacinto. Estava numa baía. Mas não era uma baía com água salgada e barcos, era uma baía só de bolhas — grandes, pequenas, brilhosas, saltitantes e… birrentas! As bolhas dançavam pelo ar, cantavam músicas de gargalhada, pareciam ter pernas e braços feitos de espuma.
Uma bolha vermelha aproximou-se dele com um sorrizão. “Sejas bem-vindo, Tavico! Aqui ninguém fala baixo, porque aqui tudo faz barulho!”, disse a bolha, fazendo um “PUUUM!” cada vez que dizia uma vogal.
Tavico olhou à volta. No chão, bolhas saltitavam como se fossem sapos de sabão, outras voavam como nuvens fofas. Mais à frente, Tavico viu um tapete. Era o seu! Mas estava dobrado, não! Estava a tentar fazer um nó nos seus próprios cantos.
“Eu preciso só de dobrar aquela pontinha do tapete, pronto! Depois volto para casa!”, pensou Tavico. Mas a cada passo que dava, uma bolha diferente vinha parar-lhe à frente e fazia cócegas nos seus pés.
A bolha azul, que parecia ser a mais espevitada, rodopiou à volta de Tavico e disse: “Aqui, para dobrar um canto de tapete, tens de saber o segredo das bolhas birrentas!”
“E qual é esse segredo?” perguntou Tavico, coçando a cabeça.
A bolha azul sorriu: “Só quem conseguir rir sem parar durante um minuto consegue dobrar um canto de tapete!”
Capítulo 3: Riso de Bolha, Riso de Tavico
Tavico não era de recusar desafios, muito menos um que envolvia rir. Saltou para cima de uma bolha gorda, que fez um som de trombone: “PRAAAAP!” Tavico riu alto, e as bolhas começaram a contar piadas umas às outras:
“O que é uma bolha numa piscina? É uma bolha molhada!”
“Como se chama uma bolha que toca guitarra? Bolharrista!”
“Qual a comida preferida das bolhas? Espumante!”
Tavico ria cada vez mais alto, tanto que até o barulho das bolhas parecia ficar mais engraçado. Uma bolhinha minúscula, com voz fina, pulou para o ombro dele e sussurrou: “Não pares, Tavico! O tapete só deixa dobrar o canto se escuta risos sinceros!”
Tavico então lembrou-se de todas as vezes que tentou rodopiar no tapete da avó e caiu de nariz. Riu tanto que, por um instante, parecia que ia levantar voo como uma bolha louca.
As bolhas começaram a rodopiar à volta dele, fazendo sons cada vez mais desafinados: “BLUP, PLOP, PRIIII!”
“Não me apanhasss, bolhasss!” gritava Tavico, rindo, enquanto saltava de um pé para o outro e tentava, sem querer, fugir das cócegas espumadas.
E, de repente, o tapete abriu um olho. Sim, um olho! Mirou Tavico e disse, num tom sonolento: “Riso comprovado! Pode dobrar o canto!”
Tavico, orgulhoso, abaixou-se, pegou a pontinha do tapete e, com um “PUF!”, dobrou-a como se estivesse a embalar o seu brinquedo favorito.
Capítulo 4: Uma Viagem pelo Tapete Dobrado
Assim que Tavico dobrou o canto do tapete, tudo começou a girar, devagarinho, como se fossem fatias de bolo numa festa. As bolhas rodavam à volta dele, desenhando formas engraçadas no ar: umas pareciam tartarugas, outras pareciam trombetas, e umas até pareciam bigodes flutuantes.
O tapete, agora com o canto dobrado, transformou-se numa espécie de barquinho de espuma. Tavico sentou-se em cima, e o barquinho começou a deslizar suavemente pela baía das bolhas. O menino acenava para as bolhas amigas, que lhe respondiam: “Volta sempre, Tavico! Não te esqueças de rir todos os dias!”
Enquanto navegava, Tavico viu coisas espantosas: uma bolha que lia jornal, outra que pintava bigodes noutras bolhas, uma bolha-professora a ensinar os números a um grupo de bolhinhas distraídas.
Tavico também tentou desenhar um bigode numa bolha, mas a bolha fugiu a rir-se, deixando-lhe um bigode de espuma no dedo. “Agora sou o senhor Bigode!” disse ele, fingindo uma voz grossa.
O barquinho de tapete foi abrandando, abrandando, até quase parar. Tavico sentia-se tão leve, tão contente, que pensou que podia viver ali para sempre — a rir, a brincar e a fazer dos barulhos uma festa interminável.
Capítulo 5: De Volta ao Tapete, com um Sorriso
De repente, sentiu o cheiro de pão com manteiga e ouviu ao longe alguém a chamar: “Tavico, lanche pronto!”
As bolhas começaram a dançar mais devagar. O barquinho de tapete encostou na margem da baía, que era feita de almofadas de sabão. Tavico piscou e sentiu o chão firme sob os pés. Estava de volta à entrada de casa, bem em cima do tapete.
O tapete parecia mais fofinho do que nunca, e, no canto dobrado, havia uma moeda dourada. Tavico apanhou a moeda e, quando olhou, viu que tinha um desenho de uma bolha com um bigode.
Sorriu para o tapete e sussurrou: “Obrigado, tapete!” O tapete pareceu responder com um “Scriiitch!” feliz.
Quando entrou para o lanche, Tavico ria-se sozinho. A mãe perguntou, divertida: “Que se passa, Tavico?”
Ele só respondeu: “Nada, mãe… Só descobri que às vezes, para dobrar um canto de tapete, é preciso rir muito!”
Depois do lanche, Tavico olhou para o tapete, pronto para novas aventuras. Mas, dessa vez, em silêncio… ou, pelo menos, até encontrar outra bolha birrenta.
E, assim, num ritmo que acalmava, Tavico deixou-se embalar pelo riso das bolhas, pensando que um momento divertido pode transformar tudo — até um simples canto de tapete — numa viagem fantástica.