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História que dá medo 7 a 8 anos Leitura 10 min.

O sótão dos segredos e das sombras

Tico, um esquilo curioso, e Nino, um ratinho assustado, exploram um sótão cheio de caixas, espelhos e mistérios, enfrentando medos com coragem e amizade.

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Tico, um pequeno esquilo ruivo de pêlo sedoso e cauda farta, usa um cachecol vermelho com riscas douradas, tem olhos grandes e brilhantes, rosto curioso e um pouco assustado, e segura uma velha lanterna de metal que projeta luz amarela quente; Nino, um ratinho cinzento de bigodes finos, treme ligeiramente mas sorri timidamente enquanto sai de uma caixa de madeira gasta perto de Tico, olhando para uma pequena trapa no chão com um grande anel de ferro; a caixa vibra, tem pregos enferrujados e um pano escuro por cima; ao fundo, um grande espelho racho reflete imagens deformadas e divertidas dos dois, sem monstros reais; o sótão de tábuas envelhecidas com vigas à vista, teias delicadas, pilhas de caixas e brinquedos antigos e poeira iluminada por um raio de sol cria cores quentes e textura rugosa, atmosfera ligeiramente misteriosa mas reconfortante; cena principal: Tico abre lentamente a caixa tremendo enquanto Nino sai, a lanterna projeta longas sombras e cria um suspense suave e divertido, tipo "medo para crianças" não assustador. reportar um problema com esta imagem

Capítulo 1 – O Rangido do Chão de Madeira

No topo de uma velha casa de ouriços, onde o vento sussurrava pelos buracos das telhas e a poeira fazia cócegas no nariz, Tico, um esquilo ruivo de cauda fofa, subia devagar os degraus de madeira para o sótão. O chão rangia a cada passo, e as sombras dançavam nas paredes, como se estivessem brincando de esconde-esconde.

Tico não costumava andar por ali. O sótão era um lugar cheio de teias de aranha, caixas empilhadas e coisas esquecidas. Mas, naquele dia, ele sentiu uma vontade esquisita de voltar lá. Havia perdido seu cachecol favorito, um vermelho com listras douradas, e achava que talvez tivesse deixado lá em cima, quando brincara ali, meses antes.

Ao empurrar a porta do sótão, Tico sentiu um arrepio nas costas. O ar era frio e cheirava a mistério.

— Calma, Tico, é só um lugar velho — murmurou para si mesmo, tentando soar corajoso.

De repente, ouviu um leve barulho vindo do fundo do sótão. Algo como um “toc-toc-toc” baixo e repetido. Tico parou, com o coração batendo depressa.

— Quem está aí? — perguntou, a voz quase sumindo.

Nada respondeu, mas o som parou. O esquilo respirou fundo e continuou, olhando com atenção para todos os lados. A luz que entrava pela janelinha era pouca, então suas sombras pareciam monstros de histórias assustadoras. Em cima de uma caixa, viu algo vermelho: seu cachecol! Ele correu para pegar, mas tropeçou em um boneco de pano caído no chão.

Ao se levantar, Tico sentiu que não estava sozinho. Era só sua imaginação? Ou será que as sombras estavam mesmo observando?

Capítulo 2 – A Caixa Trêmula

Com o cachecol em volta do pescoço, Tico sentiu-se um pouco mais seguro. Mas ainda precisava descobrir o que tinha feito aquele barulho estranho. O sótão parecia maior do que ele se lembrava, e cada canto escondia algo misterioso: um chapéu antigo, uma lanterna enferrujada, um espelho embaçado.

De repente, “toc-toc-toc” de novo! Agora, mais alto. Soava como se viesse de uma caixa grande, coberta por um pano escuro, no canto mais distante do sótão. O coraçãozinho do esquilo batia tanto que ele achava que as sombras podiam ouvir.

— Não seja bobo, Tico. Você já enfrentou pombos barulhentos e gambás zangados. Não vai deixar uma caixa te assustar — falou para si mesmo, tentando se animar.

Aproximou-se devagar, sentindo os pelos do rabo arrepiando. Levantou o pano, e, para sua surpresa, viu uma caixa de madeira, antiga e trêmula, como se algo quisesse sair de dentro.

— Olá? Tem alguém aí? — perguntou, hesitante.

A caixa respondeu com um gemido baixinho, quase como um miado.

Tico ficou dividido: abrir ou não? Mas decidiu ser corajoso. Afinal, era só uma caixa! Ele abriu devagar, e um vento gelado saiu de dentro, levantando poeira por todo o sótão.

De dentro da caixa, saiu um ratinho cinzento, tremendo e com olhos arregalados.

— Socorro! Tem alguém aí? — gritou o ratinho, antes de perceber que era só Tico.

— Ei, calma! Eu sou o Tico. Por que você está escondido aí? — perguntou, tentando parecer simpático.

— Eu sou o Nino. Fiquei preso aqui quando procurava um lugar para dormir. Mas ouvi barulhos estranhos e fiquei com medo de sair — explicou o ratinho.

Tico sorriu, aliviado. Não era um monstro, só um ratinho assustado!

Capítulo 3 – O Espelho do Susto

Agora com companhia, Tico se sentiu mais corajoso. Nino, ainda assustado, resolveu ficar perto do novo amigo.

— Você ouviu outros barulhos? — perguntou Nino, baixinho.

— Só o “toc-toc-toc” da sua caixa! Mas o sótão é cheio de coisas antigas. Será que tem mais alguém aqui? — Tico olhou em volta.

Os dois começaram a explorar juntos, iluminando o caminho com uma lanterna enferrujada que, milagrosamente, ainda brilhava um pouquinho. No canto oposto, atrás de uma pilha de livros empoeirados, encontraram um enorme espelho coberto por um lençol.

— O que será que tem aqui? — perguntou Nino, curioso.

— Vamos ver! — respondeu Tico, puxando o lençol.

Quando o espelho apareceu, algo estranho aconteceu. As imagens de Tico e Nino pareciam distorcidas, como se fossem versões engraçadas e assustadoras deles mesmos. Tico estava com as orelhas gigantes, e Nino tinha dentes de morcego!

Ambos deram um pulinho para trás, surpresos.

— Ai! Isso é assustador! — exclamou Nino.

Mas, logo, Tico percebeu que era só um espelho velho e rachado.

— Olha, não são monstros… somos só nós, meio diferentes! — riu Tico.

Nino olhou de novo e também achou graça.

— Parece que a única coisa assustadora aqui é nossa imaginação! — disse, dando um sorrisinho.

Mas, ao afastarem-se do espelho, um vulto escuro apareceu no reflexo. Tico e Nino viraram-se rapidamente, mas não havia nada além das sombras.

— Acho que já está bom de sustos por hoje, né? — sugeriu o ratinho.

— Com certeza! Mas, já que estamos aqui, que tal dar mais uma olhada antes de descer? — Tico respondeu, sentindo-se mais corajoso do que nunca.

Capítulo 4 – O Mistério da Trapeira Fechada

Animados por terem desvendado o mistério da caixa e do espelho, Tico e Nino continuaram a explorar. No fundo do sótão, debaixo de uma pilha de tapetes, encontraram uma pequena trapeira no chão, com uma argola de ferro.

— O que será que tem aí embaixo? — perguntou Nino, com os olhos arregalados.

— Só tem um jeito de descobrir! — respondeu Tico, já puxando a argola.

Mas a trapeira não abria. Por mais que tentassem, ela parecia trancada por dentro. Eles bateram levemente, e ouviram apenas o eco de suas batidas. O silêncio era tão grande que até o vento parou de soprar.

Os dois ficaram olhando para a trapeira fechada, sentindo um friozinho na barriga. O mistério aumentava, e a vontade de saber o que havia ali era enorme.

De repente, ouviram um barulho vindo do outro lado da trapeira. Era como se algo estivesse arranhando, tentando sair. Tico e Nino se entreolharam, com olhos arregalados.

— E se for um fantasma? — sussurrou Nino, tremendo.

Tico pensou rápido. Lembrou-se das histórias que sua avó contava: “Às vezes, o que nos assusta não passa de um simples segredo esperando ser descoberto.”

Com coragem, Tico falou alto para a trapeira:

— Ei, seja lá quem for, não precisa ter medo! Somos só Tico e Nino, queremos ajudar!

O barulho parou. O silêncio voltou, ainda mais forte. Então, uma voz muito baixinha, como a de um vento, respondeu:

— Obrigado… mas estou bem aqui. Não precisam se preocupar comigo.

Tico e Nino se entreolharam, surpresos, mas de certa forma aliviados.

— Acho que cada um tem seu tempo para enfrentar seus próprios medos — disse Tico, sorrindo para o ratinho.

Capítulo 5 – Coragem para Regressar

Com o cachecol de volta ao pescoço e Nino ao seu lado, Tico decidiu que era hora de voltar. Ao descerem as escadas antigas, o sótão atrás deles ficou mais silencioso. A trapeira, agora ainda mais misteriosa, ficou fechada, como um segredo guardado.

No caminho para casa, Nino perguntou:

— Tico, você não ficou com medo de verdade?

O esquilo pensou um pouco antes de responder.

— Fiquei sim. Mas, quando a gente enfrenta o que assusta, percebe que talvez o pior seja só nossa imaginação. E fica mais fácil quando temos companhia.

Nino sorriu.

— Eu também estava muito assustado. Mas agora, com você, já não tenho medo do sótão. Aliás, acho que podemos voltar outro dia, juntos!

Tico riu, animado.

— Claro! Quem sabe, um dia, a trapeira resolve se abrir para nós. Até lá, a gente vai inventando outras aventuras!

Quando chegaram ao sol da manhã, sentiram-se leves e felizes. Tico olhou para trás e viu o sótão lá no alto, com a janelinha iluminada. A trapeira continuava fechada, mas, no fundo, ele sabia que não precisava saber de todos os segredos para ser corajoso.

A aventura tinha terminado, mas os dois amigos sabiam que, mesmo quando as sombras parecem assustadoras, a coragem e a amizade fazem tudo parecer mais claro. E, de vez em quando, um pouco de mistério faz a vida ser mais divertida!

Fim.

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Sótão
Parte da casa logo abaixo do telhado, onde ficam coisas guardadas.
Rangia
Som que o chão ou a madeira faz quando alguém pisa ou mexe.
Teias de aranha
Fios finos feitos por aranhas para viver e apanhar insetos.
Poeira
Pó fino que fica em móveis e objetos que ficam parados.
Arrepio
Sensação de frio ou medo que faz a pele ficar arrepiada.
Trêmula
Algo que treme ou se mexe de forma fraca e nervosa.
Enferrujada
Quando o metal fica com uma crosta laranja por causa da água.
Embaçado
Quando o vidro ou espelho fica com a superfície turva e pouco clara.
Vulto
Forma escura e sem detalhes que parece uma pessoa ou coisa distante.
Trapeira
Uma portinha pequena no chão que dá para um lugar baixo.
Argola
Pequeno aro de metal que serve para puxar ou prender algo.
Eco
Som que volta a ouvir quando o som bate em paredes e volta.
Gemido
Som baixo e longo que alguém faz quando está assustado ou triste.
Sussurrou
Falar bem baixinho, quase sem barulho, para que poucos ouçam.

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