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História de detetive 11 a 12 anos Leitura 21 min. (1)

O segredo do cartaz dourado

Inês investiga o desaparecimento do cartaz da Feira de Ciências da escola, seguindo pistas e descobrindo motivações entre colegas enquanto tenta resolver o mistério com prudência.

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Uma jovem detetive de cerca de 13 anos, rosto curioso, cabelo castanho em rabo de cavalo ligeiramente bagunçado, segura delicadamente um pequeno envelope com um pedaço de fita dourada; ao lado, ligeiramente ao fundo à direita, Rui, um rapaz de ~15 anos de cabelos curtos e pretos, expressão constrangida mas leal, segura uma extremidade de um grande cartaz enrolado; à esquerda, a professora Helena, cerca de 40 anos, avental manchado de tinta, olhar cansado porém aliviado, junto a pincéis e tubos de tinta; cenário: átrio claro de escola com chão de azulejo, parede marcada pela forma do cartaz, pedaços de fita dourada e vestígios de pó branco no chão, cartazes escolares, bancos e portas de madeira ao fundo; situação: a jovem detetive acaba de encontrar o cartaz enrolado e o envelope para devolver — cena calma e resolutiva, gestos cautelosos, fita dourada brilhante, atmosfera de reparação e compreensão, cores quentes e composição centrada nas mãos que seguram o cartaz. reportar um problema com esta imagem

Capítulo 1 — O cartaz que desapareceu

Inês Valadares tinha dezassete anos e um hábito que a professora de Matemática chamava “mania”: reparar no que os outros faziam sem pensar. Um pé que bate no chão, um sorriso que chega atrasado, uma mão que esconde algo no bolso. Para Inês, esses detalhes eram letras. E as pessoas, frases.

Nessa tarde de sexta-feira, a Escola Básica do Mirante cheirava a papel, cola e ansiedade. No átrio principal, um mural enorme anunciava a Feira de Ciências do dia seguinte. Ou melhor: devia anunciar.

O cartaz principal — “FEIRA DE CIÊNCIAS: ENTRA, EXPERIMENTA, DESCOBRE!” — tinha sumido. No lugar dele, só restavam quatro pedaços de fita cola pendurados, como bandeiras derrotadas.

O diretor, senhor Artur Meireles, girava o bigode com uma expressão trágica.

— Isto é um desastre — disse. — Sem o cartaz, metade dos pais nem vai saber onde entrar. E os patrocinadores… ai, os patrocinadores.

A bibliotecária, dona Lúcia, levantou a mão com calma.

— Artur, com todo o respeito… não é como se a porta principal fosse invisível.

— Dona Lúcia, isto é uma questão de imagem! — ele sussurrou, como se a palavra “imagem” fosse um vidro que podia partir.

Inês aproximou-se do mural e não tocou em nada. Apenas olhou. Havia uma linha de pó mais claro no lugar onde o cartaz ficava, como uma marca de sol num quadro que esteve anos na parede. O cartaz tinha sido retirado com cuidado, não arrancado.

— Quem foi a última pessoa a ver o cartaz? — perguntou Inês.

O diretor piscou.

— Tu… tu estás a investigar?

— Estou a tentar ajudar — respondeu ela. — Mas com prudência. Sem acusações.

Uma turma do 7.º ano passou a correr. Um rapaz riu alto. Uma rapariga empurrou o outro. Inês reparou: um deles tinha um tubo de tinta verde saindo da mochila, como um rabo de lagarto. Mas a tinta não provava nada.

Dona Lúcia inclinou-se para Inês.

— Eu fechei a biblioteca às cinco e vi o cartaz ainda aqui. Às seis, quando voltei para buscar o meu cachecol, já não estava.

— Então a janela do tempo é pequena — murmurou Inês. — Entre as cinco e as seis.

O diretor engoliu em seco.

— Há uma câmara no corredor, mas… bem… está “em manutenção”.

Dona Lúcia tossiu, com um humor seco.

— Em manutenção desde o início do ano.

Inês respirou fundo. Um mistério simples podia ficar muito confuso se todos falassem ao mesmo tempo. Ela apontou para as fitas.

— A fita foi cortada, não rasgada. Quem o fez trouxe tesoura… ou um x-ato. E o cartaz não está em pedaços, certo? Foi levado inteiro.

— Para quê? — perguntou o diretor.

Inês deixou a pergunta no ar. Era aí que o leitor podia entrar: por que alguém levaria um cartaz inteiro, sem o estragar?

Capítulo 2 — Três pistas e um aviso

Inês pediu permissão para olhar o átrio com atenção. O diretor concordou, mas com um olhar de quem tinha medo que ela encontrasse mais problemas.

Ela andou devagar, como se o chão fosse um mapa que podia revelar segredos. Perto do mural, havia algo que quase ninguém notaria: uma migalha de papel brilhante, dourada, presa na fita cola. Não era do cartaz — o cartaz era em papel normal. Aquilo parecia de um embrulho.

Ela apanhou a migalha com cuidado e guardou-a num envelope pequeno que trazia no bolso, “para emergências”, como dizia. Depois olhou para o chão.

Havia marcas de sapatos com pó branco. Não era pó de giz; era mais fino, como farinha. As marcas iam em direção à ala das salas de artes. Inês não seguiu logo. Primeiro, confirmou outra coisa: ao lado do mural, no caixote do lixo, havia uma fita métrica velha e um rolo de fita cola extra, como se alguém tivesse montado e desmontado algo ali.

— Não mexas em nada — avisou dona Lúcia, mas com um sorriso quase orgulhoso. — Só… observa.

— É o que eu sei fazer — disse Inês.

Ela chamou a pessoa mais improvável para ajudar: Rui, um colega do 9.º ano conhecido por falar depressa e pensar depois. Ele estava no átrio, a tentar equilibrar uma garrafa de água na cabeça.

— Rui, preciso de um favor — disse Inês. — Discreto. Sem corridas.

— Discreto eu consigo — respondeu ele, e logo a seguir perguntou alto demais: — É sobre o cartaz roubado?

Inês apontou para ele com um olhar que dizia “prudência”. Rui tapou a boca com a mão, como se pudesse apagar o som.

— Precisamos de três coisas — explicou Inês. — Quem esteve no átrio entre as cinco e as seis. Onde alguém poderia esconder um cartaz inteiro. E por que razão o levariam sem o destruir.

Rui arregalou os olhos.

— Isto é tipo… polícia a sério.

— É tipo lógica — corrigiu Inês. — E cuidado.

Foram falar com a auxiliar, senhor António, que varria o corredor.

— Eu vi gente aqui — disse ele. — A professora Helena ficou até tarde na sala de artes. E o clube de teatro ensaiou no auditório. Ah, e o Tomás do 8.º B passou com uma caixa grande… disse que eram “cenários”.

Rui sussurrou:

— Tomás é aquele que faz magia com moedas. Suspeito.

Inês não concordou nem discordou. Apenas anotou mentalmente: caixa grande, auditório, sala de artes.

— E ouvi um barulho de fita a ser puxada — acrescentou senhor António. — Um “rrrriiip”. Mas pensei que fosse alguém a embrulhar livros.

A migalha dourada no envelope parecia sorrir para Inês, como se dissesse: “Eu ouvi isso.”

Antes de sair, Inês pediu ao diretor:

— Pode garantir que ninguém vai mexer no mural até amanhã?

O diretor hesitou.

— Eu… vou tentar.

— Tente com força — insistiu ela. — E nada de anunciar “roubo” nos altifalantes. Isso só cria pânico e… culpados imaginários.

O diretor assentiu, contrariado. Prudência, pensou Inês, também era saber quando ficar em silêncio.

Capítulo 3 — A pessoa zangada

A ala de artes cheirava a tinta, madeira e ideias abandonadas. Inês e Rui pararam à porta da sala. Lá dentro, a professora Helena, de avental manchado, arrumava pincéis como se fossem instrumentos cirúrgicos.

— Professora Helena? — chamou Inês.

A professora virou-se devagar. O rosto dela estava tenso, e os olhos brilhavam de irritação.

— Se isto é sobre o cartaz… já disse ao diretor que eu não tenho tempo para as “dramatizações” dele.

Rui engoliu em seco. Inês reparou numa coisa: a mão da professora apertava o pano de limpeza com força demais, os nós dos dedos brancos. Zangada. Mas zangada com quê? Com o roubo… ou com ser acusada?

— Não vim acusar ninguém — disse Inês, calma. — Só quero entender.

— Entender o quê? — a professora disparou. — Que alguém entra aqui, mexe no meu material, deixa o armário destrancado e depois ainda esperam que eu faça cartazes bonitos para salvar a “imagem” da escola?

A irritação tinha alvo: a desorganização, não o cartaz em si. Inês olhou em volta. No canto havia um rolo de papel pardo grande, do tamanho de um cartaz, mas enrolado e amarrado. Havia também farinha? Não. Era pó de gesso no chão, típico de moldes.

— A senhora esteve aqui entre as cinco e as seis? — perguntou Inês.

— Estive até às cinco e meia. Depois fui ao armazém buscar placas de esferovite. Voltei às seis e encontrei a porta encostada. Eu fechei antes de sair, tenho certeza.

Rui murmurou:

— Porta encostada é porta aberta.

A professora lançou-lhe um olhar que poderia secar tinta.

— Jovem, não me interrompa.

Inês manteve-se firme.

— Quando voltou, viu alguém no corredor?

A professora fez uma pausa. A raiva diminuiu um pouco, como uma chama que perde oxigénio.

— Vi o Tomás. Com uma caixa, sim. E vi a Sara do clube de teatro a correr com um rolo de fita dourada… parecia de embrulhos. Disse que era “para o cenário do astronauta”.

Inês sentiu o envelope no bolso ficar mais pesado. Fita dourada. Migalha dourada. Uma ligação, finalmente.

— Professora — disse Inês —, posso fazer uma pergunta estranha?

— As perguntas estranhas costumam ser as mais úteis — respondeu ela, agora menos agressiva.

— A senhora usa tesoura grande, daquelas de cortar cartolina?

— Uso. Mas a minha está sempre aqui. — Ela apontou para a bancada.

Inês viu a tesoura: estava no lugar. E limpa. A fita do mural parecia cortada por lâmina afiada, sim… mas isso não excluía ninguém. Quase qualquer pessoa podia ter um x-ato.

Ao saírem, Rui soprou:

— A professora estava mesmo chateada. Suspeita!

— Zangada não é culpada — disse Inês. — Às vezes é só cansada.

No corredor, Inês parou, escutando. O prédio antigo fazia pequenos estalos, como se contasse segredos de madeira. Ela precisava de mais uma peça.

— Vamos ao auditório — decidiu. — E vamos com cuidado. Sem entrar a correr. Sem mexer em coisas.

— Eu consigo ser um ninja — garantiu Rui, e tropeçou num caixote.

Inês suspirou. Ninja com prudência era um conceito em construção.

Capítulo 4 — O auditório e a luz acesa

O auditório estava quase às escuras. Apenas a luz de serviço, no fundo, estava acesa, desenhando um retângulo amarelo na parede. Isso era estranho: o ensaio do clube de teatro já devia ter acabado.

Inês abriu a porta devagar. O cheiro a pó e cortinas velhas misturava-se com algo doce — chocolate?

No palco, havia maquetes e painéis de cenário: estrelas coladas, um planeta de esferovite, uma nave feita de cartão. E, encostado à parede lateral, enrolado como um tapete, estava um cartaz grande.

Rui abriu a boca para gritar “achámos!”, mas Inês tapou-lhe a mão rapidamente.

— Prudência — sussurrou. — Ainda não sabemos o que é.

Ela aproximou-se sem tocar. No topo do rolo, via-se a borda de um papel branco com letras grandes. Parecia… o cartaz da feira. Mas havia algo por cima: fita dourada, usada como se fosse um laço.

— Alguém embrulhou o cartaz — murmurou Inês.

— Para oferecer a alguém? — Rui sussurrou.

A luz acesa fazia as sombras dançarem. Inês sentiu um arrepio, não de medo, mas de concentração. Um mistério não se resolvia só com achar o objeto. Precisava de motivo e de método.

Atrás das cortinas laterais, ouviu-se um ruído. Um arrastar de sapatos. Inês recuou um passo.

— Quem está aí? — perguntou, voz firme.

A cortina mexeu-se e surgiu Sara, do clube de teatro, com cara de quem tinha sido apanhada a roubar bolachas antes do jantar. Tinha nas mãos um rolo de fita dourada… e um pacote de bombons meio aberto.

— Eu… eu só vim buscar isto — disse ela, apontando para os bombons. — Ficaram do ensaio. E… eu não roubei nada!

— Ninguém disse “roubou” — respondeu Inês. — Mas podemos conversar.

Sara respirava depressa. O olhar dela fugia para o cartaz enrolado, depois para a porta, como se calculasse a distância para correr.

Inês notou um detalhe: nas sapatilhas de Sara havia pó branco, fininho. Parecia farinha… ou pó de gesso? Mas na sala de artes havia gesso. E no átrio… havia pó branco também. O pó ligava lugares.

— Sara — disse Inês —, eu encontrei uma migalha de fita dourada presa na fita do mural. Igual à tua.

Sara apertou o rolo de fita como se fosse uma corda de salvamento.

— Eu usei fita dourada, sim. Mas para o cenário. A professora Helena pediu para deixar tudo pronto para amanhã, para ficar “mais bonito”.

— E o cartaz? — perguntou Rui, finalmente em voz baixa.

Sara mordeu o lábio.

— O cartaz… eu peguei nele.

Rui deu um passo à frente.

— Eu sabia!

Inês levantou a mão, pedindo silêncio.

— Porquê?

Sara fechou os olhos um segundo, como se escolhesse entre mentir e respirar.

— Porque o diretor ia pendurá-lo… torto. Outra vez. No ano passado ficou tão torto que parecia que a escola estava a afundar. Eu queria… eu queria fazer uma “revelação” no palco amanhã. Uma entrada dramática: luzes, música, e o cartaz desenrola do teto, perfeito, com um laço dourado. Tipo surpresa.

Rui piscou.

— Tu roubaste para fazer teatro… de um cartaz.

— Não era roubar! — Sara protestou, quase a chorar. — Eu ia devolver. Só queria melhorar.

Inês olhou para o cartaz embrulhado. A explicação fazia sentido com a fita dourada e com a luz acesa: Sara tinha voltado para buscar bombons e acabou por deixar a luz ligada. Mas havia um problema.

— Como tiraste o cartaz do mural sem ninguém ver? — perguntou Inês. — E como cortaste a fita?

Sara apontou para uma caixa de ferramentas do clube.

— Temos um x-ato para o cenário. E eu fiz isso às cinco e quarenta e cinco, quando o átrio estava vazio. Eu achei que estava a ajudar.

Inês respirou fundo. Não era um crime de vilão; era um erro de impulso. E erros de impulso eram perigosos porque pareciam “boa ideia” por cinco minutos.

— Sara — disse Inês, mais suave —, ajudar sem pedir autorização pode virar confusão. E confusão pode virar acusações. Entendes?

Sara assentiu, envergonhada.

— Eu só… eu queria que amanhã fosse perfeito.

— Perfeito é menos importante do que seguro e claro — respondeu Inês. — Vamos resolver isto da maneira certa.

Capítulo 5 — A armadilha do “eu ia devolver”

Inês pediu a Sara para não tocar no cartaz e chamou o diretor e dona Lúcia ao auditório. O diretor chegou ofegante, como se tivesse corrido mais do que a sua dignidade permitia.

Quando viu o cartaz, o bigode dele tremeu.

— Então foi… foi isto? Uma… uma encenação?

Sara encolheu-se.

— Eu ia devolver amanhã. Eu juro.

O diretor abriu a boca para ralhar, mas Inês interveio antes que as palavras saíssem como pedras.

— Senhor diretor, antes de decidir qualquer coisa, precisamos pensar nas consequências. Se gritarmos e castigarmos no calor do momento, amanhã a feira vai começar com tensão. E isso não ajuda ninguém.

Dona Lúcia cruzou os braços.

— Concordo. Mas também não podemos fingir que está tudo bem.

Inês olhou para Sara.

— Vamos fazer um acordo com prudência. Primeiro: devolvemos o cartaz agora, do jeito correto, com autorização do diretor. Segundo: Sara explica ao clube de teatro que não se mexe em material de eventos sem pedir. Terceiro: para compensar, ela ajuda na montagem amanhã, sob supervisão.

Sara assentiu com força, como se cada “sim” fosse uma forma de respirar melhor.

— Eu faço. Eu faço tudo.

Rui cochichou para Inês:

— Isso foi… muito adulto.

— Foi lógico — respondeu Inês. — E mais seguro.

Mas Inês ainda queria fechar a última porta do mistério: a linha de pó branco. Ela olhou para as sapatilhas de Sara.

— O pó no átrio… foste tu?

Sara ergueu o pé, confusa.

— Ah! Isso é do saco de farinha cénica. Para fazer “poeira lunar” no palco. Estava num balde, derramou no corredor quando eu trouxe a caixa.

A peça encaixou com um clique invisível. Farinha cénica, fita dourada, x-ato, auditório, luz acesa. Uma cadeia completa. Sem necessidade de inventar outro culpado.

O diretor coçou a testa.

— E a luz acesa?

Sara corou.

— Fui eu… voltei para os bombons e esqueci-me. Desculpe.

Dona Lúcia apontou para a porta.

— Vamos. Antes que alguém tenha outra ideia “perfeita”.

Eles levaram o cartaz de volta ao átrio, com cuidado, segurando-o como se fosse um vidro grande. Inês orientou:

— Nada de correr. Nada de dobrar. E atenção às escadas.

Rui segurava uma ponta e fazia cara de quem carregava uma relíquia.

— Isto é mais pesado do que parece — resmungou.

— Responsabilidade pesa — disse dona Lúcia, sem perder a oportunidade.

No átrio, o diretor autorizou a recolocação. Sara, sob o olhar atento de todos, mediu, alinhou e colou com calma. Sem x-ato. Sem pressa. Sem drama. O cartaz ficou direito como uma régua.

Inês observou as reações espontâneas: o alívio do diretor, o sorriso discreto de dona Lúcia, o relaxar dos ombros de Sara. A verdade, quando aparece, muda o corpo.

Capítulo 6 — Uma noite tranquila

A feira de ciências no dia seguinte começou com a escola cheia e barulhenta, mas organizada. O cartaz estava no lugar, brilhante sem precisar de fita dourada. E, no auditório, o clube de teatro apresentou uma peça curta sobre um astronauta distraído que esquecia a luz acesa na nave e quase gastava toda a energia. O público riu. Sara riu também, mas com um riso humilde.

No fim da tarde, quando os últimos pais foram embora e o chão voltou a ser apenas chão, Inês caminhou pelo corredor com dona Lúcia. As luzes estavam a ser apagadas uma a uma, como olhos a fechar.

— Fizeste um bom trabalho — disse dona Lúcia. — E sem humilhar ninguém.

— Aprendi que o mistério não é só “quem fez” — respondeu Inês. — É “por que fez” e “o que isso pode causar”.

— Prudência — concordou a bibliotecária. — A palavra que muita gente esquece quando quer fazer algo rápido.

Inês parou junto ao átrio vazio. O cartaz ainda estava lá, firme. As fitas novas seguravam-no sem exagero. Ela pensou em como um impulso tinha quase virado um problema maior: acusações, desconfiança, confusão na feira. Bastava alguém ver o cartaz sumido e apontar o dedo para a pessoa errada.

Rui apareceu com duas garrafas de água.

— Detetive Inês, caso encerrado?

Inês olhou para a escola, agora quieta.

— Encerrado. Mas com uma nota: da próxima vez, pedimos autorização antes de “melhorar” as coisas.

Rui fez uma careta.

— Eu vou tentar. Prudência é difícil.

— É por isso que se treina — respondeu Inês.

Mais tarde, já em casa, Inês abriu a janela do quarto. A rua estava calma, e o ar da noite trazia cheiros simples: terra fria, uma sopa ao longe, folhas. Ela deixou o silêncio entrar, como se fosse uma manta.

No seu caderno, escreveu três linhas, como um lembrete para o próximo caso:

“Observa antes de agir. Pergunta antes de mexer. E quando a pressa parecer uma boa ideia, acende a luz da prudência.”

Depois fechou o caderno. Lá fora, a cidade descansava. E a noite, finalmente, ficou tranquila.

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átrio
Parte de entrada de um edifício, como um corredor grande perto da porta.
Auditório
Sala grande onde se fazem espetáculos, ensaios ou apresentações.
Esferovite
Material branco e leve usado para fazer maquetes e esculturas.
Patrocinadores
Pessoas ou empresas que dão dinheiro ou apoio para um evento.
Prudência
Cuidado e atenção para evitar problemas ou riscos.
Migalha
Um pedaço muito pequeno de papel ou comida.
Avental
Peça de tecido que se põe por cima da roupa para a proteger.
Cenários
Conjuntos e painéis usados no palco para mostrar um lugar.
Cartolina
Papel grosso e rígido usado para cartazes e trabalhos manuais.
X-ato
Pequeno instrumento com lâmina para cortar com precisão.

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