No meio de uma floresta suave, onde as árvores são cor-de-rosa e o ar cheira a algodão-doce, vive um yéti chamado Nino. Nino tem o pelo branco fofinho, olhos grandes como duas estrelas e um sorriso muito doce. Ele mora perto de um lago muito especial. Este lago é azul brilhante e calmo, com pequenas flores amarelas a flutuar. Sempre que o sol sorri no céu, o lago reflete outros mundos mágicos.
De manhã, Nino caminha devagar até à beira do lago. Ele sente a relva macia debaixo dos pés e escuta o som da água a dançar. No lago, Nino vê peixes saltitantes, vê nuvens cor-de-laranja e às vezes vê mundos diferentes, cheios de cor, refletem-se na água.
Um dia, Nino encontra uma lanterna dourada junto a uma pedra. A lanterna brilha mesmo quando não há sol. Nino pega na lanterna com cuidado, porque ela é muito leve. Quando Nino acende a lanterna, tudo à volta ilumina-se e ele pode ver coisas que antes estavam escondidas. Ele vê borboletas azuis a brilhar, vê flores que cantam baixinho e vê caminhos secretos sobre a água.
Enquanto Nino explora com a sua lanterna, ele vê uma sombra grande a voar no reflexo do lago. Ele olha para cima e vê um cavalo muito especial. O cavalo é branco, com asas enormes e suaves. As asas são prateadas como a lua. O cavalo voa devagar e pousa ao lado de Nino. O cavalo apresenta-se:
— Olá, eu sou Lirio, o cavalo alado. Eu posso voar entre mundos. Gosto de ajudar amigos.
Nino sorri, sente-se feliz. Ele quer conversar, mas só conhece a língua dos yétis. Lirio fala de um jeito mágico, com palavras brilhantes. Nino tenta, mas é difícil. Então, Lirio toca com o focinho na lanterna de Nino. Luzes dançam no ar. Agora, sempre que Nino segura a lanterna, ele consegue entender Lirio. Os dois riem juntos.
O lago mágico guarda um segredo. Há uma maldição antiga: nalguns dias, mundos desaparecem do reflexo do lago. Os amigos que vivem nesses mundos sentem muita falta dos seus lares. Lirio suspira:
— Nino, precisamos acabar com esta maldição. Só juntos podemos.
Nino sente coragem no seu coração. Ele quer ajudar. Ele e Lirio entram no lago — mas não ficam molhados! Em vez disso, cai uma luz macia e eles deslizam para dentro de um reflexo brilhante. No novo mundo, as árvores são azuis e as flores fazem música suave. Os dois veem criaturas fabulosas: um peixinho com penas, uma tartaruga com luzes nas costas, uma borboleta que fala baixinho.
Nino tenta falar com as criaturas. Ele pega na lanterna e ilumina-as. As criaturas sorriem, gostam muito da lanterna mágica. Cada uma conta a sua história, sussurrando desejos doces. Nino escuta com atenção. Juntos, procuram pistas para acabar com a maldição.
Mas, de repente, um vento estranho sopra. O reflexo do lago fica escuro. Lirio pensa que Nino quer levar a lanterna só para ele. Lirio sente-se triste e voa para longe. Nino também fica triste. Ele pensa: “Eu quero partilhar. Não quero ficar sozinho.” Nino olha para a lanterna, e vê o reflexo do seu amigo. Sente saudade.
Nino senta-se, espera. A lanterna brilha mais forte. Ela mostra o coração de Nino, cheio de amizade. Depois, ouve-se uma voz baixinha:
— Nino, desculpa. Pensei errado. Quero ser teu amigo.
Nino sorri. Ele abraça Lirio, com o seu pelo fofinho e quente. Juntos, seguram a lanterna. O lago volta a brilhar. As criaturas fabulosas dançam. Os mundos perdidos aparecem outra vez no lago. Todos sorriem, todos cantam.
Nino e Lirio percebem: só juntos, e com amizade, podem trazer de volta tudo o que é bonito e bom. Eles agradecem à lanterna, agradecem ao lago, agradecem um ao outro. Cada noite, os dois amigos olham o lago calmo. Vêem muitos mundos, muitas histórias, muitos sorrisos.
No final, Nino, Lirio e todas as criaturas mágicas sentam-se à beira do lago. O céu fica cor-de-rosa, o lago fica sereno. Nino segura a lanterna. Ele sussurra: “Obrigado, amigo. Juntos, tudo é melhor.” O lago canta baixinho, embalando todos num sonho doce.
Agora, tudo está bem. E Nino sabe que, com amizade, nenhum mundo desaparece para sempre.