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História sobre a festa de ano novo 5 a 6 anos Leitura 16 min.

O karaoké dos votos de Ano Novo

Numa véspera de Ano Novo, Bia e os amigos inventam um “karaoké dos votos”, cantam desejos e guardam-nos numa caixa, até encontrarem uma mensagem misteriosa que liga os votos à magia da amizade.

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Quatro crianças: Bia, 6 anos, cabelos castanho-claro em rabos, vestido rosa, está em pé no centro na ponta dos pés segurando um grande cartão decorado perto de um grande relógio que marca quase meia-noite; Tomás, 6 anos, cabelos castanhos bagunçados, camiseta verde, sentado à esquerda do tapete com um desenho de sol; Leonor, 5 anos, cabelo loiro em trança, vestido azul, à direita de Bia com os braços abertos e um desenho de abraço; Ravi, 6 anos, pele morena, cabelo preto curto, camiseta amarela, agachado diante de uma caixa de sapatos aberta a depositar uma carta brilhante que sai da caixa. Ambiente: sala acolhedora decorada para o Ano Novo com tapete redondo vermelho, luzes quentes em um pano branco de “palco”, balões dourados, mesa com pipoca e copos, janela com fogos ao longe contra um céu azul-escuro. Situação: as crianças colocam juntas um grande cartão de votos em uma prateleira perto do relógio; luz suave das guirlandas ilumina seus rostos, confetes no ar, expressão de encanto e calor coletivo; composição íntima, paleta aquarela pastel com toques dourados. reportar um problema com esta imagem

Parte 1: Luzinhas na Sala

Na tarde do último dia do ano, a sala da casa da Bia cheirava a pipocas e laranjas. Havia fitas brilhantes nas cadeiras, balões dourados no chão e um relógio grande na parede, a fazer “tic-tac” com seriedade, como se também estivesse a preparar-se para a festa.

A Bia, que tinha quase seis anos e dois totós muito teimosos, carregava um microfone de brinquedo com uma fita cor-de-rosa.

— Hoje vai haver uma coisa nova! — anunciou ela, com os olhos a brilhar. — Um karaoké dos votos!

O Tomás, quase seis também, aproximou-se com um prato de uvas. O cabelo dele estava despenteado como um ouriço feliz.

— Karaoke… dos votos? — perguntou. — É tipo cantar e pedir coisas?

— Não é pedir coisas — explicou a Bia, pondo as mãos na cintura. — É cantar uma frase bonita para o ano novo. Um voto. Uma coisa boa que desejamos para nós e para os outros.

A Leonor, de vestido azul com estrelas, deu um saltinho.

— Eu quero cantar “quero mais abraços”! — disse logo, como se já estivesse em palco.

O Ravi, que tinha uma gargalhada que fazia cócegas no ar, levantou o microfone de brinquedo e testou:

— Um, dois, três… alô, alô… — e depois falou em segredo para o microfone, como se fosse um amigo. — Por favor, ajuda-me a não desafinar.

Todos riram.

A mãe da Bia apareceu à porta com um saco de confettis e uma tigela de passas.

— Lembrem-se — disse ela — à meia-noite fazemos doze passas e doze desejos. Mas o “karaoké dos votos” é uma ideia muito bonita. Vai aquecer o coração da casa.

A Bia empurrou a mesinha do lado e montou “o palco”: um tapete com um lençol por trás, cheio de luzinhas pequeninas que pareciam pirilampos a descansar.

— Cada pessoa canta só uma frase — explicou. — Uma frase curtinha, para toda a gente entender. E depois… — ela fez uma pausa, dramática — …guardamos as frases num lugar especial.

— Num baú do tesouro? — perguntou o Tomás.

— Numa caixa de sapatos! — respondeu a Bia, orgulhosa, mostrando uma caixa com autocolantes de arco-íris. — É o nosso baú.

A Leonor bateu palmas.

— Eu posso decorar a caixa! Vou desenhar um relógio com confettis!

O Ravi espreitou pela janela. Lá fora, já começavam a aparecer luzes nas varandas dos vizinhos, como se o bairro inteiro tivesse colocado colares brilhantes.

— Parece que o céu está a ensaiar — disse ele.

A Bia sorriu.

— Então vamos ensaiar também. Primeiro, precisamos de uma música.

O Tomás trouxe um pequeno altifalante e carregou num botão. Começou uma música alegre, com som de sinos. A Bia apontou para o lençol como se fosse cortina de teatro.

— E agora… o karaoké dos votos vai começar!

Parte 2: As Frases Cantadas

A Bia foi a primeira. Subiu ao tapete, segurou o microfone e respirou fundo. As luzinhas atrás dela piscavam devagar, como se dissessem “estamos contigo”.

— O meu voto… — disse ela, e depois cantou numa melodia simples, quase como uma canção de embalar: — “Que haja risos na nossa casa, todos os dias!”

A frase ficou a dançar no ar. O Tomás aplaudiu com força.

— Boa! — disse ele. — Riso é como sopa quente.

A Bia fez uma vénia.

— Agora tu, Tomás!

O Tomás subiu. A música tocava baixinho. Ele segurou o microfone com as duas mãos, como se fosse um gelado que não podia cair.

— Eu… eu quero cantar… — e cantou, num tom que começou pequenino e depois cresceu: — “Que eu seja corajoso quando tiver medo!”

A Leonor abriu muito os olhos.

— Isso é lindo! — disse ela. — Coragem não é não ter medo. É ir com medo e tudo!

O Tomás ficou corado e sorriu, como se a frase tivesse mesmo posto uma capa invisível nele.

O Ravi saltou antes de ser chamado.

— Agora eu! Agora eu!

Ele cantou com energia, fazendo ritmo com os pés:

“Que ninguém fique sozinho; eu vou chamar para brincar!”

Ao ouvir aquilo, a Bia sentiu uma coisa macia no peito, como um cobertor.

— Isso é muito gentil, Ravi — disse ela. — E é mesmo importante.

A Leonor foi a última. Subiu com passos de bailarina e levantou o queixo.

— O meu voto é brilhante — avisou ela. — Preparados?

E cantou, com voz doce:

“Que a gente se abrace mais, mesmo quando estiver zangado!”

A sala ficou quieta por um segundo, como se até o relógio tivesse escutado melhor.

— Mesmo quando zangado? — repetiu o Tomás, a pensar.

— Sim — disse a Leonor. — Às vezes a zanga quer um abraço para se ir embora.

— Eu gosto disso — disse a Bia. — É um voto de paz.

A mãe da Bia apareceu outra vez, com sumo de ananás e copos coloridos.

— Já cantaram? — perguntou. — Que bonito! E agora, como vão guardar os votos?

A Bia abriu a caixa de sapatos.

— Vamos escrever cada frase num papel e pôr aqui dentro.

O Ravi franziu a testa.

— Mas nós ainda não escrevemos bem… eu faço letras que parecem minhocas.

O Tomás encolheu os ombros.

— As minhas parecem carrinhos a bater.

A Leonor levantou o dedo.

— Podemos desenhar! Um desenho também fala.

A Bia pensou rápido.

— Vamos fazer os dois! Eu escrevo com ajuda da minha mãe, e cada um desenha uma coisa ao lado.

Ficaram todos de barriga no chão, com canetas e lápis de cor. A Bia ditava:

“Que haja risos…”

A mãe escreveu devagar, para eles verem.

O Tomás desenhou uma cara a rir com dentes gigantes. A Leonor desenhou dois braços a dar um abraço. O Ravi desenhou quatro crianças de mãos dadas e, por cima, um sol com óculos.

— Este sol parece fixe — disse o Tomás.

— É o sol de janeiro — explicou o Ravi. — Ele usa óculos porque o ano novo brilha.

Quando terminaram, colocaram os papéis na caixa e fecharam com cuidado, como se lá dentro estivesse um pássaro a dormir.

— Agora falta uma coisa — disse a Bia, olhando para as luzinhas. — Falta a surpresa da meia-noite.

— Surpresa? — perguntou a Leonor.

A Bia sorriu, misteriosa.

— Ainda não. É segredo. Mas tem a ver com os votos.

O relógio fez “tic-tac” mais alto, ou talvez eles é que estavam a ouvir mais. Lá fora, já se ouviam risos e pratos a bater de casas vizinhas.

— O ano está quase a mudar de roupa — sussurrou o Ravi.

— E nós vamos dizer boa noite ao ano velho e bom dia ao ano novo — disse a Bia.

Eles foram para a cozinha comer mais pipocas. Depois brincaram de adivinhar cheiros: canela, chocolate, limão. A cada minuto, a sala parecia mais dourada, como se o tempo se enchesse de festa.

E então, quase sem perceber, chegou a hora em que todos começaram a contar.

— Dez! — gritou o Tomás.

— Nove! — cantou a Leonor.

— Oito! — riu o Ravi.

— Sete! Seis! Cinco! — a Bia batia palmas para não se perder.

O relógio esperou, sério, e depois, quando a casa inteira segurou a respiração…

— Três! Dois! Um!

“FELIZ ANO NOVO!”

Parte 3: O Brilho e o Pequeno Susto

Houve barulho de palmas, confettis a voar e abraços a acontecer em todas as direções. A mãe da Bia distribuiu as passas.

— Uma passa, um desejo — lembrou ela.

A Bia mastigou uma passa e desejou, em silêncio, que todos os votos cantados ficassem fortes como uma árvore.

De repente, ouviu-se um “plim!” pequenino. Não era fogo de artifício. Era mais como uma campainha de fada. As luzinhas atrás do lençol piscaram mais rápido.

— Ouviram? — perguntou o Ravi, com os olhos redondos.

— Eu ouvi! — disse a Leonor. — Foi o ano novo a tocar à porta?

O Tomás apontou para o “palco”. A caixa de sapatos estava lá, mas a tampa tinha aberto um bocadinho, sozinha, como se uma mão invisível tivesse espreitado.

— A caixa mexeu! — sussurrou ele.

A Bia engoliu em seco. Ela gostava de maravilhas, mas também gostava de saber onde estavam os pés.

— Talvez foi o vento… — disse, embora as janelas estivessem fechadas.

Eles aproximaram-se devagar. A música ainda tocava baixinho ao fundo, e lá fora ouvia-se “pum-pum” de fogos ao longe.

O Ravi esticou o dedo, mas não tocou.

— Será que os votos querem sair para brincar?

A Leonor riu, mas riu baixinho.

— Votos não têm pernas.

— Mas têm asas — disse a Bia, lembrando-se de como as frases tinham dançado no ar.

A tampa abriu mais um pouco. Um papel escorregou para fora e caiu no tapete. Não era nenhum dos papéis que eles tinham feito. Este era diferente: mais duro, dobrado com cuidado, e tinha um brilho leve, como se tivesse pó de estrelas.

— Isso não é nosso — murmurou o Tomás.

A Bia apanhou o papel. Sentiu-o quente, como uma chávena de chá.

— Vamos abrir juntos — disse ela.

Sentaram-se no tapete, como um círculo de amigos. A mãe da Bia espreitou, curiosa, mas não interrompeu. Ficou só a sorrir, com ar de quem também acredita em coisas doces.

A Bia abriu o papel com cuidado. Lá dentro havia uma pequena mensagem, escrita com letras muito bonitas, e um desenho de um relógio a sorrir.

A Leonor leu devagar, juntando as sílabas:

“Os… vossos… votos… são… luz… para… o… ano… novo.”

O Ravi bateu palmas, encantado.

— É uma carta do ano novo!

O Tomás inclinou a cabeça.

— Mas quem escreveu?

A Bia olhou para as luzinhas, que agora piscavam calmamente, como se estivessem a respirar.

— Talvez… foi a casa — disse ela. — Ou o tempo. Ou… a amizade.

A mãe da Bia aproximou-se e baixou-se ao lado deles.

— Às vezes, quando a gente faz coisas com carinho, o mundo responde — disse ela, num tom macio. — Pode ser só uma coincidência bonita. Ou pode ser um bocadinho de magia. O importante é como nos faz sentir.

A Leonor abraçou a Bia.

— Faz-me sentir quentinha.

— A mim também — disse o Ravi, abraçando o Tomás.

O Tomás, que às vezes demorava um pouco a aceitar abraços, desta vez não fugiu. E até apertou um bocadinho.

— Acho que o meu voto já começou — disse ele. — Estou a ser corajoso.

A Bia riu.

— E o meu também. Já há risos.

Mas ainda havia um problema pequeno: o papel brilhante estava solto. Não tinha lugar. E a Bia lembrou-se do que queria fazer desde o início. A surpresa.

Ela levantou-se num salto.

— Já sei onde ele vai ficar!

Correu até ao quarto e voltou com uma folha de cartolina dobrada, canetas e um autocolante grande em forma de estrela.

— Eu preparei uma coisa para o fim — confessou ela, feliz. — Uma carta de votos. Uma carta de parabéns para o ano novo. Todos juntos.

O Ravi abriu a boca.

— Uma carta de verdade?

— Sim! — disse a Bia. — E vamos pôr lá dentro esta mensagem também. E depois… vamos deixar a carta num lugar especial, como se fosse um abraço em papel.

A Leonor pegou numa caneta azul.

— Eu vou desenhar o abraço.

O Tomás pegou na caneta verde.

— Eu desenho uma capa de coragem.

O Ravi escolheu a amarela.

— Eu desenho um sol com óculos outra vez!

A mãe da Bia trouxe fita-cola brilhante e ajudou a dobrar a cartolina como um cartão.

Escreveram, com letras grandes e simples:

“Feliz Ano Novo!

Que haja risos.

Que sejamos corajosos.

Que ninguém fique sozinho.

Que a gente se abrace mais.”

Colaram ao lado a mensagem brilhante: “Os vossos votos são luz para o ano novo.”

Quando terminaram, o cartão parecia um pequeno jardim: havia risos desenhados, braços, um sol de óculos, corações, estrelas e até um relógio com boca sorridente.

A Bia segurou o cartão com as duas mãos.

— Agora vem a parte final.

Eles foram até à sala. A mãe apagou a luz principal e deixou só as luzinhas. A janela mostrava o céu com faíscas distantes, como flores de fogo.

A Bia colocou o cartão de votos em cima de uma prateleira, bem ao lado do relógio grande.

— Aqui — disse ela. — Para a gente ver todo o mês de janeiro. E lembrar.

O relógio continuou o seu “tic-tac”, mas parecia menos sério. Parecia contente por ter um cartão ao lado.

A Leonor suspirou.

— Parece que a sala ficou mais bonita.

— Ficou mais nossa — disse o Ravi.

O Tomás olhou para o cartão e depois para os amigos.

— Se alguém ficar triste, a gente pode cantar de novo, não pode?

— Pode — respondeu a Bia. — O karaoké dos votos não acaba. Só começa.

Eles juntaram as mãos no meio, uma em cima da outra.

— Um voto extra! — disse a Leonor.

— Qual? — perguntou o Tomás.

A Leonor pensou e falou simples, como uma canção pequenina:

“Que a gente continue amigo.”

— Eu canto isso! — disse o Ravi, e cantou mesmo, numa nota alegre.

A Bia e o Tomás acompanharam, cada um do seu jeito, desafinados e felizes. A mãe da Bia aplaudiu baixinho, como se não quisesse assustar a magia.

Depois, com o cartão já pousado e o ano novo a respirar na casa, eles sentaram-se no sofá com uma manta. Lá fora, os fogos foram ficando mais calmos. Cá dentro, os votos continuaram a brilhar, sem barulho, como luzinhas que sabem o caminho.

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O quiz: você entendeu bem a história?

Karaoké dos votos
Atividade de cantar uma frase curta para desejar coisas boas no Ano Novo.
Altifalante
Aparelho que faz a música ou vozes ficarem mais altas para todos ouvirem.
Confettis
Pequenos pedaços de papel colorido que se atiram para festejar.
Autocolantes
Figurinhas com cola que se colam em caixas ou desenhos para decorar.
Pirilampos
Pequenas luzes que parecem vaga-lumes ou estrelinhas brilhantes.
Vénia
Gesto de curvar o corpo ou a cabeça para agradecer ou mostrar respeito.
Cartolina
Folha grossa de papel usada para fazer cartões ou desenhos grandes.
Fita-cola
Tira pegajosa usada para colar papéis ou prender coisas.
Plim!
Som curto e brilhante, como uma campainha de brincar ou mágica.
Passas
Uvas secas que se comem nas festas, docinhas e pequenas.

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