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História sobre a festa de ano novo 5 a 6 anos Leitura 8 min.

A contagem à luz das velas e as doze uvas da Lila

Lila, uma menina de seis anos, planeia um Réveillon em família com doze uvas e um ritual de partilha; quando imprevistos surgem, ela e a família usam criatividade e carinho para continuar a celebração.

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Uma família reunida num salão acolhedor sobre um tapete vermelho: uma menina de 6 anos, rosto rondo e sardas, cabelos em rabos, sorridente, estende uma cacho de uvas e oferece uma moeda; o pai, ajoelhado à esquerda, lança confetes de papel e segura uma pequena lanterna; a mãe, sentada à direita com vestido às bolinhas, acende uma vela e sorri; a irmã adolescente Bia, sentada perto da menina, ri e oferece outro cacho; o avô, de barba grisalha e óculos, aplaude sentado ao fundo; o gato tigrado Pipoca fareja uvas no centro do tapete; janelas com fogos ao fundo, guirlandas de papel, uma mesa baixa com rabanadas e um cacho de uvas; cena íntima de Ano Novo à luz de velas e lanterna, cores quentes e estética em camadas de papel recortado. reportar um problema com esta imagem

Parte 1: O Plano da Lila

A Lila tinha seis anos e um caderno pequeno onde desenhava planos como se fosse uma capitã de navio. Naquela noite, a casa cheirava a rabanadas e canela, e a janela mostrava a rua com luzes a piscar devagar.

“Este Ano Novo vai ser perfeito”, disse ela, com o lápis atrás da orelha.

A mãe riu-se enquanto colocava uvas numa taça. “Perfeito é uma palavra grande.”

“Eu sou pequena, mas as minhas ideias são grandes”, respondeu a Lila, muito séria. Depois apontou para o relógio da sala. “O mais importante é a contagem. Ninguém pode distrair-se!”

O pai trouxe serpentinas e uma caixa com copos de sumo. “Comandante Lila, ordens?”

Lila abriu o caderno. “Primeiro: cada pessoa recebe doze uvas. Segundo: quando faltar um minuto, toda a gente fica aqui, no tapete. Terceiro: quando o relógio fizer doze… partilhamos desejos.”

O avô, sentado na poltrona, levantou uma sobrancelha. “Partilhar desejos? Isso é novo.”

“É uma tradição que acabei de inventar”, disse Lila. “Assim ninguém fica com um desejo sozinho.”

A irmã mais velha, a Bia, aproximou-se e fez cócegas no ar. “E se o meu desejo for um gelado gigante só para mim?”

“Então eu desejo colheres para todos”, respondeu Lila, e todos se riram.

No canto, o gato Pipoca observava como se também tivesse um plano secreto.

Parte 2: Surpresas no Tapete

Depois do jantar, começou a parte das pequenas coisas brilhantes. A mãe pôs música alegre, o pai encheu uma taça com confetes, e o avô contou histórias de outros fins de ano, com trovoadas e gargalhadas.

Lila andava de um lado para o outro, a verificar tudo. “As uvas estão aqui. Os copos ali. O relógio… está a andar!”

“Relaxa, estratega”, disse a mãe. “Ainda falta um bocadinho.”

Mas a Lila não conseguia relaxar. O coração dela fazia tum-tum como um tambor de festa. Então, para treinar, ela decidiu fazer uma mini-contagem.

“Dez… nove… oito…”, começou.

“Agora?” perguntou a Bia.

“É um ensaio!” explicou Lila.

Quando chegou ao “um”, o pai atirou confetes para o ar. O problema é que o Pipoca achou que os confetes eram insetos mágicos. Saltou, correu, escorregou e… PUF! A taça de uvas virou-se no chão.

“Ah não!” Lila ficou com os olhos enormes. “As uvas! Sem uvas não há ritual!”

O silêncio durou um segundo, só um segundo. Depois, o avô falou com voz calma: “Há sempre um jeito. Vamos caçar uvas.”

A família ajoelhou-se no tapete como se procurasse tesouros. A Bia apanhou uma uva e levantou-a como um troféu. “Encontrei uma!”

A mãe riu. “Mais dez!”

Lila apanhou duas e limpou-as com cuidado num guardanapo. “Pipoca, tu és um furacão peludo.”

O gato piscou os olhos, inocente, e miou como se pedisse desculpa.

Quando juntaram quase todas, perceberam que faltava uma. Só uma.

“E agora?” perguntou a Lila, a morder o lábio.

O pai abriu a mão. “Eu fico sem a minha. Partilho a minha parte.”

A mãe abanou a cabeça. “Não. Eu posso ficar sem.”

A Bia disse logo: “Eu também.”

Lila olhou para eles, um por um, e sentiu uma coisa quentinha dentro do peito. “Espera… se toda a gente quer dar, então o nosso desejo já está a acontecer.”

O avô sorriu. “Qual?”

“Partilhar.”

Nessa hora, ouviram um estalo suave. A luz da sala piscou e apagou-se.

“Ops”, disse o pai. “Acho que foi o disjuntor.

A Lila engoliu em seco. “E o relógio? E a contagem?”

A mãe pegou numa lanterna pequena, da gaveta da cozinha. A luz era amarela, macia, como um pedaço de luar.

“Não se preocupem”, disse ela. “A contagem também pode ser com luz de lanterna.”

A Bia acendeu duas velas no parapeito da janela. As chamas dançavam devagar, como se soubessem uma música secreta.

Lila respirou fundo. “Plano novo!”, anunciou. “Contagem à vela. E… cada um dá uma uva ao outro, para ninguém ficar com falta.”

O avô aplaudiu baixinho. “Estratégia bonita.”

Parte 3: Doze… e Luz Suave

A sala ficou diferente, como um lugar de história. A lanterna fazia círculos no teto. As velas brilhavam como estrelas perto da janela. Lá fora, alguém soltou um foguete pequenino que fez “pof!” e desapareceu.

“Faltam dois minutos”, disse o pai, a olhar para o telemóvel, que ainda tinha bateria.

Lila reuniu todos no tapete. “Posições!”

O Pipoca deitou-se no meio, muito quieto, como se prometesse não fazer mais confusão.

A mãe distribuiu as uvas. “Aqui vai.”

Lila segurou as suas doze uvas e, lembrando-se da que tinha faltado, disse: “Cada um oferece uma uva a alguém antes de começar. Pode ser uma uva de amizade.”

A Bia deu uma à Lila. “Para a minha estratega favorita.”

A Lila deu uma ao avô. “Para o nosso contador de histórias.”

O avô deu uma ao pai. “Para o mestre dos confetes.”

O pai deu uma à mãe. “Para a rainha das rabanadas.”

A mãe deu uma à Bia. “Para a irmã que faz cócegas no ar.”

E, no fim, a Lila pegou numa uva e colocou-a mesmo à frente do Pipoca. “E para ti, furacão peludo. Mas só podes cheirar.”

O Pipoca cheirou, espirrou, e todos riram.

“Um minuto!” disse o pai.

Lila sentiu o mundo a ficar quietinho, como se a casa inteira prendesse a respiração. As velas tremiam um pouco. A lanterna brilhava como um sol pequeno na mão da mãe.

“Preparados?” perguntou Lila, com voz doce e firme.

“Preparados!” responderam todos.

O pai contou: “Dez… nove…”

A cada número, Lila mastigava uma uva e pensava num desejo para alguém. Para a mãe: descanso. Para o pai: alegria. Para a Bia: coragem. Para o avô: saúde. E para ela… ela desejou que a partilha nunca acabasse.

“…três… dois… um!”

“Feliz Ano Novo!” gritaram.

Lá fora, mais luzes apareceram no céu, mas vistas de longe, como flores rápidas. Dentro de casa, a lanterna e as velas faziam uma luz suave e segura, como um abraço.

A mãe beijou a testa da Lila. “O teu plano salvou a noite.”

A Lila sorriu. “Não foi só o meu. Foi de todos. Quando falta uma uva, sobra vontade de ajudar.”

O avô apertou-lhe a mão. “Esse é um ótimo começo de ano.”

O pai voltou a ligar o disjuntor, mas ninguém teve pressa de acender tudo. Ficaram mais um pouco naquela penumbra bonita, a ouvir a rua ao longe e a sentir o calor da família.

A Lila encostou-se ao tapete, ao lado do Pipoca, e sussurrou: “Ano Novo, podes entrar. Aqui há espaço. E há partilha.”

E a luz suave, como se entendesse, continuou a brilhar.

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Capitã
Pessoa que manda num navio ou imagina que manda em algo, como um comando.
Rabanadas
Doce feito com pão, leite, ovos e canela, comido em festas.
Serpentinas
Tiras de papel colorido que se lançam nas festas para enfeitar.
Contagem
Ato de contar os números em voz alta, como para começar uma festa.
Disjuntor
Pequeno botão elétrico que desliga a luz quando há problema na casa.
Lanterna
Luz que se segura na mão para ver quando está escuro.
Parapeito
Parte baixa da janela onde se pode apoiar assentos ou velas.
Poltrona
Cadeira maior e confortável onde alguém se senta para descansar.
Confetes
Pequenos pedaços de papel colorido que se atiram nas festas.
Estratégia bonita.
Frase que elogia um plano bem pensado e que agradou às pessoas.

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