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História sobre a primavera 7 a 8 anos Leitura 8 min.

O jardim mágico de Tomás

Tomás explora o jardim na chegada da primavera, cuidando dos animais, partilhando sementes e fazendo amizades enquanto descobre as pequenas maravilhas da natureza.

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Um rapaz de 8 anos alegre, cabelo castanho desgrenhado, olhos castanhos, jaqueta amarela e galochas azuis enlameadas, estende a mão para semear perto de um tronco velho; uma rapariga de 8 anos, Inês, sorridente e concentrada, trança negra e casaco verde-claro, ajoelha-se para pôr sementes à sombra de um arbusto; um homem idoso, senhor Augusto (~65 anos), gentil, bigode grisalho, gorro e casaco castanhos, segura na trela um cão pequeno e peludo, Bolota, ao fundo sorrindo; animais do jardim: um ouriço adormecido esticando-se junto a um tufinho de relva, um melro saltitando no relvado e algumas formigas a carregar folhas; local: um caminho estreito ladeado de sebes verdes, poças reflectoras, flores amarelas e brancas, troncos musgosos e luz morna da manhã filtrando pelas ramagens; cena principal: as crianças partilham sementes para despertar a natureza, saltam em poças cintilantes e sorriem — cena viva, cores vívidas e texturas de gouache com pinceladas suaves e quentes. reportar um problema com esta imagem

Capítulo 1: O Despertar do Jardim

Tomás acordou cedo, sentindo o cheiro fresco da manhã pela janela aberta. O céu estava claro, e alguns raios de sol entravam devagarinho pelo quarto. Ele vestiu as suas calças preferidas, calçou as botas azuis e desceu as escadas de mansinho, para não acordar ninguém.

No quintal, tudo parecia diferente. As árvores, que tinham passado o inverno caladas, agora cochichavam segredos com as folhas novas. O chão estava salpicado de pequenas flores amarelas e brancas. Tomás sorriu ao ver um melro saltitar pela relva, procurando minhocas.

A mãe apareceu à porta com um sorriso. “Vais explorar o jardim, Tomás?”

“Vou! Quero ver se os ouriços já acordaram e se as formigas voltaram para o caminho delas,” respondeu Tomás, animado.

Pegou numa tigela com sementes e espalhou-as com carinho junto ao arbusto onde, no verão passado, vira um coelho esconder-se. “Vocês estão aí? O inverno acabou!” sussurrou, baixinho, para os pequenos animais.

De repente, ouviu um som suave: “Tic-tic-tic!” Era um chapim a saltar de ramo em ramo, quase a dançar de alegria. Tomás ficou quieto, observando. O passarinho apanhou uma das sementes e voou de volta para o ninho.

O menino sentiu o coração leve, como se também tivesse asas.

Capítulo 2: As Poças Saltitantes

Depois de cuidar dos animais, Tomás quis explorar mais. O jardim dava para um caminho estreito, ladeado por duas grandes sebes. Era o caminho preferido dele, porque era como uma passagem secreta cheia de aventuras.

O chão ainda estava molhado da chuva da noite anterior. Grandes poças brilhavam ao sol, refletindo o azul do céu e as nuvens branquinhas. Tomás riu-se sozinho. “Hoje não me vou molhar!”

Saltou com energia por cima da primeira poça. “Ufa! Esta não me apanha!” exclamou. A cada salto, a água fazia pequenas ondas e algumas gotas voavam até ao casaco dele, mas Tomás não se importava. As botas azuis eram como barcos a navegar.

No meio do caminho, encontrou o vizinho, o senhor Augusto, que passeava o cão, o Bolota.

“Bom dia, Tomás! Que saltos são esses?”

“Estou a fugir das poças, senhor Augusto! Não quero ficar com os pés frios.”

O senhor Augusto sorriu. “Sabes, as poças são como espelhos da primavera. Olha bem, consegues ver o céu dentro delas?”

Tomás agachou-se e espreitou. Viu o seu próprio rosto, as nuvens e até um passarinho a voar lá em cima. Riu-se, encantado. “É verdade! As poças são mágicas.”

“Pois são. E logo já secam com o sol,” disse o senhor Augusto, indo embora com Bolota a abanar a cauda.

Tomás continuou a saltar com cuidado, até chegar ao final do caminho.

Capítulo 3: O Segredo do Caminho das Sebes

O caminho entre as sebes era fresquinho e cheiroso. O ar estava cheio do perfume das flores e do som das abelhas a trabalhar. Tomás parou para ouvir o zumbido delas e fechou os olhos, deixando o sol aquecer-lhe o rosto.

De repente, ouviu um barulho baixinho vindo das folhas. Espreitou devagar, afastando alguns ramos com as mãos pequenas. Lá estava um ouriço, ainda meio sonolento, a procurar folhas secas para fazer a sua cama.

“Ola, pequeno ouriço! Dormiste bem?” perguntou Tomás, falando baixinho para não assustar o animal.

O ouriço olhou para ele, farejou o ar e continuou devagar, como se estivesse a ouvir o menino. Tomás ficou quieto, feliz por ver o amigo acordado depois do inverno. Pegou numa folha seca e colocou-a mais perto do ouriço, que a aceitou com o nariz curioso.

Mais à frente, viu formigas a trabalhar em fila, carregando pedacinhos de folhas para o formigueiro. Tomás ficou de joelhos e observou-as a partilhar o peso das folhas.

“Vocês trabalham juntas! Que equipa fantástica,” disse com admiração.

O vento trouxe o cheiro da terra molhada e o som distante de um pica-pau. Tomás sentiu-se parte daquele mundo vivo e colorido.

Capítulo 4: A Grande Partilha da Primavera

Tomás lembrou-se das sementes que tinha levado no bolso. Decidiu espalhá-las noutros cantos do caminho das sebes.

“Estas são para os passarinhos. Estas para os esquilos. E estas, para as formigas, se quiserem experimentar,” disse em voz alta, mesmo sabendo que talvez só ele entendesse aquela partilha.

Sentiu-se bem por ajudar a natureza a acordar. Reparou que não estava sozinho: uma menina da escola, a Inês, vinha pelo mesmo caminho, saltando também por cima das poças.

“Olá, Tomás! O que fazes?” perguntou ela, com as bochechas coradas do frio.

“Estou a espalhar sementes para os animais. Queres ajudar?”

A Inês aceitou logo. Juntos, deitaram sementes junto de um tronco caído, onde um esquilo costumava aparecer. Riram-se ao verem um ratinho tímido espreitar debaixo de uma pedra.

“É divertido cuidar dos animais e do jardim!” disse Inês, sorrindo.

“E é mais giro partilhar,” respondeu Tomás, contente.

Os dois combinaram voltar todos os dias para ver quem vinha buscar as sementes.

Capítulo 5: Novos Sonhos de Primavera

O sol já ia alto quando Tomás voltou para casa, com as botas sujas, mas o coração cheio de alegria. Sentou-se debaixo de uma árvore e fechou os olhos, sentindo o calor do sol na pele e ouvindo o riso das aves.

A mãe veio buscá-lo, trazendo um copo de sumo fresco. “Como correu a tua manhã?”

“Foi muito boa! Ajudei os animais, saltei poças, partilhei sementes com a Inês… Acho que a primavera é o melhor tempo para cuidar da natureza,” respondeu Tomás, orgulhoso.

A mãe abraçou-o. “Quando partilhamos e cuidamos da natureza, ela também cuida de nós, filho.”

Tomás olhou para o céu azul, sonhando com tudo o que ainda podia fazer. Queria plantar flores, construir casas para pássaros, limpar o lixo do jardim e ensinar os amigos a proteger as plantas.

Antes de adormecer nessa noite, Tomás prometeu a si mesmo: “Vou ser sempre amigo da natureza. E vou partilhar o jardim com todos os animais e com quem quiser ajudar.”

E assim, com o coração cheio de sonhos e a alma leve como as borboletas da primavera, Tomás adormeceu, feliz por fazer parte de um mundo que acordava de novo, todos os dias, com pequenos gestos de cuidado e partilha.

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Quintal
Espaço aberto junto à casa, onde se brinca e há plantas.
Cochichavam
Falavam muito baixinho, quase como um segredo entre folhas.
Minhocas
Animais compridos que vivem na terra e ajudam a plantar.
Tigela
Recipiente redondo usado para pôr comida ou sementes.
Chapim
Pequeno passarinho que salta entre ramos das árvores.
Melro
Tipo de pássaro com canto bonito que vive no jardim.
Arbusto
Planta mais baixa que uma árvore, com muitos ramos.
Poças
Lugares com água no chão depois da chuva.
Sebes
Plantas plantadas juntas que fazem uma cerca viva.
Formigueiro
Casa das formigas, feita no chão com muitos caminhos.
Tronco caído
Parte grossa da árvore que caiu e ficou no chão.
Zumbido
Som constante e baixo que algumas abelhas fazem.
Pica-pau
Pássaro que bate no tronco das árvores com o bico.
Esquilo
Animal pequeno que sobe em árvores e guarda nozes.
Ratinho
Pequeno roedor que às vezes aparece tímido entre pedras.

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