Capítulo 1 – Os Primeiros Raios de Sol
Na manhã daquele sábado, as janelas do quarto de Clara, Sofia e Lara deixavam entrar o sol macio que anunciava a chegada da primavera. Clara foi a primeira a acordar, espreguiçando-se com um sorriso. O aroma fresco da relva entrava pela janela, misturando-se com o cheiro doce de pão torrado vindo da cozinha.
Clara abriu a porta devagar e sussurrou:
— Sofia, Lara, acordem! Hoje o dia está especial.
Sofia abriu um olho e murmurou:
— Já é primavera, não é?
Lara, ainda enrolada nos cobertores, resmungou:
— Eu ouvi os passarinhos cantando. Deve mesmo ser primavera.
As três vestiram roupas leves e coloridas. Clara vestiu uns sapatos novos, brancos e brilhantes. Sofia pegou seu chapéu de palha preferido. Lara colocou um casaquinho azul, só por precaução. Saíram de casa, sentindo o ar fresco na pele e o cheiro de flores no ar.
No jardim, Clara viu algo se mover nos seus sapatos. Olhou para baixo e viu uma pequena formiga subindo na ponta do seu pé.
— Olhem para isto! — chamou Clara, rindo. — Uma formiga corajosa está a explorar os meus sapatos novos!
— Cuidado para não a assustares — disse Sofia, ajoelhando-se para ver melhor.
Lara aproximou-se curiosa:
— Achas que ela gosta da cor dos teus sapatos?
Clara sorriu:
— Talvez ache que são montanhas para escalar.
As três riram juntas. O jardim parecia, de repente, cheio de vida. Abelhas dançavam de flor em flor, pássaros saltitavam nas árvores e borboletas coloridas davam voltas no ar.
Capítulo 2 – O Caminho dos Cerejeiras
Depois do pequeno-almoço, as meninas decidiram ir brincar para o parque mais perto de casa. No caminho, passaram por uma alameda bordada de cerejeiras em flor. As árvores estavam cobertas de flores cor-de-rosa e brancas, que balançavam suavemente com a brisa.
— Isto parece um túnel mágico — disse Sofia, encantada.
Lara estendeu o braço para apanhar uma pétala que caía:
— Parece que está a chover flores!
Clara olhou para o chão, que estava cheio de pétalas macias. Sentiu-se tão feliz que quis correr, mas parou ao ver um grupo de joaninhas nas suas meias.
— Olhem, mais amigas! — disse Clara, mostrando as joaninhas às amigas. — Gostam tanto de primavera quanto nós!
Sofia sentou-se debaixo de uma cerejeira e fechou os olhos:
— Que cheiro bom! Adoro o cheiro das flores.
Lara deitou-se na relva e suspirou:
— Ouçam, conseguem ouvir as abelhas? Parece música.
Clara ficou a observar as joaninhas com atenção:
— Sabem, antes eu não achava muita graça em ficar lá fora. Mas agora... sinto que faço parte de tudo isto. O sol, as flores, os insetos... é como se fossemos todos amigos.
Sofia pegou na mão de Clara:
— Acho que a primavera faz isso com as pessoas. Faz a gente sentir que pertence a algum lugar.
Lara sorriu:
— Gostava de morar aqui debaixo das cerejeiras para sempre.
Capítulo 3 – Pequenas Descobertas
As meninas começaram uma caminhada lenta pela alameda, prestando atenção a tudo. Pararam para cheirar as flores, ouvir os sons e sentir o vento na cara.
Clara reparou numa fila de formigas a carregar pedacinhos de folhas:
— Olhem como elas trabalham juntas! Cada uma tem uma tarefa.
Lara observou um caracol a espreitar debaixo de uma folha:
— Ele é tão lento, mas não parece ter pressa.
Sofia apontou para um pardal que saltava de galho em galho:
— Vejam, ele está a construir um ninho!
Clara sentou-se no chão e ficou a pensar:
— Gosto de ver os insetos subirem nos meus sapatos. Primeiro achei estranho, mas depois percebi que eles estão só a explorar. E eu também estou a explorar a primavera.
Sofia concordou:
— Às vezes, temos medo de coisas só porque não conhecemos bem. Mas quando olhamos com atenção, vemos que são maravilhosas.
Lara disse:
— Concordo! Se ficarmos atentos, descobrimos coisas pequenas e incríveis.
Clara sentiu-se orgulhosa por ter aprendido a gostar de estar lá fora, mesmo quando as formigas e as joaninhas subiam nos seus sapatos.
Capítulo 4 – Um Piquenique Simples
Depois de tanto explorar, as meninas decidiram fazer um pequeno piquenique debaixo de uma cerejeira. Tiraram da mochila pão, queijo e sumo.
— Aqui está perfeito — disse Lara, abrindo o pano na relva.
Durante o piquenique, pequenas abelhas e borboletas vieram espreitar, mas as meninas não se assustaram.
Clara brincou:
— Devemos ter o lanche mais popular do parque!
Sofia riu:
— Talvez elas queiram só sentir o cheiro.
De vez em quando, pétalas caiam nos cabelos das meninas e elas riam, sacudindo-as com alegria.
Depois de comer, Clara ficou deitada a olhar para o céu azul entre as flores:
— Sabem, nunca pensei que gostava tanto de estar ao ar livre. Sinto-me feliz aqui. Nem me importo com os insetos.
Lara disse:
— O melhor da primavera é isto: tudo fica mais bonito e divertido.
Sofia acrescentou:
— E estamos juntas, isso é o mais importante.
Sentadas lado a lado, as três sentiram um calorzinho por dentro, como se fossem também parte daquela natureza desperta.
Capítulo 5 – Juntas, Sempre
Quando o sol começou a descer, as meninas decidiram voltar para casa. Caminharam devagar pela alameda, agora cheia de luz dourada. Pássaros voavam para os ninhos e mais pétalas caiam como neve suave.
No caminho, Clara viu mais uma formiga a subir-lhe o sapato. Em vez de sacudi-la, sorriu:
— Olá, amiga! Podes ficar aí a passear.
Sofia comentou:
— Acho que ela gosta de companhia.
Lara respondeu:
— Estou contente por termos vindo cá fora juntas.
Quando chegaram ao portão de casa, Clara disse:
— Aprendi que gosto do que antes me parecia estranho. Agora, até os insetos são meus amigos.
Sofia sorriu:
— A primavera é mágica mesmo. Traz coragem para experimentar coisas novas.
Lara abraçou as duas:
— E o melhor é que estamos juntas em todas as descobertas.
O céu estava laranja e rosa, e as três sentiram o coração leve, sabendo que mesmo quando as flores caíssem e as cerejeiras ficassem verdes, a amizade e a alegria de estar juntas iam continuar.
Do lado de fora, a primavera continuava a despertar, e, do lado de dentro, as meninas sabiam que pertenciam àquele mundo bonito, cheias de confiança para viverem mais dias felizes, juntas.