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História sobre a morte 7 a 8 anos Leitura 7 min.

O jardim das recordações de Lilo

Lilo, um pequeno dragão, aprende a lidar com a saudade da sua amiga coruja Nuna ao partilhar memórias e receber o apoio dos amigos, descobrindo que expressar os sentimentos traz conforto.

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Lilo, um pequeno dragão azul de corpo redondo e bochechas rechonchudas, sentado numa toco segurando uma pequena pena branca; Nuna, uma velha coruja cinzenta de plumagem salpicada, adormecida numa rama baixa à direita; um esquilo alegre à esquerda com uma avelã, inclinado compadecido; clareira dourada ao anoitecer com ervas macias, flores silvestres, pedras redondas e um pequeno jardim-memorial com flores plantadas e uma folha pintada em forma de coração — cena calma de lembrança, Lilo reunido junto ao jardim em homenagem a Nuna, luz quente do pôr do sol e cores em tons pastéis. reportar um problema com esta imagem

Capítulo 1: Um Dia Diferente na Floresta

Na clareira dourada da floresta, onde o vento cantava baixinho nas folhas, vivia Lilo, um pequeno dragão azul de bochechas muito redondas e olhos curiosos. Lilo gostava de passar as manhãs a ouvir o riso dos pássaros e a brincar com as borboletas que pousavam na ponta do seu focinho. Era tudo tão calmo e bonito, que Lilo se sentia sempre abraçado por uma nuvem de tranquilidade.

Certa manhã, enquanto passeava ao lado de Nuna, a sua amiga coruja sábia e velhinha, Lilo notou que Nuna voava mais devagar. “Nuna, está tudo bem?” perguntou ele, com a voz doce.

“Estou um pouco cansada hoje, Lilo,” respondeu Nuna, empoleirada num ramo baixo. “Mas gosto de te acompanhar e ver como és curioso.”

Lilo sorriu e juntos observaram as flores a abrir e fechar com o toque suave do sol. Mas, nesse dia, Nuna fechou as asas e fez silêncio, como se quisesse escutar o mundo inteiro a respirar fundo. Lilo sentiu uma brisa leve e ficou ao lado da amiga, sem dizer nada, porque aprendeu que há momentos em que estar junto, em silêncio, é o melhor abraço.

No fim da tarde, Lilo voltou ao tronco onde Nuna costumava dormir, mas a coruja já não estava lá. Sentiu o coração ficar pequenino, como se faltasse um quentinho. Sentou-se e deixou as lágrimas caírem devagar, como gotas de orvalho na relva.

Capítulo 2: Sentimentos como o Céu

No dia seguinte, Lilo acordou sentindo-se estranho. O céu estava azul e os pássaros cantavam, mas Nuna não estava mais para lhe contar histórias. Lilo andou pela floresta, lembrando-se como Nuna imitava o barulho dos sapos e ria das suas próprias piadas. Era como se uma música antiga tivesse parado de tocar.

“É estranho, não é?” perguntou uma joaninha que passava por ele. “Sentir saudades deixa o peito apertado.”

Lilo assentiu com a cabeça e sentou-se à beira do lago. Olhou o reflexo nas águas e pensou em Nuna. Fechou os olhos e sentiu um calorzinho no peito. “Tenho saudades, mas também me lembro de tudo o que a Nuna me ensinou,” murmurou para si mesmo.

Depois, sentiu vontade de falar sobre isso. “Eu posso falar sobre a Nuna lá na escola da floresta?” quis saber Lilo, olhando para o seu amigo esquilo que carregava uma noz enorme.

“Claro que sim, Lilo! Falar ajuda a aliviar esse peso no coração. Podes contar-nos as tuas memórias bonitas!” respondeu o esquilo com um sorriso.

Lilo sentiu-se um pouco mais leve. Pensou em todas as perguntas que queria fazer. Afinal, sentir falta é normal, e partilhar aquilo que se sente parece dar mais cor aos dias.

Capítulo 3: Conversas Suaves Como Almofadas

No dia da escola, Lilo estava nervoso, mas decidido. Sentou-se ao lado dos outros dragõezinhos, coelhos saltitantes e ratinhos atentos. A professora, uma lagarta de olhos bondosos, percebeu que Lilo estava mais calado.

“Queres partilhar alguma coisa, Lilo?” perguntou ela, com um olhar compreensivo.

“Eu sinto falta da Nuna, minha amiga coruja,” disse Lilo, com a voz um pouco trémula. “Ela era muito velhinha e agora já não está comigo, mas eu lembro dela a contar-me histórias e a ensinar-me coisas bonitas.”

Os colegas escutaram em silêncio, com atenção e respeito. “A Nuna era mesmo especial. Gostavas de partilhar alguma coisa que ela te ensinou?” quis saber o ratinho mais pequenino.

Lilo sorriu: “Ela ensinou-me que os dias bons são feitos de risos e que, mesmo quando um amigo parte, ele continua cá dentro, no coração de quem gosta.”

A professora acercou-se e disse: “Falar sobre quem partiu ajuda a recordar os momentos felizes. E quem partiu fica vivo nas nossas memórias.”

O ambiente ficou tão suave que Lilo sentiu como se estivesse a flutuar numa nuvem fofa. Percebeu que não estava sozinho, que todos sentiam saudade de alguém especial. E nisso havia uma espécie de abraço invisível.

Capítulo 4: O Jardim das Recordações

Aos poucos, passaram-se os dias e Lilo começou a construir um pequeno jardim em homenagem a Nuna. No canto da floresta, ele plantou flores do campo, algumas pedras coloridas e um galho retorcido que parecia um baloiço de coruja.

Os amigos ajudaram: o esquilo trouxe bolotas, a joaninha pintou um coração numa folha, e os coelhos fizeram uma coroa de trevos. Cada vez que Lilo sentia saudades, ia lá e recordava as histórias de Nuna, os conselhos sábios e até as gargalhadas que pareciam ecoar entre as árvores.

Um dia, a brisa soprou e Lilo sentiu-se calmo, como se Nuna estivesse a ver tudo lá do alto. Olhou para o céu e sorriu. Afinal, recordar também acalma o coração.

“Havia tanto amor nas nossas conversas,” pensou. “Eu posso sempre falar, chorar ou sorrir quando me lembro dela.”

Capítulo 5: O Sopro do Obrigado

O tempo foi passando e Lilo já sabia que sentir saudades é um jeito especial de continuar a amar. Às vezes, sentia vontade de conversar com Nuna, mesmo sabendo que ela não responderia. Outras vezes, contava uma piada e imaginava Nuna a rir, sentindo o coração aquecido.

Numa noite estrelada, Lilo foi até ao jardim das recordações. O vento dançava nas árvores e havia silêncio cálido ao redor. Fechou os olhos, respirou fundo e sussurrou baixinho: “Obrigado, Nuna. Por tudo.”

As estrelas pareciam piscar só para ele. E ali, no centro da floresta, Lilo sentiu-se abraçado por memórias luminosas. Sabia que, sempre que precisasse, podia falar sobre o que sentia — na escola, com os amigos ou apenas ali, no sossego do seu jardim de lembranças.

No silêncio leve da noite, um obrigado ficou a brilhar no ar, suave e sereno como uma história antes de dormir.

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Clareira
Área aberta na floresta onde há mais luz e menos árvores.
Empoleirada
Quando um animal está pousado em cima de algo, como um ramo.
Orvalho
Gotinhas de água que aparecem nas plantas de manhã cedo.
Saudades
Sentimento de falta ou desejo de estar com alguém ou algo.
Trémula
Que treme ou vibra um pouco, com voz ou mãos inseguras.
Relva
Plantas verdes e baixas que cobrem o chão, como um tapete.
Reflexo
Imagem que se vê na água ou num espelho.
Partilhar
Contar ou dividir coisas, sentimentos ou brinquedos com outros.
Recordações
Memórias de momentos e pessoas que guardamos no coração.
Baloiço
Assento que balança, feito para sentar e ir para frente e para trás.
Brisa
Vento leve e fresco que se sente na pele.
Murmurou
Falar baixinho, quase sussurrando, com voz suave.

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