Tomás acordou cedo num sábado frio. A luz entrava pela janela, mas o céu estava cinzento e quieto. Tomás olhou para fora e viu que o jardim estava todo branco. “Mamã, o chão está diferente!”, disse ele, curioso, ainda com a mantinha no colo.
A mãe sorriu e respondeu: “É o inverno, Tomás. O frio faz a relva ficar assim, branquinha. Chama-se geada.” Tomás encostou as mãos na janela. “Está muito frio lá fora?” A mãe fez que sim com a cabeça. “Por isso, vamos vestir-nos bem quentinhos.”
Tomás vestiu as calças grossas, o casaco azul com fecho, o gorro vermelho e as luvas pequenas. O pai ajudou a calçar as botas. Tomás sentiu-se embrulhado como um ursinho. “Assim não tenho frio!”, disse ele, feliz.
Lá fora, o ar era gelado e fazia cócegas no nariz. Tomás ficou muito quieto e olhou para tudo. Havia nuvens que iam devagar no céu. Os passarinhos pulavam no chão, procurando migalhas. “Eles também sentem frio?”, perguntou Tomás. A mãe respondeu: “Sim, mas eles sabem como se proteger. Como tu.”
Tomás caminhou devagar e, de repente, sentiu os pés frios dentro das botas. Parou e bateu os pés no chão, devagarinho. “Toc, toc, toc.” O pai sorriu. “Se bateres os pés, eles aquecem.” Tomás continuou, “Toc, toc, toc”, e sentiu-se melhor.
O jardim parecia diferente. As plantas estavam a dormir, diziam os adultos. Tomás tocou numa folha gelada. Parecia açúcar. “Gosto do inverno”, disse. “Tudo brilha, tudo faz barulho debaixo dos pés.”
De repente, soprou um vento. Tomás encolheu-se e escondeu as mãos nos bolsos. “Está vento, mamã.” A mãe agachou-se. “O inverno traz vento e frio, mas também coisas boas. Queres ver?”
Foram todos para dentro de casa. A mãe preparou uma caneca de leite quente com canela. O pai acendeu a lareira. Tomás sentou-se pertinho do fogo. O calor era bom e fazia cócegas nas bochechas. O gato, Mimi, deitou-se ao lado dele e ronronou.
Tomás olhou para as chamas a dançar. “Sinto-me quentinho agora”, disse, sorrindo. “Podemos contar uma história?” O pai contou uma história de inverno, com animais que encontram calor juntos.
Depois, Tomás foi buscar papel e lápis de cor. Desenhou o jardim branco, o casaco azul, o gorro vermelho e os seus pés a bater no chão. “É o meu inverno”, explicou ele.
A mãe viu o desenho e abraçou Tomás. “Fizeste tudo certo hoje, filho. Vestiste-te, sentiste o frio, aqueceste-te, bateste os pés, vieste para dentro quando precisaste.”
Tomás encostou-se à mãe. Sentiu-se seguro. “Quando tenho frio, posso bater os pés. E posso pedir ajuda.” A mãe sorriu. “Podes sempre escutar o teu corpo. Ele diz-te o que precisas.”
O dia ficou mais calmo. Tomás brincou, riu e sentiu-se crescido. Descobriu que no inverno há frio, mas também muitos momentos quentinhos e felizes. Sentiu orgulho de se ter ouvido e cuidado de si. Mesmo pequenino, Tomás percebeu que podia ser amigo de si próprio. E, assim, adormeceu tranquilo, a sonhar com manhãs frias e corações quentes.