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História sobre a primavera 5 a 6 anos Leitura 12 min.

O dia de primavera de Alice

Alice passa um dia de primavera explorando o parque e a rua, encontrando pequenas surpresas — flores, uma galocha perdida, chuva e muita alegria — e aprendendo a valorizar as coisas simples.

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Menina de 6 anos, rosto redondo, cabelos castanho-claro em rabo de cavalo, bochechas rosadas e expressão alegre; veste casaco verde-menta, galochas amarelas brilhantes e segura um pequeno cesto de vime, pulando com os dois pés numa grande poça e levantando largas gotas de água; menino de ~7 anos, boné azul, camisola às riscas e calção caqui, sorriso travesso, está do outro lado da poça a aplaudir e observa-la com respingos junto às sapatilhas; cão pequeno e brincalhão, pelo ruivo e coleira vermelha, corre perto do banco a ladrar com algumas gotas nas patas; local: parque primaveril luminoso com caminho de terra, árvores floridas a largar pétalas brancas e cor-de-rosa, canteiro de tulipas vermelhas e amarelas, velho banco de madeira e grande poça que reflete o céu azul e nuvens; cena centrada no salto jubiloso e no esplendor das gotas suspensas no ar, com atmosfera fresca e colorida. reportar um problema com esta imagem

Capítulo 1

Alice acordou cedo com a luz morna entrando pela janela. O sol de primavera fazia desenhos no cobertor. Ela espreguiçou os braços pequenos e ouviu um passarinho cantar. O som parecia dizer: "Hoje é dia de explorar."

Ela levantou-se determinada. Colocou um casaquinho leve, calçou as galochas cor de amarelo e pegou seu pequeno cesto de palha. No cesto havia uma maçã, uma lupa de brinquedo e um lenço florido. Alice sorriu. Ela sabia que o parque esperava por ela.

A rua cheirava a terra molhada. O inverno havia ido embora. No caminho, o vento trouxe o perfume das primeiras flores. Era um cheiro suave, doce e fresco. Alice fechou os olhos por um segundo e respirou fundo. O cheiro fez cócegas no nariz e um calorzinho no peito.

Ao entrar no parque, os olhos de Alice brilharam. As árvores pareciam acordar com folhas tenras e botões. Borboletas leves dançavam de flor em flor. Crianças e adultos caminhavam devagar, como se tivessem tempo de sobra. Alice sentiu que também tinha todo o tempo do mundo.

Ela caminhou até um canteiro de flores. Havia tulipas vermelhas, pequenas margaridas brancas e narcisos amarelos. Alice ajoelhou-se e colocou a mão no chão. A terra estava macia e fresca. Ela acariciou uma pétala amarela. A superfície era aveludada. Um pequeno besouro curioso caminhou pela flor e parou no dedo dela. Alice riu baixinho.

"Bom dia, senhor besouro", sussurrou ela. O som de sua voz misturou-se ao zumbido de abelhas distantes. O parque tinha muitos cheiros: terra, grama cortada, folhas novas. Cada aroma parecia contar uma história de renovação.

Alice guardou no cesto um pequeno papel com um desenho que fez de uma margarida. Não queria arrancar flores; apenas quis lembrar-se de como cada pétala parecia um raio de sol. Ela caminhou mais longe, guiada pelo brilho das árvores.

No centro do parque havia um caminho de pedras. Alice seguiu por ele, sentindo cada textura sob as galochas. As pedras faziam um som surdo quando tocavam seus pés, um som que parecia bater no ritmo do coração da menina. Ela apressou-se um pouco. Um cachorrinho brincalhão veio correndo e abanou a cauda. Alice sorriu e fez carinho no pelo macio. O dono acenou com gentileza. Tudo ali parecia saudável e calmo.

Quando o sol subiu mais alto, nuvens finas passaram como algodão. Alice sentou-se num banco para comer a maçã. Ao morder, ouviu o suco estalar. O sabor era doce e um pouco ácido. Ela fechou os olhos e saboreou a primavera.

Capítulo 2

Depois da maçã, Alice decidiu explorar a rua que passava ao lado do parque. Era uma calçada forrada de árvores em flor. As pétalas brancas e rosadas caíam como uma chuva lenta. Quando o vento soprava, muitas pétalas dançavam no ar e pousavam no chão, fazendo um tapete colorido.

Alice caminhou pelo passeio. O cheiro das flores cobrava tudo ao redor. Ela inspirava fundo e sentia o perfume prendendo-se ao cabelo. As árvores formavam um túnel suave de sombras e luz. Pequenas crianças passavam de mãos dadas com seus avós. Havia um vendedor de flores com um carrinho azul. Suas flores pareciam sorrisos empilhados.

No meio do passeio, Alice viu algo que a fez parar. Um galocha esquecida estava na beira da sarjeta. Era do tamanho certo para ela. A galocha tinha uma estrela desenhada. Aproximou-se com cuidado. Ao lado, havia um bilhete preso com barbante: "Perdido. Por favor, devolva." Alice olhou em volta. Não havia ninguém por perto que parecesse procurar.

Ela pensou por um instante. Poderia deixar a galocha ali e seguir explorando. Mas Alice era determinada e gentil. Colocou a galocha no cesto. "Talvez este sapato pertença a uma criança que está triste", murmurou. O ato simples a fez sentir-se como uma guardiã das coisas pequenas.

Seguiu caminhando com o cesto mais pesado. Em cada porta, os jardins mostravam sinais de primavera: grama nova, vasos coloridos, pequenos galhos enfeitados com fitas. Um senhor varria a calçada lentamente e sorriu para Alice. "Bom dia, pequena exploradora", disse ele. Alice acenou e sentiu um calor no peito. O mundo parecia cheio de bondade.

Quando passou por uma ponte baixa, viu o riacho refletindo o céu. À margem, meninos lançavam pedrinhas. O som do pulo na água lembrava pequenos tambores. Alice colocou a galocha no corrimão para que ficasse visível a quem a perdesse. "Assim, quem procurar vai achar", pensou.

Ainda havia muito a ver. Ela seguiu por um trecho onde os troncos das árvores estavam cobertos de musgo brilhante. Um cheiro de relva desmanchava-se no vento, e gotas de orvalho ainda cintilavam nas folhas. Alice tomou um gole de água que sua mãe lhe dera e continuou. O passeio era lento, cheio de observações e sussurros de admiração.

De repente, o céu escureceu por um instante e uma nuvem pesada passou. Algumas gotas começaram a cair. Alice não se assustou. Gostava da chuva de primavera, aquela que lavava as coisas e fazia todo o parque cheirar ainda melhor. Andou mais rápido, mas sem pressa, como se dançasse com as gotas.

As pessoas correram para se abrigar sob marquises e árvores densas. O som das gotas no capuz e no guarda-chuva era um tambor suave. Alice abriu as galochas e as colocou, sentindo o ar fresco entrar. Quando a chuva diminuiu, o mundo brilhou. As cores das flores pareciam mais vivas, e o ar tinha um cheiro limpo de novas possibilidades.

Capítulo 3

O passeio levou-a de volta ao parque. Ali, o caminho de terra formava pequenas poças. Alice viu seu reflexo tremendo na água. Havia uma poça grande e brilhante perto de um carvalho florido. A superfície refletia as nuvens e as pétalas que já flutuavam no chão.

Do outro lado da poça, um grupo de crianças ria. Uma delas, um menino com um boné azul, pulou na água e levantou uma chuva de gotas. Era divertido ver as respingos voarem como pequenos pássaros molhados. Alice olhou para suas galochas amarelas e pensou no som da água, no calor do sol que voltava a aparecer e no cheiro limpinho que rodeava tudo.

Ela aproximou-se devagar. Seus pés tremiam de excitação. Havia algo de mágico naquela poça. Talvez fosse a forma como o céu se repetia nela, ou o jeito que os pingos criavam círculos concêntricos como pequenas ondas. Alice sentiu-se corajosa. Lembrou-se da galocha que guardara para devolver e da bondade em pequena escala que já tinha feito naquele dia.

Com um sorriso decidido, ela pulou. Primeiro, pousou com os dois pés ao mesmo tempo, e a água subiu em torno dela. O som era um grande "splash" que ecoou levemente pelo parque. As gotas voaram pelo ar e tocaram seu rosto como beijinhos frios. Alice deixou escapar um som que começou como surpresa e acabou em riso.

O riso espalhou-se. Primeiro foi um sorriso tímido, depois uma risada franca, e por fim um riso grande que veio do fundo do peito. As crianças próximas também riram. Um cachorro latiu feliz. O menino de boné azul bateu palmas. O ar parecia mais leve, e tudo ao redor parecia comentar o momento: as folhas agitavam-se, as pétalas caíam como confetes, e o sol passou por entre as nuvens como se quisesse participar da festa.

Alice chegou ao riso contagiante que a fazia segurar a barriga. Fez cócegas invisíveis no ar. O cesto no ombro balançava com o movimento, e o bilhete da galocha chamava-se atenção. Uma senhora que observava do banco sorriu e disse: "Que bom ver alegria assim." Alice acenou com a cabeça, ainda rindo.

Quando a gargalhada acalmou, Alice sentiu as bochechas rosadas e os olhos brilhantes. A água da poça refletia agora o rosto contente dela. Ela enxugou os olhos com o lenço florido e respirou fundo. Todo o corpo da menina estava feliz. A sensação era de corpo quente depois de uma corrida, com uma paz que se instala depois de um grande riso.

Ela caminhou até o banco onde deixara o cesto e colocou a galocha perdida no corrimão, bem visível. Não demorou muito e uma mãe apareceu correndo, com os cabelos molhados e o olhar aflito. Ao ver a galocha, seus olhos se iluminaram. "Nossa, é da minha pequena!", exclamou. Ela agradeceu com um abraço apertado. Alice sentiu um aquecimento no peito. A alegria de ajudar era tão doce quanto o perfume das flores.

O sol desceu devagar, pintando o céu com tons suaves. Alice sentou-se no gramado, encostou a cabeça numa almofada imaginária de musgo e olhou para as árvores. Cada pétala que restava parecia segurar um pouco de luz. Os sons do parque tornaram-se uma canção de boas noites: passos distantes, o farfalhar das folhas, uma conversa baixa entre adultos. Alice fechou os olhos e lembrou-se do dia.

Ela pensou nas cores que viu: amarelo das galochas, branco das pétalas, vermelho das tulipas. Pensou nos cheiros: terra molhada, flores frescas, maçã doce. Pensou nos sons: risos, águas, a melodia do vento. Tudo isso formava um grande abraço que a primavera oferecia.

Antes de ir para casa, Alice pegou sua lupa e observou uma pétala caída. Via minúsculos veios, como ruas pequenas. Um formigueiro carregava migalhas no tronco. Um sapo coaxou de longe. Cada pequeno detalhe era uma história que a natureza sussurrava.

No caminho de volta, a noite já acendia suas luzes amarelas nas janelas. Alice andou devagar, sentindo a calma que vem depois de um dia bem vivido. Chegou em casa com as galochas ainda um pouco molhadas e o cesto leve. Sua mãe a recebeu com um abraço que cheirava a chá e bolachas.

Antes de dormir, Alice contou a aventura em voz baixa. Falou do perfume das flores, do passeio pelo passeio florido, da galocha encontrada, da chuva que limpou o ar e, claro, do grande pulo na poça. Sua mãe ouviu com atenção e sorriu.

Alice escovou os dentes, vestiu o pijama e abriu a janela para sentir uma última lufada de primavera. O vento trouxe o som de uma última risada distante. Ela fechou as cortinas e deitou-se. Pensou no dia seguinte e em quantas pequenas coisas ainda haveria para descobrir.

Adormeceu com o coração leve, segurando no lenço florido como quem segura uma promessa. No sonho, as árvores sussurravam e as pétalas dançavam em círculos suaves. E no seu sono tranquilo, ficou a certeza de que a alegria simples do mundo estava sempre ali, esperando por quem quisesse respirar fundo, olhar em volta e rir de felicidade.

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Cesto de palha
Um recipiente feito de tiras secas de planta, usado para levar coisas.
Galochas
Botas de borracha que protegem os pés da chuva e da lama.
Lupa
Uma lente que aumenta as coisas para vermos detalhes pequenos.
Aveludada
Que parece macia e suave, como veludo ao tocar.
Zumbido
Um som contínuo e baixo, como o de abelhas ou insetos.
Renovação
Quando algo fica novo de novo, como a natureza na primavera.
Corrimão
Barra ao lado de escadas ou pontes para segurar e apoiar.
Musgo
Plantinha macia e verdinha que cobre pedras e troncos úmidos.
Cintilavam
Brilhavam pouco, como pequenas luzes ou gotas de água ao sol.
Aflito
Quando alguém está preocupado ou com pressa e não está calmo.
Poça
Água parada no chão depois da chuva, formando um pequeno lago.
Reflexo
A imagem que aparece na água ou no espelho, como um desenho.
Lenço florido
Pedaço de pano com desenho de flores, usado para limpar ou secar.

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