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História de Jogador de Futebol 11 a 12 anos Leitura 15 min.

O cartaz da segurança e o golo do Tomás

Tomás, um jogador dedicado, prepara-se para um jogo enquanto ensina e aprende com o jovem Tiago sobre segurança, responsabilidade e respeito, mostrando que o futebol é tanto treino quanto cuidado e exemplo.

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Um homem, Tomás, rosto sorridente e determinado, olhos brilhantes, pele levemente bronzeada, cabelos curtos castanhos, com uniforme completo de futebol azul e branco, corre de braços abertos celebrando um golo; um rapaz de ~14 anos, Tiago, cabelo castanho desgrenhado, pele clara, magro, de roupa de apoio logístico (sweat cinzento e calças de treino), segura garrafas de água junto ao banco, saltitando de alegria e olhando para Tomás; um jogador/capitão adulto, Rui, ~28 anos, barba por fazer, com camisola combinando, aplaude sorrindo atrás de Tiago; estádio grande à noite com holofotes brancos e amarelos, relvado verde vivo com riscas brancas, bancadas cheias desfocadas com bandeiras, túnel escuro à esquerda e corredor cinzento à direita; cena pós-golo animada, multidão a saltar, confetes e faixas, iluminação dramática e cores saturadas, ambiente alegre e seguro. reportar um problema com esta imagem

Capítulo 1 — O silêncio antes do apito

O Tomás acordou antes do despertador. Não porque fosse herói, mas porque a cabeça dele era assim: quando havia jogo, ela fazia barulho por dentro.

A luz da manhã entrava em tiras pela persiana, como linhas de campo desenhadas na parede. Tomás sentou-se na cama e respirou fundo. Uma, duas, três vezes. O treinador dizia que a concentração começa quando ninguém está a ver.

Na cozinha, a mãe colocou uma taça de aveia na mesa e apontou para a garrafa de água.

— Primeiro comer, depois falar de golos — disse ela, com aquele sorriso que parecia um apito suave.

Tomás mastigou com calma. Não era superstição. Era rotina. E rotina, para um jogador profissional, era quase uma segunda pele.

O telemóvel vibrou. Mensagem do capitão, o Rui:

“Hoje chegamos cedo. Reunião. E traz caneleiras extra, o miúdo da formação vem connosco.”

Tomás respondeu logo:

“Combinado. E eu levo fita também.”

A mãe levantou uma sobrancelha.

“Fita também”... Isso é linguagem de futebol, não é?

— É linguagem de “estar preparado”, mãe.

Ao sair, ele conferiu duas vezes: chuteiras, meias, caneleiras, garrafa. E o casaco com refletor. Segurança também era profissão, não só conselho.

Na rua, o ar estava fresco e limpo. Tomás caminhou sem pressa para o carro do clube que ia buscá-lo. Pensou no jogo da noite: estádio cheio, luzes fortes, barulho como mar.

Mas, antes de tudo isso, havia trabalho. E trabalho, no futebol, começava muito antes da bola rolar.

Capítulo 2 — Um cartaz com uma missão

No centro de treinos, o cheiro a relva cortada misturava-se com o de café. Os jogadores iam chegando, alguns a rir, outros a bocejar. Tomás cumprimentou o guarda da entrada, como sempre.

— Bom dia, senhor Aníbal.

— Bom dia, craque. Hoje é dia de cabeça fria.

No balneário, o Rui estava a colar uma lista na parede: horários, tarefas, regras.

— Tomás, podes fazer um favor? — perguntou ele. — O clube quer que a malta veja isto.

Ele estendeu-lhe um cartaz enrolado. Tomás abriu-o: “SEGURANÇA NO ESTÁDIO: ENTRADAS LIVRES, SEM CORRIDAS, HIDRATAÇÃO, RESPEITO. O FUTEBOL É PARA TODOS.”

Tomás sorriu.

— Posso pendurar. Onde?

— No corredor, junto à porta. Onde toda a gente passa.

Tomás pegou em fita adesiva e saiu. O corredor estava cheio de ecos: risos, passos, uma bola quicando ao longe.

Chegou à parede. Era lisa e fria. Ele esticou o cartaz com cuidado, alinhando-o como se fosse uma bandeira. O canto superior teimava em enrolar-se, como se o papel tivesse vontade própria.

— Ora, não faças fita... — murmurou ele, e riu-se sozinho do trocadilho.

Nesse momento, apareceu um miúdo magrinho, com mochila maior do que ele. Devia ter uns 14 anos. Olhos atentos, como quem quer decorar tudo.

— Desculpa... tu és o Tomás, não és? — perguntou o miúdo.

— Sou. E tu deves ser o Tiago, da formação.

— Sim! Eu... eu trouxe as minhas caneleiras, mas o elástico está meio solto.

Tomás tirou do bolso um rolo de fita.

— Hoje é o teu dia de sorte. Isto salva mais do que jogos. Salva canelas.

Tiago arregalou os olhos.

— A sério que um profissional anda com fita no bolso?

— Um profissional anda com o que for preciso. Fita, água, cabeça. Principalmente cabeça.

Eles riram. Tomás terminou de prender o cartaz. Passou a mão sobre o papel, alisando as dobras, como quem diz: “Fica aqui. Importa.”

E importava mesmo.

Capítulo 3 — Treino: trabalho que não aparece nas fotos

No relvado, o treinador Nuno reuniu a equipa num círculo.

— Hoje é jogo, mas não é desculpa para preguiça — disse ele. — Vamos afinar. E lembrar: segurança e respeito. Dentro e fora do campo.

O treino começou leve, com passes curtos. A bola deslizava rápida, como se estivesse com pressa. Tomás sentia o corpo a acordar por completo: músculos, respiração, atenção. Tudo ao mesmo tempo.

Tiago estava ali, no grupo de apoio, ajudando a recolher bolas e a observar. Cada vez que Tomás olhava, via o miúdo a tentar imitar a postura dos jogadores: costas direitas, olhar atento, mãos prontas.

Num exercício de drible, um colega, o Vasco, fez uma finta tão exagerada que quase tropeçou nas próprias pernas.

— Eh pá! — gritou ele, recuperando o equilíbrio. — Isto foi arte moderna!

Tomás respondeu, rindo:

— Arte moderna é quando ninguém percebe e aplaudem na mesma!

O treinador apitou.

— Menos circo, mais clareza. Futebol bonito é futebol simples.

Depois vieram os remates. Tomás alinhou atrás da bola, respirou fundo e chutou. A bola foi direta, firme, e bateu na rede com um som seco e satisfatório.

Tiago aplaudiu, tímido.

— Como é que tu consegues acertar sempre assim?

Tomás limpou o suor da testa.

— Não acerto sempre. Só que treino muito. E quando erro, não faço drama. Analiso. Ajusto. Repito.

— E não ficas nervoso antes do jogo?

— Fico. Mas aprendi uma coisa: nervos são energia. Se eu os respeito, eles ajudam. Se eu os alimento com medo, atrapalham.

O treinador chamou:

— Intervalo curto. Água. E nada de correr nos corredores, ouviram?

Tomás viu um jogador mais novo disparar em direção ao banco, como se a água fosse fugir. Tomás levantou a voz, sem gritar:

— Devagar, Miguel! Piso molhado é queda certa.

Miguel travou, fez careta e voltou a andar.

— Tens razão... — murmurou, envergonhado.

Tomás deu-lhe uma palmada leve no ombro.

— Não é bronca. É cuidado. A gente quer jogar, não visitar o hospital.

Tiago olhou para Tomás como se tivesse acabado de ver um truque de magia.

— Tu falas como um capitão.

— Eu só falo como alguém que quer voltar para casa inteiro.

Capítulo 4 — O estádio por dentro

À tarde, o autocarro do clube seguiu para o estádio. As ruas passavam como filme: lojas, árvores, pessoas com cachecóis do time. Tomás encostou a testa ao vidro por um segundo e fechou os olhos. Concentração era isso: escolher o que entra na cabeça.

Tiago sentou-se perto dele, com cuidado de não ocupar “demasiado espaço”, como se o banco fosse uma prova.

— Posso fazer perguntas? — disse o miúdo.

— Se forem boas, sim. Se forem muito estranhas, também — respondeu Tomás.

— O que é mais difícil em ser jogador profissional?

Tomás pensou.

— Ser constante. Todo o mundo vê o jogo de 90 minutos. Mas o trabalho é no resto do tempo: dormir bem, comer bem, treinar mesmo quando chove, ouvir críticas sem perder a confiança, respeitar o corpo.

— E se te aleijas?

— Acontece. Por isso aquecimento é sagrado. Caneleiras. Alongamentos. E também dizer a verdade ao fisioterapeuta. Tem gente que esconde dor para parecer forte. Isso é perigoso.

Tiago abanou a cabeça.

— Eu às vezes faço isso na escola, com dor de barriga.

— Pois. E depois ficas pior. Ser corajoso também é pedir ajuda.

Quando chegaram, o estádio parecia um gigante a acordar. Portões, escadas, corredores que cheiravam a tinta e história.

Na entrada do túnel, o segurança reconheceu Tomás.

— Boa sorte, campeão.

— Obrigado. E bom trabalho hoje — respondeu Tomás. Ele gostava de lembrar que o jogo só era possível porque havia pessoas a cuidar de tudo.

Passaram perto das bancadas vazias. O eco dos passos era tão grande que até uma tosse soava como bateria.

Tiago apontou para uma placa com setas.

— Isso é para o quê?

Saídas de emergência — explicou Tomás. — Em locais com muita gente, é importante saber por onde sair com calma. Sem empurrões. Segurança é pensar antes.

Tiago olhou ao redor, como se estivesse a guardar um mapa na memória.

No balneário visitante, o Rui reuniu todos.

— Lembrem-se: fair-play. Respeito com o árbitro. Nada de discussões inúteis. E cuidem um do outro.

Tomás tocou no bolso onde estava a fita. Não porque achasse que era amuleto, mas porque era útil. E, naquele dia, ele queria ser útil.

Capítulo 5 — O jogo: luzes, risos e um susto pequeno

À noite, o estádio já era outro. Cheio. Vivo. Um rugido de multidão, como tempestade que não molha.

Tomás entrou em campo e sentiu a relva macia sob as chuteiras. Olhou para as bancadas. Viu bandeiras, camisolas, rostos. E, por um instante, pensou no cartaz que tinha pendurado: “Sem corridas, hidratação, respeito.” Esperou que alguém o tivesse lido.

O jogo começou rápido. A bola parecia ter motores. Tomás correu, passou, recebeu, mudou de direção. Tudo em frases curtas, como música acelerada.

Aos vinte minutos, Tiago estava perto do banco, ajudando a organizar garrafas. O miúdo parecia um relógio: atento, cuidadoso.

Num lance, Tomás levou um toque e caiu de lado. Nada grave. Levantou-se logo e estendeu a mão ao adversário que também tinha escorregado.

— Tudo bem? — perguntou.

— Tudo — respondeu o outro, surpreso com a gentileza.

O árbitro apitou, e o jogo continuou.

No intervalo, o balneário era vapor e respiração.

— Estás bem? — perguntou o fisioterapeuta, olhando para o joelho de Tomás.

— Está tranquilo. Foi só um susto — disse ele. — Mas dá uma olhada, por favor.

O fisioterapeuta apalpou, testou movimentos.

— Sem dor? Ótimo. Obrigado por falares. Assim é que se evita complicação.

No segundo tempo, o jogo apertou. Um empate teimoso. Tomás sentia o coração bater alto, mas a cabeça estava firme.

Faltando poucos minutos, uma bola sobrou na entrada da área. Tomás viu o espaço como se fosse uma porta a abrir-se. Chutou.

A bola entrou no canto, e a rede cantou.

O estádio explodiu. Um som tão forte que parecia empurrar o peito.

Tomás correu para comemorar, mas parou perto do banco. Viu Tiago a saltar de alegria e, ao mesmo tempo, a segurar as garrafas para não caírem.

— Boa! — gritou o miúdo.

— Boa é a tua disciplina! — gritou Tomás de volta.

Quando o apito final veio, o alívio foi como um cobertor quente. Os jogadores cumprimentaram os adversários. Tomás fez questão de apertar a mão do capitão do outro time.

— Bom jogo.

— Também. Mereceram — respondeu o homem, com um sorriso cansado.

Ao saírem, no corredor, um grupo de crianças correu atrás de uma bola que tinha escapado. Um funcionário tentou chamar, mas a confusão cresceu por um segundo.

Tomás deu dois passos à frente e falou alto, com calma:

— Pessoal! A bola não foge. Devagar, ok? Aqui é escorregadio.

As crianças pararam, um pouco sem graça, e voltaram andando. Uma delas disse:

— Desculpa, senhor.

Tomás abaixou-se, devolveu a bola com cuidado.

— Sem problema. Só não vale cair. Futebol é alegria, não é susto.

Tiago olhou para ele, orgulhoso como se o golo também fosse dele.

— Isso foi... fixe.

— Isso foi necessário — respondeu Tomás. — Ser jogador também é isso: dar exemplo quando ninguém pediu.

Capítulo 6 — O cartaz, as lições e a ducha morna

De volta ao balneário, o barulho era de risos e chinelos. O Rui apareceu com uma toalha na cabeça, parecendo um fantasma desportivo.

— Golo lindo, Tomás. E vi o que fizeste no corredor. Boa.

— Só lembrei do cartaz — disse Tomás.

Tiago aproximou-se, segurando as caneleiras já consertadas.

— Obrigado pela fita. E... obrigado por me tratares como gente grande.

Tomás sorriu.

— Tu és gente grande. Só tens menos anos.

O treinador entrou, bateu palmas uma vez.

— Boa vitória. Agora, rotina: alongar, hidratar, banho. E cuidado com o chão molhado. A última lesão que eu quero é alguém escorregar a caminho do champô.

Houve risos. O Vasco levantou a mão.

— Mister, e se eu escorregar com estilo? Tipo arte moderna?

— Se escorregares com estilo, eu mando-te para o balé — respondeu o treinador, sério demais para não ser engraçado.

Tomás sentou-se no banco, tirou as chuteiras devagar. Sentia o cansaço bom, aquele que dá sono sem preocupação. Bebeu água, alongou as pernas, respirou fundo.

Antes de entrar no duche, lembrou-se de uma coisa e foi até ao corredor. O cartaz ainda estava lá, firme, sem cantos enrolados. Alguém tinha desenhado um pequeno coração no canto com caneta azul e escrito: “Obrigado”.

Tomás riu baixinho.

— Quem foi o artista?

Tiago apareceu atrás dele, mãos nos bolsos, tentando parecer inocente.

— Eu só... achei que ficava bonito.

— Ficou. Mas da próxima usa fita para a caneta não escorregar — disse Tomás, piscando um olho.

No duche, a água caiu morna, nem fria demais, nem quente demais. Perfeita para acalmar.

Tomás fechou os olhos. O barulho da água era como chuva mansa. Pensou no golo, na equipa, no Tiago, no cartaz. Pensou que ser jogador profissional era correr, sim, mas também parar quando é preciso. Era competir, mas sem esquecer o respeito. Era vencer, mas voltar seguro.

E, com a ducha morna a levar o dia embora, Tomás sentiu-se leve, como se o estádio inteiro tivesse ficado do lado de fora, a dormir em silêncio.

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Persiana
Peça que fecha a janela em tiras para controlar a luz que entra.
Concentração
Atenção forte e calma para fazer bem uma tarefa ou jogo.
Apito
Pequeno objeto que faz som, usado por árbitros ou treinadores.
Caneleiras
Proteções que se colocam nas canelas para evitar machucados.
Relva
Plantas verdes que crescem no chão do campo de futebol.
Fisioterapeuta
Profissional que trata lesões e ajuda o corpo a recuperar.
Fair-play
Comportamento justo e respeitoso dentro e fora do jogo.
Alongamentos
Exercícios suaves para esticar os músculos antes ou depois.
Autocarro
Veículo grande que leva muitas pessoas de um lugar a outro.
Hidratação
Ato de beber água para manter o corpo saudável e forte.
Saídas de emergência
Portas ou caminhos para sair rápido e seguro de um lugar.
Balneário
Sala onde os jogadores mudam de roupa, tomam banho e descansam.
Cartaz
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