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História de Jogador de Futebol 11 a 12 anos Leitura 12 min.

As três alegrias de Inês no campo entre prédios

Inês, uma jogadora profissional, volta ao campo do bairro para treinar e acaba ensinando dois jovens, partilhando lições sobre disciplina, respeito e a alegria do futebol.

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Mulher adulta (jogadora profissional), rosto determinado e suave, sorriso concentrado, cabelo castanho preso em rabo de cavalo, pele bronzeada, veste camisola vermelha de mangas curtas, calção preto, meias brancas puxadas e chuteiras enlameadas; ela bloqueia um passe, perna estendida, braços abertos, postura atlética e protetora. Garoto de cerca de 11 anos (Tomás), rosto entusiasmado e um pouco ofegante, cabelo curto castanho, camiseta azul-clara, calção cinza, segura cones laranja partidos, está ligeiramente à frente à esquerda da jogadora, olhar admirado. Menina de cerca de 10 anos (Mia), expressão concentrada e alegre, trança preta, sweat verde-menta, short rosa, acabou de fazer um passe; à direita, agachada em movimento, mãos prontas para receber. Campo municipal entre prédios altos, relva gasta com trilhas de terra, grade metálica, holofotes acesos projetando sombras longas, fundo urbano com janelas iluminadas e um pequeno banco de madeira. Situação principal: mini-jogo noturno e amigável; a profissional defende calmamente contra as duas crianças, uma pequena bola preta e branca rola perto de um caderno azul sobre a relva, atmosfera calorosa, dinâmica e pedagógica. reportar um problema com esta imagem

Capítulo 1: A luz do campo entre prédios

Na cidade, o vento cheirava a pão quente e a escapamento. Entre prédios altos, havia um retângulo verde cercado por grades: o campo municipal. À noite, os refletores acendiam como dois olhos gigantes, e era ali que Inês, jogadora profissional, treinava quando voltava ao bairro onde cresceu.

Ela amarrou as chuteiras com um nó firme, como quem fecha um compromisso.

— Hoje não dá para ir com preguiça — murmurou, rindo sozinha.

Do outro lado da grade, dois pré-adolescentes observavam, colados como adesivos.

— Você é a Inês da Liga! — gritou o Tomás, quase engolindo o próprio entusiasmo.

A Mia, com uma mochila pendurada num ombro, completou:

— A gente viu seu jogo na TV. Você corre mais que o nosso autocarro!

Inês acenou, simpática, mas sem parar o aquecimento. Braços soltos, passadas leves, respiração em ritmo.

— A corrida faz parte do trabalho. Mas o segredo não é correr “mais”. É correr “melhor”.

Ela puxou uma faixa elástica e começou a ativar as pernas.

— Querem saber como é ser jogadora profissional?

— Queremos! — disseram os dois ao mesmo tempo.

Inês olhou o relógio. Tinha treino oficial cedo. Mesmo assim, a voz deles lembrava a dela, anos atrás, quando o campo era sonho e não agenda.

— Então venham. Só não prometo magia. Prometo disciplina.

Eles entraram pelo portão, e o som das travas no chão fez “tic-tic” como chuva miúda.

Capítulo 2: Três alegrias num caderno pequeno

Inês tirou da mochila um caderno de capa azul, bem gasto nas pontas.

— Eu anoto coisas aqui. Ajuda a manter a cabeça arrumada.

Mia espiou.

— Coisas de jogadora?

— Coisas de pessoa. Ser atleta é ser pessoa em dobro: por dentro e por fora.

Ela abriu numa página com letras redondas.

— Hoje vou anotar três alegrias. Querem ajudar?

Tomás levantou a mão como se estivesse na escola.

— A primeira alegria é… jogar futebol!

Inês riu.

— Essa é gigante, mas vamos ser mais específicas.

Ela apontou para o gramado.

— Primeira alegria: sentir o relvado debaixo dos pés. Parece simples, mas é o meu chão favorito. — Escreveu devagar, como quem prende uma borboleta com cuidado.

Depois fez sinal para eles fazerem alongamentos.

— Uma jogadora profissional cuida do corpo como quem cuida de um instrumento. Se desafina, não dá música.

Mia tentou tocar os dedos dos pés, fez uma careta e caiu sentada.

— Meu instrumento está desafinado!

— Está só a aprender a tocar — disse Inês. — E aprender é bonito.

Ela levantou a bola e a girou no dedo por um segundo, falhando de propósito.

— Segunda alegria: treinar com alguém. Futebol é coletivo. Mesmo quando eu corro sozinha, estou a preparar algo para o grupo. — Anotou a segunda alegria.

Tomás olhou para os refletores.

— E a terceira?

Inês fechou o caderno por um instante, como se guardasse a resposta no bolso.

— Ainda não aconteceu. A gente vai encontrá-la hoje.

Capítulo 3: O trabalho que não aparece na televisão

O treino começou com coisas que não parecem “aventura”: passes curtos, domínio de bola, mudanças de direção. Mas Inês transformava tudo em desafio.

— Reparem: antes do espetáculo, existe preparação. Na TV, vocês veem o golo. Não veem as mil repetições.

Ela colocou três cones laranja.

— Tomás, você passa por aqui, sem derrubar. Mia, você devolve a bola com o pé de dentro, suave. Eu vou marcar o tempo.

Tomás saiu disparado e derrubou dois cones como dominós.

— Eu sou um desastre urbano — gemeu, apanhando os cones.

Inês não ralhou. Falou baixo, firme.

— No futebol profissional, errar é permitido. Desistir é que não é. A disciplina é voltar ao começo com mais atenção.

Mia respirou fundo e fez um passe perfeito. A bola rolou macia, como se tivesse boas maneiras.

— Uau — disse Tomás. — A bola te obedece!

— Não — corrigiu Inês. — Eu é que a respeito. Trato a bola como parceira, não como inimiga.

Entre exercícios, ela explicava o trabalho fora do campo:

— Tem alimentação, descanso, estudos de jogo. Tem fisioterapia quando aparece dor. E tem a mente: ansiedade, pressão, críticas… É aí que a gente aprende a ser forte sem ser dura.

Tomás franziu a testa.

— E quando alguém provoca?

Inês pegou a bola e segurou junto ao peito.

— Fair-play. Eu respondo com jogo limpo. O árbitro existe para isso, e a minha honra também. Se eu perco a cabeça, eu perco o jogo por dentro.

Mia perguntou:

— Você já teve medo antes de um jogo grande?

— Já. E ainda tenho às vezes. Coragem não é não sentir medo. É entrar em campo mesmo com o medo a fazer barulho.

O treino seguiu. A noite ficou mais silenciosa, como se a cidade também escutasse.

Capítulo 4: A tensão suave do amistoso

Quando o relógio passou das nove, Inês recolheu os cones.

— Último desafio: um mini-jogo. Vocês dois contra mim. Só vale passe rasteiro. E sem empurrões. Combinado?

— Combinado! — disseram, com olhos brilhando.

O jogo começou. Tomás corria como se o campo fosse uma rua sem semáforos. Mia pensava antes de tocar na bola, como uma enxadrista de chuteiras.

Inês defendia com calma, mas não entregava nada de graça. Fazia-os procurar espaços, levantar a cabeça, escolher.

— Olhem ao redor! — ela orientava. — O campo fala. Vocês só precisam ouvir.

Tomás tentou um chute de longe. A bola subiu, subiu, e quase beijou o refletor.

— Um pombo vai reclamar — disse ele, e Mia caiu na risada.

A tensão era leve, gostosa, como um nó de fita: apertado o suficiente para segurar a atenção, mas não para machucar. E Inês, mesmo competitiva, deixava espaço para eles aprenderem.

De repente, Mia roubou a bola com um toque limpo.

— Foi falta? — perguntou, assustada.

Inês balançou a cabeça.

— Foi perfeito. Roubo sem empurrão é arte.

Mia passou para Tomás. Tomás devolveu rápido. A bola foi e voltou, dois passes curtos, e Inês teve que correr sério para acompanhar.

— Ei! — gritou Tomás, ofegante. — Você está a suar de verdade!

— Claro — respondeu Inês. — Jogadora profissional também sua. Só que a gente transforma o suor em estrada.

Mia tentou o chute final. Inês esticou a perna e desviou por pouco. A bola saiu pela linha e parou perto do caderno azul.

Inês foi buscar e, por um segundo, ficou olhando a bola parada, como se ela guardasse um segredo.

Capítulo 5: A terceira alegria e um gesto de equipa

Tomás e Mia estavam cansados, mas felizes, com as bochechas coradas.

— A gente perdeu, mas… foi incrível — disse Mia.

— Eu derrubei cones, quase acertei um pombo imaginário, e ainda assim você não desistiu da gente — completou Tomás.

Inês pegou o caderno e abriu numa página nova.

— Acho que encontrei a terceira alegria.

Ela escreveu devagar, e leu em voz alta:

“Terceira alegria: ensinar e ser ensinada.” — Fechou o caderno com um tapinha carinhoso. — Vocês me lembraram de algo importante: quando eu ajudo alguém a aprender, eu também lembro por que comecei.

Mia apontou para a água na mochila de Inês.

— E você, o que aprende com a gente?

Inês pensou.

— Aprendo a não ficar presa à pressão. Às vezes, o profissional esquece a brincadeira. E o futebol, no fundo, é alegria com regras.

Tomás olhou para o portão.

— Você vai jogar amanhã?

— Vou. Jogo fora, num estádio grande. E vou levar vocês no bolso… quer dizer, na memória.

Mia fez um ar sério.

— Promete que vai jogar limpo?

— Prometo. E mais: prometo respeitar minhas colegas e as adversárias. Sem isso, o golo fica vazio.

Tomás coçou a nuca.

— E se você errar um passe?

— Acontece. O que eu faço é voltar, pedir a bola de novo e trabalhar para corrigir. Disciplina é isso: não é ser perfeita, é ser constante.

Antes de irem embora, Inês tirou da bolsa uma caneleira extra, antiga, com marcas de uso.

— Tomás, fica com isto. Não é amuleto. É lembrança: proteger as pernas também é cuidar do sonho.

Depois entregou a Mia uma fita elástica.

— E para você, para alongar. Sem pressa, todo dia um pouco.

Mia segurou o presente como se fosse um troféu discreto.

— Obrigada, Inês.

— Obrigada vocês — respondeu ela. — Agora vão dormir. Crescer também é treino.

Capítulo 6: O sonho do golo

Em casa, Inês tomou banho, jantou leve e preparou a mala. Colocou as chuteiras, a camisola, a garrafa, e o caderno azul por cima, como se ele fosse o guarda do resto.

Na cama, a cidade ainda fazia ruído, mas distante. Ela fechou os olhos e, por hábito, contou a respiração: quatro tempos para entrar, quatro para sair. O corpo relaxou como um campo vazio depois do jogo.

E veio o sonho.

Ela estava no estádio de amanhã, mas o relvado parecia o campo municipal entre prédios. As arquibancadas tinham rostos conhecidos: Mia acenava com a fita elástica como bandeira; Tomás fazia sinal de “calma” com as mãos.

A bola rolava até Inês como se soubesse o caminho. Uma adversária se aproximou, rápida. Inês não empurrou, não se atirou. Só mudou o corpo de lugar, com respeito e precisão. Passou por uma, por duas, e ouviu uma voz antiga dentro dela:

— Cabeça levantada. Ouve o campo.

Ela viu uma colega livre à esquerda. Podia passar. Mas também viu um corredor aberto, bem à frente, como uma rua sem carros. O sonho tinha silêncio de neve, e cada passo fazia sentido.

Inês avançou. Chegou perto da área. Respirou. O pé tocou a bola com firmeza e carinho, como se dissesse “vai”.

A bola viajou baixa, certeira, e entrou no canto da baliza com um som doce: “tup”.

Golo.

No sonho, Inês não gritou. Sorriu. Sentiu as três alegrias alinhadas como estrelas pequenas: o relvado sob os pés, o treino com outros, e o ensinar que também ensina.

Depois, o estádio virou um quarto tranquilo. E ela adormeceu mais fundo, leve, pronta para acordar e trabalhar outra vez — com disciplina, fair-play e um golo guardado no coração.

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Retângulo
Figura com quatro lados, dois compridos e dois curtos, como um campo visto de cima.
Refletores
Luzes grandes que iluminam o campo à noite para os jogadores verem bem.
Pré-adolescentes
Crianças que estão entre a infância e a adolescência, geralmente com 10 a 12 anos.
Aquecimento
Exercícios leves antes do treino para preparar o corpo e evitar lesões.
Faixa elástica
Faixa de borracha usada para alongar ou fortalecer músculos nas pernas.
Ativar as pernas
Fazer exercícios para acordar e preparar os músculos das pernas antes do treino.
Disciplina
Hábito de treinar e seguir regras para melhorar aos poucos e sem desistir.
Fisioterapia
Tratamento com exercícios e massagens para curar dores ou problemas no corpo.
árbitro
Pessoa que manda no jogo e decide faltas, golos e regras no campo.
Ansiedade
Sensação de preocupação ou nervosismo que acontece antes de algo importante.
Enxadrista
Pessoa que joga xadrez; aqui significa pensar antes de agir no jogo.
Caneleira
Proteção de plástico ou outro material que cobre a canela durante o jogo.

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