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História sobre o dia dos pais 3 a 4 anos Leitura 10 min.

O carrinho vermelho e as cócegas no coração

Lara decide fazer uma surpresa para o Dia do Pai e, com a avó, encontra e limpa um velho carrinho vermelho enquanto prepara um tabuleiro com comidinhas. Com muito carinho e imaginação, ela prepara-se para oferecer o presente ao pai.

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Menina de 4 anos, cabelos castanhos em dois coques, olhos grandes e sorriso orgulhoso, caminha concentrada e feliz segurando uma pequena bandeja com um copo de leite, uma tigela de morangos e uma caixinha de presente com um velho carrinho vermelho limpo e fita azul; pai de ~35 anos, barba rala e camisa casual, sentado perto de uma mesa de centro, sorrindo com as mãos abertas para receber; avó de ~70 anos, cabelos grisalhos presos, tricota no sofá ao fundo e sorri olhando a criança e o pai; ambiente: sala-cozinha clara e acolhedora com chão de madeira clara, mesa de centro redonda, cortinas amarelas, plantas na janela, estante baixa com brinquedos e luz dourada da manhã; composição centrada no gesto afetuoso, expressões calorosas, cores quentes e contornos nítidos, estilo banda desenhada franco-belga, atmosfera familiar e suave. reportar um problema com esta imagem

A Lara tinha quatro anos e um sorriso grande. Naquela manhã, ela acordou e disse bem alto: “Hoje é o Dia do Pai!”

O papá estava na cozinha a fazer café. Ele bocejou e riu. “Bom dia, minha estrela.”

A Lara correu até ele e abraçou a perna dele, porque a perna era mais fácil do que o pescoço. “Papá, eu quero fazer uma surpresa!”

O papá piscou um olho. “Uma surpresa? Ui. Isso faz cócegas no meu coração.”

A Lara gostou dessa frase. Cócegas no coração! Ela repetiu baixinho, como uma canção: “Có-ce-gas no co-ra-ção.”

Depois do pequeno-almoço, o papá foi regar as plantas na varanda. A Lara foi ao quarto dela procurar ideias. Abriu a caixa dos brinquedos. Fechou. Abriu a gaveta das meias. Fechou. Olhou para a estante.

E viu uma caixa velha, de cartão, com uma fita azul. Ela nunca tinha visto aquela caixa ali.

A Lara puxou a caixa com cuidado, como se fosse uma coisa muito especial. A fita fez “fff” quando deslizou.

Lá dentro, havia fotos antigas. E havia um objeto pequeno: um carrinho de metal, vermelho, com uma roda meio torta e um pouco de pó.

A Lara arregalou os olhos. “Uau… um carrinho!”

Ela levou o carrinho até à sala, bem devagar, para não o acordar… mas o carrinho não dormia. Mesmo assim, ela foi devagar.

A avó estava sentada no sofá a tricotar. A avó morava perto e tinha vindo passar o dia.

“Avó, olha!” sussurrou a Lara, como se estivesse a mostrar um tesouro.

A avó sorriu. “Oh! Esse carrinho… eu conheço.”

“De quem é?” perguntou Lara.

“Era do teu papá, quando ele era pequenino. Ele adorava esse carrinho. Fazia corridas na mesa: vrum-vrum, vrum-vrum.” A avó fez o som e riu.

A Lara pôs o carrinho na palma da mão. Era frio e pesado, como uma moeda grande. Ela olhou para a roda torta. “Está triste.”

“Não está triste,” disse a avó, com voz doce. “Está só velhinho. E os velhinhos gostam de carinho.”

A Lara pensou. O Dia do Pai precisava de carinho. Precisava de uma surpresa. E agora ela tinha uma ideia brilhante, como uma estrela de manhã.

“Eu vou cuidar dele!” disse Lara. “Para o papá!”

A avó inclinou-se. “Boa ideia. Vamos limpar e deixar bonito. Com calma.”

A Lara e a avó foram para a mesa da cozinha. A avó trouxe um pano macio, um cotonete e uma tigela com água morna e um pinguinho de sabão. A Lara trouxe o carrinho, com as duas mãos.

A Lara molhou a ponta do pano. Limpou devagar. O pó saiu em risquinhos cinzentos.

“Olha!” disse ela. “Está a ficar vermelho de novo!”

“Está sim,” respondeu a avó. “Vermelho, vermelho, como um tomate contente.”

A Lara riu. “Tomate contente!”

Com o cotonete, ela limpou as partes pequeninas. A roda torta ainda estava torta, mas agora brilhava. A avó apertou um bocadinho com cuidado, só um bocadinho.

A Lara soprou: “Fuuuuu.” E o carrinho pareceu respirar.

“Pronto,” disse a Lara. “Agora está feliz.”

A avó piscou. “Agora está limpinho. E isso já é um abraço.”

A Lara queria fazer mais. Porque o Dia do Pai era um dia grande, mas feito de coisas pequenas. Ela olhou para a avó. “Também quero fazer um tabuleiro para o papá.”

“Um tabuleiro?” a avó perguntou. “Que lindo. Um tabuleiro com coisas boas.”

A Lara colocou as mãos na cintura. “Tem de ser um tabuleiro equilibrado!”

A avó levantou as sobrancelhas, divertida. “Equilibrado? Quem te ensinou essa palavra?”

A Lara apontou para a barriga. “A minha barriga ensina. Ela diz quando quer fruta e quando quer pão.”

A avó riu baixinho. “Então vamos ouvir a barriga.”

Elas abriram o frigorífico. A Lara viu iogurte. Viu morangos. Viu queijo. Viu ovos. Na fruteira, havia uma banana e uma maçã.

“Vamos escolher,” disse a avó.

A Lara falou como uma pequena chefe. “Um bocado de fruta. Um bocado de pão. Um bocado de proteína.” Ela disse “pro-te-í-na” bem devagar, para não cair no chão.

A avó ajudou a cortar a banana em rodelas. A Lara colocou as rodelas num prato pequeno. Depois lavaram morangos. A Lara cheirou um. “Cheira a verão!”

“Cheira,” disse a avó. “E o verão faz sorrir.”

A avó fez uma sandes pequena com pão e queijo. A Lara pôs ao lado, bem direitinho.

Depois a avó cozeu um ovo. A Lara ficou a ver a água a fazer bolhinhas. “A água está a dançar.”

“Está,” disse a avó. “Dança para cozinhar o ovo.”

Quando o ovo ficou pronto, a avó descascou e cortou ao meio. A Lara colocou no tabuleiro, como se fosse uma lua branca.

Também puseram um copo de leite. E um guardanapo com um desenho. A Lara desenhou um coração grande e, dentro, fez um carrinho pequenino com duas rodas redondas.

“Agora falta o presente secreto,” disse a Lara, e apontou para o carrinho de metal.

Ela pegou numa caixa pequena. Forrou com papel colorido. A avó ajudou a fazer um laço de fita azul, igual ao da caixa antiga.

A Lara falou com o carrinho, bem baixinho: “Tu vais fazer o papá lembrar. Vais dizer ‘eu gosto de ti' sem palavras.”

A avó deu um beijinho na testa da Lara. “Que bonito.”

O papá entrou na cozinha, cheirando a plantas molhadas. “Que cheiro bom! O que se passa aqui?”

A Lara fez cara de mistério. “Nadaaaaa.”

O papá riu. “Nada com cheiro a morango? Hum…”

A avó levou o papá para a sala. “Vai sentar-te um bocadinho. A Lara está em missão.”

A Lara empurrou o tabuleiro com cuidado. O tabuleiro parecia um barquinho. Ela caminhou devagar, devagar, com a língua de fora, concentrada.

“Papá,” disse ela, orgulhosa. “Feliz Dia do Pai!”

O papá abriu a boca num sorriso enorme. “Oh, Lara…”

Ela colocou o tabuleiro na mesinha. “É equilibrado. Tem fruta, tem pão, tem ovo, tem leite. E tem amor.”

O papá levou a mão ao peito. “Ai. Mais cócegas no coração.”

A Lara bateu palminhas. “Cócegas no coração! Eu sabia!”

“E isso aí?” perguntou o papá, apontando para a caixa com o laço azul.

A Lara empurrou a caixa para ele. “Abre.”

O papá abriu devagar. Quando viu o carrinho vermelho, os olhos dele ficaram brilhantes, como se tivessem uma gotinha de chuva feliz.

“Meu carrinho…” ele murmurou. “Eu tinha esquecido.”

A Lara subiu para o colo dele. “Eu encontrei. Estava com pó. Eu lavei. E a roda… ainda é um bocadinho torta, mas eu acho que é uma roda sorridente.”

O papá riu e fez “vrum-vrum” com a boca, igual à avó. Depois apertou a Lara num abraço quente e calmo.

“Obrigada, minha filha,” disse ele. “Este carrinho tem história. Ele andou comigo quando eu era pequeno. Agora ele fica aqui, pertinho, para eu lembrar… de mim e de nós.”

A Lara encostou a cabeça no peito do papá. O peito dele fazia tum-tum. Era um som bom, como tambor de festa.

O papá pegou num morango. “Vamos partilhar?”

“Vamos!” disse a Lara. E depois, para ter graça, ela disse ao morango: “Não fujas, morango!” O papá riu tanto que quase derrubou o guardanapo.

A avó sentou-se ao lado. Os três comeram devagar, sem pressa. A luz entrava pela janela, amarela e mansa.

Depois, o papá colocou o carrinho vermelho numa prateleira baixa, onde a Lara também podia ver. “Aqui ele fica. Para eu olhar todos os dias.”

A Lara ficou a olhar para o carrinho. Ele brilhava um pouquinho, como se tivesse acordado.

O papá beijou a testa dela. “O melhor presente és tu.”

A Lara suspirou, feliz e quentinha. “E o melhor papá és tu.”

E o Dia do Pai continuou assim: com risos pequenos, comida gostosa, memórias antigas a brilhar, e um carrinho vermelho a dizer, em silêncio, “eu amo-te”, “eu amo-te”, “eu amo-te”.

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Surpresa
Algo que se faz ou aparece e que não se espera, que faz alegria.
Bocejou
Quando a pessoa abre muito a boca por cansaço ou sono.
Varanda
Lugar fora da casa, com chão e às vezes grade, onde se pode ficar.
Cartão
Caixa feita de papel grosso ou folha grossa; aqui é a caixa de cartão.
Poeira fina que fica em cima das coisas quando não se limpa.
Avó
A mãe do pai ou da mãe; uma senhora que cuida e ama muito.
Tricotar
Fazer tecido com lã usando duas agulhas, como uma mãe que faz camisolas.
Cotonete
Pequeno palito com algodão nas pontas, usado para limpar partes pequenas.
Tigela
Recipiente redondo para pôr comida, como sopa ou fruta.
Pro-te-í-na
Palavra para dizer que alguns alimentos ajudam o corpo a crescer e ficar forte.
Equilibrado
Quando as coisas estão bem distribuídas e não caem, como uma refeição com tudo.
Guardanapo
Papel ou pano usado para limpar a boca e as mãos durante a comida.
Fruteira
Recipiente onde se põem as frutas para guardar e ver.
Prateleira
Madeira ou superfície na parede para pôr objetos e mostrar coisas.

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