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História de Agricultor e de Fazenda 7 a 8 anos Leitura 9 min.

O caminho da curiosidade

Marta, uma jovem agricultora, parte para o mercado com sua cesta cheia de legumes e encontra a engenheira Inês, que a ensina sobre os cuidados com o solo e os caminhos. Juntas, elas vivem uma aventura que reforça a importância da curiosidade e da amizade na ligação com a terra.

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Uma jovem mulher, Marta, de cerca de 25 anos, sorridente e cheia de curiosidade, veste um vestido de lona azul e tamancos amarelos. Ela segura uma cesta cheia de legumes coloridos, como cenouras laranjas e abóboras verdes, enquanto observa com admiração uma pequena galineta, Bolota, que cisca o chão perto dela. Ao lado dela está Inês, uma engenheira agrônoma de cerca de 30 anos, com óculos redondos e um chapéu de palha, que faz anotações em um caderno. Ela sorri ao observar Marta, trazendo uma pitada de sabedoria à cena. O cenário é um campo verdejante, salpicado de flores silvestres e grandes árvores, sob um céu azul com nuvens brancas. Ao longe, vê-se uma pequena casa de madeira com um jardim bem cuidado. A situação principal mostra Marta e Inês conversando alegremente sobre as melhores maneiras de cultivar a terra, enquanto Bolota explora os arredores, acrescentando vida e movimento a este belo dia na fazenda. reportar um problema com esta imagem

Capítulo 1

A manhã acordou lenta, como um pano amarelo a abrir-se sobre os campos. Marta calçou as galochas azuis. Sentiu o cheiro da terra ainda fresca. Havia orvalho nas folhas e um canto de pardal na sebe. Hoje era dia de mercado na aldeia. Havia que levar cenouras, abóboras e alguns ovos bem quentes.

Marta era agricultora. Trabalhava com carinho. Aprendera com os mais velhos do vale. A avó mostrara-lhe como mexer a terra com respeito, o avô ensinara a escutar a chuva. Marta gostava de aprender. Era curiosa como uma raposa que olha cabeças de couve.

"Vou pela vereda do carvalho?", perguntou Marta ao galo, que a olhou como se dissesse: vai com calma. Ela sabia que havia caminhos cheios de lama quando chovia. Também havia atalhos com pedras que escorregavam. Precisava de um caminho seguro até ao mercado.

A avó veio à porta com um lenço florido. "Lembra-te, minha filha", disse ela, "os caminhos mudam com as estações. No outono, as folhas escondem as pedras. Na primavera, as margens crescem de ervas. Observa, sente e pergunta."

Marta sorriu. Guardou um frasquinho de mel na cesta e pôs um lenço vermelho na cabeça. A cesta fazia barulho de legumes e de paciência. O vento trazia o cantar do rio. E Marta partiu, com os sapatos a bater o ritmo do seu coração.

Capítulo 2

No caminho, Marta passou pelos canteiros. Tocou a terra com a mão. Era morna. Sentiu nela cheiro de café e chuva. Pensou nas sementezinhas que a avó lhe dera, pequeninas como pérolas. Havia tanto a cuidar: regar de manhã, cobrir as plantas da geada, conversar com as galinhas para que se sentissem seguras.

Ao virar a curva do moinho apareceu a engenheira agrónoma. Trazia botas limpas e um bloco de notas. O seu chapéu fazia sombra ao rosto, mas os olhos riam.

"Bom dia! Sou a Inês, sou engenheira agrónoma", disse ela com voz clara. "Estudo o solo e as plantas. Gosto de descobrir como as raízes bebem água."

Marta ficou curiosa. "Eu sou Marta. Cuido destas terras. O meu objetivo hoje é chegar ao mercado com segurança. Tens ideias?"

Inês pegou no bloco e apontou para o vale. "Vês ali a curva que fica pantanosa depois da chuva? Podemos marcar um desvio pelo trilho das amoreiras. Tem pedras planas e sombra. Também podemos pôr uma esteira de palha entre as pedras escorregadias."

Marta ouviu, encantada. A engenheira explicou com palavras simples. Falou de solo arenoso e solo argiloso como se falasse de cobertores e almofadas. "O solo argiloso esconde água como uma esponja apertada", disse Inês, desenhando no ar. Marta riu e tentou imaginar uma esponja a dormir no campo.

"Obrigada", disse Marta. "Gosto de aprender diferentes formas de cuidar da terra. A curiosidade ajuda-nos a encontrar caminhos melhores."

Inês sorriu. "E eu gosto de aprender com quem sente o campo todos os dias."

As duas trocaram ideias sobre como conservar a água e como evitar que as raízes ficassem cansadas. Antes de se despedirem, Inês deu a Marta uma pequena fita vermelha. "Amarra no teu cesto. Serve para lembrar de verificar o caminho quando vires a casinha azul."

Marta amarrou a fita com cuidado. Sentiu que algo novo brotava dentro dela: confiança e amizade.

Capítulo 3

Na subida para o mercado, o passo de Marta fez uma pausa. O trilho que Inês recomendara parecia perfeito. Havia folhas douradas e o cheiro de cascas de noz. De repente, uma confusão de penas e um "cot-cot" alto quebraram o ritmo.

A galinha mais curiosa do quintal, chamada Bolota, aparecera sem avisar. Ganchava o ar com o bico e olhava para tudo. Parecia um pequeno cometa de penas. Saltou para fora da cesta de Marta e começou a explorar: farejou as cenouras, bicou uma abóbora e escondeu-se entre as ervas.

"Bolota!" exclamou Marta. "Volta aqui, minha amiga!"

A galinha, no entanto, tinha pressa de aventura. Seguiu um verme que brilhava ao sol e correu em direção ao muro seco. Marta correu também, mas foi devagar, como quem segue uma música. Inês apareceu a correr também, com o sapato a bater com cuidado.

"Deixa-a ser," disse Inês, rindo. "As galinhas também aprendem os caminhos. Mas podemos co-guidá-la."

Marta colocou um pedaço de pão no trilho e chamou com voz suave. "Bolota, vem cá. Tem pão."

A galinha olhou, bicou duas vezes no ar e voltou. Bolota pousou no colo de Marta como quem volta de uma viagem muito longa. Marta suspirou de alívio e riu. A situação mudara o ritmo do dia. O som ficou leve. A pequena fuga tornara-se história para contar no mercado.

"Sabes", disse Inês, enquanto ajeitava a fita vermelha no cesto, "às vezes, os desvios trazem descobertas. A curiosidade leva-nos a ver coisas que não estavam no mapa."

Marta acariciou Bolota. "Amo quando as coisas inesperadas acontecem. Fazem-me lembrar de olhar melhor."

Juntas continuaram, agora com um passo mais tranquilo. O sol baixava devagar, como uma manta que cobre as colinas. Havia risos e o cheiro doce de maçãs maduras.

Capítulo 4

No mercado, as bancas coloridas pareciam pequenas colinas de sabores. Havia tomates como bolas de fogo, ervas que cheiravam a limão, e ovos alinhados como pérolas. Marta montou a sua banca perto do pomar. Colocou as abóboras em círculo. Bolota ficou à sombra, a bater de vez em quando com a asa como se abanasse os clientes.

As pessoas chegaram. Compraram, elogiaram e contaram histórias. O padeiro disse que os pãezinhos iam ficar muito felizes com o mel de Marta. A avó de Marta veio e deu-lhe um abraço que cheirava a farinha e memórias.

Inês apareceu também. Trouxe consigo uma solução feita com pequenos paus e uma placa para sinalizar o desvio seguro que tinham escolhido. "Isto pode ajudar quem vem daqui a seguir", disse ela. "Juntos, podemos marcar o caminho para todos."

Marta sentiu uma felicidade calma. O dia fora de trabalho e de partilha. Aprendera coisas novas com Inês e ensinara a paciência às galinhas. A amizade entre a agricultora e a engenheira tinha-se reforçado. Havia trocas de risos, dicas e ideias para que o campo ficasse mais amigo de quem o ajuda.

"Obrigado por me ensinar o desvio", disse Marta. "E por me lembrar que a curiosidade é uma boa companhia."

Inês respondeu: "E obrigado por me mostrar como falar com as galinhas. Elas têm sempre algo a dizer, mesmo sem palavras."

Quando o mercado terminou, Marta e Inês fizeram o caminho de volta juntas. As cores do crepúsculo pintavam as nuvens de laranja e violeta. O vento abrandava. As árvores cochichavam segredos de sementes.

No regresso, Marta passou pela casa da avó. Entrou com Bolota ao colo. Sentiu o calor dos alimentos e o som da família a conversar. A fita vermelha no cesto parecia agora uma pequena bandeira de um dia bem passado.

Antes de se despedirem, a avó olhou para Marta e disse: "Fizeste o melhor caminho. Lembraste das lições e aprendeste outras. Continuar curiosa é continuar amiga da terra."

Marta sorriu e olhou para Inês. A amizade delas crescera como uma planta bem regada. Havia planos para trocar sementes, para marcar mais trilhos e para ensinar os filhos da aldeia a olhar o solo com olhos de carinho.

Ao deitar-se, Marta sentiu nas mãos o cheiro das cenouras e do mel. Pensou nas estradas traçadas, nas pegadas da galinha, nas palavras da avó e nas explicações simples da engenheira. Tudo fora um fio de coisas pequenas que, juntas, fizeram um dia inteiro.

Ela adormeceu com a sensação de que, amanhã, haveria mais perguntas para fazer. E sabia que a curiosidade lhe traria sempre um amigo novo, um trilho mais seguro e um campo mais feliz.

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Galochas
Calçados impermeáveis e geralmente de borracha, usados para proteger os pés da água e da lama.
Pantanosa
Que está coberta de pântano; que é molhada e lamaçenta.
Argiloso
Relativo à argila; que contém uma grande quantidade de argila e, portanto, é mais denso e capaz de reter água.
Cantanheiras
Plantas usadas para enfeitar ou ornamentar; também podem referir-se a pequenos arbustos.
Desvio
Caminho alternativo que se toma para evitar um obstáculo ou para chegar a um lugar de forma diferente.
Engrenagem
Mecanismo que transmite movimento entre partes de uma máquina, mas que aqui pode referir-se a como as coisas funcionam em conjunto.

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