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História engraçada sobre os amigos 9 a 10 anos Leitura 12 min.

O bigode senhor por favor e o pincel fugitivo

Um grupo de crianças cria um cartaz para a feira na oficina da dona Celeste, enfrentando travessuras de pincéis fugitivos e um pote de água que parece ter vida própria. Entre risos, trocas de duos e muita educação, transformam os acidentes em ideias criativas.

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Leonor, 10 anos, rosto redondo com sardas, cabelo castanho-claro em rabo de cavalo, expressão maliciosa e alegre, corre de botas pintadas estendendo a mão para um pincel que rola; Tomás, 10 anos, cabelo curto castanho, concentrado, ajoelhado a limpar um risco de tinta amarela com um pano ao lado de Leonor; Rita, 9 anos, cabelo preto em trança, vivaz e risonha, levanta um pequeno pincel como se fosse uma espada à frente à esquerda; Diogo, 10 anos, cabelo escuro e olhar calmo, segura o pincel entre os dedos atrás de Leonor com expressão satisfeita; Dona Celeste, cerca de 50 anos, cabelo grisalho preso e sorriso afável, observa perto de uma porta aberta; cenário: ateliê luminoso com janelas grandes, chão de madeira manchado de tinta, cavaletes, potes de água e caixas de guache; situação: perseguição alegre para apanhar um pincel fugitivo que deixa um rasto amarelo brilhante, cartaz ao fundo com a palavra FEIRA, atmosfera calorosa e colorida em estilo aquarela. reportar um problema com esta imagem

Capítulo 1: A Porta do Ateliê e o “Bom Dia” em Cor

A Leonor tinha 10 anos, sardas no nariz e uma vontade enorme de meter o pincel onde não devia. O ateliê de pintura da dona Celeste cheirava a tinta fresca, a papel molhado e a aventuras que não pediam licença.

— Bom dia, dona Celeste! — disse a Leonor, bem alto, como se o “bom dia” fosse um balde de tinta que se atira para começar o dia.

— Bom dia, menina Leonor. Obrigada por chegares com essa energia… mas, por favor, sem pintar o teto hoje — respondeu a dona Celeste, sorrindo com cuidado, como quem já viu tetos em apuros.

Atrás da Leonor entrou o Tomás, que tinha 10 anos e um ar de quem ia tropeçar numa ideia a qualquer momento.

— Bom dia! Com licença… eu trouxe bolachas. Para partilhar.

A seguir veio a Rita, 9 anos, super rápida, super curiosa, e com dois elásticos no pulso como se fossem pulseiras de missão.

— Olá! Bom dia! Posso ser a encarregada das cores brilhantes?

E, por fim, o Diogo, 10 anos, que falava pouco, mas quando falava era certeiro:

— Bom dia. Prometo não encostar em nada… muito.

A Leonor bateu palmas.

— Hoje vamos fazer duos misturados! Tipo… dupla surpresa! Eu com o Tomás, Rita com o Diogo. Ou ao contrário. Ou aos ziguezagues!

“Ziguezagues” não é um tipo de dupla — murmurou o Diogo.

— Ainda não. Mas pode ser — respondeu a Leonor, piscando um olho.

A dona Celeste apontou para uma mesa grande cheia de folhas, potes de água e pincéis arrumados como soldados.

— O desafio de hoje é pintar um cartaz para a feira da escola. Tem de ser alegre, legível e… por favor… sem pegadas de tinta.

— Sem pegadas? — repetiu a Rita, olhando para os próprios ténis como se eles tivessem planos.

A Leonor sorriu. Parecia fácil. Era aí que as coisas costumavam dar errado. Ou melhor: dar certo… de um jeito muito engraçado.

Capítulo 2: O Mistério do Pote que “Fala”

Os duos ficaram assim: Leonor com o Tomás para desenhar o fundo, Rita com o Diogo para escrever as letras gigantes.

— Tomás, tu fazes nuvens fofas e eu faço um arco-íris que não cabe na folha — decidiu a Leonor.

— Com licença… o arco-íris precisa caber — lembrou o Tomás, com a educação de quem pede desculpa até à mesa.

A Rita já tinha um pincel como se fosse uma espada.

— Diogo, tu és bom com letras certinhas. Eu faço estrelas a explodir… de alegria.

— Estrelas não explodem. — O Diogo pegou no lápis. — Mas podem brilhar.

Começaram. Pincel para cima, pincel para baixo. Um “shhh” da água no pote. Um “toc toc” dos pincéis no vidro.

Foi então que o pote de água… fez “BLUP”.

— Ouviram? — sussurrou a Leonor.

“BLUP”.

O Tomás aproximou-se, muito sério.

Com licença, pote… estás bem?

A Rita riu.

— O Tomás a falar com um pote! Isso é novo.

“BLUP… BLUP.”

O Diogo inclinou-se, desconfiado.

— Deve ser uma bolha.

— Ou um peixe invisível — disse a Leonor, já com os olhos a brilhar de traquinice.

— Peixe invisível chama-se… — a Rita fez uma pausa dramática — O Senhor Bolhitas!

— Senhor Bolhitas, com licença, pode parar de interromper o trabalho? — pediu o Tomás, muito educado.

E, como se tivesse ouvido, o pote fez “BLUUUP” ainda mais alto. A água tremeu. O pincel da Leonor escorregou. E um fio de tinta azul caiu no cartaz, bem em cima da palavra “FEIRA”.

Agora dizia: “F—EIRA”, com um risco que parecia um bigode.

A Leonor tapou a boca para não rir. Falhou.

— Parece que a feira ganhou bigode!

O Diogo tentou manter a cara séria. Tentou. Só que o “F” bigodudo era mesmo ridículo.

— Podemos… transformar isso numa coisa — disse ele, com um sorriso a nascer.

— Sim! — a Rita apontou. — Um “F” com bigode de festa!

— Com licença… e se a dona Celeste não gostar de bigodes? — perguntou o Tomás.

— Então fazemos um bigode muito educado — disse a Leonor. — Um bigode que pede desculpa.

Capítulo 3: Duos Trocados e a Corrida do Pincel Fugitivo

A dona Celeste aproximou-se para ver o progresso.

A Leonor endireitou-se como uma artista importante.

— Dona Celeste, aconteceu uma… pequena… bolha com personalidade.

— Uma bolha com personalidade? — repetiu a dona Celeste, olhando para o “F” bigodudo.

O Tomás levantou a mão, como na sala de aula.

— Com licença, a culpa foi do pote, mas nós vamos resolver. Por favor.

A dona Celeste suspirou, mas não parecia zangada.

— Gosto que peçam “por favor”. Isso já melhora metade dos problemas. Resolvem como quiserem, desde que seja legível.

Assim que ela virou costas, a Rita declarou:

— Troca de duos! Agora eu e a Leonor fazemos desenhos malucos e o Tomás com o Diogo salvam a escrita!

— Eu não faço “malucos”. Faço… criativos — corrigiu a Leonor, já a mudar os potes de lugar.

O Diogo assentiu.

— Eu e o Tomás fazemos a parte certinha. Certinha mesmo.

— Com licença… “certinha” pode ser um bocadinho divertida? — perguntou o Tomás.

— Um bocadinho — concedeu o Diogo.

A Leonor mergulhou o pincel no amarelo. Só que mergulhou demais. O pincel ficou tão encharcado que… escapou-lhe da mão.

— Ai! Volta! — gritou ela, e o pincel, como se tivesse pernas, saltou da mesa, rolou pelo chão e deixou um rasto amarelo.

Pincel fugitivo! — anunciou a Rita, entrando em modo perseguição.

Os quatro começaram uma corrida pelo ateliê, desviando de cavaletes, saltando caixas, a dizer “com licença!” e “desculpa!” a cada obstáculo, como se as palavras fossem capacetes.

— Com licença, cadeira! — disse o Tomás, contornando uma.

— Desculpa, balde! — disse a Rita, quase trombando num.

O Diogo, mais rápido do que parecia, apanhou o pincel com uma pegada limpa, como se fosse um guarda de trânsito da arte.

Capturado.

O rasto amarelo no chão parecia um raio de sol torto.

A Leonor olhou para aquilo e fez um ar inocente.

— Foi… decoração temporária?

A dona Celeste apareceu na porta, viu o chão e levantou uma sobrancelha.

— Meninos…

— Por favor, dona Celeste, nós limpamos já! — disseram os quatro ao mesmo tempo, tão afinados que parecia ensaio.

E limparam. Com panos, com cuidado, e com uma gargalhada aqui e ali, porque o Tomás estava a esfregar tão concentrado que parecia estar a polir um troféu.

— Com licença… este chão está a ficar mais brilhante do que a minha testa no verão — comentou ele.

A Rita riu-se tanto que teve de se sentar.

— A tua testa no verão devia ter um patrocínio!

Capítulo 4: O Cartaz da Feira e o Bigode Mais Educado do Mundo

De volta à mesa, o Tomás e o Diogo arrumaram as letras. A palavra “FEIRA” ficou grande e clara, e o “F” com bigode ganhou um laço pequenino.

— Um bigode com laço. Isso é… muito formal — disse o Diogo.

— É o Bigode Senhor Doutor — decidiu a Rita.

— Não, não — corrigiu a Leonor, muito séria. — É o Bigode Senhor Por Favor.

E, por baixo do “F” bigodudo, escreveram em letras pequenas: “Por favor, venham à feira!”

— Isso é simpático — disse o Tomás. — E educado. E ninguém pode discutir com um “por favor”.

Fizeram também desenhos: pincéis a dançar, um bolo sorridente, uma banca de livros com óculos. A Leonor desenhou duas mãos a partilhar uma caixa de bolachas, porque o Tomás tinha mesmo trazido bolachas e insistia em oferecer.

— Queres? Por favor, aceita — dizia ele, empurrando a caixa.

— Obrigada! — respondia a Rita, com a boca cheia, mas tentando falar bonito.

A dona Celeste voltou para avaliar. Olhou o cartaz, o bigode, o laço, as letras e os desenhos.

— Está alegre, está legível… e tem “por favor”. — Ela fez uma pausa. — Gostei muito. E parabéns por terem limpado o chão sem eu pedir duas vezes.

A Leonor endireitou o peito, orgulhosa.

— Nós somos um grupo… como é que se diz… cooperativo!

— E bem-educado — acrescentou o Diogo.

— Com licença… eu sou sempre bem-educado — lembrou o Tomás, rindo.

A Rita apontou para o pote de água.

— E o Senhor Bolhitas? Vai parar de “blupar”?

Como se respondesse, o pote fez um “blup” pequenino, quase tímido.

A Leonor inclinou-se para ele.

— Obrigada, Senhor Bolhitas. Sem ti, não havia bigode.

Capítulo 5: Um Riso Baixinho no Fim do Dia

O sol já estava mais baixo quando arrumaram os pincéis. A energia do ateliê foi desacelerando, como uma música que baixa o volume devagarinho.

A dona Celeste abriu a janela. Entrou ar fresco e o cheiro da rua.

— Podem ir. E obrigada por hoje.

— Obrigada, dona Celeste! — disseram eles, um a um, com aquele tipo de educação que aquece o coração.

A Leonor ficou um segundo a olhar para o cartaz encostado na parede. O “F” bigodudo parecia sorrir.

— Sabem… — disse ela, mais calma — quando a gente diz “por favor” e “obrigada”, até os erros ficam mais fáceis de consertar.

— Com licença… isso foi profundo — brincou o Tomás.

— Foi o bigode que ensinou — respondeu a Rita, apontando para o cartaz.

O Diogo pegou na mochila e abriu um sorriso discreto.

— Amanhã fazemos outro cartaz?

— Sim! — disse a Leonor. — Mas sem pincéis fugitivos.

Nesse instante, o pote de água, quietinho, fez um último “blup”, tão baixinho que parecia uma risadinha escondida. E os quatro, já na porta, riram também… só um bocadinho, como quem guarda um segredo feliz.

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Ateliê
Lugar onde se faz arte, com tintas, pincéis e papéis para pintar.
Tinta fresca
Tinta recém-usada, ainda molhada e com cheiro forte.
Com licença
Frase educada para pedir passagem ou atenção a alguém.
Legível
Que se pode ler sem dificuldade, claro e fácil de entender.
Pegadas
Marcas deixadas no chão pelos pés ou objetos que passaram.
Bolha
Bolsa de ar pequena que aparece na água ou em líquidos.
Cavaletes
Suportes onde se põe uma tela ou papel para pintar em pé.
Capturado
Quando algo ou alguém foi apanhado e não pode fugir.
Cooperativo
Pessoa ou grupo que trabalha junto e ajuda os outros.
Pincel fugitivo!
Expressão dita quando o pincel saiu correndo ou caiu.

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