Parte 1
Miguel acordou cedo na nave. O visor mostrava estrelas calmas. Ele vestiu o fato azul. Tudo era limpo e claro.
Hoje ele tinha uma tarefa importante. Ele devia validar um passo prioritário pela Via da Lua Branca. Isso dava passagem segura a outras naves. Era uma grande responsabilidade. Miguel respirou fundo. “Eu posso,” disse ele.
A ponte era pequena e acolhedora. Havia botões coloridos. Havia um painel que piscava verde. Miguel revisou a lista. Um, verificar escudos. Dois, ajustar lentes. Três, pedir autorização. Tudo explicado em frases curtas no console. Ele fez tudo devagar. Assim ninguém se perde.
Parte 2
A nave saiu do porto. A neblina estelar brilhava como poeira dourada. Miguel olhou pela janela. Pequenos pontos brancos passavam. Eram outras naves. Ele enviou o pedido de prioridade. A resposta demorou. Miguel esperou. Esperar era parte do trabalho. Ele cantou baixinho para ficar calmo.
De repente, sinais vermelhos no painel. Um pedaço de rocha flutuante, um asteroide, mudou de rumo. Era lento, mas vinha na mesma estrada. Miguel fechou o painel com cuidado. “Calma,” murmurou ele. O coração bateu mais forte. Não era medo grande. Era atenção. Ele sabia o que fazer.
Miguel acionou os motores de manobra. Luzes azuis cortaram a cabine. A nave virou como um barco em mar de estrelas. Ele seguiu a rotina: uma checagem, dois passos, ajustar leme. Ele falou com a torre. “Aqui é Miguel. Tenho um asteroide à frente. Peço orientação.” A voz da torre respondeu num tom gentil: “Reduza a velocidade. Ative o campo de desvio.” Miguel repetiu as ordens. Ele fez com precisão.
O asteroide passou a lado, bem perto. Miguel sentiu um sopro de ar quente, como quando se aproxima do forno da cozinha. A nave tremia um pouco. Ele manteve as mãos firmes. Fez mais uma verificação. O painel mostrou verde de novo. Outros passageiros acenaram com alívio. Miguel sorriu. Ele sabia que tinha sido responsável e cuidadoso.
Parte 3
Mais à frente, um posto de controle brilhava como um farol. Era hora de validar o passo prioritário. Miguel alinhou a nave no traçado. Ele leu as instruções no visor. “Confirme identificação”, dizia a tela. Ele tocou. “Confirme segurança.” Ele tocou outra vez. As luzes piscavam em ordem. Miguel respirou e apertou o botão final.
A torre fez um teste. Pequenas chaves dançaram no painel como notas de música. Miguel ouviu a confirmação: “Passagem concedida.” A luz do traçado ficou dourada. Naves próximas acenderam suas lanternas em sinal de gratidão. Miguel sentiu um calor bom no peito. Ele fez o que deveria. Ele cuidou de todos.
Quando a nave entrou na Via da Lua Branca, a cabine ficou tranquila. O trabalho estava feito. Miguel olhou pela janela e viu a curva suave da estrada estelar. A rádio na ponte começou a tocar. Primeiro vinha um chiado como uma brisa. Depois, uma melodia simples e doce. Um canto suave encheu a nave. Era uma canção antiga de viagem.
Miguel sorriu grande. Ele se recostou na cadeira. Ao longe, outras naves seguiam seu caminho. A canção da rádio cresceu. Todos começaram a cantar baixinho. A música falava de céu, de cuidado e de casa. Miguel colocou a mão no painel e sussurrou: “Bom trabalho.”
A rádio cantou até que as estrelas pareceram dançar. Miguel fechou os olhos por um instante, feliz e em paz. A viagem continuou serena, e a música suavemente guardou a noite do espaço.