Parte 1
Marta acorda cedo. Ela é cantora e música. Tem mãos suaves e voz doce. Mora perto de um estúdio pequeno. O estúdio cheira a madeira e a canção. Há instrumentos amigos por toda a sala: um piano que sorri, um violão que descansa, uns tambores que bocejam.
Marta prepara o chá. Ela abre a janela. O vento traz pássaros. "Bom dia," diz ela, e canta uma nota curta. A nota faz cócegas nas cortinas. A nota chama o violão. O violão responde com um plim.
Marta senta no tapete. Ela toca o piano com cuidado. As teclas são como teclas de concha. Cada toque faz uma pequena onda de som. Marta canta uma melodia suave. A melodia parece um rio lento. O rio leva flores e sorrisos.
Um passinho do lado de fora. É a criança do prédio. Ela espreita pela porta. "O que você faz, Marta?" pergunta. Marta sorri. "Eu canto e cuido dos sons," responde. "Eu ensaio. Eu brinco com as notas. Eu ajudo a música a crescer."
Parte 2
Marta explica, com voz calma. "Ser cantora é contar histórias com a voz. Ser música é cuidar dos instrumentos. A gente escuta, sente e compartilha." A criança toca o piano. O som é pequeno. Marta segura a mão dela. "Sente o som no peito," diz Marta. "Sente o calor. A música fala de alegria e de calma."
Eles preparam uma canção para a hora de dormir. Escolhem acordes simples. Repitam a melodia. Repitam a palavra amigo. Repitam o sopro suave. "Vamos cantar juntos," convida Marta. A criança aceita. Eles cantam: hum, hum, hum. O hum é macio. O hum é como um cobertor.
Pela janela, a rua escuta. Os vizinhos param para ouvir. Alguns sorriem. Outros fecham os olhos. Uma senhora acena com a cabeça. Um menino abraça o ursinho e balança. A música de Marta conecta corações. Empatia cresce como uma planta. A música mostra que ouvir também é cuidar.
Marta explica o trabalho com ternura. "Às vezes gravamos no estúdio. O estúdio guarda os sons. O estúdio é tímido no começo. Depois ele se aquece e canta com a gente." Ela aperta um botão. Luzes suaves piscam. O microfone é um amigo que escuta bem. "É importante cuidar da voz," diz Marta. "Beber água, descansar, sorrir."
Eles inventam uma canção sobre estrelas que piscam e sobre mãos que ajudam. A melodia é curta e redonda. As palavras são simples. A música é como uma viagem de tapete. A criança fecha bem os olhos. Marta canta mais baixo. Cada nota é um abraço.
Parte 3
A tarde vira noite. A lamparina acende. O estúdio fica mais quente e mais fofo. Os instrumentos bocejam outra vez. O piano suspira. O violão deita no canto. Marta dá um último toque suave no teclado. Ela canta a melodia doce novamente. A melodia passa pelas paredes. A melodia aconchega todos.
"Boa noite, amigos," sussurra Marta. "Boa noite, estúdio." O microfone pisca uma última luz. O ar cheira a chá e notas adormecidas. A criança beija a testa de Marta. "Obrigada," diz ela. Marta sorri e responde: "Cantar é cuidar de gente. Música é abraço."
O estúdio fecha os olhos. O estúdio adormece devagar, com um suspiro de piano. As notas caem como pequenas folhas. Elas pousam macias no tapete. A melodia continua, em sonhos. Tudo fica calmo. Tudo fica tranquilo. Tudo fica cheio de música.
Marta apaga a luz. Ela observa por um instante. Depois, vai para casa, cantando baixinho. O som vai ficando menor, até virar um sussurro. O estúdio dorme. Está seguro. Está feliz.