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História de viagem espacial 5 a 6 anos Leitura 9 min.

Lia e o núcleo do asteroide N-17

Lia, uma piloto cuidadosa, vai ao Porto Geostacionário Aurora para recolher uma pequena amostra num asteroide, enfrentando poeira e desafios com calma e respeito pelo espaço.

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Uma mulher piloto (Lia), rosto redondo e cabelo castanho preso, olha concentrada e serena com olhos brilhantes atrás de um grande capacete enquanto, com uma pequena ferramenta mecânica, extrai delicadamente um minúsculo núcleo rochoso da superfície do asteroide; uma coordenadora mais velha (Sra. Toma, ~50 anos), cabelo grisalho em coque e uniforme azul com bolsos, observa sorridente e aprovadora da escotilha da nave ao fundo; Vico, o computador de bordo, aparece como uma pequena tela flutuante e luminosa perto da piloto, com texto verde e ícone sorridente, emitindo pequenas ondas azuis; o cenário é a superfície cinzenta e texturada do asteroide, com finas fendas e poeira prateada flutuando em grãos cintilantes, e a grande silhueta metálica do Porto Geostacionário Aurora como uma roda luminosa ao fundo; a cena mostra um gesto calmo e minucioso: a piloto perfura um pequeno orifício, retira um cilindro rochoso do tamanho de um dedo, guarda o núcleo numa cápsula transparente e sela suavemente o buraco sem levantar poeira; atmosfera pacífica e limpa, luz dourada do sol nas bordas da rocha, sombras suaves, cores pastel, traços arredondados e expressões calorosas. reportar um problema com esta imagem

Parte 1: A partida silenciosa

Lia era uma jovem piloto de vaivém espacial. Tinha mãos firmes, olhos atentos e um jeito calmo de falar com as máquinas, como se elas também precisassem de carinho.

Naquela manhã, ela vestiu o fato leve, prendeu o cabelo e entrou na cabine. O painel brilhava com luzes verdes e azuis. Tudo parecia acordado e bem-humorado.

— Bom dia, Vico — disse Lia ao computador de bordo.

— Bom dia, Lia. Energia a oitenta por cento. Rota para o Porto Geostacionário Aurora confirmada — respondeu Vico, com voz tranquila.

Lia sorriu. Ela gostava daquele porto no espaço, preso numa órbita certinha, como um farol. Era onde naves chegavam, descansavam, e voltavam a partir. Era grande, mas não fazia barulho demais. O Aurora tinha regras de cuidado: poupar combustível, reaproveitar água, não desperdiçar nada.

Lia também tinha essas regras no coração.

Antes de ligar os motores, ela fez a lista, em voz alta, como sempre:

— Portas fechadas. Cintos. Ar limpo. Água contada. Lixo preso. Nada solto.

Vico confirmou:

— Tudo pronto. Lembrar: hoje vamos recolher um núcleo de amostra do Asteroide N-17. Só um pequeno cilindro. Sem ferir o lugar.

Lia olhou pela janela. A Terra, lá atrás, parecia uma bola azul com nuvens fofas. Ela respirou devagar.

— Vamos com calma — disse ela. — Sem pressa. Sem gasto.

Os motores acenderam com um brilho suave. O vaivém saiu como quem desliza num lago. No silêncio do espaço, Lia sentiu uma alegria quieta. Ela estava a caminho do Aurora, e ia aprender algo novo.

Parte 2: O porto e o pedido

Horas depois, o Porto Geostacionário Aurora apareceu. Tinha braços metálicos, luzes pequenas, e uma roda lenta que girava para criar um pouco de “chão” lá dentro.

— Aproximação a três… dois… um… — contou Lia.

— Velocidade perfeita — disse Vico. — Consumo mínimo.

Lia encaixou o vaivém na doca como quem coloca uma peça num jogo de blocos. Um “clac” macio avisou que estava preso.

Na entrada, esperava Sra. Toma, a coordenadora do porto. Era alta e tinha um uniforme com bolsos cheios de ferramentas pequenas.

— Bem-vinda, Lia! — disse ela. — Gosto de ver uma pilotagem que não sacode ninguém.

— Obrigada. Eu tento ser gentil com a nave — respondeu Lia.

Sra. Toma apontou para um mapa na parede, com linhas simples.

— Temos uma missão curta e cuidadosa. Um asteroide perto daqui, o N-17, tem uma rocha diferente. Precisamos de um núcleo de amostra, bem pequeno. Assim, os cientistas descobrem como ele nasceu. Sem fazer buraco grande, sem deixar lixo.

Lia assentiu.

— Vou recolher só o necessário.

— Boa. E mais uma coisa — Sra. Toma abaixou a voz, como se contasse um segredo. — Ontem, uma nave apressada passou por lá e deixou uma poeira solta. Não é perigoso, mas pode atrapalhar os sensores. Vai com atenção.

Lia sentiu um friozinho de alerta, mas não de medo. Era como quando se atravessa uma rua: basta olhar bem.

De volta ao vaivém, ela organizou tudo com cuidado. Pegou a broca de amostras, pequena e limpa, como um lápis grosso. Pegou também um saco de recolha, para não deixar nada flutuar.

— Vico, plano? — perguntou.

— Rota curta. Um impulso, depois deslize. Economizar combustível. Ao chegar, fixar garras, perfurar dois centímetros, recolher o núcleo, fechar o local com selo de pó — explicou Vico.

— Perfeito — disse Lia. — Um trabalho pequeno, bem feito.

Parte 3: O núcleo de amostra

O N-17 parecia uma batata cinzenta, com brilho de metal aqui e ali. Ao redor, a luz do Sol pintava bordas douradas.

— Chegando em trinta segundos — avisou Vico.

Lia reduziu a velocidade. Queria encostar como uma pena.

Quando as garras tocaram a rocha, o vaivém tremeu um pouquinho, como um espirro contido.

— Fixação completa — disse Vico.

Lia pegou a broca e olhou pelo visor. Havia mesmo uma poeira fina, dançando devagar, como purpurina cansada. Ela pensou: “Se eu mexer rápido, isso vai voar e sujar tudo.”

— Devagar — falou para si mesma.

Ela começou a perfurar. Um… dois… e parou. O motorzinho era baixinho, quase um zumbido de abelha.

De repente, um alarme curto piscou amarelo.

— Sensor frontal com leitura confusa — disse Vico. — Poeira no caminho.

Lia não se assustou. Apertou o botão de pausa, largou a broca no suporte e pegou o pano de limpeza com ventosa. Era um pano reutilizável, lavado muitas vezes.

— Nada de sprays — disse ela. — Spray acaba rápido. Pano dura.

Ela limpou o visor do sensor com movimentos pequenos. A poeira colou no pano, e o espaço ficou mais claro.

— Leitura normal — anunciou Vico.

Lia voltou ao trabalho. Perfurou mais um pouquinho. Quando a broca alcançou a marca certa, ela puxou devagar. Dentro, havia um cilindro de rocha, do tamanho do dedo dela. Um núcleo de amostra.

— Consegui — sussurrou Lia, como se o asteroide estivesse a ouvir.

Ela colocou o núcleo numa cápsula transparente e fechou com “clique”.

— Núcleo seguro — confirmou Vico.

Mas Lia ainda não tinha terminado. Ela pegou o selo de pó: uma espécie de tampinha fina, feita para cobrir o pequeno buraco.

— Assim, o N-17 continua inteiro — disse Lia.

Ela pressionou o selo no lugar. Ficou liso, quase invisível. Depois, recolheu a poeira solta com o saco de recolha. Nada ficou a flutuar.

Quando soltou as garras e se afastou, Lia olhou para o asteroide, agora quieto e respeitado.

— Obrigada por partilhar um pedacinho — disse ela.

No caminho de volta ao Aurora, Lia fez o trajeto com um só impulso e muito deslize. Era como empurrar um carrinho e deixá-lo rolar. Poupar era uma forma de cuidado.

Parte 4: A chegada e a mão amiga

No porto, as luzes pareciam mais quentes. Lia encaixou o vaivém na doca outra vez, com o mesmo “clac” macio.

Sra. Toma esperava com uma caixa acolchoada para a cápsula.

— E então? — perguntou.

Lia entregou o núcleo com as duas mãos.

— Aqui está. Pequeno, limpo, e o local ficou selado. Também trouxe a poeira que estava solta.

Sra. Toma abriu um sorriso grande.

— Isso é trabalho bonito. Você não tirou mais do que precisava.

Lia encolheu os ombros, humilde.

— Eu pensei no que o Aurora ensina. Se a gente pega demais, sobra menos para o futuro. E dá mais trabalho para arrumar.

Vico, pelo altifalante, acrescentou:

— Consumo de combustível abaixo do previsto. Água economizada. Resíduos zero.

Sra. Toma riu, satisfeita.

— O seu computador também tem orgulho, hein?

Lia riu baixinho.

— Ele só gosta de números certinhos.

Um técnico do porto passou e acenou. Tudo parecia calmo outra vez. A missão tinha tido um pequeno susto, mas Lia resolveu com paciência e um pano simples.

Sra. Toma estendeu a mão.

— Obrigada, piloto Lia. Você mostrou que, no espaço, ser cuidadoso é ser corajoso.

Lia apertou a mão dela com firmeza e gentileza. O toque era quente, humano, e fazia o universo enorme parecer um pouco mais perto.

— Obrigada por confiar em mim — disse Lia. — Eu volto sempre que o Aurora precisar.

E, enquanto o porto girava devagar, Lia sentiu que tinha aprendido uma coisa importante: às vezes, a melhor viagem é a que deixa o menor rasto e o maior respeito.

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O quiz: você entendeu bem a história?

Vaivém espacial
Uma nave que vai e vem no espaço, como um pequeno ônibus espacial.
Computador de bordo
O cérebro da nave, que fala e ajuda a pilotar e a checar coisas.
Cabine
O lugar dentro da nave onde a pessoa senta e controla tudo.
Painel
Conjunto de luzes e botões na frente do piloto para controlar a nave.
Doca
O lugar onde a nave se prende para ficar parada e segura no porto.
Núcleo de amostra
Um pedacinho de rocha tirado para os cientistas estudar depois.
Broca de amostras
Uma ferramenta que faz um furinho pequeno para pegar o pedaço de rocha.
Selo de pó
Uma tampinha que fecha o buraco para não deixar poeira sair.
Reaproveitar
Usar de novo algo, como água, para não desperdiçar nada.
Resíduos zero
Quando não sobra lixo, tudo foi guardado ou reciclado corretamente.

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