Capítulo 1: O Desafio dos Sabores Esquisitos
Lia era uma menina de 7 anos com cabelos encaracolados e um sorriso tão grande que às vezes parecia que ela ia engolir o mundo inteiro. Ela adorava brincar, correr e, principalmente, fazer perguntas curiosas. Um dia, quando Lia estava a desenhar patos cor-de-rosa no seu bloco de folhas, a sua amiga Sara apareceu a correr, agitando um papel colorido.
— Lia! Lia! Ouviste falar do Desafio dos Sabores Esquisitos? — perguntou Sara, com os olhos a brilhar.
Lia largou o lápis e quase deixou cair o bloco no chão.
— Desafio dos Sabores Esquisitos? Isso deve ser muito engraçado! O que é? — quis saber, já pronta para qualquer aventura.
Sara explicou que, naquela tarde, haveria uma grande competição na praça da vila. O vencedor teria de provar todo o tipo de comidas estranhas: gelado de pepino, sanduíche de banana com mostarda, sopa de chiclete e até bolo de cenoura com cobertura de alface! Quem conseguisse provar tudo, sem fazer caretas ou desistir, ganharia o troféu dourado do Papagaio Guloso.
Lia sentiu um friozinho na barriga, mas o seu sorriso ficou ainda maior.
— Sabores malucos? Isso é melhor do que prova de matemática! Eu quero participar! — disse ela, batendo palmas.
A mãe de Lia, que tinha ouvido tudo da cozinha, apareceu à porta, já a rir.
— Vais mesmo tentar, Lia? Nem eu teria coragem para o gelado de pepino! — brincou.
Lia pôs as mãos na cintura e declarou:
— Eu vou e vou ganhar o troféu! Nem que tenha de comer sopa de chiclete com palhinhas de espaguete!
Foi assim que Lia, cheia de coragem e curiosidade, decidiu inscrever-se no Desafio dos Sabores Esquisitos. Mal podia esperar para ver que surpresas o desafio lhe reservava!
Capítulo 2: O Começo das Provas Malucas
A praça da vila estava cheia de crianças e adultos, todos ansiosos para ver quem teria coragem de enfrentar os pratos mais estranhos da história. O Papagaio Guloso, um boneco gigante com um chapéu de cozinheiro, estava no centro da praça, rodeado de pratos coloridos e cheiros misteriosos.
Lia vestiu o seu avental cor-de-laranja com bolinhas azuis e sentou-se à mesa dos concorrentes. Ao seu lado, estavam o Martim, que fazia caretas só de olhar para um brócolo, e a Inês, que adorava ketchup em tudo, até na sopa.
O apresentador pegou no microfone bem prateado e anunciou alto:
— Senhoras e senhores, está prestes a começar o Desafio dos Sabores Esquisitos! A primeira ronda é… Sanduíche de banana com mostarda!
As sanduíches chegaram rapidamente, cheias de mostarda amarela e bananas a espreitar. Martim olhou para o prato como se fosse uma lagartixa de cinco patas. Inês tentou cheirar, mas espirrou com o cheiro. Lia, com uma piscadela, pegou na sanduíche e deu uma dentada.
— Humm, até que sabe… diferente! — disse, fazendo uma careta disfarçada de sorriso.
As outras crianças tentaram, algumas desistiram, mas Lia continuou firme. Na ronda seguinte, serviram sopa de chiclete! Era cor-de-rosa, borbulhante e parecia ter dentes-de-leão a flutuar.
Lia encheu a colher e experimentou. De repente, começou a fazer bolhinhas cor-de-rosa com a boca, como se fosse uma rã saltitona. A plateia riu tanto que até o Papagaio Guloso se engasgou a rir.
— Isto sim, é sopa animada! — disse Lia, com os olhos a brilhar e a boca cheia de bolhas.
A cada prato, Lia inventava uma solução engraçada: quando chegou ao gelado de pepino, usou luvas de lã para não sentir o frio; para o sumo de espinafres com cola, tapou o nariz e bebeu com um canudinho feito de penugem de pato (na verdade, era só um canudo verde, mas ela dizia que dava sorte!).
A cada nova comida, Lia usava a imaginação, ou só fazia uma piada para o público não perceber as caretas. E, a cada prato, ficava mais animada, inventando músicas e até danças sobre os sabores malucos.
Capítulo 3: O Grande Momento da Maionese Misteriosa
Quando parecia que nada podia ser mais estranho, o apresentador anunciou a última e mais temida fase:
— Atenção! Agora temos... a Maionese Misteriosa do Papagaio Guloso!
Ninguém sabia o que havia dentro dela. Tinha um cheiro que misturava manga, pickles, chocolate, e um pouco de... será sardinha? Lia olhou para o prato, olhou para o público e sentiu o coração acelerar.
Sara, na plateia, gritou:
— Vai, Lia! Consegues!
Martim já estava a tremer, Inês a esconder-se debaixo da mesa. Lia pensou por uns segundos, depois levantou-se e falou alto para todos ouvirem:
— Eu tenho uma ideia! Se esta maionese é misteriosa, precisa de uma maneira misteriosa de ser comida!
Tirou da mochila um chapéu de feiticeira (que usava para brincar em casa) e pôs na cabeça. Pegou numa colher, sacudiu-a como se fosse uma varinha mágica e disse:
— Abracadabra, maionese saborosa! Que nesta colher só venha alegria gostosa!
A plateia ria a bandeiras despregadas. Lia fechou os olhos, encheu a colher e levou à boca. Fez uma careta tão engraçada que até o Papagaio Guloso bateu palmas.
— Sabe a… tudo ao mesmo tempo! E também a… nada! Tem sabor de surpresa! — anunciou, abrindo os braços.
Depois, começou a rir, uma gargalhada que contagiou todos. Até Martim e Inês acabaram por provar, só para ver se também sentiam o “sabor de surpresa”.
No fim, Lia levantou-se na cadeira e fez uma dança maluca de vitória, rodopiante e cheia de passos inventados.
Capítulo 4: O Troféu Mais Engraçado do Mundo
O apresentador veio até Lia e, com um grande sorriso, entregou-lhe o troféu dourado do Papagaio Guloso, que era tão grande que quase tapava a sua cabeça.
— E a vencedora do Desafio dos Sabores Esquisitos é… Lia, a menina de mil ideias!
Toda a praça aplaudiu, e Lia sentiu-se a menina mais feliz do mundo. Ela olhou para o troféu, depois para os amigos e para a mãe, e disse:
— O melhor sabor foi este: o sabor da aventura divertida!
Depois, partilhou o troféu com toda a gente: deixou os amigos tirarem fotos, deixou Martim pôr o troféu na cabeça como chapéu e até deixou a Inês desenhar bigodes no boneco do Papagaio Guloso (com caneta lavável, claro!).
No final, Lia voltou para casa a saltitar, com a barriga cheia de sabores novos e o coração ainda mais cheio de alegria.
— Mamã, amanhã posso inventar um desafio dos cheiros esquisitos? — perguntou, já a sonhar com a próxima aventura.
A mãe sorriu e respondeu:
— Com a tua imaginação, Lia, tudo é possível!
E Lia adormeceu a rir, já a pensar no próximo desafio maluco… porque nada é impossível quando se tem criatividade, coragem e um grande gosto por brincadeiras!