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História divertida com um animal 3 a 4 anos Leitura 6 min.

Kiko e o chapéu de folha corajoso

Kiko, um caracol tímido, junta‑se a amigos num desfile de fantasias e, com um chapéu de folha, enfrenta medos e descobre a coragem para experimentar coisas novas.

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Um pequeno caracol chamado Kiko, tímido e alegre, com concha brilhante castanho-avermelhada, usa um chapéu de folha verde e uma capa de três pétalas azuis e desfila com orgulho; atrás dele, o macaco travesso Dudu, de pelos dourados, balança um galho e aplaude numa corda baixa; à esquerda, a pata Dona Pata, de penas amarelas e bico laranja, numa passarela de madeira ajeita a folha na cabeça de Kiko; a Sra. Formiga, fina e negra com faixa rosa nas antenas, caminha junto às pedras pintadas rindo e batendo no chão; o jardim é vivo — grandes folhas verdes, flores rosas e amarelas, uma poça refletindo o céu e uma passarela de gravetos — e a cena mostra um desfile de fantasias alegre, com pétalas ao vento e amigos comemorando. reportar um problema com esta imagem

Era uma vez um caracol muito esperto chamado Kiko. Kiko era pequeno, redondo e muito curioso. Ele adorava passear pelo jardim, espreitar atrás das flores e brincar com as gotas de orvalho. Mas Kiko tinha um segredo: às vezes ficava envergonhado e com um pouquinho de medo de ser o primeiro a experimentar coisas novas.

Numa manhã cheia de sol, Kiko escutou vários risinhos vindos do outro lado da folha de couve. Era a dona Pata, a Sra. Formiga e o macaco Dudu. Eles estavam todos a preparar um grande desfile de fantasias no meio do jardim. Kiko ficou com as antenas esticadas de curiosidade.

“Vamos, Kiko, vem ser pirata connosco!” gritou Dudu, balançando-se numa rama.

Kiko estremeceu. “Oh, eu... Eu não sou muito corajoso para pirata…”

Dona Pata abriu as asas e disse: “Coragem, Kiko! Vem brincar!”

Kiko pensou, pensou e teve uma ideia brilhante. Se eu usar uma fantasia, tal como eles, talvez ganhe coragem, pensou ele.

Rápido como um caracol pode ser, Kiko foi até à pilha de folhas secas. Escolheu uma folha brilhante e amarrou-a na cabeça com um fio de relva. Depois, empilhou três pétalas azuis nas costas e ficou a parecer um supercaracol. Olhou-se de lado no reflexo de uma poça e ficou contente. Sentiu-se forte, quase invencível!

“Olhem para mim!” chamou ele, avançando com seu chapéu de folha e capa de pétalas.

Todos olharam. Dudu bateu palmas com os pés. Sra. Formiga riu-se: “Uau, Kiko, que supercaracol valente!”

Kiko sentiu-se mais confiante. “Agora posso tentar coisas novas!” disse ele, com um sorriso.

O primeiro desafio era atravessar uma ponte feita de palitos nas costas da Dona Pata. Kiko respirou fundo e avançou devagar, as pétalas esvoaçando. De repente, BUM! Um vento forte levantou a folha do chapéu e ela tapou-lhe os olhos.

“Oh-oh!” disse Kiko, tropeçando suavemente.

Mas Dona Pata parou e disse: “Está tudo bem, amigo! Eu ajudo-te a arranjar o chapéu.” E com o bico, ajeitou a folha de novo na cabeça do caracol.

Kiko riu-se. “Ups! Que aventura!”

Logo a seguir, era hora de saltar sobre uma linha de pedras coloridas. Dudu gritou: “Agora vais saltar como um sapo!”

Kiko olhou para as pedras. Respirou fundo. “Eu consigo!” e tentou saltar. Mas, como era caracol, só deu um passinho. Todos riram — mas era uma risada boa, feliz.

“Não faz mal!” disse a Sra. Formiga. “Cada um salta à sua maneira!”

Kiko tentou outra vez, com as pétalas esvoaçando atrás. Ups! Uma borboleta pousou-lhe em cima e ele ficou tão surpreendido que deu um pulo mais alto do que nunca! Todos bateram palmas.

Depois, chegou a hora de cantar. Cada um tinha de inventar uma canção nova. Dudu tocou nos galhinhos. Dona Pata fez cuá-cuá-cuá. Sra. Formiga mexeu as antenas. Kiko, com o chapéu e capa, encheu-se de coragem e cantou:

“Eu sou Kiko, caracol valente,

Com folhas na cabeça, vou em frente.

Tenho pétalas azuis a brilhar,

E muitos amigos para brincar!”

Todos dançaram em volta do Kiko.

De repente, um som estranho: era o rato Tico, vestido de banana, a correr pelo jardim. Escorregou numa casca de pepino e foi parar debaixo de uma flor. Todos se riram, até Tico, que só disse: “Viva a brincadeira!”

No final do desfile, cada animal desfilou com a sua fantasia. Dudu era um pirata com tapa-olho de folha. Dona Pata vestia um colar de margaridas. A Sra. Formiga tinha uma fita cor-de-rosa nas antenas. Kiko, todo orgulhoso, desfilou com a sua capa azul e chapéu de folha.

O público era todo feito de joaninhas, abelhas e grilos. Batiam palmas, batiam as asas e faziam “bravo, bravo!”

Quando o desfile acabou, cada um tirou a sua fantasia. Menos Kiko. Ele gostou tanto do seu chapéu e da sua capa que decidiu continuar a usar.

Dudu disse: “Kiko, agora és mesmo corajoso!”

Kiko respondeu: “Às vezes só preciso de um bocadinho de folha mágica para acreditar em mim!”

Todos deram um abraço caracolado. As pétalas de Kiko voaram e pousaram nos amigos, que ficaram coloridos também.

O sol foi-se pondo devagarinho no jardim. Os animais deitaram-se na relva fresquinha, a conversar e rir das aventuras do dia.

Kiko adormeceu com um sorriso. Sabia que, com muita imaginação e amigos divertidos, podia ser quem quisesse — até um supercaracol feliz.

E, sempre que precisava de coragem, bastava-lhe colocar o chapéu de folha e lembrar-se das suas aventuras engraçadas.

No jardim, todos sabiam: não importa como te vestes, importa é ter um coração alegre e estar sempre pronto para brincar.

E assim, entre gargalhadas, folhas e abraços, o Kiko viveu muitas mais aventuras coloridas e felizes com os seus amigos do jardim.

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Orvalho
Gotas de água pequeninas que ficam nas plantas de manhã cedo.
Envergonhado
Quando a gente fica tímido e sente calor por dentro.
Antenas
Partes finas na cabeça dos insetos que ajudam a sentir o mundo.
Fio de relva
Um pedaço fino de planta verde do chão, como um fio.
Pétalas
As partes coloridas e suaves das flores que vemos e tocamos.
Reflexo
A imagem que vemos numa poça ou num espelho.
Invencível
Quando alguém se sente tão forte que nada o derruba.
Esvoaçando
Movendo-se leve no ar, como uma folha ou uma borboleta.
Tropeçando
Quando a gente quase cai porque pisa em alguma coisa.
Abraço caracolado
Um abraço apertado e carinhoso, como o jeito do caracol.

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