Era uma vez um caracol muito esperto chamado Kiko. Kiko era pequeno, redondo e muito curioso. Ele adorava passear pelo jardim, espreitar atrás das flores e brincar com as gotas de orvalho. Mas Kiko tinha um segredo: às vezes ficava envergonhado e com um pouquinho de medo de ser o primeiro a experimentar coisas novas.
Numa manhã cheia de sol, Kiko escutou vários risinhos vindos do outro lado da folha de couve. Era a dona Pata, a Sra. Formiga e o macaco Dudu. Eles estavam todos a preparar um grande desfile de fantasias no meio do jardim. Kiko ficou com as antenas esticadas de curiosidade.
“Vamos, Kiko, vem ser pirata connosco!” gritou Dudu, balançando-se numa rama.
Kiko estremeceu. “Oh, eu... Eu não sou muito corajoso para pirata…”
Dona Pata abriu as asas e disse: “Coragem, Kiko! Vem brincar!”
Kiko pensou, pensou e teve uma ideia brilhante. Se eu usar uma fantasia, tal como eles, talvez ganhe coragem, pensou ele.
Rápido como um caracol pode ser, Kiko foi até à pilha de folhas secas. Escolheu uma folha brilhante e amarrou-a na cabeça com um fio de relva. Depois, empilhou três pétalas azuis nas costas e ficou a parecer um supercaracol. Olhou-se de lado no reflexo de uma poça e ficou contente. Sentiu-se forte, quase invencível!
“Olhem para mim!” chamou ele, avançando com seu chapéu de folha e capa de pétalas.
Todos olharam. Dudu bateu palmas com os pés. Sra. Formiga riu-se: “Uau, Kiko, que supercaracol valente!”
Kiko sentiu-se mais confiante. “Agora posso tentar coisas novas!” disse ele, com um sorriso.
O primeiro desafio era atravessar uma ponte feita de palitos nas costas da Dona Pata. Kiko respirou fundo e avançou devagar, as pétalas esvoaçando. De repente, BUM! Um vento forte levantou a folha do chapéu e ela tapou-lhe os olhos.
“Oh-oh!” disse Kiko, tropeçando suavemente.
Mas Dona Pata parou e disse: “Está tudo bem, amigo! Eu ajudo-te a arranjar o chapéu.” E com o bico, ajeitou a folha de novo na cabeça do caracol.
Kiko riu-se. “Ups! Que aventura!”
Logo a seguir, era hora de saltar sobre uma linha de pedras coloridas. Dudu gritou: “Agora vais saltar como um sapo!”
Kiko olhou para as pedras. Respirou fundo. “Eu consigo!” e tentou saltar. Mas, como era caracol, só deu um passinho. Todos riram — mas era uma risada boa, feliz.
“Não faz mal!” disse a Sra. Formiga. “Cada um salta à sua maneira!”
Kiko tentou outra vez, com as pétalas esvoaçando atrás. Ups! Uma borboleta pousou-lhe em cima e ele ficou tão surpreendido que deu um pulo mais alto do que nunca! Todos bateram palmas.
Depois, chegou a hora de cantar. Cada um tinha de inventar uma canção nova. Dudu tocou nos galhinhos. Dona Pata fez cuá-cuá-cuá. Sra. Formiga mexeu as antenas. Kiko, com o chapéu e capa, encheu-se de coragem e cantou:
“Eu sou Kiko, caracol valente,
Com folhas na cabeça, vou em frente.
Tenho pétalas azuis a brilhar,
E muitos amigos para brincar!”
Todos dançaram em volta do Kiko.
De repente, um som estranho: era o rato Tico, vestido de banana, a correr pelo jardim. Escorregou numa casca de pepino e foi parar debaixo de uma flor. Todos se riram, até Tico, que só disse: “Viva a brincadeira!”
No final do desfile, cada animal desfilou com a sua fantasia. Dudu era um pirata com tapa-olho de folha. Dona Pata vestia um colar de margaridas. A Sra. Formiga tinha uma fita cor-de-rosa nas antenas. Kiko, todo orgulhoso, desfilou com a sua capa azul e chapéu de folha.
O público era todo feito de joaninhas, abelhas e grilos. Batiam palmas, batiam as asas e faziam “bravo, bravo!”
Quando o desfile acabou, cada um tirou a sua fantasia. Menos Kiko. Ele gostou tanto do seu chapéu e da sua capa que decidiu continuar a usar.
Dudu disse: “Kiko, agora és mesmo corajoso!”
Kiko respondeu: “Às vezes só preciso de um bocadinho de folha mágica para acreditar em mim!”
Todos deram um abraço caracolado. As pétalas de Kiko voaram e pousaram nos amigos, que ficaram coloridos também.
O sol foi-se pondo devagarinho no jardim. Os animais deitaram-se na relva fresquinha, a conversar e rir das aventuras do dia.
Kiko adormeceu com um sorriso. Sabia que, com muita imaginação e amigos divertidos, podia ser quem quisesse — até um supercaracol feliz.
E, sempre que precisava de coragem, bastava-lhe colocar o chapéu de folha e lembrar-se das suas aventuras engraçadas.
No jardim, todos sabiam: não importa como te vestes, importa é ter um coração alegre e estar sempre pronto para brincar.
E assim, entre gargalhadas, folhas e abraços, o Kiko viveu muitas mais aventuras coloridas e felizes com os seus amigos do jardim.