Capítulo 1
Na cidade, um dia barulhento. Buzinas, latidos, martelo: BAM BAM! O céu parecia fazer festa. Mas a festa era muito alta. As pessoas tapavam os ouvidos. As crianças choravam. O mercado cantava alto. O prefeito corria com um saco de palhaços, sem saber o que fazer.
No alto do prédio amarelo, ela escutou tudo. Era a Dona Sorriso. Ela usava capa azul e botas que brilhavam. Tinha um poder estranho. Quando ria, o som virava pequenas bolhas coloridas. "Puf! Puf!" As bolhas flutuavam e dançavam. Ela também tinha um caderno. Um caderno de desculpas oficiais. Era rosa e tinha um lápis que fazia "tic-tic".
Dona Sorriso desceu voando. Foi suave: Swoosh! As bolhas piscavam ao redor dela. A cidade olhou. "Quem é?" perguntou um homem da banca. "É a Dona Sorriso!" respondeu uma menina. Todos esperaram.
Capítulo 2
Ela abriu o caderno. Escreveu rápido: "Desculpe pelo barulho. Assinado: Coração que ri." TA-DA! Entregou o papel a um caminhão que tocava cornetas. O caminhão leu. Parou. "Oh!" disse o caminhão com uma voz engraçada. E começou a rir: "HA-HA!" A risada saiu em ondas. As ondas empurraram a buzina. BIP BIP virou pipi-pipinho.
Dona Sorriso caminhou pela praça. Contou piadas curtas. "Por que a lua foi ao médico?" "Porque estava cheia!" Gente riu, palhaços tropeçaram de propósito, pombas deram cambalhotas. As bolhas-som batiam nas árvores. "Plim! Plim!" um pombo fez careta. O pedreiro deixou a pá e bateu palmas. O cachorro latiu uma vez e… PAH! virou "au-au" muito meigo.
No meio da rua, um saxofone tocava alto demais. Dona Sorriso fez uma careta. Então soprou uma bolha grande, como um balão de festa. A bolha envolveu o som e começou a contar uma história miúda: "Era uma nota que queria dançar..." O saxofone ouviu e, sem querer, tocou uma música engraçada. "Tra-lá!" As notas começaram a pular corda.
As pessoas riam. Riam de coisas pequenas. Riam das caretas, dos passos tortos, das rimas ridículas que Dona Sorriso inventava. "Olha o sapato que comeu o sapato!" ela cantou. "Oi?" disse um sapato. "Oi!" respondeu o outro. "HA-HA!" fez a cidade.
Capítulo 3
O barulho foi mudando. De BAM! virou bim-bim. De zum-zum veio um sussurro. O caderno de desculpas ganhou muitos pedidos. Dona Sorriso distribuiu bilhetes: "Desculpe por fazer barulhinhos sem querer. Receba um abraço." As pessoas seguraram os bilhetes e sorriram. Um senhor agradeceu: "Obrigada." Uma menina abraçou o bilhete como se fosse um ursinho.
No final, algo bonito aconteceu. Tudo silenciou. Um silêncio suave pousou como uma manta. As bocas ficaram quietas. Os olhos ficaram molhinhos de alegria. Um silêncio cheio de carinho. Um silêncio que dizia: obrigada.
Então, de repente, um riso grande explodiu. Primeiro baixinho. Depois mais alto. "Hahaha!" A cidade inteira riu junto. Riam por terem tido calma. Riam por se sentirem felizes. Riam e choravam um pouquinho de emoção. Dona Sorriso fechou o caderno. Fez uma última bolha. "Puff!" A bolha estourou num beijinho de som.
Dona Sorriso acenou, sorriu e foi embora. As pessoas ficaram olhando. E disseram, baixinho, com gratidão: "Obrigada, Dona Sorriso."