O urso Biscoito acorda cedo. Ele espia a lona do circo. A lona sorri com riscas coloridas. Biscoito boceja. Biscoito pula. Hoje é dia de voltar à pista.
Nos bastidores, há cheiros de pipoca e brilho de luz. Há um coelho que ajeita as flores. Há uma girafa que limpa as bolas. Há um elefante que afina um trombone. Todos são amigos. Todos ajudam.
Biscoito está um pouco nervoso. “E se eu esquecer o passo?”, pergunta ele baixinho. A tartaruga risponde com calma: “Respira. Um, dois, três.” Biscoito respira. “Respira”, repete a plateia de bichos, em voz macia. Isso deixa Biscoito mais seguro.
Ele veste sua capa. A capa tem estrelas. Ele coloca um sapatinho que chia. “Cuidado com o nó”, diz o macaco com calma. O macaco ajusta o nó. Segurança primeiro. Sempre.
Na hora do ensaio, Biscoito tenta um salto. O tapete é macio. O coelho estende uma almofada. O elefante segura uma rede de pano. “Segurança!”, diz a girafa, levantando o pescoço. Biscoito pula e cai num abraço de almofada. Todos aplaudem. Biscoito ri. O riso é grande como um balão.
Chega a noite. As luzes piscam. A música começa a pipocar. A lona se enche de rostos amigos. Biscoito sente as patas fazerem cócegas. Ele entra devagar. O nariz do público se ilumina. “Olá!” diz Biscoito, com voz mole. O público responde com um suspiro feliz.
No centro da pista, há um grande aro dourado. Biscoito vai passar pelo aro. Ele pratica uma vez. Ele pratica outra vez. No terceiro vez, ele lembra do conselho: “Respira. Olha para a frente. Sorria.” Ele passa pelo aro e faz um giro engraçado. O sapatinho chia. A capa voa como um pinguim brincalhão. O público ri e bate palmas.
Mas, no meio do número, um vento brincalhão leva a capa. A capa sai voando! Biscoito olha. “Minha capa!”, chama ele. A capa pousa nas costas do elefante. O elefante dá uma volta lenta. Todos riem. A capa volta para Biscoito com um beijo de trombone.
No fim, Biscoito faz uma reverência. Ele se sente em casa. Ele se sente seguro. Todos o abraçam. “Foi tão divertido”, diz o coelho. “Voltaste à tua pista”, diz a tartaruga. Biscoito sorri e boceja de novo. Ele dorme feliz na sua cama macia de almofadas. A lona canta baixinho: “Até amanhã.”