Parte 1: A chegada ao circo
A Rita tinha 3 anos e um laço vermelho no cabelo. Ela chegou ao circo de mãos dadas com a mamã. O circo era redondo, grande e muito colorido. Tinha bandeirinhas a dançar ao vento: “flap, flap, flap”.
“Uau!”, disse a Rita. “O circo parece um bolo gigante!”
Lá dentro, havia luzinhas, música baixinha e um cheirinho doce a pipocas. Um palhaço passou a correr, com sapatos enormes: “poc, poc, poc”. E deixou cair uma pluma no chão.
A Rita apanhou a pluma com cuidado.
“Obrigada!”, disse o palhaço, sorrindo. “Eu sou o Palhaço Pompom. Tu és muito responsável.”
“Eu sou a Rita”, disse ela, toda orgulhosa.
De repente, uma voz anunciou: “Atenção, atenção! Hoje temos magia, malabarismo e… uma surpresa!”
A Rita bateu palminhas. “Eu quero a surpresa!”
A mamã apontou para uma portinha com uma cortina. “Ali é a parte de trás, os bastidores. Só entra quem ajuda.”
A Rita endireitou o laço. “Eu ajudo! Eu ajudo!”
O Palhaço Pompom piscou um olho. “Então vem comigo. Mas com passinhos calmos, sim?”
A Rita fez passinhos de formiga. “Um, dois… um, dois…”
Parte 2: Bastidores malucos e muito fofos
Nos bastidores, tudo era uma festa também. Mas era uma festa de trabalho! Havia caixas, cordas, chapéus, e um coelho a bocejar dentro de um cartaz.
Um mágico de casaco brilhante procurava algo. “Onde está a minha palavra final?”, perguntou ele, aflito mas com voz doce. “Sem ela, o truque não fecha!”
A Rita arregalou os olhos. “Palavra final?”
“Sim!”, disse o mágico. “No fim eu digo uma palavra e… PUF! Aparece um arco-íris de fitas. Mas a palavra desapareceu!”
O Palhaço Pompom colocou as mãos na cabeça. “Ai, as palavras têm pernas! Fogem, fogem!”
A Rita riu. “Palavras não têm pernas!”
“Esta tem”, disse o palhaço. “Olha ali!” Ele apontou para um papel que escorregava pelo chão, como se fosse um caracol.
A Rita correu devagarinho, como a mamã ensinava. “Devagar e com cuidado.”
Ela pegou no papel, mas… era uma receita de sopa.
“Ops”, disse a Rita. “Isto é sopa.”
Um elefante simpático, com uma manta azul, fez “Pruuu”. Na tromba ele tinha… um chapéu!
“Ele roubou o chapéu!”, gritou o Palhaço Pompom. “Ele pensa que é cabeleireiro!”
O elefante abanou a cabeça, envergonhado. “Pruuu…”
O tratador chegou e fez uma festinha na tromba. “Ele só quer ajudar. Mas chapéus ficam na caixa dos chapéus.”
A Rita apontou para uma caixa grande com um desenho de chapéu. “Ali!”
“Boa!”, disse o tratador. “Responsabilidade é isso: pôr cada coisa no seu lugar.”
O elefante deixou o chapéu na caixa. “Pruuu”, como quem diz “desculpa”.
A Rita deu um beijinho no ar. “Tudo bem.”
Apareceu uma bailarina com saia de tule. “Perdi a minha estrela!”, disse ela. “Sem a estrela eu não brilho.”
A Rita viu algo a piscar no chão: uma estrela dourada, presa num sapato do Palhaço Pompom.
“Palhaço Pompom!”, disse a Rita. “A estrela está no teu pé!”
O palhaço olhou para o sapato enorme e fez cara de surpresa. “No meu pé? Eu tenho um planeta aqui!”
Ele tirou a estrela com cuidado. “Toma, bailarina.”
A bailarina rodopiou. “Obrigada! Que equipa bonita!”
O mágico ainda procurava. “E a minha palavra final?”
A Rita pensou. Pensou com a testa. “Hummm…”
Ela viu um papagaio verde sentado em cima de um tambor. O papagaio dizia sem parar: “ABRACADABRA! ABRACADABRA!”
O Palhaço Pompom tapou os ouvidos. “Ai, ele engoliu a palavra!”
O mágico riu um bocadinho. “Ele gosta dessa palavra.”
A Rita foi até ao papagaio. “Olá, papagaio. Podemos emprestar a palavra? É só no fim. Depois devolvemos.”
O papagaio inclinou a cabeça. “Abra… ca… dabra?”
“Sim”, disse a Rita. “Depois tu dizes de novo. Promessa.”
A Rita estendeu a mãozinha. O papagaio deixou cair um cartão pequeno, com letras grandes: ABRACADABRA.
“Consegui!”, disse a Rita, feliz.
Parte 3: A pista e a palavra final
A música subiu. Era hora do grande momento. A Rita sentou-se perto da mamã, bem confortável. O Palhaço Pompom fez um tropeção de mentira e caiu numa almofada: “Pof!” Toda a gente riu.
O elefante entrou com a manta azul e fez uma reverência. A bailarina apareceu com a estrela e brilhou, brilhou.
Então o mágico levantou a cartola. “Agora… a palavra final!”
Ele olhou para a Rita. A Rita levantou o cartão com as duas mãos, como se fosse um tesouro.
O mágico leu alto e claro: “ABRACADABRA!”
PUF! Do chapéu saíram fitas coloridas, como um arco-íris a fazer cócegas no ar. As fitas dançaram, rodaram e caíram bem devagarinho.
O Palhaço Pompom apanhou uma fita e fez um bigode de fita. “Sou o Senhor Fita-Bigode!”
A Rita riu tanto que a barriguinha fez “hihihi”.
No fim, o mágico devolveu o cartão ao papagaio. “Obrigado por emprestar.”
O papagaio cantou: “Abra! Ca! Dabra!” e bateu as asas, contente.
A mamã abraçou a Rita. “Tu ajudaste e foste responsável.”
A Rita bocejou pequenino. “Eu gosto do circo. E gosto de pôr as coisas no lugar.”
Lá fora, as bandeirinhas ainda diziam “flap, flap, flap”. E a Rita foi para casa com uma fita do arco-íris no bolso, a pensar numa coisa muito importante:
Quando a gente ajuda com carinho, a magia acontece. E no fim… a palavra fica bem guardada.