Capítulo 1: O Relógio Extraterrestre da Tia Berta
Num bairro quase normal — se não fossem os dragões robôs que passeavam com os cachorros e as árvores falantes que reclamavam do trânsito — morava um menino chamado Téo. Téo tinha nove anos, cabelo bagunçado e uma coleção secreta de parafusos perdidos, que ele escondia debaixo da cama só porque sim.
Numa terça-feira com cheiro de chuva e de pizza, Téo foi visitar a tia Berta, famosa por duas coisas: fazer torta de limão e colecionar cacarecos mágicos que ela dizia ter comprado na “Feira do Multiverso”. Assim que entrou, viu um objeto esquisito sobre a mesa: parecia um relógio de pulso, mas tinha botões coloridos, ponteiros que davam voltas ao contrário e um dragãozinho holográfico piscando para ele.
— Esse é o Relógio do Tempo, Téo! — disse tia Berta, com um sorriso torto. — Serve pra viajar para ontem, amanhã e até para o “daqui a pouquinho”.
Téo riu. — Só se for pra voltar antes da aula de matemática, né, tia?
Mas, de repente, o relógio brilhou tanto que até o bigode do gato Físico arrepiou. Um trovão azul estalou na sala, e Téo sentiu o chão sumir dos seus pés. Em um piscar de olhos, ele estava em outro lugar, com o relógio travado no pulso e o dragãozinho holográfico agora voando ao redor da sua cabeça.
Capítulo 2: O Futuro Tem Cheiro de Queijo Derretido
Téo abriu os olhos devagar. No lugar da sala da tia Berta, ele viu arranha-céus transparentes, carros voadores em formato de sapato e elfos engravatados vendendo sorvete de pixel. Nada disso parecia estranho para Téo — afinal, no seu bairro, ele já tinha visto coisas bem mais loucas.
O dragãozinho holográfico pousou no seu ombro e disse, com voz engraçada:
— Bem-vindo ao ano de 4020, Téo! Eu sou o Zizu, seu guia temporal. Precisamos de você para salvar o futuro de uma crise muito séria!
— Que crise? — perguntou Téo, ajeitando os óculos imaginários.
— O futuro está sem energia mágica! Os unicórnios robóticos estão desmaiando, as lâmpadas de feitiço piscam sem parar, e até os elevadores de arco-íris estão parados no térreo!
Téo fez uma cara preocupada, mas logo ficou animado: — E eu vou ajudar como? Eu só sei usar fita adesiva e fazer aviõezinhos de papel!
Zizu sorriu. — É exatamente disso que precisamos: criatividade! E talvez um pouco de fita adesiva... Mas antes, você vai precisar de três artefatos mágicos e científicos escondidos por aqui.
Capítulo 3: A Busca Pela Sopa de Pixels
Téo saiu pelo futuro, pulando entre calçadas flutuantes e desviando de robôs hipopótamos vendedores de balões. A primeira pista de Zizu o levou até a “Padaria dos Encantamentos de Miss Zora”, onde uma elfa de avental roxo mexia uma sopa brilhante.
— Olá, pequeno viajante! — disse Miss Zora. — Está atrás da Sopa de Pixels? Só quem resolve o Enigma dos Três Queijos pode provar!
Téo pensou rápido. — Qual queijo voa e nunca pousa?
Miss Zora riu. — O queijo-planador! Certo, você merece um pouco da sopa!
Ele tomou um gole da sopa de pixels, e uma chave dourada apareceu no fundo da tigela. Era o primeiro artefato! Téo agradeceu, limpou o bigode de sopa e correu para a próxima missão.
Capítulo 4: O Paraquedas de Nuvens e a Bicicleta Quântica
No Parque das Nuvens Enfeitiçadas, Téo viu duendes jogando futebol com bolas que mudavam de cor. Zizu apontou para um escorregador de arco-íris.
— O próximo artefato é o Paraquedas de Nuvens. Só quem desce o escorregador de olhos fechados encontra!
Téo tapou os olhos, prendeu a respiração e desceu. O escorregador fazia cócegas e soltava confetes. Quando chegou ao final, sentiu algo macio nas mãos — era o tão falado paraquedas, feito de algodão-doce e raios de luar.
Antes que pudesse experimentar o paraquedas, um gnomo com capacete de engenheiro apareceu:
— Ei, menino! Quer uma carona na minha Bicicleta Quântica? Ela só funciona se você pedalar pensando em piadas!
Téo subiu na garupa e começou: — Por que o robô levou uma vassoura pro espaço? Porque queria varrer as estrelas!
A bicicleta acelerou, atravessando um portal de luz, e saiu do outro lado do parque, bem em frente ao terceiro artefato: uma Ampulheta de Relâmpagos, presa no alto de uma árvore que resmungava.
— Não gosto de crianças mexendo nos meus galhos! — reclamou a árvore.
Téo prometeu que só queria ajudar o futuro, e a árvore, convencida, entregou a ampulheta com um suspiro.
Capítulo 5: O Magilabirinto e a Solução Maluca
Com os três artefatos em mãos — a chave dourada, o paraquedas de nuvens e a ampulheta relampejante —, Zizu levou Téo até a Central de Energia Mágica. Era um prédio feito de vidro, dragões de neon e muitos botões piscando, igual àqueles brinquedos que acabam a pilha em cinco minutos.
Lá dentro, um mago-cientista chamado Professor Pimpinela mexia nos fios e murmurava:
— A fusão da magia com a tecnologia está fraca! Só um menino com coragem de misturar sopa de pixels, paraquedas de nuvens e ampulheta de relâmpagos pode salvar tudo...
Téo, com a ajuda de Zizu, jogou a sopa na tomada, abriu o paraquedas sobre o gerador e virou a ampulheta ao contrário. Uma tempestade colorida explodiu pelo teto, soltando faíscas de arco-íris e música de videogame.
— Funcionou! — gritou Professor Pimpinela, abraçando Téo. — Você salvou o futuro!
Os dragões robôs acordaram, os unicórnios dançaram polca, e até as árvores resolveram parar de reclamar — pelo menos até a próxima terça-feira.
Capítulo 6: Voltando Para Casa (Ou Não?)
Zizu entregou o Relógio do Tempo de volta para Téo.
— Hora de ir pra casa antes que a tia Berta perceba o sumiço da torta, não acha?
Téo apertou o botão azul. Em um instante, estava de volta à sala da tia, com o relógio brilhando, o gato Físico roncando e o cheiro da pizza ainda no ar.
— Pronto pra torta de limão? — perguntou tia Berta, piscando de leve.
Téo sorriu, pensando se tudo tinha sido um sonho. Mas quando colocou a mão no bolso, sentiu a chave dourada, restinho de algodão-doce e ouviu, baixinho, a risada de Zizu em seu ouvido.
Ele olhou para o relógio no pulso e pensou: talvez amanhã fosse um bom dia para visitar a Lua. Ou talvez só para brincar com os parafusos debaixo da cama. Afinal, no mundo de Téo, qualquer coisa podia acontecer. E normalmente acontecia.