Carregando...
História de super-heróis 7 a 8 anos Leitura 15 min.

Aira Lúmen e o refúgio arco-íris: a coragem de conversar

Aira Lúmen, diplomata e heroína de Luminópolis, enfrenta um misterioso desvio de energia que ameaça o Refúgio Arco-Íris e parte até o Deserto Rubro para dialogar com quem está por trás disso.

Baixar esta história em PDF

Ideal para compartilhar ou imprimir esta história!

Baixar o e-book (.epub)

Leia esta história no seu leitor de e-books.

A heroína Aira Lúmen olha com ternura e determinação, pele bronzeada com sardas, cabelo encaracolado preso, e toca suavemente uma grande máquina em forma de cristal para a acalmar; ao lado está o Dr. Eco, homem alto e magro, cabelo despenteado, capacete em forma de concha na mão, surpreso e emocionado, levemente inclinado para Aira; a máquina tem antenas e espelhos prateados em torno de um cristal que emite fitas de luz vermelha e arco-íris e pequenos relâmpagos que se apaziguam ao contato; o deserto rubro de dunas vermelhas, céu alaranjado e algumas rochas negras ao fundo compõe a cena de reconciliação em que a luz do cristal passa de agressiva a harmoniosa, criando uma atmosfera calorosa de esperança e cooperação, traços suaves e paleta gouache. reportar um problema com esta imagem

Capítulo 1: A Diplomata de Capa Solar

Na cidade brilhante de Luminópolis, os prédios tinham painéis que pareciam escamas de peixe e as ruas tinham faixas de luz que guiavam os carros silenciosos. No alto da Torre do Relógio, uma jovem mulher observava tudo com olhos atentos e gentis.

Ela chamava-se Aira Lúmen. Tinha pele morena com sardas miúdas no nariz, cabelo encaracolado preso num rabo de cavalo alto e uma capa que mudava de cor como o céu ao pôr do sol. No peito, trazia um emblema em forma de cometa, e nos pulsos usava pulseiras de cristal que brilhavam quando ela falava com calma… ou quando precisava ser super-rápida.

Aira não era só uma super-heroína. Era também diplomata: resolvia brigas antes que virassem confusão, com palavras firmes e um sorriso que dizia “eu acredito em vocês”.

Naquela manhã, ela desceu voando até o Refúgio Arco-Íris, um lugar especial na beira da cidade. Era um abrigo para famílias que tinham perdido a casa por causa de tempestades elétricas e para pequenos robôs que se desligavam de tristeza quando ninguém os cuidava.

A diretora do refúgio, Dona Violeta, abriu a porta com um avental cheio de bolsos.

“Aira! Chegou na hora certa. Os pãezinhos estão tentando fugir de novo.”

“Pãezinhos fugitivos? Isso é sério”, brincou Aira, entrando com pose de heroína. Ela apontou para a bandeja, e os pães que estavam rolando sozinhos pararam, como se tivessem ouvido uma ordem educada.

Um menino do refúgio, o Tico, riu.

“Eles têm superpoder?”

“Só têm muita energia… como eu”, respondeu Aira, piscando.

De repente, um alerta suave tocou nas pulseiras dela: “Sinal de confusão no setor leste. Possível mal-entendido em andamento.”

Aira respirou fundo. Proteger o refúgio era sua responsabilidade. Mas a cidade também precisava dela.

Dona Violeta tocou no braço da heroína.

“Vai, minha querida. Aqui a gente segura as pontas.”

Aira sorriu, mas antes de sair, abaixou-se para falar com um robozinho pequeno, de cabeça redonda e olhos em forma de coração. Ele se chamava Pingo e tremia sempre que ouvia qualquer alarme.

“Pingo, olha pra mim. Alarme não quer dizer perigo. Quer dizer ‘precisamos de ajuda'. E ajuda a gente dá com coragem e cuidado.”

“Coragem… e cuidado”, repetiu Pingo, com voz de latinha feliz.

“Isso. E, se der, sem deixar os pãezinhos escaparem”, acrescentou Aira.

Ela decolou num giro luminoso, deixando um rastro dourado no ar, como uma assinatura.

Capítulo 2: O Pedido do Céu e o Mapa Vermelho

No setor leste, duas equipes de drones de limpeza estavam discutindo em “bipes” tão rápidos que pareciam um concurso de música eletrônica. Um grupo queria limpar a praça primeiro; o outro queria limpar a ponte. Enquanto isso, folhas metálicas voavam por todo lado e um carrinho de sorvete tremia, assustado, com as rodas travadas.

Aira pousou no meio, com a capa brilhando azul-claro.

“Pessoal! Parar um pouquinho”, disse ela, erguendo as mãos. As pulseiras brilharam, e um círculo de luz suave apareceu no chão, como um tapete de conversa.

Os drones diminuíram os bipes, curiosos.

Aira apontou para a praça e para a ponte.

“Vamos fazer um acordo. Metade de vocês começa pela praça, metade pela ponte. E depois trocam. Assim, todo mundo ganha e o sorvete não vira milk-shake sem querer.”

O dono do carrinho, um senhor com bigode de nuvem, suspirou aliviado.

“Obrigadíssimo, Super… Diplomata!”

“Super Diplomata é meu segundo nome… que eu inventei agora”, respondeu Aira, e a praça riu com ela. Até os drones soltaram um “bip” que parecia risada.

Quando tudo ficou em ordem, Aira recebeu outra mensagem, desta vez mais estranha. Um holograma apareceu no ar: um mapa com um ponto piscando no Deserto Rubro, bem longe de Luminópolis.

A voz do sistema da cidade, a IA Amável chamada SABI, falou bem baixinho:

“Aira Lúmen, detectei um pedido de socorro… não de pessoas, mas do próprio Refúgio Arco-Íris.”

Aira sentiu o coração apertar.

“Como assim? O refúgio está aqui!”

SABI respondeu:

“Existe uma ‘cópia' do sinal do refúgio… sendo puxada para longe. É como se alguém estivesse tentando desligar a proteção do refúgio, atraindo a energia dele para o Deserto Rubro.”

Aira franziu a testa, mas não com raiva. Com atenção.

“Se o refúgio perder energia, as portas inteligentes travam, os aquecedores param… e o Pingo vai ficar mais tremelicante do que uma gelatina!”

Ela voltou voando ao refúgio num instante. Dona Violeta estava com o tablet na mão, preocupada.

“As luzes deram uma piscada. Nada grave, mas… eu não gosto de ‘piscadas misteriosas'.”

Aira ajoelhou-se para ficar da altura das crianças.

“Escutem: eu preciso fazer uma viagem rápida. Mas não é pra vocês ficarem com medo. O refúgio vai continuar seguro, e eu volto antes do lanche ficar frio.”

Tico levantou a mão.

“E se o lanche tiver superpoder e fugir?”

“Então a gente negocia com ele”, disse Aira. “Diplomacia com pão de queijo!”

Todos riram, e a risada foi como uma corda de coragem puxando o medo para fora.

Aira ativou seu Comunicador Solar e chamou a Guarda de Luz, uma pequena equipe de ajudantes robóticos da cidade.

“Guardas, fiquem ao redor do refúgio. Modo abraço, não modo assustador.”

“Confirmado: modo abraço”, responderam em coro, projetando uma barreira brilhante e amigável, como bolhas gigantes.

Aira olhou para Pingo.

“Você fica responsável por me lembrar de respirar quando eu voltar, combinado?”

“Combinado!” disse Pingo, orgulhoso, como se tivesse recebido uma medalha.

Então Aira abriu um portal de luz — um arco redondo no ar, como uma porta feita de manhã — e saltou. O mapa vermelho piscou de novo.

Capítulo 3: O Deserto Rubro e o Vilão do Eco

O portal fechou-se atrás dela com um “plim”. Aira caiu de leve sobre areia vermelha, tão vermelha que parecia ter sido pintada com giz de cera. O céu era alaranjado, e o vento fazia desenhos em espiral no chão, como se o deserto estivesse escrevendo bilhetes secretos.

“Uau… até a poeira aqui tem personalidade”, murmurou Aira, ajeitando a capa para proteger o rosto.

Não havia monstros, nem sombras assustadoras. Só silêncio e um brilho distante, como um farol.

Aira caminhou seguindo o brilho. Logo viu uma máquina estranha, montada com peças de antenas e espelhos. No centro, um cristal sugava fios de energia que pareciam pequenas linhas de arco-íris.

“Então é você que está puxando a energia do refúgio”, disse Aira, firme.

Uma voz respondeu, meio resmungona e meio orgulhosa:

“Não ‘puxando'. Estou… recolhendo. Só um pouquinho.”

De trás de uma duna surgiu um homem alto e magro com um capacete em forma de concha. Ele carregava um megafone pendurado no ombro como se fosse uma mochila. No peito, tinha um símbolo de onda. Seus olhos, porém, não eram maus; eram cansados.

“Eu sou o Doutor Eco”, disse ele. “Minha cidade antiga ficou sem luz. Ninguém ouviu meus pedidos. Então eu fiz uma máquina que ouve energia onde ela é mais forte.”

Aira não atacou. Não gritou. Ela respirou e falou com voz clara, como quem acende uma lanterna.

“Doutor Eco, eu entendo que você esteja desesperado. Mas tirar energia de um refúgio é como tirar cobertor de alguém que está com frio. Não resolve. Só troca um problema por outro.”

Ele apertou o megafone.

“Eu não queria machucar ninguém. Eu só… quero ser ouvido.”

Aira aproximou-se devagar, mostrando as mãos vazias.

“Então vamos fazer do jeito certo. Eu sou diplomata. Meu superpoder também é conversar até o impossível ficar possível.”

O Doutor Eco pareceu confuso.

“Conversar… com superpoder?”

“Sim. E também tenho pulseiras brilhantes. Isso ajuda”, disse ela, tentando arrancar um sorriso. Conseguiu: o vilão deu uma risadinha que saiu torta.

Aira apontou para a máquina.

“Essa máquina vai drenar demais. Vai apagar as luzes do refúgio e assustar crianças. Você não quer isso.”

“Não… não quero”, admitiu ele, baixando o olhar.

Aira pensou rápido. Coragem, para ela, não era só enfrentar perigo. Era também enfrentar a ideia de que alguém pode mudar.

“Eu tenho uma proposta. Você desliga a máquina agora. Eu levo você a Luminópolis. Vamos falar com SABI, com a prefeitura, com os engenheiros. Vamos fazer um ‘caminho de energia' para sua cidade antiga. Um acordo.”

O Doutor Eco coçou o queixo.

“E se eles não ouvirem?”

“Eu vou estar lá”, respondeu Aira. “E eu sou bem difícil de ignorar. Minha capa faz barulho quando eu giro.”

“Faz mesmo?” ele perguntou, meio curioso.

Aira girou uma vez, e a capa fez um “fuuush” elegante.

“Viu? Barulho de justiça.”

O Doutor Eco riu de verdade dessa vez.

“Tá. Eu desligo.”

Ele apertou um botão. Os fios de arco-íris voltaram para o céu como fitas soltas, e o cristal parou de sugar. A areia vermelha pareceu ficar mais tranquila, como se tivesse soltado um suspiro.

Mas ainda havia um problema: a máquina ficou instável, piscando sem parar, como se estivesse confusa por ter parado tão de repente.

Aira colocou as mãos nas laterais do aparelho. As pulseiras brilharam forte, e ela falou como quem dá instruções para uma equipe:

“Calma. Eu cuido disso.”

Com movimentos rápidos e gentis, ela ajustou os espelhos para apontarem para o sol, não para o refúgio. A energia começou a circular de forma segura, alimentando a própria máquina para que ela se desligasse sem susto.

“Você… está consertando minha invenção”, disse o Doutor Eco, espantado.

“Cuidar também é coragem”, respondeu Aira. “E responsabilidade.”

Ele tirou o capacete de concha. Seu cabelo estava todo amassado, como quem dormiu em cima de um mapa.

“Desculpa”, falou, baixinho. “Eu me perdi no meu próprio eco.”

Aira estendeu a mão.

“Vamos encontrar o caminho juntos.”

Capítulo 4: A Volta, o Abraço e a Bandeira da Unidade

Aira abriu outro portal de luz. Ela e o Doutor Eco atravessaram e chegaram ao lado do Refúgio Arco-Íris. As luzes estavam estáveis, e as bolhas de proteção da Guarda de Luz pareciam sabões gigantes dançando.

Tico correu até Aira.

“Você voltou! E trouxe… um cara com capacete de concha!”

Dona Violeta cruzou os braços, mas seu olhar era mais curioso do que bravo.

“Explicações, por favor.”

Aira falou com calma e clareza, sem esconder nada.

“Ele tentou puxar energia, mas não para fazer mal. Ele estava desesperado. Agora ele quer fazer um acordo e ajudar a construir um caminho de energia para a cidade dele. E eu vou garantir que tudo seja seguro.”

O Doutor Eco levantou as mãos.

“Eu prometo. E… eu também sei fazer pãezinhos pararem de fugir. Acho que eles obedecem a quem fala com eco.”

Os pãezinhos, como se tivessem ouvido seu nome, deram uma mexidinha. Todo mundo riu, e até Dona Violeta soltou um sorriso pequeno, que cresceu como planta ao sol.

SABI apareceu num holograma flutuante, com uma carinha simpática desenhada em luz.

“Proposta registrada. Iniciarei reunião de cooperação em dez minutos. E… parabenizo a heroína por resolver com diálogo.”

Aira inclinou a cabeça.

“Obrigada, SABI. E obrigada, todo mundo, por manter o refúgio firme.”

Pingo veio correndo com seus passinhos curtos.

“Aira! Lembrar respirar!”

Aira puxou o ar e soltou devagar.

“Boa lembrança, comandante Pingo.”

Na praça em frente ao refúgio, as crianças e os moradores reuniram-se. Engenheiros trouxeram cabos luminosos e pequenas placas solares. O Doutor Eco, agora sem o capacete, ajudou a desenhar um plano simples no chão, com giz de luz.

“Eu pensei que ser corajoso era fazer uma máquina gigante”, ele disse para Aira. “Mas ser corajoso é pedir ajuda do jeito certo, né?”

“Isso”, respondeu Aira. “E é consertar quando a gente erra.”

Ao fim da tarde, um novo poste foi instalado perto do refúgio. No topo, não havia câmera nem sirene, só um projetor de luz que mostrava uma grande bandeira no ar, como uma fita brilhante tremulando: cores diferentes se juntando no mesmo pano, com um símbolo de cometa ao centro e várias mãozinhas ao redor.

As crianças bateram palmas.

“É a bandeira da unidade!” gritou Tico.

Dona Violeta segurou a mão de Aira.

“Quando a gente se une, ninguém fica no escuro.”

Aira olhou para o refúgio, para a cidade ao longe e, por um segundo, lembrou da areia vermelha do deserto. Lá parecia vazio, mas até o vazio tinha espaço para recomeços.

Ela ergueu o punho no ar, com o sorriso mais luminoso que tinha.

“Luminópolis, Refúgio Arco-Íris, e até o Deserto Rubro: hoje a gente provou que coragem não é só voar alto. É também ficar junto.”

E, sob a bandeira de unidade brilhando no céu, todo mundo se sentiu mais forte, como se a luz tivesse decidido morar ali, dentro de cada pessoa.

Sem publicidade 3 € por mês

Deseja uma leitura sem interrupções? Apoie Oh My Tales, remova todos os anúncios e aproveite outras vantagens incluídas a partir de 3€ por mês.

Veja os planos e tarifas
Compartilhar

reportar um problema com esta história

O que você achou desta história?

Dê sua opinião atribuindo uma nota a esta história com base no que você e/ou seu filho acharam. Obrigado antecipadamente!

Obrigado! Sua nota foi levada em conta!

O quiz: você entendeu bem a história?

Diplomata
Pessoa que conversa e resolve problemas entre pessoas ou grupos com calma.
Abrigo
Lugar que protege pessoas ou coisas quando há perigo ou necessidade.
Pulseiras de cristal
Adornos no pulso feitos de cristal que brilham e têm função especial.
Holograma
Imagem de luz no ar que parece real, como um desenho flutuante.
Portal de luz
Uma porta feita de luz que leva a outro lugar rapidamente.
Instável
Que pode mudar ou quebrar com facilidade, sem ficar firme.
Energia
Força que faz coisas funcionarem, como luz, calor ou máquinas.
Barreira brilhante
Uma parede de luz que protege e impede a entrada de perigos.
Aquecedores
Aparelhos que produzem calor para deixar um lugar mais quente.
Eco
Repetição do som quando ele bate em superfícies e volta para nós.
Negociar
Conversar para chegar a um acordo em que todos ganhem um pouco.
Proposta
Ideia ou plano que alguém oferece para resolver um problema juntos.

Crie uma história mágica e única para o seu filho!

Crie em poucos minutos uma aventura personalizada onde seu filho se torna o herói. Com nossa ferramenta exclusiva, é fácil, gratuito e divertido!

Criar uma história

Baixe esta história:

Baixar esta história em PDF Baixar o e-book (.epub)

A ler em seguida em Histórias de super-heróis para 7 a 8 anos

Receba novas histórias todos os domingos à noite!

Receba 7 histórias emocionantes e cativantes, adaptadas à idade e aos gostos do seu filho, todo domingo às 17h*. É grátis e garantido sem spam!
*E-mail enviado às 16h00, hora de Lisboa.
Nós também não gostamos de spam. Assim, nós só lhe enviaremos histórias. Você poderá se descadastrar quando desejar.