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História de Natal 5 a 6 anos Leitura 7 min.

A trilha das luvas

Um pequeno urso segue uma trilha misteriosa na neve, encontra um gatinho perdido e uma pena prateada, e juntos partem em busca de quem deixou as pistas, descobrindo gentilezas pelo caminho.

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Um pequeno ursinho de pelúcia marrom, de olhos brilhantes e cachetes rosados, sorri timidamente segurando um gatinho tigrado adormecido junto ao peito; usa um grande cachecol vermelho e botas enlameadas. Uma avó gentil de cabelos grisalhos presos em coque, rosto enrugado e caloroso, oferece um par de luvas tricotadas na soleira de uma porta de madeira iluminada por uma lâmpada amarela. Ao redor, uma casa de madeira com telhado nevado, varanda com um varal de luvas coloridas, pinheiros cobertos de neve, estrelas e flocos no céu e luz quente saindo da janela; uma caneca de chocolate fumegante na entrada completa a cena aconchegante de Natal. reportar um problema com esta imagem

Capítulo 1

O pequeno urso sorria com o rosto todo aconchegado pelo cachecol vermelho. Lá fora, o campo brilhava como um pano de estrelas. A neve era macia e cintilava, e uma trilha de pegadas curiosas cruzava o jardim como um convite.

O urso tinha olhos grandes e cheios de coragem. Ele sempre gostou de aventuras suaves. Na manhã de Natal, o desejo mais forte apareceu no seu coração: seguir aquela trilha misteriosa. As pegadas pareciam feitas por algo pequeno e ligeiro. O ar frio cheirava a pinho e chocolate quente que vinha da cozinha da avó.

Ele calçou suas botinhas, ajeitou o cachecol e saiu devagar. Cada passo fazia um som fofo, um "cric-cric" na neve. O urso sentia as bochechas ficarem rosadas. Lá fora tudo estava tranquilo, como se o mundo respirasse baixinho. O urso olhou as pegadas mais de perto e sorriu. Seguir trilhas era como descobrir segredos bons.

Perto do portão, encontrou uma pena prateada presa na neve. Brilhou por um instante, como um piscadinha. O urso pegou a pena com cuidado e guardou no bolso do casaco. "Será que é um presente de Natal?" pensou. A pena parecia sussurrar: continue.

Capítulo 2

A trilha levou o urso por entre as árvores de pinho. Pequenas luzes de gelo pendiam dos galhos, como lanternas de fada. O vento cantava uma canção calma, e flocos de neve dançavam no ar. Em uma clareira, o urso viu marcas redondas, como pegadas de patinhas. Havia também pequenos desenhos na neve, como corações e estrelas.

O urso seguiu as marcas e sentiu o coração bater um pouquinho mais forte, não de medo, mas de coragem. A cada passo ele lembrava das histórias da avó sobre animais que ajudavam uns aos outros nas noites frias. Isso deu força ao urso. Ele pensou: "Se eu ajudar alguém, vou me sentir aquecido por dentro."

De repente, ouviu um som miúdo: um sussurro que parecia vir debaixo de um arbusto. O urso se aproximou com cuidado. Ali, encolhido, havia um gatinho com o pelo um pouco molhado e os olhinhos assustados. Ao lado, uma pequena luva vermelha jazia perdida, só uma luva. O gatinho tremia, e a trilha de patinhas seguia dali.

O urso se ajoelhou e falou com voz doce: "Olá, pequenino. Venha, está frio aqui." O gatinho miou baixinho e se encolheu no colo do urso. O calor do abraço fez o gatinho ronronar. O urso pegou a luva com cuidado e a segurou entre as patas. Era quentinha, mas faltava a outra.

Eles seguiram juntos. O urso sentia a neve fazer cócegas nas orelhas, e o gatinho se aninhava como uma bolinha quente. Ao caminharem, viram um rastro mais largo que parecia ter sido feito por botas grandes. A trilha os levou até a frente de uma casinha com luzes douradas. Na janela, um boneco de neve apontava com um galho para um pinheiro iluminado.

Capítulo 3

Na porta da casinha, uma senhora gentil abriu e sorriu. Em suas mãos, havia uma cesta de lã cheia de luvas e meias. "Ah, vocês encontraram o caminho," disse ela com voz suave. "Havia um vento que levou uma luva solitária. Eu costuro pares de luvas para as crianças e para os animais que precisam."

O urso entregou a luva que encontrou. A senhora examinou com cuidado e disse: "Esta combina com outra que está pendurada no varal lá no quintal." Eles saíram para ver. No varal, uma luva azul esperava o par. O urso sentiu uma alegria grande: aquele era o lugar certo.

A senhora ofereceu chocolate quente em canecas pequenas e um cobertor encardido, que cheirava a lavanda. O gatinho bebeu um pouquinho de leite morno e ronronou mais forte. O urso agradeceu com um abraço tímido. A senhora disse: "Às vezes, seguir uma trilha nos leva a encontrar novas amizades. Obrigada por trazer a luva."

Antes de voltar para casa, a senhora mostrou ao urso como costurar um botão para prender luvas umas às outras, para que nenhuma se perca no vento. O urso aprendeu com alegria. Ele e o gatinho ajudaram a pendurar pares novos no varal. Ao final, a senhora entregou ao urso um par de luvas quentinhas: uma vermelha e outra azul. O urso sorriu surpreso e tocado pela gentileza.

Quando o urso saiu, as estrelas piscavam mais forte. A trilha agora parecia diferente; não mais um mistério, mas uma história que terminava com mãos aquecidas. O urso caminhou de volta, o gatinho ao seu lado, ambos cobertos de ternura.

Chegando em casa, o urso guardou o gatinho na sua caminha de palha perto do fogão. Ele pendurou as luvas novas no gancho da parede, lado a lado, bem juntinhas. Com cuidado, colocou também a pena prateada no bolso do casaco, como lembrança da aventura.

Antes de se deitar, pegou uma luva e a deixou sobre a janela, como quem deixa luz para os que passam. Depois, colocou a outra luva bem ao lado, como duas mãos que se protegem. Sentiu o coração quentinho e cheio de coragem. Dormiu com um sorriso, sabendo que seguir uma trilha pode levar a amigos, a gentilezas e a um par de luvas sempre pronto para aquecer.

E assim, naquela noite de Natal cheia de brilho suave, as luvas ficaram postas, e a paz cobriu o lar como um cobertor leve.

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Aconchegado
Estar bem quentinho e confortável, abraçado por algo macio.
Cachecol
Peça de tecido que se põe ao redor do pescoço para aquecer.
Cintilava
Brilhava de maneira suave, como pequenas luzes ou reflexos.
Trilha
Caminho estreito deixado por quem passou antes.
Pegadas
Marcas que os pés ou patas deixam no chão ou na neve.
Coragem
Sentir-se forte para tentar algo mesmo com um pouco de medo.
Clareira
Lugar aberto no meio das árvores, sem muitas plantas.
Pena prateada
Pena de ave que parece brilhante e com cor parecida com prata.
Aninhava
Acomodar-se bem juntinho, como uma bolinha quentinha.
Ronronar
Som suave que alguns gatos fazem quando estão felizes ou calmos.
Lavanda
Planta com cheiro doce e calmante, usada em roupa e cobertores.
Varal
Corda ou fio onde se penduram roupas para secar.

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