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Pequenos aventureiros 7 a 8 anos Leitura 13 min.

A toalha xadrez e a rota da coragem

Lucas, um menino de sete anos, decide mudar seu caminho habitual e, acompanhado do gato Pipoca, enfrenta pontes, trilhas e chuva, aprendendo que coragem e responsabilidade caminham juntas enquanto faz novos amigos e descobre surpresas.

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Um menino de 8 anos, rosto redondo com sardas, cabelo castanho curto, expressão corajosa e sorridente, segura acima da cabeça um grande pano xadrez vermelho e branco como abrigo; uma menina de ~8 anos (Ana), cabelo preto em trança, vestido amarelo florido, ri e segura um canto do pano à esquerda do menino; uma mulher adulta (~50 anos, tia Rosa), cabelo grisalho preso em coque, avental verde, acolhedora e aliviada, está na porta de uma casa atrás das crianças convidando a entrar; um gato chamado Pipoca, pequeno branco com manchas ruivas e olhos verdes, aconchegado no ombro do menino ou sobre o pano; rua de paralelepípedos com poças refletindo, casas coloridas com janelas acesas, poste laranja, árvores com folhas molhadas; chuva diagonal e nuvens cinza-azul; cena centralizada mostrando camaradagem e calor sob o abrigo xadrez, contraste entre as cores quentes do pano e os tons frios da chuva. reportar um problema com esta imagem

Capítulo 1

Lucas acordou cedo. O sol batia na cortina como um tambor feliz. Ele tinha sete anos. Hoje era dia de mudar o caminho.

"Mudança?" perguntou a mãe, derramando café no bule.

"Sim!", disse Lucas, pulando da cama. "Sempre vou pela Rua das Laranjas. Hoje vou pela Rua das Pedrinhas."

A mãe sorriu com cuidado. "Lembra do combinado. Vai com cuidado, volta antes do jantar e fala com a tia Rosa se precisar."

"Prometo", disse Lucas, apertando o cordão da mochila. Ele colocou a garrafinha de água, o lápis que só ele usava, um pedaço de pão e um mapa rabiscado com setas coloridas.

O mapa era simples. Lucas desenhara o bairro como se fosse uma floresta de blocos e becos. Marcou árvores com limões, a ponte com um pinguim (porque sempre molhava os pés) e a casa da tia Rosa com um coração. Mudança de rota precisava de plano.

Na calçada, o vento cheirava a pão quente. O vizinho, senhor Bento, regava as plantas.

"Boa sorte", disse ele.

"Vou descobrir um atalho!", anunciou Lucas.

"Mas lembra: responsabilidade primeiro", respondeu o senhor. "Cuida do mapa e do teu pé."

Lucas assentiu. Responsabilidade parecia uma palavra séria. Ele gostava de palavras sérias que ajudavam a fazer coisas certas.

Enquanto caminhava, Lucas cantava baixinho. Encontrou o gato Pipoca em cima do muro.

"Quer vir?", perguntou Lucas.

Pipoca miou como quem dizia: "Vamos ver o mundo, mas devagar."

E assim começou a nova rota. Pela Rua das Pedrinhas, o chão parecia uma estrada de moedas. Havia crianças brincando de pular corda, um cachorro que abanava como leque e um carrinho de feira cor de sol. Lucas sentia o peito batendo diferente. Era um misto de alegria e medo pequeno. Coragem, ele pensou. Coragem é ficar curioso apesar do frio na barriga.

No fim da rua, uma estradinha estreita subia entre muros cobertos de heras. Lucas viu uma placa: "Atalho da Nuvem". Ele puxou o mapa. A seta roxa apontava para lá.

"Será que vai chover?", perguntou Pipoca, esfregando-se nas pernas dele.

"Se chover, me abrigo", disse Lucas. "Sou responsável. Levo a capa."

Ele enfiou a capa na mochila e entrou no atalho. O sol brincava entre as folhas. O atalho cheirava a terra molhada, mesmo sem chuva. Lucas sentiu-se como um explorador em busca de tesouro. O tesouro, hoje, era só conhecer algo novo. E voltar para um jantar com história para contar.

Capítulo 2

No meio do atalho, um obstáculo apareceu: uma ponte pequena com tábuas soltas. Havia uma placa: "Cuidado, reparos". Lucas olhou para a ponte. Do outro lado, a rua parecia convidar. Mas a ponte rangia como violão velho.

"Vamos procurar outra passagem", sugeriu Pipoca, pulando preocupada.

Lucas observou. Havia pedras grandes ao lado da ponte. A água no canal era rasa. Ele lembrou do conselho do senhor Bento: responsabilidade primeiro. Se não dava para atravessar com segurança, buscar outra maneira era a melhor coragem.

"Talvez eu possa pular as pedras", murmurou Lucas. Ele pegou um galho que serviu de vara, para testar as pedras e o fundo do canal. Uma pedra parecia firme, outra, molenga.

"Vou avisar a tia Rosa", disse Lucas. Do outro lado, avistou um rabisco vermelho no muro: "Oficina do Nico". Ele pensou em pedir ajuda. Mas também queria tentar com inteligência.

Fez um plano. Primeiro, tirar os sapatos. Segundo, molhar só as pontas. Terceiro, medir com o galho. Ele deixou a mochila segura na margem e, com cuidado, pisou na primeira pedra. O pé tremeu. Pipoca observava de cima do muro, rabinho enrolado.

"Concentra, Lucas", ele sussurrou para si. Respirou fundo. Passo por passo, foi atravessando. No meio, uma tábua do braço rompeu. Lucas quase escorregou. Lembrou-se de respirar e firmar o corpo. Usou o galho como apoio. Com coragem e calma, alcançou o outro lado.

"Ufa!", disse ele, sentando na margem. "Consegui."

Do outro lado, a Rua do Sorriso era cheia de lojazinhas pequenas. Havia um senhor consertando brinquedos na oficina do Nico. O senhor levantou os olhos.

"Bom dia, menino corajoso", disse ele, sorrindo.

"Passei pela ponte", contou Lucas. "Mas foi devagar."

"Responsabilidade em ação", elogiou o senhor. "Quer um pedaço de bolo? A tia Rosa colocou um na janela."

Lucas riu. Um pedaço de bolo sempre parecia uma medalha após uma aventura.

Enquanto comia, uma senhora com sacolas chamou:

"Menino, viu um cartaz de gatinho? Perdi meu Pipoca."

Lucas olhou. Pipoca estava ali, em cima do muro, com cara de quem não sabia ser famoso.

"Esse é o Pipoca", Lucas respondeu, apontando. "Mas ele é meu amigo. Já quase o perdi uma vez, por isso tomo cuidado."

A senhora sorriu aliviada. "Obrigada. Eu pensei que era meu gato. Bom tê-lo de volta."

Lucas sentiu algo crescer no peito. Responsabilidade era cuidar de quem gostava dele. Ele sorriu e continuou seu caminho, agora com um passo mais leve. Era curioso como pequenos cuidados viravam coragem grande.

Capítulo 3

A tarde aproximava-se. O mapa de Lucas mostrava agora um trecho novo: "Campo do Sopro". Era um gramado onde as folhas dançavam como véus. No mapa, ele desenhara um moinho que gira com o vento. Lucas imaginou que ali estaria um atalho secreto.

Quando chegou, o campo era ainda mais bonito do que no papel. Borboletas tocavam os cabelos das crianças. Havia um balanço pendurado numa árvore velha. Lucas correu até o moinho. Pipoca subiu num toco e miou com entusiasmo.

"Tem um bilhete no moinho!", exclamou uma voz. Era Ana, da escola, com um caderno de desenhos.

"Que sorte!", disse Lucas. Ele abriu o bilhete. Era um desafio escrito em letras tortas: "Quem muda a rota com cuidado, achará um presente. Siga a última sombra."

Lucas sorriu. Um presente era uma palavra mágica. Ele olhou para a sombra do moinho que apontava para uma trilha de flores. Seguir sombras era como seguir pistas num jogo. Ele lembrou do mapa. A seta roxa agora tinha uma curva.

"Vamos!", disse Lucas, tomando a frente com Pipoca atrás. A trilha foi ficando estreita. De vez em quando, aparecia um problema: um tronco caído, um arbusto com espinhos. Cada obstáculo pedia uma solução.

"Eu subo no tronco. Tu cuidas das flores", sugeriu Ana.

"Eu seguro o galho para você", disse Lucas.

"Vamos com calma", disse Pipoca, condescendente.

Lucas aprendeu a ouvir. Ouvir era uma parte da coragem. Ouvir o vento, o passo dos amigos, a própria respiração. Ele ajudou Ana a passar o tronco. Ana passou com cuidado, agradeceu com um sorriso. Cada um fazia a sua parte. Isso era responsabilidade compartilhada.

A trilha terminou numa clareira. No centro, havia uma caixa de madeira com um laço. Em cima, um bilhete: "Para quem tem coragem e cuida." Lucas abriu com mãos trêmulas. Dentro, havia um apito de madeira, uma bússola infantil e uma toalha xadrez dobrada. A toalha tinha cores quentes: vermelho, branco, amarelo.

"Uma toalha xadrez!", gritaram as crianças como se fosse um tesouro real.

"É para um piquenique", disse Ana, com olhos brilhando.

"Ou para um mapa de aventuras", sugeriu Lucas, imaginando desenhos em cima da toalha.

"Ou para lembrar que o fim de uma rota pode ser um começo", disse Pipoca, com um miado sábio.

Lucas segurou a bússola. Ela apontava, com paciência, para o norte. A responsabilidade novamente: saber para onde ir. O apito poderia chamar para ajuda. A toalha era um convite para sentar e partilhar. Ele sentiu o coração quente. A mudança de rota o trouxe até ali. E ele não estava sozinho.

"Vamos usar isso para o jantar?", perguntou Ana.

"Vamos levar para a tia Rosa", sugeriu Lucas. "Ela sempre tem biscoitos."

Os amigos combinaram. Guardaram a caixa com cuidado. Tomaram água, sopas de coragem e risadas. Depois, partiram juntos, carregando a toalha xadrez dobrada na mochila de Lucas. A tarde já tingia o céu de laranja.

Capítulo 4

No caminho de volta, um céu tímido anunciou chuva. Nuvens miúdas encostaram-se umas nas outras. Lucas lembrou da capa e da promessa. "Voltamos antes do jantar", disse ele, com firmeza.

Mas a chuva veio rápido. Primeiro, uma garoa fina que davam risadinhas. Depois, pingos maiores. As ruas cheias de poças pareciam espelhos quebrados. Lucas olhou para a toalha xadrez. Estava dobrada, segura. Ele pensou: "Posso proteger tudo com ela."

"Se chover forte, abrimos a toalha como abrigo", disse ele. Ana concordou, segurando um lado. Pipoca, que odiava água, enfiou o focinho entre as pernas de Lucas.

Em poucos passos, a chuva virou música. Mas a responsável equipe tinha um plano. Lucas estendeu a toalha xadrez sobre a cabeça de todos como se fosse um barco que navegava sobre as gotas. As cores brilhantes transformaram a chuva em um baile colorido. A toalha tremia como vela, mas segurava firme.

"Estamos secos?", perguntou Ana, meio encharcada e rindo.

"Quase", respondeu Lucas. "Mas estamos juntos."

A chuva não era mais ameaça. Virou aventura compartilhada. Eles chegaram à rua da tia Rosa, onde a senhora já esperava com a porta aberta e uma garrafa de chocolate quente.

"Vocês ficaram molhados!", disse ela, ao abraçar Lucas. "Mas que coragem bonita."

"Foi responsabilidade", explicou Lucas, com um sorriso de menino grande.

"Responsabilidade é saber pedir ajuda e cuidar dos outros", disse tia Rosa, sentando-os à mesa.

A mesa da cozinha estava pronta. A toalha xadrez foi aberta sobre a mesa como um manto. A cena ficou como num quadro: criança com cara de quem cresceu um pouco, adultos que sorriam, e o gato Pipoca empoleirado, seco agora, enrolado em uma almofada.

"Tesouro encontrado", disse tia Rosa, apontando a toalha.

"Essa toalha vai ser nossa lembrança", disse Lucas. "De que mudar de rota dá pra aprender e voltar para casa."

Eles comeram biscoitos. Contaram as partes engraçadas. Lucas falou da ponte, do moinho, do bilhete e do presente. Cada história vinha com uma lição suave. Pipoca, dormindo, sonhou com nuvens de leite.

Quando a noite despregou seu véu, Lucas prometeu outra coisa: "Amanhã eu mostro o mapa para o senhor Bento. E eu vou anotar onde ajudei alguém."

"Responsabilidade também é contar o que aconteceu", disse a mãe, ao ouvir pelo telefone.

A toalha xadrez agora cobria a mesa inteira. Parecia que guardava todas as memórias do dia: o sopro do vento, o cheiro do bolo, a ponte com tábuas que cantavam, os amigos que viraram equipe. Era um manto de segurança e de festa.

Antes de dormir, Lucas deixou a bússola na janela. A última imagem do dia foi a bússola apontando para casa. Ele sorriu. A mudança de rota o fez crescer um pouco. Não só por ver coisas novas. Mas por aprender a cuidar de si e dos outros.

E quando a luz apagou, Lucas sonhou com mapas que se dobravam como toalhas. Sonhou com novas rotas, sempre com cuidado. Pipoca ronronava. Tia Rosa lavava as xícaras com cuidado, como se cada gesto fosse um pequeno ato de coragem.

No dia seguinte, quando o sol chegou, a toalha xadrez ainda estava sobre a mesa. Lucas pegou uma ponta e a bateu para tirar as migalhas. Depois, colocou-a na mochila, dobradinha e pronta para a próxima aventura.

"Pronto para mudar de rota de novo?", perguntou a mãe, sorrindo.

"Pronto", disse Lucas. "Mas com responsabilidade."

E assim, a toalha xadrez ficou como lembrança do dia em que um menino de sete anos mudou de caminho, aprendeu a ouvir, a ajudar e a ter coragem. Ele soube que responsabilidade é uma luz que guia qualquer aventura.

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Cordão
Fio grosso usado para amarrar ou ajustar coisas, como mochila ou roupa.
Rabiscado
Desenho ou escrita feita rápido e sem cuidado, com traços soltos.
Atalho
Caminho mais curto que encurta a viagem para um lugar.
Explorador
Pessoa que vai conhecer lugares novos e descobrir coisas.
Obstáculo
Algo que atrapalha o caminho e precisa ser passado ou desviado.
Reparos
Consertos feitos para deixar algo funcionando outra vez.
Tábuas
Pranchas de madeira planas que podem formar pontes ou pisos.
Responsabilidade
Cuidar de algo ou alguém e fazer o que foi combinado.
Bússola
Objeto que mostra a direção norte e ajuda a não se perder.
Clareira
Lugar aberto entre árvores, com grama e luz do sol.
Bilhete
Papel pequeno com uma mensagem ou instrução escrita.
Trilha
Caminho estreito feito para andar a pé na natureza.
Garoa
Chuva muito fraca, com gotas bem pequenas.
Apito
Pequeno instrumento que faz som para chamar atenção.
Toalha xadrez
Toalha com desenho de quadrados usados em piqueniques.

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