A menina chama-se Lili. Lili tem três anos. Lili tem cabelo como nuvem. Lili gosta de sapatos brilhantes e risadas grandes.
Um dia, Lili passeia com a mão do papá. Eles caminham devagar. O vento canta baixinho. À esquerda, aparece uma ruela fina. A placa diz: ruela dos sussurros. Papá sorri e diz: "Quer entrar?" Lili pisca os olhos e diz: "Sim!"
A ruela é comprida e cheira a bolacha. As paredes são pintadas de cores que piscam como desenhos. Há pequenas portas de caixas de correio que piscam também. Lili escuta. O ar faz tic-tic. As folhas fazem "shhh". Tudo parece sussurrar com cuidado.
De repente, um sussurro faz uma cócega na orelha de Lili. "Pssst... Lili..." Lili olha para cima. Não há ninguém. O sussurro vem das pedras, ou talvez das sombras. Papá diz: "É a ruela que fala." Lili ri. Rir é como pular em cama macia.
O sussurro volta, agora com voz de bolha: "Siga o som do passo que dança." Lili coloca os pés num passo que dança. Um passo pisca. As pedras começam a bater palminhas. "Clap clap!" Lili bate palmas também. As paredes cantam "tra-la-lá". É engraçado. Papá ri baixinho.
"Quem fala?" pergunta Lili. O sussurro responde com outra voz, desta vez como chocalho: "Sou eu, Sussurro Saltitante. Gosto de contar segredos felizes." Lili sorri grande. "Conta um!" diz ela.
O Sussurro Saltitante conta um segredo que cheira a mel: "Quando alguém tropeça num sonho, o sono coloca uma rede de nuvem." Lili imagina uma rede macia. Ela pensa em dormir nas nuvens como quem entra num cobertor. "Ah!" sussurra Lili.
Mais adiante, um pedaço de parede faz cócegas e envia um bilhete. O bilhete dança até Lili e diz: "Sorria para a lua pequenina." Lili sorri. A lua pequenina da rua pisca um olho. Tudo fica ainda mais engraçado e calmo.
No meio da ruela, há um banco que canta canções de ninar. O banco canta com voz de manteiga quente: "Shhhh... shhhh..." Lili senta. Papá senta também. A canção do banco é pequena e redonda. Lili sente os olhos pesar. O mundo diminui como uma canção.
"Obrigada, Sussurro," diz Lili, bocejando. O sussurro responde: "Volte sempre. Traga um sorriso." Papá pega a mão de Lili. Eles saem devagar da ruela. As paredes acenam com folhas.
Lili volta para casa com um segredo doce no bolso. Ela diz ao ursinho: "A ruela cantou para mim." O ursinho sorri de pano. Lili fecha os olhos. A canção da ruela fica nas orelhas como um cobertor. Ela dorme com um sorriso. Tudo está calmo. Tudo é quentinho.