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História encantadora e divertida 7 a 8 anos Leitura 19 min.

A poção de coragem com abraço e cócegas

Mimosa, uma bruxa tímida, prepara uma poção para ganhar coragem para a Festa dos Aromas, mas um acidente com Pimenta Cócegas transforma tudo em risadas e surpresas que a desafiam.

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Uma bruxa chamada Mimosa, timidamente radiante, rosto rondo com rugas de sorriso, cabelos grisalhos presos com uma colher de madeira, chapéu pontudo amassado e vestido de bolinhas gasto, está em pé num palco de madeira inclinando-se para apresentar um pequeno frasco de vidro decorado; atrás dela, Tina, aprendiz perfumista de cerca de 13 anos, cabelos curtos e encaracolados, avental colorido e sorriso orgulhoso, apoia a mão no ombro de Mimosa; ao pé do palco, do lado direito, um gato branco chamado Branquinho, pelagem macia e olhos verdes travessos, observa o frasco; a cena passa numa praça enfeitada para festa com bandeirolas, mesas com toalhas estampadas, barracas de perfumes ao fundo e calçamento antigo; Mimosa apresenta seu perfume “Coragem com Abraço”, do qual sobe uma nuvem perfumada em forma de bigodes e corações com pequenas bolhas odoríferas, criando uma atmosfera doce, calorosa e alegre em tons quentes com toques de menta. reportar um problema com esta imagem

Capítulo 1: O Bairro dos Perfumes Mágicos

No Bairro dos Perfumes Mágicos, as ruas não cheiravam a asfalto. Cheiravam a coisas impossíveis: algodão-doce com chuva, bolacha com gargalhada, e até “meia lavada” — que, por algum motivo, era um sucesso entre os pombos.

Ali morava a bruxa Mimosa. Ela não era uma bruxa de sustos e trovões. Era uma bruxa de avental, cabelo preso com uma colher de pau e espirros educados. E era muito, muito pudica. Se a capa dela levantava com o vento e mostrava um pedacinho da meia às riscas, ela ficava vermelha como tomate e fingia que estava a estudar uma nuvem.

Mimosa trabalhava numa casinha apertada entre a Perfumaria do Sr. Hortelã e a Loja de Incensos da Dona Luarina. A casinha tinha uma campainha que tocava “plim!” e um tapete que dizia: “Limpa os pés e as ideias!”

Naquela manhã, Mimosa estava preocupada com uma coisa pequenina… mas que para ela parecia do tamanho de um caldeirão: a Festa dos Aromas, o grande encontro do bairro. Toda a gente ia levar um perfume novo para apresentar. Havia o “Cheiro de Tarde de Domingo” do Sr. Hortelã, o “Bafinho de Bolinho” da Dona Luarina, e o “Eau de Pão Quentinho” do padeiro, que fazia o bairro inteiro seguir o cheiro sem querer.

Mimosa queria muito apresentar algo também. Só que… ela tinha vergonha de falar em público. Às vezes, quando tentava dizer “Bom dia”, a voz saía como “Bó… bó… bi…”, e ela acabava a acenar com as duas mãos, como se estivesse a espantar mosquitos imaginários.

“Eu preciso de coragem,” pensou ela, a ajeitar o chapéu pontudo para tapar ainda mais as orelhas.

Foi então que ela teve uma ideia tão brilhante que quase fez “plim!” dentro da cabeça dela: uma Poção de Coragem!

Uma poção assim podia ajudar não só ela, mas qualquer vizinho tímido, qualquer gato que tivesse medo de aspirador, qualquer criança que tremesse antes de ler em voz alta.

Mimosa abriu o seu caderno de receitas. Na capa estava escrito: “Receitas Abracadabrantes (Não testar em almofadas).”

Ela molhou a ponta da pena numa tinta que cheirava a limão e começou a escrever, com muita atenção, como se as palavras pudessem fugir:

“Poção de Coragem — versão gentil e cheirosa.”

Só que, quando Mimosa ficou concentrada, ela fazia uma careta engraçada: a língua saía um bocadinho, bem de lado, como se estivesse a medir a distância entre duas letras. E, sendo pudica, assim que percebeu que estava com a língua de fora, fechou o caderno depressa e olhou para os lados, para ver se alguém tinha visto.

Ninguém viu. Só o seu gato, Branquinho, que era tão branco que parecia um montinho de farinha com bigodes. Branquinho bocejou como quem diz: “Eu vi, mas não vou comentar.”

Mimosa respirou fundo e abriu o armário dos ingredientes. Lá dentro, havia frascos com rótulos curiosos: “Sementes de Risada”, “Suspiro de Baleia (versão pequena)”, “Pó de Estrela que Caiu num Pão”, e “Casca de Banana Valente”.

Ela pegou numa colher e no seu caldeirão preferido — o caldeirão número 3, porque o número 1 fazia “ploc” demais e o 2 tinha mania de borbulhar com ritmo de samba.

“Hoje vai correr bem,” disse ela para si mesma. E disse bem baixinho, porque até falar com ela mesma a deixava um pouco sem jeito.

Capítulo 2: A Receita que Espirrou

Mimosa acendeu o fogareiro mágico, que em vez de fogo tinha uma chama azul que cheirava a sabonete. Depois começou a colocar os ingredientes com cuidado, como quem faz um bolo para uma visita importante.

Primeiro, três gotas de “Chá de Confiança”. Ping. Ping. Ping.

Depois, uma pitada de “Pó de Ombros Direitos”, para ajudar a postura. Mimosa endireitou-se logo, tão direita que quase bateu com o chapéu no teto.

Em seguida, duas “Sementes de Risada”. Elas eram pequenas e saltitavam no ar como pipocas tímidas. Uma delas caiu na mesa e começou a rir sozinha: “Hihihi!” Mimosa apanhou-a rapidamente e pediu desculpa ao caldeirão, como se o caldeirão fosse uma pessoa.

Agora vinha um ingrediente raro: uma gota de “Perfume de Abraço”. No Bairro dos Perfumes Mágicos, esse aroma era vendido em frasco minúsculo, porque um abraço bem dado vale muito.

Mimosa abriu o frasco com todo o cuidado… e o cheiro espalhou-se pela cozinha como uma manta quentinha. Branquinho espirrou uma vez. Depois espirrou duas. À terceira, o espirro foi tão forte que o gato deu um saltinho e derrubou um pote.

“ATCHIM!”

O pote rolou. Rolou. Rolou… e caiu mesmo dentro do caldeirão.

Mimosa arregalou os olhos. No rótulo do pote estava escrito: “Pimenta Cócegas — usar apenas em panquecas brincalhonas.”

“Oh não.”

Ela ficou parada, como uma estátua a tentar decidir se podia fugir da própria cozinha.

O caldeirão fez “glup”.

Depois fez “GLUP”.

E começou a borbulhar com bolhas que pareciam narizes.

Mimosa tentou ser calma. Ela era uma bruxa responsável. Ela pegou na colher e mexeu. Mas a colher começou a mexer sozinha, como se estivesse a dançar.

Do caldeirão saiu uma nuvem perfumada… e a nuvem tinha… bigodes.

Os bigodes fizeram cócegas no nariz da Mimosa. E no nariz do Branquinho. E no nariz da vassoura encostada à parede.

“ATCHIM! ATCHIM! ATCHIM!”

De repente, a cozinha ficou cheia de espirros em cadeia, como se um espirro puxasse o outro pela mão. Até o armário espirrou, o que não fazia sentido nenhum, mas ali tudo podia acontecer… gentilmente.

A poção não explodiu nem fez nada assustador. Fez foi algo muito mais tolo: cada vez que alguém sentia vergonha, aparecia um “Puf!” perfumado que fazia cócegas e obrigava a pessoa a rir.

Mimosa tentou tapar o rosto com as mãos, envergonhada. “Ai, que vergonha…”

“PUF!”

Um cheiro de banana com canela saltou no ar e fez cócegas nas bochechas dela. Mimosa riu. Riu tanto que teve de se sentar no chão, com o chapéu a escorregar para os olhos.

Branquinho, que também era tímido, tentou esconder-se debaixo da mesa. “Miau…” (um “miau” discreto, quase sussurrado.)

“PUF!”

Agora o cheiro era de bolo de chocolate com vento. O gato começou a rir do jeito dele: “Mrrr-hahaha!” e rolou para trás, como uma bola de neve divertida.

Mimosa parou de rir só o suficiente para pensar: “Isto não é coragem. Isto é… cócegas!”

Ela olhou para o caderno e escreveu, apressada:

“Nota: NÃO colocar Pimenta Cócegas. A não ser que a intenção seja… uma festa de risos.”

Mas então, do outro lado da janela, ela ouviu passos. E vozes.

Era a sua amiga, a aprendiz de perfumista Tina, que vinha sempre cheirar novidades e dar opiniões muito sinceras, do tipo: “Humm… isso cheira a sopa com meias. Mas com carinho!”

Mimosa gelou. Se Tina entrasse e visse aquela confusão… Ai. Só de imaginar, Mimosa ficou corada.

“PUF!”

Um cheiro de morango com espirro espalhou-se. Mimosa começou a rir de novo, sem querer.

Tina bateu à porta. “Mimosa? Estás aí?”

Mimosa tentou responder com firmeza, como uma bruxa corajosa. Só conseguiu dizer:

“E-e-eu… s-s-sim…”

“Parece que tens um pato a rir,” disse Tina, curiosa. “Posso entrar?”

Mimosa olhou para o caldeirão. As bolhas-nariz faziam “snif snif” e pareciam ansiosas.

Ela queria coragem. Não cócegas. Mas… talvez as cócegas pudessem ajudar de outro jeito. Às vezes, quando a gente ri, o medo fica menor, como uma sombra ao sol.

Mimosa respirou fundo, limpou as lágrimas de riso e abriu a porta.

Capítulo 3: A Coragem de Rir Juntos

Tina entrou e parou no meio da cozinha, cheirando o ar como uma especialista. Os olhos dela brilharam.

“Uau! Cheira a… banana heroica com chocolate saltitante! O que é isto?”

Mimosa ficou vermelha até à ponta do chapéu. Por pudor, puxou a capa até ao queixo, como se fosse uma cortina.

“Eu… eu ia fazer uma Poção de Coragem,” explicou ela, devagar. “Mas o Branquinho… espirrou. E caiu Pimenta Cócegas.”

Tina olhou para o gato, que agora estava sentado muito direito, como se não tivesse feito nada. Branquinho assobiou… um assobio invisível, porque gatos não assobiam, mas ele tentou.

Tina riu. “Então fizeste uma Poção de… Coragem Risonha!”

Mimosa suspirou. “Não era para ser assim. Eu só… queria conseguir falar na Festa dos Aromas sem parecer uma chaleira a engasgar.

Tina aproximou-se e pegou numa chávena. “Posso provar? Só um gole pequeno.”

Mimosa hesitou. A poção não era perigosa, só era… embaraçosa. E ela era muito pudica com coisas embaraçosas.

“Um gole minúsculo,” disse Mimosa.

Tina provou. Piscou os olhos. Fez uma cara séria, como se estivesse a analisar uma obra de arte. Depois disse:

“Eu sinto… uma vontade enorme de levantar a cabeça e dizer ‘Eu consigo!'”

Mimosa abriu um sorriso, esperançosa. “A sério?”

Tina tentou repetir, com voz de apresentadora:

“EU CONS—”

Mas a palavra ficou presa. Tina corou um bocadinho. “Ai, que vergonha.”

“PUF!”

Uma nuvem de cheiro a pipocas com mel apareceu e fez cócegas no nariz de Tina. Tina explodiu numa gargalhada tão forte que quase derrubou uma colher.

Mimosa olhou para ela e, sem querer, começou a rir também. E então percebeu uma coisa: Tina tinha tentado falar… e tinha falhado… e tinha rido… e estava tudo bem.

O coração da Mimosa ficou um pouco mais leve. Como se alguém tivesse aberto uma janela por dentro.

“Talvez… talvez a coragem não seja nunca ter vergonha,” disse Mimosa. “Talvez seja… continuar mesmo com vergonha.”

Tina assentiu, ainda a rir. “E com amigos por perto, fica mais fácil!”

Mimosa mordeu o lábio, pensativa. “Mas eu preciso de apresentar um perfume na festa. Um perfume que ajude as pessoas. Não uma nuvem que faz cócegas.”

Tina olhou para o caldeirão, onde os bigodes de vapor agora faziam formas: um coração, um chapéu, e um peixinho.

“E se for os dois?” sugeriu Tina. “Um perfume que dá coragem… e, se a pessoa ficar envergonhada, dá uma cócega leve para lembrar que está tudo bem rir.”

Mimosa arregalou os olhos. “Mas isso… isso pode ser divertido. E gentil!”

Ela abriu o caderno e reescreveu a receita com cuidado:

“Poção de Coragem — com Risada de Segurança.”

Agora era preciso ajustar. Tina ajudou, porque amizade também serve para mexer caldeirões.

Elas colocaram “Perfume de Abraço” em dose certa, para o conforto.

Colocaram “Chá de Confiança”, para o coração bater mais calmo.

E, em vez de Pimenta Cócegas demais, colocaram só um grãozinho, do tamanho de uma formiga preguiçosa.

O caldeirão borbulhou, feliz. As bolhas-nariz cheiraram e fizeram “snif” satisfeito.

Para testar, Tina segurou um espelhinho e disse:

“Vou praticar para a festa. Olá, eu sou a Tina e…”

Ela parou. Corou. “Ai.”

“PUF!”

Desta vez, a nuvem foi pequena e cheirou a laranja com baunilha. Só fez cócegas um segundo. Tina riu, respirou fundo e tentou de novo:

“Olá, eu sou a Tina e estou contente por estar aqui!”

Saiu perfeito.

Mimosa sentiu um arrepio bom, como quando a gente encontra uma moeda no bolso. “Funciona!”

“Agora é a tua vez,” disse Tina, com um sorriso de amizade.

Mimosa engoliu em seco. O estômago dela fez uma cambalhota educada.

Ela endireitou os ombros com o “Pó de Ombros Direitos” imaginário, segurou um frasquinho da poção e olhou para o espelho.

“Olá,” ela disse, baixinho.

Só essa palavra já era um começo.

Mimosa corou. “Ai…”

“PUF!”

Uma nuvem minúscula cheirou a pão quentinho com flores. Ela riu, baixinho, e tentou outra vez:

“Olá. Eu sou a Mimosa.”

Desta vez, a voz não ficou presa. Não foi uma voz enorme, mas foi uma voz verdadeira.

Tina bateu palmas devagar, para não assustar a coragem recém-nascida. “Vês? E amanhã, na Festa dos Aromas, eu fico ao teu lado.”

Mimosa sorriu, sentindo um calor no peito. “Obrigada. Com uma amiga… parece menos difícil.”

Capítulo 4: A Festa dos Aromas e o Horizonte Luminoso

No dia seguinte, o Bairro dos Perfumes Mágicos parecia um bolo decorado. Havia bandeirinhas a cheirar a limonada, mesas com toalhas que cheiravam a nuvem, e um palco de madeira que cheirava a pinho feliz.

Mimosa chegou cedo, com Tina e Branquinho. Ela trazia um frasco bonito com um rótulo escrito em letras redondas:

“Coragem com Abraço (e uma cócega se precisar).”

Mimosa usava a sua capa mais arrumada. Mesmo assim, quando uma rajada de vento tentou levantar a bainha, ela segurou depressa e fingiu que estava a observar um passarinho muito interessante.

Os vizinhos cumprimentavam-se, cheiravam frascos, faziam “humm!” e “ah!” como se fossem juízes de um concurso de sopas invisíveis.

O Sr. Hortelã apresentou o seu perfume e disse, orgulhoso:

“Cheira a manhã limpa e a ideias verdes!”

A Dona Luarina apresentou o dela:

“Cheira a história contada antes de dormir!”

Quando chegou a vez da Mimosa, o coração dela fez tum-tum-tum, como um tambor pequenino a ensaiar.

Tina apertou a mão dela, de leve. Branquinho encostou-se à perna dela, como um algodão-doce com patas.

Mimosa subiu ao palco. Olhou para a multidão. Muitos rostos. Muitos narizes prontos para cheirar. Isso era… muita atenção.

A garganta dela secou. As palavras tentaram esconder-se atrás dos dentes.

Ela corou, claro. Muito pudica, sentiu vontade de desaparecer dentro do chapéu.

“Ai…” escapou.

“PUF!”

Uma nuvem pequenina, quase educada, saiu do frasco que ela segurava. Cheirou a abraço de avó com biscoitos. Fez cócegas no nariz dela só um segundo.

E Mimosa riu. Um riso curto, mas que abriu espaço por dentro, como quando se abre uma porta.

Ela respirou. E falou.

“Olá,” disse ela, e a voz saiu. “Eu sou a Mimosa. Eu… eu fiz um perfume para quem tem vergonha.”

O bairro ficou silencioso, mas era um silêncio bom, de quem escuta com carinho.

Mimosa continuou, com frases simples, sem pressa:

“Ele chama-se Coragem com Abraço. Ajuda a pessoa a ficar mais firme. E se a vergonha aparecer… ele faz uma cócega pequenina, para lembrar que está tudo bem rir.”

Ela abriu o frasco e deixou o perfume escapar no ar. O cheiro espalhou-se como uma manta de sol: era doce, mas não demais, e tinha uma pontinha de laranja que parecia dizer “Vai em frente!”

O padeiro, que era grandalhão, cheirou e ficou com os olhos brilhantes. “Ai… eu sempre tenho vergonha de cantar parabéns!”

“PUF!” Uma cócega leve fez o padeiro rir. E ele tentou cantar ali mesmo, baixinho. Não foi perfeito, mas foi alegre.

Uma menina do bairro, que escondia o rosto atrás de um cachecol, cheirou e levantou a cabeça. “Eu quero tentar ler um poema,” disse ela, com voz fina.

“PUF!” Ela riu, e o riso deu-lhe força. Ela leu duas linhas, e toda a gente aplaudiu como se fossem mil palmas de algodão.

O Sr. Hortelã cheirou e disse: “Isto é… amizade em forma de perfume.”

Mimosa sentiu o peito encher-se, como um balão bom. Ela olhou para Tina, que sorria com orgulho. Olhou para Branquinho, que fazia pose de gato famoso.

A festa continuou com mais aromas, mais risos e mais abraços. A Poção de Coragem da Mimosa não virou confusão. Virou um jeitinho novo de todos se ajudarem quando a timidez aparecia.

Quando o sol começou a descer, o céu ficou cor-de-rosa, cor-de-mel e cor-de-laranja, como se alguém tivesse misturado tintas com uma colher mágica. As luzes das lojas acenderam, e cada luz tinha um cheirinho diferente: baunilha, hortelã, pão, flores.

Mimosa caminhou pela rua com Tina, devagar. O ar estava leve, como se o bairro inteiro respirasse em conjunto.

“Hoje foste muito corajosa,” disse Tina.

Mimosa corou, mas desta vez não quis fugir. “Obrigada. Acho que a minha coragem gostou de ter companhia.”

Branquinho deu um “miau” satisfeito, como quem concorda com tudo.

No fim da rua, o horizonte estava luminoso, dourado, prometendo mais dias felizes e mais receitas malucas — mas sempre gentis.

Mimosa apertou o frasco de Coragem com Abraço e pensou que, no Bairro dos Perfumes Mágicos, a melhor magia não era fazer fumaça ou faísca.

Era ter uma amiga ao lado quando a gente precisava dar um passo.

E, se desse um passo com vergonha… tudo bem.

“PUF!” Uma última cócega no ar cheirou a esperança. E todos seguiram a rir, para um amanhã brilhante.

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Pudica
Que fica envergonhado com facilidade e evita mostrar-se.
Caldeirão
Uma panela grande que bruxas usam para misturar coisas mágicas.
Perfumista
Pessoa que faz cheiros e perfumes para usar ou vender.
Ingredientes
As coisas que se juntam numa receita para fazer algo novo.
Pitada
Uma pequena quantidade de algo, como sal ou pó, medida com o dedo.
Borbulhar
Quando um líquido faz pequenas bolhas e movimento por calor.
Espirro
Ato de soltar ar rápido pelo nariz e boca, geralmente por cócegas.
Engasgar
Ter dificuldade para falar ou respirar porque algo prende a garganta.
Responsável
Pessoa que cuida bem das suas tarefas e evita riscos.
Pimenta Cócegas
Nome de um ingrediente que causa cócegas e faz rir.

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