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História sobre a morte 11 a 12 anos Leitura 20 min.

A luz acesa e o caderno das memórias do avô Augusto

Tomás enfrenta a perda do avô Augusto e vai aprendendo a lidar com a saudade através de memórias, gestos de bondade e o apoio da família e dos amigos.

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Um menino de 12 anos, triste e contemplativo, brinca com um pequeno caderno azul sobre os joelhos; cabelo castanho curto, camisola listrada azul e branca, olhos úmidos, postura curvada, sentado na beira de um leito hospitalar. Uma mulher (mãe, cerca de 35 anos) de rosto cansado mas doce, cabelo castanho apanhado, mão no ombro do menino, em pé à esquerda do leito, olhar protetor. Um homem (pai, cerca de 37 anos) de traços calmos e cansados, camisa clara, em pé à direita do leito, segurando uma antiga foto de um homem de bicicleta, ligeiramente inclinado para o menino. O leito hospitalar ao centro, lençóis brancos, manta dobrada, um boné castanho na mesa de cabeceira, uma pequena janela deixando entrar uma faixa de luz dourada, paredes em tons pastéis e chão com padrões geométricos simples. Situação: o menino dá um adeus silencioso diante do leito imóvel do avô; atmosfera sóbria e acolhedora, iluminação suave, composições claras, formas simples e cores tranquilas (azul-pálido, bege, toques de canela). reportar um problema com esta imagem

Capítulo 1 — A cadeira vazia

Na segunda-feira, o recreio parecia igual: a bola a bater no muro, as raparigas a rir perto do banco verde, o cheiro a tosta vindo do bar. Mas o Tomás, com os seus 11 anos e a mochila a cair-lhe de um ombro, sentiu logo que havia qualquer coisa diferente.

Na sala, a cadeira do avô Augusto costumava existir só na cabeça dele — porque o avô ia buscá-lo quase todos os dias e esperava no portão, de boné e mãos nos bolsos. Nesse dia, não havia boné nenhum à vista quando a campainha tocou.

A mãe apareceu, com os olhos um pouco inchados e um sorriso que parecia feito de papel fino.

— Tomás… vamos para casa, está bem?

Ele franziu a testa.

— O avô está no carro?

A mãe engoliu em seco, como se tivesse uma migalha presa.

— Hoje… não. Vamos andando.

No caminho, o vento mexia nas árvores da rua e fazia as folhas roçarem umas nas outras, como um sussurro.

— Mãe, estás a falar estranho — disse o Tomás, tentando brincar, mas a voz saiu pequena. — Foste abduzida por extraterrestres?

Ela soltou um som que quase era uma gargalhada e quase era um suspiro.

— Quem me dera que fosse uma coisa assim fácil de explicar.

Quando chegaram a casa, o pai estava na cozinha, parado, sem mexer no chá que já devia estar frio.

O Tomás largou a mochila no chão.

— O que se passa?

O pai aproximou-se e ajoelhou-se para ficarem ao mesmo nível. A voz dele saiu firme, mas com uma tremura escondida.

— Tomás… o avô Augusto morreu esta manhã, no hospital.

As palavras bateram como uma porta a fechar. “Morreu.” Uma palavra curta, com um eco enorme.

— Mas… ontem ele mandou-me uma mensagem — disse o Tomás, a puxar o telemóvel do bolso com dedos apressados. “Orgulho em ti. Não te esqueças do lanche.” Estava lá, preto no branco.

— Mandou ontem — respondeu a mãe, pousando uma mão no ombro dele. — Hoje o coração dele… parou.

O Tomás ficou parado, como se o corpo não tivesse recebido instruções. Quis perguntar mil coisas e, ao mesmo tempo, não queria saber de nada.

— Ele vai voltar? — perguntou, num fio de voz, já sabendo a resposta e mesmo assim a pedir que alguém desmentisse o mundo.

O pai balançou a cabeça, devagar.

— Não. Não vai.

O Tomás sentiu os olhos a arderem, mas as lágrimas não caíram logo. Primeiro veio uma estranha sensação de vazio, como quando se esquece um livro importante e a mochila parece leve demais.

A mãe abraçou-o com força.

— Podes chorar, ficar zangado, ficar calado… tudo serve.

Ele mordeu o lábio.

— Eu não sei o que fazer com isto.

— Vamos aprender juntos — disse o pai.

E, pela primeira vez naquele dia, o Tomás percebeu que o “juntos” era um cobertor que podia aquecer, mesmo quando a noite estava a chegar cedo demais.

Capítulo 2 — O hospital e o silêncio

Na terça-feira, foram ao hospital para se despedirem. O Tomás não queria ir. Achava que, se não fosse, talvez aquilo ficasse em pausa, como um vídeo que se pode parar antes da parte assustadora.

No elevador, havia um senhor a assobiar baixinho, como se não se apercebesse de que ali dentro o ar era pesado. O Tomás pensou: “Como é que alguém assobia num lugar destes?” Depois lembrou-se de que, às vezes, as pessoas assobiam para não chorar.

No corredor, o cheiro a desinfetante fez-lhe cócegas no nariz. A enfermeira, com um crachá brilhante, falou com doçura:

— Estás preparado, campeão?

“Campeão” parecia uma palavra grande demais para o que ele sentia. Mas assentiu.

O avô Augusto estava deitado, imóvel. O boné não estava lá. As mãos, que costumavam ser quentes e cheias de histórias, pareciam agora mãos de estátua.

O Tomás aproximou-se devagar. O mundo parecia ter o volume mais baixo.

— Avô? — sussurrou.

Nada. Claro que nada.

A mãe passou-lhe um lenço.

— Se quiseres dizer alguma coisa… podes.

O Tomás olhou para a cara do avô, tentando encontrar o sorriso maroto que aparecia sempre que contava uma piada má. Não estava.

Ele engoliu em seco.

— Eu… eu tirei 16 a Matemática — disse, e aquilo soou tão ridículo e tão importante ao mesmo tempo. — Tu disseste que eu conseguia. Consegui.

Uma lágrima caiu, finalmente, e fez uma mancha escura no lenço.

— E eu comi o lanche, não te preocupes — acrescentou, com uma voz tremida. — Só… só queria ter-te dito mais coisas.

O pai colocou uma mão nas costas dele.

— Podes dizer agora. Mesmo que ele não responda… às vezes ajuda.

O Tomás ficou ali, a respirar devagar. Depois falou do torneio de futebol, do gato do vizinho que o perseguiu, e até da vez em que o avô queimou as sardinhas e disse que era “sabor a aventura”. A certa altura, soltou um risinho involuntário.

— Desculpa — murmurou, como se rir fosse proibido naquele quarto.

A mãe abanou a cabeça.

— Não tens de pedir desculpa por te lembrares do que é bom.

Quando saíram, o Tomás olhou para trás uma última vez. Não sentiu um filme a acabar; sentiu um capítulo difícil a começar. E isso assustava.

No carro, ele perguntou:

— O que acontece depois de alguém morrer?

O pai respirou fundo.

— O corpo deixa de funcionar. Já não sente dor, nem fome, nem cansaço. E nós… nós ficamos com saudade. E com as memórias.

A mãe acrescentou:

— Cada pessoa acredita de um jeito sobre o resto. Mas uma coisa é certa: o amor que sentimos não desaparece.

O Tomás encostou a testa à janela e viu as nuvens a deslizar.

— Eu não queria que o avô fosse embora.

— Eu também não — disse a mãe. — E ainda assim… estamos aqui. E vamos cuidar uns dos outros.

Capítulo 3 — A luz acesa

Nessa noite, o Tomás tomou banho sem vontade, vestiu o pijama do dragão (já meio pequeno, mas ele insistia) e foi para o quarto. As sombras nos cantos pareciam maiores do que o normal, como se tivessem crescido com a notícia.

Ele deitou-se e ficou a olhar para o teto. O silêncio fazia barulho.

Quando a mãe veio dar-lhe boa-noite, ele puxou-lhe a manga.

— Podes deixar a luz do corredor acesa?

A mãe olhou para ele com atenção, sem gozar, sem fazer perguntas a mais.

— Claro.

— E… podes deixar a porta um bocadinho aberta?

— Também — respondeu ela, e deu-lhe um beijo na testa. — Queres falar?

O Tomás hesitou.

— Tenho medo de… de esquecer a voz do avô.

A mãe sentou-se na beira da cama.

— Sabes uma coisa prática? Amanhã podemos procurar vídeos, mensagens, o que tiveres. E podes escrever o que te lembras. Às vezes ajuda a guardar.

O Tomás sentiu um alívio pequeno, como quando se encontra uma moeda no bolso e dá para comprar uma água.

— A voz dele dizia “ó rapaz!” — disse, tentando imitar, e a imitação saiu desafinada. — Era assim.

A mãe sorriu com tristeza.

— Era mesmo assim.

Quando ela saiu, a luz do corredor fazia uma faixa dourada no chão do quarto. O Tomás ficou a olhar para aquela faixa como se fosse uma ponte.

A cabeça dele começou a inventar perguntas, uma atrás da outra: “E se eu também morrer?” “E se a mãe morrer?” “E se isto acontecer outra vez?” O coração acelerou.

Ele levantou-se e foi à sala, de meias, sem fazer barulho. O pai estava no sofá, com o telemóvel na mão e os olhos perdidos.

— Pai… — chamou o Tomás.

O pai endireitou-se logo.

— Não consegues dormir?

O Tomás encolheu os ombros.

— Parece que a casa ficou… diferente. Como se faltasse uma peça.

O pai fez espaço ao lado dele.

— Vem cá.

O Tomás sentou-se e encostou-se. O pai cheirava a sabonete e a cansaço.

— Quando eu era pequeno e o meu avô morreu, eu também queria deixar luzes acesas — confessou o pai. — Achava que a escuridão ia engolir as lembranças.

— E engoliu?

— Não. As lembranças ficam. Às vezes escondem-se, mas aparecem quando menos esperas. Num cheiro, numa música, numa frase.

O Tomás pensou no cheiro a café que o avô fazia, forte, “para acordar até as ideias”, dizia ele.

— Mas dói — disse.

— Dói porque foi importante — respondeu o pai. — A dor é como um sinal a dizer: “Isto valeu a pena.”

O Tomás ficou quieto, a ouvir o som do frigorífico na cozinha. Um som normal, teimosamente normal.

— Então é normal eu estar… confuso?

— É normal. E é normal, também, ter momentos bons no meio disto. O luto não é uma fila direitinha. É mais como um caminho com curvas.

O Tomás bocejou, finalmente.

— Posso dormir com a luz do corredor acesa por uns dias?

— Podes — disse o pai. — E, se quiseres, amanhã fazemos uma coisa para o avô.

— Tipo o quê?

O pai pensou.

— Algo que ele gostasse. E algo que ajude outra pessoa. O teu avô era assim, lembras-te? Levava o carrinho das compras da vizinha, dava conversa ao senhor do quiosque…

O Tomás assentiu devagar.

— Ele dizia: “Ser gentil não custa, mas vale muito.”

O pai sorriu.

— Exatamente.

Capítulo 4 — O caderno das memórias

No dia seguinte, o Tomás pegou num caderno de capa azul que estava meio vazio. Na primeira página, escreveu com letra grande: “Coisas do avô Augusto”. Não era um poema nem um trabalho da escola. Era um sítio para guardar pedaços.

Na cozinha, a mãe preparava sopa, e o cheiro a legumes lembrava domingos.

— Posso fazer uma lista? — perguntou o Tomás.

— De quê?

— De tudo o que eu não quero esquecer.

A mãe enxugou as mãos ao avental.

— Acho uma ótima ideia.

Ele sentou-se à mesa e começou:

“1) O boné castanho.

2) A forma como ele assobiava ‘A Internacional' sem saber a letra.

3) A piada do ‘pão com pão' que ele contava sempre e eu fingia que era nova.”

Riu-se sozinho, e depois parou, com um nó na garganta. A caneta tremeu.

— Mãe… e se eu escrever e mesmo assim esquecer?

Ela sentou-se ao lado dele.

— Esquecer um bocadinho não é trair ninguém. O cérebro às vezes protege-nos. E depois, quando estamos prontos, lembra-se de novo. O amor não depende de te lembrares de cada detalhe.

O Tomás olhou para a caneta.

— Na escola vão perguntar.

— Podes dizer a verdade, se quiseres — disse a mãe. — Ou podes dizer: “Não quero falar agora.” As duas coisas estão certas.

Ele escreveu mais:

“4) Ele chamava-me ‘capitão' quando eu estava triste.

5) Ele ensinou-me a apertar os atacadores sem ficar com laços tortos.”

À tarde, foi ao quarto do avô, que agora estava fechado. A porta fazia um rangido pequeno, como um protesto. O pai abriu.

— Queres entrar?

O Tomás hesitou, mas entrou. O quarto cheirava a madeira e a colónia. Na cómoda, havia um relógio parado. O tempo ali dentro parecia confuso.

Na prateleira, o Tomás encontrou uma caixa com cartas antigas e fotografias. Pegou numa foto em que o avô aparecia jovem, com um sorriso atrevido e uma bicicleta.

— Ele já foi assim? — perguntou, surpreendido.

— Foi — disse o pai. — As pessoas têm muitas versões. E todas cabem na saudade.

O Tomás tocou na foto com cuidado.

— Posso ficar com esta?

— Podes.

À noite, voltou a deitar-se. Ainda pediu a luz do corredor acesa, mas já não parecia uma emergência. Era só um hábito que o acalmava.

Antes de adormecer, escreveu no caderno:

“6) O avô dizia: ‘Quando não souberes o que fazer, faz uma coisa boa.'”

Capítulo 5 — Um gesto que se espalha

Na quinta-feira, a professora Helena falou à turma com voz calma:

— O Tomás está a passar por um momento difícil. Se ele quiser falar, ouvimos. Se ele não quiser, respeitamos.

O Tomás sentiu os olhares como pequenas lanternas apontadas para ele. Quis desaparecer dentro da mochila. Mas a Beatriz, que se sentava atrás, inclinou-se e sussurrou:

— Se precisares de apontamentos, eu empresto.

O Tomás assentiu, grato e meio envergonhado.

— Obrigado.

No intervalo, o Diogo aproximou-se, com a bola debaixo do braço.

— Queres jogar? Se não quiseres, na boa.

O Tomás olhou para a bola e pensou no avô, que o levava ao parque e dizia que os passes eram “cartas de amizade”.

— Quero — disse, e surpreendeu-se com a própria resposta.

Jogou sem ser o melhor nem o pior. Correu, tropeçou, riu quando o Diogo falhou um golo sozinho (o Diogo também riu, o que ajudou). Por alguns minutos, o Tomás não esqueceu o avô, mas a dor ficou mais baixa, como um rádio ao fundo.

Depois do jogo, viu o Rodrigo, um colega mais novo, sentado no muro, a olhar para o chão. O Rodrigo limpava o nariz com a manga, disfarçando.

O Tomás aproximou-se devagar.

— Estás bem?

O Rodrigo abanou a cabeça.

— O meu cão morreu ontem — disse, rápido, como se fosse uma palavra proibida.

O Tomás sentiu um choque pequeno: a morte tinha decidido aparecer também ali, no recreio, entre as linhas do campo.

Ele sentou-se ao lado, sem pressa.

— Eu… o meu avô morreu esta semana.

O Rodrigo olhou para ele, com os olhos vermelhos.

— Dói muito.

— Dói — concordou o Tomás. — Mas… eu estou a fazer um caderno de memórias. Escrever coisas boas. Talvez ajude contigo também. Tipo… o teu cão, o que ele fazia de mais engraçado?

O Rodrigo fungou.

— Ele roubava meias. Uma vez fugiu com uma meia do meu pai e o meu pai correu atrás dele de chinelos. Parecia um pato.

O Tomás soltou um riso curto.

— O teu pai corre como um pato?

— Corre — disse o Rodrigo, e riu também, com uma lágrima a cair ao mesmo tempo. — Era o Toby.

— O Toby parece ter sido fixe — disse o Tomás. — Se quiseres, amanhã trazes uma foto e eu ajudo-te a fazer uma página.

O Rodrigo respirou fundo.

— A sério?

— A sério — respondeu o Tomás, lembrando-se da frase do avô: “Ser gentil não custa, mas vale muito.” — Às vezes… ajuda não estar sozinho.

Quando chegou a casa, contou à mãe o que aconteceu.

— Fizeste exatamente o que o teu avô faria — disse ela, apertando-lhe a mão.

O Tomás olhou para o caderno azul.

— Acho que ele ficaria orgulhoso.

— Eu tenho a certeza — respondeu a mãe.

Capítulo 6 — O adeus e a paz

No sábado, houve a cerimónia de despedida. A sala estava cheia de pessoas que o Tomás conhecia de vista: a vizinha do terceiro andar, o senhor do quiosque, uma antiga colega do avô. Cada um trazia uma história pequena, como se o avô tivesse espalhado sementes por todo o lado.

O Tomás levou a fotografia da bicicleta no bolso e o caderno azul na mão. Não queria dizer um discurso grande. Só queria fazer uma coisa verdadeira.

Quando chegou a altura de se aproximarem, ele foi com os pais. O coração batia-lhe rápido, mas as pernas aguentaram.

O Tomás pousou a foto ao lado de outras flores.

— Obrigado, avô — sussurrou. — Eu vou tentar ser… uma pessoa boa, como tu.

O pai passou um braço à volta dele, e a mãe apertou-lhe o ombro. O Tomás percebeu que, mesmo com a falta, havia ali uma rede.

Mais tarde, em casa, fizeram uma coisa simples: a mãe preparou o arroz doce que o avô adorava e que ele criticava sempre, fingindo ser chefe de cozinha.

— Falta aqui “um toque de mistério” — dizia ele, e depois punha canela como se fosse magia.

O Tomás polvilhou canela por cima e disse:

— Pronto. Mistério adicionado.

O pai riu, e a mãe riu também, com os olhos brilhantes.

— O avô aprovaria — disse ela.

À noite, o Tomás foi para o quarto. Ainda acendeu a luz do corredor, mas agora não era só por medo. Era como deixar uma janela acesa para as lembranças entrarem sem bater.

Sentou-se na cama, abriu o caderno e escreveu:

“7) Hoje eu disse adeus. Doeu, mas eu consegui respirar.

8) A saudade é pesada, mas eu não preciso carregá-la sozinho.”

Deitou-se. A faixa de luz no chão parecia mais suave, menos urgente.

Ele fechou os olhos e imaginou o avô na bicicleta, a pedalar devagar numa estrada com árvores, a acenar com uma mão e a equilibrar-se com a outra, como sempre.

O Tomás sentiu uma lágrima, mas não veio com pânico. Veio com calma.

— Boa noite, avô — murmurou.

E, enquanto o sono chegava, ele percebeu que a morte tinha deixado um silêncio, sim, mas que dentro desse silêncio havia espaço para amor, para memória e para compaixão. A luz ficou acesa mais um pouco, e o coração dele, devagar, encontrou paz.

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Recreio
Tempo livre na escola em que os alunos brincam e descansam.
Mochila
Saco que se usa às costas para levar livros e objetos da escola.
Boné
Chapéu com pala que se usa para proteger do sol.
Engoliu em seco
Expressão que significa engolir saliva por ter emoção ou nervosismo.
Sussurro
Fala muito baixa, quase sem som, para que poucos ouçam.
Desinfetante
Produto usado para limpar e matar germes em superfícies.
Imóvel
Que não se move, parado ou sem vida.
Despedida
Momento de dizer adeus a alguém que vai embora ou morreu.
Cerimónia
Ato formal com regras, feito para lembrar ou celebrar algo.
Saudade
Sentimento de falta e carinho por alguém que não está aqui.
Luto
Tempo de tristeza e respeito depois da morte de alguém querido.
Cómoda
Móvel com gavetas usado para guardar roupas e objetos.
Avental
Peça de tecido que se usa sobre a roupa para proteger ao cozinhar.

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