1
A Inês era uma jovem chef cozinheira. Ela sorria na cozinha, bem limpinha e quentinha. O ar cheirava a pão e a limão. Era quase hora de dormir, mas ainda havia um lanche pequeno para preparar.
“Olá, pequenino ajudante”, disse a Inês, baixinho. “Queres ver como eu trabalho?”
Ela mostrou as mãos. Depois, mostrou também os seus luvas. Eram luvas macias, branquinhas, bem certinhas nos dedos.
“As luvas ajudam a manter tudo limpo”, explicou. “E também protegem quando a comida está morna.”
A Inês lavou as mãos. Esfregou com sabão. “Esfrega, esfrega, enxagua.” Ela repetiu devagar, como uma canção de rotina. A água fazia um som suave: shhh, shhh.
2
Na bancada havia uma tigela, uma colher grande e ingredientes coloridos. A Inês abriu um pote de iogurte. Cheirava a leite doce. Cortou uma banana. A banana era macia e cheirava a fruta madura.
“Um chef escolhe com cuidado”, disse ela. “Cheira, toca, prova um bocadinho. Assim a comida fica boa e segura.”
Ela pegou num fio de mel. O mel escorria lento, dourado, pegajoso. “Toca com a ponta da colher”, ensinou. “É lisinho. É doce.”
Depois, colocou um pouco de canela. “Cheira”, disse. “A canela parece um abraço. Quentinha no nariz.”
A Inês mexeu tudo na tigela. “Volta, volta, volta”, murmurou. A colher fazia círculos. O creme ficava mais liso. Mais brilhante.
“Agora, algo especial”, falou a Inês. Ela abriu uma caixinha com sementes de chia. Eram pequeninas, pretinhas, como pontinhos.
“Em muitos lugares do mundo usam sementes assim”, contou. “Cada país tem sabores diferentes. E isso é bonito. A gente aprende e respeita.”
“Eu gosto de provar coisas novas”, disse a Inês. “Um chef tem mente aberta. Experimenta com calma. E diz: ‘obrigada' ao sabor.”
Ela colocou um pedacinho de manga por cima, bem laranja. “Olha as cores! Comemos também com os olhos.”
3
A Inês vestiu as luvas outra vez e pegou no prato com cuidado. “Prontinho. Um lanche leve para um fim de dia tranquilo.”
Ela limpou a bancada. Guardou tudo no lugar. “Na cozinha, a gente organiza. Isso dá paz.”
A luz ficou mais suave. O cheirinho de canela ficou no ar, como cobertor. A Inês falou bem baixinho: “Boa noite, panelas. Boa noite, colheres.”
E, antes de apagar a luz, ela sussurrou uma canção:
“Mexer, mexer, devagar,
cheirar, cheirar, sem pressa de acabar.
Mãos limpas, coração aberto,
sabores do mundo aqui por perto.
Dormir, dormir, bem quentinho,
boa noite, meu amorzinho.”