Capítulo 1 – O Plano Maluco da Coccinela
A manhã estava especialmente brilhante na Floresta dos Risos. Lá vivia Coccinela, uma joaninha pequenina com asa vermelha, bolinhas pretas e um coração do tamanho de uma montanha. Ela acordava sempre com ideias borbulhantes que faziam até as formigas rirem.
Naquele dia, Coccinela tinha um plano: encontrar uma cor nunca antes vista na floresta. Ela já conhecia o azul do céu, o verde das folhas e o laranja do pôr do sol. Mas… e se houvesse uma cor tão rara que só existia em sonhos de minhocas muito sonhadoras?
— Hoje, eu vou encontrar essa cor! — exclamou ela, cheia de energia, enquanto escorregava pela folha da sua casa.
Ela pegou sua mochilinha (com dois botões e uma pena roxa) e saiu zumbindo pelo chão, desviando das gotinhas de orvalho como se fossem obstáculos de uma pista de corrida.
Pelo caminho, ela encontrou o sapo Frederico, que cantava afinadíssimo num tronco molhado.
— Aonde vai, Coccinela, toda apressada? — perguntou Frederico, dando um salto tão alto que quase perdeu o chapéu de folha.
— Vou procurar uma cor mega-rara! — respondeu ela, com olhos brilhando. — Uma cor que nem você nem ninguém viu!
Frederico piscou, pensou e riu:
— Ah, essas suas ideias! Mas cuidado para não acabar pintada de lama!
Coccinela riu também, prometendo que voltaria para mostrar a cor nova, se a encontrasse.
Capítulo 2 – O Cartógrafo das Flaques
No meio da floresta, começou a chover. Não era uma chuva qualquer: as gotas pareciam bolinhas de gelatina, pulando de folha em folha e formando poças brilhantes por todo lado.
Enquanto pulava de pedra em pedra para não molhar seus sapatinhos vermelhos, Coccinela ouviu um barulho esquisito, tipo “Ploc-ploc-ploc”. De repente, deu de cara com um animal baixinho, de chapéu desengonçado e uma lupa enorme pendurada no pescoço.
— Ei! — disse o bichinho, que era nada mais, nada menos que um caracol de óculos. — Cuidado, você quase pisou na minha obra-prima das poças!
— Obra-prima? — perguntou Coccinela, curiosíssima.
— Sim! Eu sou o Sir Vasco do Traço, o cartógrafo das flaques mais preciso da floresta! — respondeu ele, orgulhoso, desenrolando um mapa cheio de círculos coloridos, curvas, setinhas e rabiscos felpudos.
Coccinela olhou para o mapa: tudo parecia confuso, mas superdivertido. As poças estavam desenhadas como se fossem ilhas misteriosas!
— Uau! — disse ela. — Você desenha todas as poças?
— Todas não, só as especiais! — explicou Sir Vasco. — Algumas poças aparecem só depois da quinta chuva, outras cheiram a limão, e tem uma que reflete só as coisas engraçadas!
Coccinela ficou encantada. Talvez uma daquelas poças tivesse a cor que ela estava procurando!
— Posso procurar uma cor rara nas suas poças? — perguntou, quase dançando de tanta empolgação.
— Claro! — respondeu o caracol, entregando-lhe uma lupa pequenina, feita de gota d'água. — Mas tem que cuidar para não borrar o mapa e não assustar os girinos cartógrafos!
Capítulo 3 – Aventuras nas Poças Malucas
Coccinela começou a explorar as poças desenhadas no mapa, pulando daqui para ali, cada vez com mais cuidado. Em cada poça, ela via coisas diferentes: numa, as suas bolinhas pretas pareciam roxas; noutra, seu reflexo era alongado, parecendo mais uma minhoca de bolinhas.
De repente, ouviu um “splish” e olhou para trás: Sir Vasco estava empolgado, desenhando mais uma curva no mapa, e conversando com ele mesmo:
— Esta poça aqui é para quem gosta de fazer careta! — murmurava.
Coccinela riu e fez a maior careta de todas, que virou um reflexo engraçado na poça. Saltando mais adiante, avistou uma poça diferente: tinha uma borda verde, mas no meio… Nossa! Um brilho dourado que mudava de cor quando ela olhava de lado.
Ela se aproximou, tão devagarinho que até o vento parou para espiar. Olhou com a lupa e viu: uma bolha de sabão colorida, flutuando, refletindo todas as cores do arco-íris, mas com uma ideia que parecia nova: uma mistura de azul acinzentado com listras amarelinhas. Era uma cor que mudava toda hora!
— Sir Vasco! — chamou Coccinela, pulando no ar. — Achei uma cor maluca, ela muda de cor como um camaleão doido!
Vasco se aproximou, ajustando os óculos. Olhou, olhou, e confirmou:
— Parabéns, exploradora! Essa cor é tão rara que nunca fica igual — às vezes parece um segredo!
— Posso desenhar no seu mapa? — perguntou Coccinela, já tirando um lápis minusculo da mochila.
— Só se prometer não borrar as outras poças! — disse Vasco, piscando um olho com cara de sapeca.
Coccinela desenhou, com todo o cuidado do mundo, a bolha que mudava de cor. O mapa ficou ainda mais divertido — e ela se sentiu responsável por aquele pequeno tesouro.
Capítulo 4 – A Estrela do Fim do Dia
A chuva parou. O céu foi ficando laranja, depois roxo e rosa. Coccinela, cansada e feliz, olhou ao redor para ver se achava mais alguma cor escondida. Mas, acima das árvores, uma estrela começou a brilhar devagarinho, como se estivesse dizendo olá só para ela.
Coccinela chamou Sir Vasco para olhar.
— Olha aquela estrela! Será que existe uma cor igual lá em cima? — sussurrou.
— Quem sabe! — respondeu ele, ajustando o chapéu todo torto. — Mas só quem é responsável pelos mapas das poças pode guardar essa descoberta no coração.
Ela sorriu, entendendo que não precisava encontrar todas as cores do mundo para ser uma grande exploradora. Bastava cuidar bem do que descobria e dividir a alegria com os amigos.
Ao voltar para casa, Coccinela acenou para Sir Vasco e para as poças brilhantes.
— Até amanhã, aventuras coloridas! — gritou, enquanto a estrela do céu se refletia numa poça bem pequena, só dela.
E a risada dela saltou pela floresta, dançando com as cores raras daquela noite.