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História fantástica de feitiçaria 11 a 12 anos Leitura 18 min.

A guardiã do limiar e a névoa dos segredos

Tomás e Inês descobrem uma névoa misteriosa que guarda segredos no Ateliê de Encantamentos e, com coragem e honestidade, aventuram‑se para desvendar o que está escondido.

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Tomás, aprendiz de feiticeiro, rosto redondo, cabelos castanhos despenteados, olhar trêmulo mas decidido, segura uma pequena caixa de madeira aberta numa mão e um botão de cobre brilhante na outra; ergue a caixa como lanterna, a luz dourada ilumina seu rosto. Inês, aprendiz de cerca de 12 anos, cabelos castanhos trançados, expressão preocupada mas corajosa, inclinada à direita de Tomás com as mãos prontas para ajudar. Dário, menino de uns 9 anos, cabelos pretos curtos, alívio no fôlego e sorriso cansado, sentado parcialmente libertado dentro de um pequeno círculo de giz no chão, atrás de Tomás. A professora Lídia, mulher de ~35 anos, cabelos grisalhos presos, olhos lacrimejantes e postura envergonhada mas agradecida, junto à porta do ateliê ao fundo à esquerda. A Guardiã do Limiar, figura feminina de névoa prateada e fios de luz, silhueta elegante e olhos prateados, flutua junto ao batente da porta ao fundo à direita observando. O ateliê é interior: longas mesas de madeira com ferramentas flutuantes, frascos coloridos, tecidos e carretéis, um grande relógio antigo na parede e névoa cinzenta que se desfaz em fios prateados ao redor da luz dourada. A cena mostra a luz da caixa afastando a névoa: raios quentes penetrando a névoa fria, partículas luminosas, rostos aliviados e calma difundindo-se, atmosfera mágica e suave em paleta aquarela pastel com toques metálicos e realces brancos cintilantes. reportar um problema com esta imagem

Capítulo 1 — A Névoa que Engole Ferramentas

Na Escola de Feitiçaria do Vale do Lume, a manhã cheirava a pergaminho, chá de hortelã e… algo estranho, como metal molhado. Tomás, doze anos, andava pelos corredores com a mochila às costas e um segredo no bolso: um botão de cobre que nunca enferrujava. Ninguém sabia de onde ele o tirara. Nem ele.

A porta do Ateliê de Encantamentos — onde os alunos aprendiam a dar vida a objetos — estava semiaberta. De lá saía uma névoa cinzenta, espessa, que parecia ter fome.

Tomás aproximou-se e ouviu tosses e o barulho de vassouras a varrerem o nada.

— Isto não é normal — murmurou Inês, colega de turma, com o nariz franzido. — A névoa está a… roer o chão?

A professora Lídia, de avental azul, apontava a varinha para dentro do ateliê e fazia movimentos firmes, mas a névoa engolia o brilho dos feitiços como se fosse pão.

— Recua, Tomás — ordenou ela. — Já!

Tomás recuou um passo, mas o botão de cobre no bolso aqueceu, como se tivesse ouvido a ordem e discordasse.

A névoa avançou e, por um segundo, Tomás viu algo lá dentro: bancadas, martelos encantados, linhas de costura flutuantes… e uma sombra que não pertencia a nenhuma ferramenta.

Depois, a névoa fechou-se como uma cortina.

— O ateliê está embrumado — disse a professora Lídia, com a voz mais baixa do que o normal. — E enquanto estiver assim, não podemos trabalhar. Nem entrar.

— E se… alguém ficar preso lá dentro? — perguntou Inês.

— Não há ninguém — respondeu a professora depressa demais.

Tomás notou. A honestidade tinha um som. E aquele som não era.

Capítulo 2 — O Mapinha que Não Queria Ser Mapinha

Na biblioteca, o silêncio era tão profundo que até as estantes pareciam sussurrar. Tomás e Inês sentaram-se num canto, rodeados por livros que cheiravam a poeira feliz.

— Tu viste a sombra, não viste? — perguntou Inês, baixinho.

Tomás hesitou. Podia negar. Era mais fácil. Mas o botão no bolso parecia pesar o dobro.

— Vi — confessou ele. — E acho que a professora sabe mais do que disse.

Inês abriu um livro enorme sobre “Névoas Encantadas e Outros Incómodos”. As páginas viravam sozinhas, como se estivessem com pressa.

“Névoa de Limiar” — leu ela. — Aparece em portas que guardam coisas… ou segredos.

— Limiar… tipo… entrada? — Tomás inclinou-se.

— Sim. E aqui diz: “Uma guardiã do limiar pode ser despertada quando alguém tenta esconder a verdade numa fechadura.”

Tomás engoliu em seco. Lembrou-se do olhar rápido da professora Lídia, do “não há ninguém” demasiado rápido.

De repente, algo caiu do livro: um pedaço de papel dobrado, como um mapinha antigo. Só que não tinha linhas nem nomes, apenas manchas, setas e um desenho de um olho.

No canto, uma frase escrita a tinta desbotada: “O olhar certo muda o curso.”

— Isto não estava aqui — disse Inês, com um sorriso que misturava medo e entusiasmo.

Tomás tocou no papel. O botão no bolso ficou quente outra vez. O “mapinha” tremeu e as manchas rearranjaram-se, formando um caminho claro até… o Ateliê de Encantamentos.

— Parece que alguém quer que nós entremos — sussurrou Tomás.

— Ou quer que a gente faça asneira com estilo — respondeu Inês, tentando fazer graça, mas a voz dela falhou na última palavra.

Tomás dobrou o papel e guardou-o. Naquele instante, decidiu uma coisa simples: não ia fingir que não tinha visto. A honestidade podia dar problemas, mas a mentira fazia névoas.

Capítulo 3 — A Guardiã do Limiar

À noite, quando os retratos bocejavam e os corredores ficavam com eco, Tomás e Inês aproximaram-se do Ateliê. A porta, que de dia parecia cansada, agora parecia acordada — e desconfiada.

A névoa escorria por baixo como leite cinzento.

Tomás levantou a mão para tocar na maçaneta, mas uma voz cortou o ar, fria e clara:

— Ninguém passa.

À frente da porta surgiu uma figura feita de névoa e fios de luz, como se alguém tivesse costurado uma senhora alta com pedaços de luar. Tinha olhos prateados e um colar de chaves que tilintava sem se mexer.

— Sou a Guardiã do Limiar — disse ela. — Guardiã de portas e de verdades. Quem mente, fica do lado de fora. Quem entra com mentira, não volta a ser o mesmo.

Inês deu um passo atrás.

— Nós… nós só queremos ajudar — disse ela.

A Guardiã inclinou a cabeça, como quem ouve uma música distante.

— Ajudar é uma palavra bonita. Mas eu coleciono factos. Digam-me: o que foi escondido aqui?

Tomás sentiu a garganta seca. Podia dizer “não sei”. Até podia ser verdade… mais ou menos. Mas lembrou-se do “não há ninguém” dito depressa.

— Acho que… acho que alguém está preso no ateliê — disse ele, com a voz tremida, mas firme. — E foi escondido de propósito.

A névoa à volta da Guardiã ondulou, como se ela respirasse.

— Melhor. — O tom dela não era cruel, apenas exigente. — E quem escondeu?

Tomás olhou para Inês. A professora Lídia era respeitada. Dizer aquilo parecia um feitiço perigoso.

— A professora Lídia disse que não havia ninguém — respondeu ele, com honestidade cuidadosa. — E pareceu… assustada.

A Guardiã aproximou-se. O colar de chaves tilintou, e Tomás sentiu o cheiro de chuva no verão.

— Honestidade não é acusação. É uma lanterna. — Ela ergueu uma chave fina. — Entrem, mas lembrem-se: a névoa alimenta-se de segredos. Se esconderem algo, ela engorda.

A porta abriu-se sozinha, rangendo como se estivesse a contar uma piada velha.

Inês respirou fundo.

— Se eu começar a falar com cadeiras, puxa-me para fora — disse ela.

— Se eu começar a falar com a névoa, fecha-me a boca — devolveu Tomás.

E entraram.

Capítulo 4 — O Ateliê Embrumado

O ateliê por dentro era um mundo abafado. A névoa não era apenas ar; era tecido. Agarrava-se à pele, às pestanas, aos pensamentos.

As bancadas apareciam e desapareciam. Ferramentas flutuavam devagar, como peixes num aquário triste. Um relógio de parede batia as horas atrasadas.

— Isto está a tentar baralhar-nos — disse Tomás, estendendo a mão à frente do rosto.

— Obrigada por dizeres o óbvio — respondeu Inês, mas com um sorriso nervoso.

No fundo, ouviram um som: tac-tac-tac, como tesouras a cortar pano.

Seguiram o barulho e encontraram uma porta menor dentro do ateliê, uma espécie de armário de madeira escura. A névoa concentrava-se ali, como se aquele fosse o seu ninho.

O “mapinha” no bolso de Tomás aqueceu. Ele tirou-o e viu o desenho do olho a pulsar, como uma pupila a abrir.

“O olhar certo muda o curso”… — murmurou ele.

— Queres dizer… olhar para quê? — Inês apontou para a névoa. — Porque eu já olhei e não melhorou nada.

Tomás aproximou o papel da porta do armário. O desenho do olho alinhou-se com a fechadura, como se fosse feito para aquilo.

— Talvez não seja “olhar” com os olhos — disse ele. — Talvez seja… ver de verdade.

— Que filosófico. — Inês abanou a cabeça. — Mas faz sentido. A névoa é segredo. E segredo é o que a gente não vê direito.

Tomás inspirou e falou, alto o suficiente para a névoa ouvir:

— Eu tenho um segredo.

Inês arregalou os olhos.

— Tomás!

— Eu não sei o que é — continuou ele, com o coração aos saltos. — Este botão de cobre apareceu comigo no dia em que cheguei à escola. Eu fingi que não me importava. Mas importo. Tenho medo de que seja… alguma coisa errada.

O botão no bolso queimou como brasa. Tomás tirou-o. Brilhava, e a névoa ao redor recuou um palmo, como se a honestidade tivesse empurrado o ar.

A fechadura do armário fez um clique.

— Está a resultar! — sussurrou Inês. — Então eu também… Eu escondi que vi a professora Lídia a chorar ontem, atrás da estufa. Eu não disse porque… parecia invasivo.

A névoa tremeu e abriu uma clareira. O armário rangeu e a porta entreabriu-se.

Lá dentro, não havia vassouras nem panos. Havia um pequeno espaço com um círculo de giz no chão e, no meio, um rapaz mais novo, sentado, com as mãos amarradas por fios de luz.

— Finalmente! — disse ele, com a voz rouca. — Pensei que ia virar peça de museu.

— Quem és tu? — perguntou Tomás, aproximando-se.

— Dário. Aprendiz… de quase tudo. E tu és… o menino do botão, não és? — Dário sorriu, apesar do cansaço. — Dá para sentir.

Tomás sentiu um arrepio.

— Como é que sabes?

Dário olhou para o botão como quem reconhece uma estrela.

— Porque isso é uma chave.

Capítulo 5 — O Olhar que Muda Tudo

Enquanto Inês tentava desfazer os fios de luz com um feitiço básico, Tomás segurava o botão. Ele parecia encaixar numa coisa que ainda não existia.

— Eu entrei aqui para procurar uma peça antiga — explicou Dário. — Uma peça que conserta coisas… quando a magia fica torta. Mas a professora Lídia apanhou-me. Ela não é má. Ela só… ficou com medo.

— Medo de quê? — perguntou Inês, puxando um fio que não queria largar.

— Da Guardiã do Limiar — disse Dário. — A professora tentou esconder que eu estava aqui, para não “acordar” a Guardiã. Só que esconder foi justamente o que acordou.

Tomás fechou os olhos por um segundo. A névoa parecia ouvir cada palavra.

— Então a professora mentiu para proteger-te — disse ele. — Mas a mentira piorou tudo.

Dário assentiu.

— A névoa adora boas intenções com má escolha.

Os fios de luz apertaram de repente, como se ficassem irritados por serem falados.

— Inês, pára! — disse Tomás. — Se for força contra força, ela ganha.

Ele lembrou-se do desenho do olho. “O olhar certo muda o curso.”

Tomás aproximou-se do círculo de giz e, em vez de olhar para os fios, olhou para Dário — de verdade. Reparou nas mãos marcadas, no medo escondido atrás da piada, e numa coisa mais: Dário segurava, com o pé, uma tampa de caixa meio enterrada no chão do armário.

— Estás a esconder isso — disse Tomás, calmamente.

Dário corou.

— Não queria que tirassem. É… o que eu vim buscar.

Tomás sentiu a névoa agitar-se. Era como se o ar dissesse: Ahá!

— Mostra — pediu ele. — Sem truques.

Dário, engolindo em seco, afastou o pé. Debaixo estava uma pequena caixa de madeira, com um buraco redondo no centro — do tamanho exato do botão.

Tomás encaixou o botão. Um estalido suave ecoou e a caixa abriu-se como uma flor. Lá dentro havia um vidro com luz dourada, tremeluzente como mel.

A névoa recuou mais, irritada. Os fios à volta de Dário afrouxaram, confusos.

— O que é isso? — perguntou Inês.

Luz de Oficina — respondeu Dário. — Um encanto antigo que mantém o ateliê “acordado”. Sem isto, o lugar fica vulnerável. Com isto… ele lembra-se de ser ele mesmo.

Tomás levantou o vidro. A luz refletiu-se nos olhos dele e, naquele reflexo, ele viu algo que não esperava: a névoa tinha forma de mãos tentando tapar um espelho.

— Ela não quer que a gente veja — disse Tomás.

— Então olha — disse Inês, firme. — Olha sem medo.

Tomás ergueu o vidro como uma lanterna. A luz dourada atravessou a névoa, e a névoa, apanhada, começou a desfazer-se em fios finos, como teia ao sol.

O ateliê apareceu inteiro: as bancadas, os frascos, os instrumentos. Até o relógio voltou a bater certo.

Os fios à volta de Dário desapareceram com um suspiro.

Dário levantou-se, esfregando os pulsos.

— Uau. Eu devia ter tentado isso antes de entrar em pânico.

— A maioria das pessoas devia — disse Inês, e desta vez a piada saiu com ar.

Capítulo 6 — Verdade à Porta

Quando saíram do armário e atravessaram o ateliê agora nítido, a Guardiã do Limiar esperava junto à porta principal. Não parecia zangada. Parecia… atenta.

A professora Lídia estava ao lado dela, com os olhos vermelhos, segurando o chapéu entre as mãos como se fosse um animal nervoso.

— Dário! — exclamou ela, aliviada e envergonhada ao mesmo tempo. — Graças ao Vale… Estás bem?

— Estou — disse Dário, e depois acrescentou, com um sorriso pequeno: — Da próxima vez, eu bato à porta.

A professora soltou uma risada curta que virou suspiro.

A Guardiã fitou Tomás. Os olhos prateados pareciam ver mais do que o corpo.

— Salvastes o ateliê — disse ela. — Não com força, mas com clareza.

Tomás sentiu o botão — agora encaixado na caixa — como se fosse parte dele.

— Professora… — começou ele, e a voz falhou. — A senhora mentiu.

A professora Lídia encolheu-se, pronta para uma bronca.

Tomás respirou e escolheu as palavras como quem escolhe ingredientes para uma poção delicada.

— Mentiu para proteger. Eu entendo. Mas… a névoa ficou mais forte por causa disso. Se a senhora tivesse dito a verdade, talvez a Guardiã tivesse ajudado mais cedo.

A honestidade ali não era uma pedra atirada. Era uma ponte.

A professora Lídia assentiu, com lágrimas nos olhos.

— Tens razão, Tomás. Eu temi o julgamento e acabei a criar o perigo. — Ela virou-se para a Guardiã. — Eu escondi um aluno no meu ateliê. Por medo. E peço desculpa.

A Guardiã do Limiar aproximou-se e tocou, de leve, na ombreira da porta. A madeira brilhou como se tivesse sido polida.

— A verdade não apaga o erro — disse ela. — Mas impede que ele crie raízes.

Depois olhou para Dário.

— E tu, aprendiz de quase tudo: a tua curiosidade é uma vela. Não a encostes a cortinas.

— Sim, senhora — disse Dário, tentando parecer sério, mas falhando no canto da boca.

A Guardiã fitou o vidro de Luz de Oficina.

— O ateliê está salvo. A névoa não voltará… se a escola recordar o que é: um lugar onde se aprende, não onde se esconde.

O silêncio que se seguiu era leve, como ar depois da chuva.

Inês cutucou Tomás.

— Estás a ver? Sobrevivemos. E eu nem conversei com cadeiras.

— Ainda — respondeu Tomás.

A professora Lídia limpou o rosto e sorriu.

— Tomás… esse botão. Ele escolheu-te. Pertence à caixa da Luz de Oficina. Foi perdido há anos.

Tomás franziu a testa.

— Mas… como foi parar ao meu bolso?

A Guardiã do Limiar inclinou-se, e por um instante parecia quase humana.

— Há ligações invisíveis entre o comum e o extraordinário — disse ela. — Às vezes, o extraordinário dá um empurrãozinho. Outras vezes… ele confia.

Tomás olhou para a porta do ateliê, agora clara, e sentiu que algo dentro dele também tinha desanuviado.

Não sabia ainda todos os segredos do botão, nem por que a escola o tinha escolhido. Mas sabia uma coisa, tão simples quanto corajosa:

Quando a névoa voltasse — em portas, em pensamentos, em palavras — ele ia acender a lanterna certa.

E, se fosse preciso, dizer a verdade. Mesmo com a voz a tremer.

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Bebida quente feita com folhas de hortelã, cheira e sabe a mentol.
Ateliê de Encantamentos
Oficina onde se fazem e aprendem magia em objetos e ferramentas.
Névoa
Nuvem baixa e fina de vapor que torna o ar turvo e úmido.
Mapinha
Pequeno mapa dobrado, mostra caminhos ou sinais de forma simples.
Guardiã do Limiar
Figura mágica que protege portas e segredos entre dois lugares.
Névoa de Limiar
Tipo de névoa ligada a portas que guardam coisas ou mistérios.
Luz de Oficina
Pequena luz mágica usada para manter o espaço de trabalho acordado.
Feitiços
Palavras ou gestos mágicos que fazem coisas acontecerem.
Limiar
Entrada ou ponto de passagem entre dois espaços ou situações.

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