Capítulo 1 — A Fêterie das Criaturinhas
Na rua das Lâmpadas Coloridas havia uma porta azul com sinos que tilintavam como risadinhas. Atrás da porta ficava a Fêterie das Criaturinhas, uma loja onde todos os bichinhos mágicos vinham brincar e arranjar penas, escamas e pêlos. Lá vivia Mica, uma pequena bruxa de chapéu pontudo e meias listradas. Mica era muito boa com feitiços de confete, mas desastrada com potes e etiquetas.
— Bom dia, Mica! — saudou Pip, o passarinho de tricô que gostava de cantar notas do avô. — Hoje tem festa?
Mica ajeitou o avental florido, abriu a caixa de fitas e sorriu.
— Hoje é dia de celebrar novos lares para os filhotes! Vamos decorar tudo, Pip.
A Fêterie estava cheia de filas de potes cintilantes, balões que boiavam devagar e uma mesa com um grande rolo de adesivos brilhantes. No topo da pilha, um monte de adesivos dizia: BRAVO, em letras douradas. Eram para colar nos potinhos dos filhotes que aprenderam um truque.
Mica pegou um adesivo e fez uma florinha de pó encantado. Mas, como sempre, um pulo desajeitado fez sua varinha derrapar, e o adesivo voou como uma estrela e colou... no nariz de um duende de sapato.
— Oh! — disse o duende, coçando o nariz. — Bravo!
Todos riram. Mica corou, mas riu também. Ela sabia que, quando tudo deslizava fora do planejado, era hora de respirar fundo e refazer.
Capítulo 2 — Confusão com os Familiars
A festa precisava de música. Mica puxou o gramofone que tocava canções de pérola. De repente, o botão do som girou sozinho; era Cosmo, o gato de bolinha que gostava de brincar com botões.
— Mica, calma! — miou Cosmo, empurrando o botão com a patinha.
Mica correu, tropeçou numa mecha de fita e, sem querer, colou um adesivo BRAVO no rabo de Cosmo. O gato fez uma cambalhota e saiu correndo, e o adesivo grudou numa cortina, que era também o casaco do urso de pelúcia que ficava no balcão.
O urso acordou, bocejando. — Quem me deu esse adesivo tão bonito? — perguntou com voz profunda.
— Foi eu! — disse Mica, tentando pegar o adesivo sem derrubar nada. Em vez disso, derrubou uma cesta de bolas dançantes. As bolas saíram rodopiando, rindo com vozinha, e começaram a pular entre as prateleiras.
Pip tentou pegá-las com o bico, mas acabou enroscado numa tromba de elefante de pano. O elefante, chamado Trom, espirrou confete pela tromba. O confete cobriu tudo: os potes, as prateleiras e os pés de Mica.
— Socorro! — disse Mica, rindo e espirrando confete dos cabelos. — Acho que precisamos de um plano.
Ela respirou fundo. Contou até três. Soltou o ar devagar. Pip pousou no ombro dela.
— Está na hora de deixar as coisas irem um pouco, Mica. Às vezes as melhores festas começam com bagunça.
Mica piscou. Lembrava de quando, pequena, derrubou um frasco de bolhinhas coloridas e, ao invés de chorar, viu todas as bolhinhas se juntarem e fazer uma roda brilhante. Mica sorriu.
— Ok. Vamos deixar a festa acontecer.
Capítulo 3 — O Baile dos Familiars
Mica abriu a porta principal. Lá fora, a praça estava cheia de crianças mágicas e de novos donos para os filhotes. Eles entraram na Fêterie como quem entra num abraço. Mica explicou, com voz firme e doce, que cada bichinho precisava de um selo BRAVO para mostrar que estava pronto para sua nova casa.
— Mas e se eu colar no lugar errado? — perguntou ela, lembrando-se do nariz do duende.
— Tudo bem — respondeu a senhora Groselha, dona de uma voz de xarope de morango. — Se der errado, a gente conserta. O importante é tentar.
Mica respirou outra vez e começou a colar os adesivos. Este lugar era cheio de gente que adorava improvisos: havia um coelho que só andava de skate, um peixe que soprava bolhas de arco-íris e uma tartaruga que contava piadas lentas. Cada vez que Mica colava um adesivo, algo engraçado acontecia: o adesivo na orelha do coelho fez o coelho saltar mais alto; o adesivo no casco da tartaruga fez as piadas ficarem mais engraçadas.
Uma menina veio buscar um filhote de dragão-dócil. O pequeno dragão fez uma fumaça tímida, soltando cheirinho de canela. Mica colou o adesivo BRAVO no potinho do dragão, mas o potinho entrou no ar e começou a flutuar. O dragão pulou para dentro do potinho, deu três voltas e saiu com um laço de fumaça na cabeça, como se fosse um chapéu.
— Bravo! — riu a menina, batendo palmas.
Tudo estava dando certo, mesmo que de um jeito torto e engraçado. Mica viu que, quando deixava a festa seguir, as coisas se ajeitavam sozinhas. Pip cantou uma musiquinha e, como por encanto, as bolas dançantes formaram um caminho brilhante até a saída, guiando os novos donos com segurança.
Mas então um último desafio apareceu: um filhote encolhedor, chamado Zil, era tão tímido que se encolhia até virar uma bolinha. Ninguém conseguia fazê-lo sair da concha. Mica se aproximou devagar, olhando nos olhinhos de Zil. Ela tinha um adesivo BRAVO sobrando, lembrete das trapalhadas daquele dia.
— O que acha de um adesivo só para tentar? — sussurrou Mica.
Ela pegou o adesivo com cuidado e, em vez de colar em Zil, colou no vidro do potinho. O adesivo brilhou. Zil, curioso, esticou o pescoço. Viu seu reflexo com o adesivo dourado dizendo BRAVO. De repente, ele esticou as patas, deu um pulinho, saiu e espirrou uma nuvem de poeira cintilante.
— Eu consegui! — exclamou Zil, rodopiando.
Todos bateram palmas. A timidez de Zil se transformou em um pulo de alegria, e Mica sentiu um calor no peito, como um abraço de marshmallow. Não precisava ter tudo perfeito. Era mais bonito quando os erros riam com a gente.
Capítulo 4 — Festa, Risos e uma Pequena Dança
Ao final do dia, a Fêterie estava cheia de risos. Adesivos BRAVO brilhavam nos lugares mais inesperados: no chapéu do duende, na cauda do gato, na janela que agora parecia sorrir. Mica caminhou pela loja e viu os novos donos conversando com seus pets. Alguns vinham com carrinhos, outros com sacolas cheias de guloseimas mágicas. Todos saíram com um brilho nos olhos.
Mica sentou numa almofada e sentiu as pernas cansadas. Pip pousou no joelho. Cosmo, Trom e até o duende vieram ao redor. A senhora Groselha colocou uma xícara de chocolate quente na frente de Mica, com nuvens de marshmallow que piscavam.
— Hoje você foi perfeita — disse a senhora Groselha, com um sorriso que parecia feito de compotas. — Ou melhor, você foi você mesma.
Mica riu. Pensou em todas as trapalhadas que tinham virado risos. Ela pegou o último adesivo BRAVO e, sem pensar muito, colou no próprio avental. A etiqueta cintilou como um sol pequeno. Ela gostou da sensação de não se levar tão a sério.
— Vamos dançar? — perguntou Pip, batendo as asas. — Uma dança pequena, só para celebrar.
Mica levantou-se. Cosmo ronronou, Trom bateu palmas com as patas de pano, e até o duende bateu o pé. Uma musiquinha saiu do gramofone, leve como algodão. Mica começou a girar, devagar, fazendo passos engraçados que pareciam tropeçar e voar ao mesmo tempo. Todos acompanhavam, rindo e batendo palmas ao ritmo. A dança era simples: um passo à frente, um giro, um pequeno salto, e um abraço coletivo no final.
Enquanto dançava, Mica percebeu algo importante: nem todas as confusões precisavam ser consertadas. Algumas vinham para pintar o dia com cores diferentes, para ensinar a sorrir quando a varinha escorrega. Soltar, deixar ir, aceitar o inesperado — isso fazia o coração leve.
Quando a música acabou, Mica sentou-se outra vez. Todas as criaturinhas se aninharam ao redor. Ela olhou para o adesivo BRAVO em seu avental e sorriu.
— Obrigada — disse ela, humildemente.
Pip pousou no nariz dela e fez um som que parecia um beijo. Mica fechou os olhos por um segundo e, ao abri-los, viu as luzes da Fêterie brilhando como estrelas. Era uma noite de sucesso desastrado e feliz.
E assim a pequena bruxa, entre gargalhadas e confetes, aprendeu que soltar as coisas às vezes era o melhor feitiço de todos. Ela guardou a varinha, deixou as bolas dançantes descansarem e, antes de apagar as luzes, deu mais um passo de dança — curto, alegre e cheio de coragem — como se dissesse ao mundo: pronto, vamos de novo.