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Conto de fadas 11 a 12 anos Leitura 21 min.

A estrela perdida de Íris e o guardião das memórias

Tomás ajuda Íris, uma guardiã invisível que perdeu sua estrela-memória, numa jornada por Lúmina para recuperar lembranças perdidas, aprendendo sobre coragem, equilíbrio e a importância de enfrentar memórias difíceis.

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O personagem principal é um jovem de traços suaves, cabelos castanhos ondulados, jaqueta de lã azul e calça cáqui, sentado na grama do topo do Morro dos Sussurros, rosto voltado para o céu, expressão terna e maravilhada com uma lágrima brilhante na face; a personagem secundária é uma mulher invisível, sugerida por voz e gestos — um sopro que dobra a grama à direita, brilhos translúcidos junto ao ombro e uma folha flutuante indicando sua posição; o céu noturno é azul profundo salpicado de estrelas e uma nova estrela creme com halo dourado surge acima de uma mão de constelações; o cume tem relva curta, pequenas flores noturnas roxas, algumas pedras planas e uma árvore solitária à esquerda, iluminados pela luz das estrelas e um fio de luar; situação: instante calmo e mágico — o homem contempla a nova estrela enquanto a mulher invisível recupera sua luz e sua lágrima cintila ao tocar a grama, que se ilumina levemente, sugerindo conforto e equilíbrio. reportar um problema com esta imagem

Capítulo 1 — O céu que guarda memórias

No país de Lúmina, as noites não eram feitas de escuro, mas de um azul macio, como veludo lavado em rio. E no alto, cada estrela não era apenas luz: era um lembrete. Uma gargalhada antiga, um pedido de desculpas, um abraço que demorou mais do que o tempo, tudo isso pendia do céu como frutos brilhantes.

Tomás, um jovem de olhos atentos e passos calmos, gostava de subir ao Morro dos Sussurros com um caderno no bolso. Diziam que ele era observador como um corvo e manso como um cordeiro; ele preferia pensar que era apenas alguém que escutava até o silêncio.

Nessa noite, o vento vinha com cheiro de hortelã e história. Tomás deitou-se na relva e procurou, com a paciência de quem procura conchas, uma estrela que lhe fosse familiar.

— Aquela ali… — murmurou. — A do canto meio torto. É a memória da mãe a assobiar quando varria.

A estrela pareceu piscar, como quem confirma.

Então aconteceu uma coisa miúda, mas estranha: uma folha seca, caída de uma árvore que nem estava ali, rodopiou diante do rosto dele e parou no ar, como se uma mão invisível a segurasse. A folha tremia, não de frio, mas de esforço.

— Quem está aí? — Tomás perguntou, sem rir, porque sabia que o mundo era cheio de coisas que não cabiam no bolso da lógica.

A folha soltou-se e caiu com um suspiro. E, logo depois, uma voz sem garganta falou perto do seu ouvido, baixinha como um segredo.

— Eu… eu estou aqui. Mas não me vês.

Tomás sentou-se devagar. O coração dele bateu, mas não bateu em pânico; bateu em curiosidade, que é um tipo de coragem.

— Não te vejo, mas ouço-te. Como te chamas?

Houve um silêncio, e nesse silêncio as estrelas pareceram inclinar-se para escutar também.

— Chamava-me… — a voz engasgou-se no próprio vazio — …chamava-me Íris. Agora não sei se tenho nome. Estou a desaparecer.

Tomás apertou o caderno no bolso, como se segurasse uma lanterna.

— Então não vamos deixar. Diz-me: por que estás invisível?

A voz respondeu com um fio de tristeza que cheirava a chuva.

— Porque perdi a minha estrela. E sem estrela… a memória de mim apaga-se.

Tomás olhou o céu, de repente enorme. Tantas memórias. Tanta luz. E alguém ali, ao lado, sem nenhuma.

— Vou ajudar-te a encontrar a tua, Íris — prometeu ele. — Mas vamos fazê-lo com cuidado. A pressa costuma tropeçar.

A folha seca, no chão, mexeu-se sozinha, como se fosse um aceno.

Capítulo 2 — O rasto do invisível

Na manhã seguinte, Lúmina parecia uma pintura acabada de secar. As casas tinham telhados que brilhavam como escamas, e os caminhos eram de pedra clara, para que ninguém se perdesse dentro da própria sombra.

Tomás caminhou até ao Mercado dos Ecos, onde os vendedores não anunciavam “maçãs” ou “pão”, mas pequenas lembranças engarrafadas: “o cheiro do primeiro livro”, “o som do mar em dias corajosos”, “a sensação de voltar para casa”. Era um lugar alegre e melancólico ao mesmo tempo, como uma música que faz sorrir e pensar.

Íris seguia ao lado dele, invisível. Às vezes, a presença dela era só um arrepio; outras vezes, era um leve empurrão no ar, como se a realidade tivesse de abrir espaço.

— Consegues tocar nas coisas? — Tomás perguntou.

— Só um pouco — disse Íris. — Como quem tenta segurar água com dedos abertos.

No mercado, Tomás aproximou-se de uma velha sentada num banco de madeira. Em vez de vender memórias em frascos, ela vendia linhas douradas em rolos, finas como teias de aranha.

— Senhora, que linhas são essas? — perguntou Tomás.

A velha ergueu os olhos, que eram dois poços cheios de histórias.

— Linhas de lembrança. Servem para prender o que o coração quer deixar fugir. Mas cuidado: amarrar demais estrangula.

Tomás gostou do aviso. Pareceu-lhe uma lição sobre equilíbrio embrulhada em barbante.

— Procuro uma estrela perdida — disse ele. — A estrela-memória de alguém… de Íris.

Ao ouvir o nome, a velha franziu as sobrancelhas, como quem tenta lembrar uma melodia antiga.

— Íris… Íris… — repetiu. — Houve uma guardiã invisível na Floresta dos Espelhos, há muitos anos. Diziam que ela cuidava das memórias que ninguém queria olhar de frente.

Íris, ao lado, soltou um som pequeno, como um soluço que não quer atrapalhar.

— Eu… eu cuidava mesmo. — A voz dela tremeu. — E um dia cansei. Fugi das memórias difíceis. Foi quando perdi a minha estrela.

A velha passou a mão no ar, como se acariciasse o vento.

— As estrelas não se perdem à toa. Elas caem onde a pessoa precisa voltar. Procura onde te faltou coragem e onde te sobrou orgulho. Lá costuma haver um rasto.

Tomás sentiu o mundo apertar e abrir ao mesmo tempo, como um peito a respirar.

— Floresta dos Espelhos, então — disse ele.

A velha estendeu-lhe um fio dourado.

— Leva. Não para prender a estrela, mas para te lembrar de não perderes o caminho de volta. E lembra-te: luz demais cega; sombra demais engole. Caminha entre as duas.

Tomás agradeceu. Ao sair do Mercado dos Ecos, Íris falou:

— Tenho medo do que vou ver na floresta.

— O medo é uma lanterna — respondeu Tomás. — Só ilumina se a gente a carregar, não se a atirar fora.

E seguiram, com o fio dourado no bolso e o céu ainda guardado nos olhos.

Capítulo 3 — A Floresta dos Espelhos

A Floresta dos Espelhos não tinha espelhos pendurados em árvores, como alguns contavam. Era pior e mais bonito: as folhas eram tão brilhantes que refletiam o rosto de quem passava. E o reflexo não mostrava apenas a cara; mostrava a intenção.

Quando Tomás entrou, viu-se multiplicado em mil folhas. Numa, parecia corajoso; noutra, parecia vaidoso; numa terceira, parecia cansado, como se tivesse carregado baldes de tempo a vida toda.

— Isto é… desconfortável — ele confessou, tentando rir. O riso saiu com cuidado, como quem não quer partir um copo.

Íris não podia ser vista, mas o ar ao lado dele ficou mais frio.

— Aqui as memórias sussurram — disse ela. — E eu costumava ouvi-las todas. Até que comecei a escolher só as fáceis. As que não doíam.

Tomás parou diante de uma árvore cujas folhas refletiam uma menina — ou melhor, a sombra de uma menina — sentada num tronco, abraçada aos joelhos.

— Quem é ela? — perguntou.

Íris demorou para responder.

— Uma memória que eu deixei sozinha.

O vento trouxe uma voz infantil, clara como um sino pequeno:

— Tu prometeste voltar.

Tomás engoliu em seco. Não era a voz de Íris; era a voz da memória.

— Íris — disse ele com gentileza firme — não podemos encontrar a tua estrela se continuares a fugir. Queres que eu fale por ti?

— Não… — Íris respondeu, e naquele “não” havia uma coragem recém-nascida. — Eu vou falar.

O ar vibrou, como se uma pessoa invisível se endireitasse.

— Eu tinha medo de te olhar — disse Íris para a memória. — Porque, se eu te olhasse, teria de aceitar que eu falhei. Eu quis ser perfeita, e acabei ausente.

A menina-sombra levantou o rosto. Nos olhos dela havia um lago escuro.

— E eu fiquei pesada — disse a memória. — Fiquei presa.

Tomás tirou do bolso o fio dourado. Era fino, mas parecia ter peso de significado.

— Talvez isto ajude — sugeriu ele. — Não para prender ninguém, mas para guiar.

Ele amarrou uma ponta do fio a um galho baixo, e segurou a outra na mão. A linha reluziu, como se dissesse: “Estou aqui. Não te esqueças.”

— O que faço? — Íris perguntou.

— Equilíbrio — Tomás respondeu. — Nem te culpes até desaparecer, nem te desculpes até virar pedra. Assume, pede perdão e repara o que der para reparar.

O silêncio da floresta pareceu aprovar.

— Desculpa — disse Íris, e a palavra foi tão honesta que a folha mais próxima tremeu.

A menina-sombra respirou. O lago nos olhos clareou um pouco.

— Eu só queria que alguém ficasse — disse ela.

— Eu fico agora — respondeu Íris.

E então, como se uma porta invisível abrisse, uma luz pequenina apareceu entre as folhas: uma centelha, do tamanho de uma unha, tremendo como um coração novo.

Tomás sorriu.

— Isso é a tua estrela?

A centelha subiu um pouco, mas não chegou a voar. Parecia pesada.

— Ainda não — sussurrou Íris. — É só… o começo.

Capítulo 4 — O Lago do Meio

O caminho levou-os ao Lago do Meio, chamado assim porque ficava entre duas colinas: a da Gargalhada e a do Lamento. Diziam que quem bebesse demais da primeira colina virava trocista; quem se deitasse demais na segunda virava pedra de tristeza. O lago, ao centro, ensinava a medida.

A água era tão lisa que parecia uma frase bem escrita. No meio, flutuava uma pequena ilha com uma única flor branca, ereta como uma promessa.

— Este lago guarda memórias equilibradas — explicou Íris. — Nem só alegres, nem só dolorosas. Memórias inteiras.

Tomás ajoelhou-se e tocou a superfície. A água não estava fria nem quente; estava certa.

De repente, a água formou imagens como se fosse um espelho que sonha. Tomás viu Íris, ainda visível, com um manto cheio de bordados de estrelas. Ela caminhava pela floresta recolhendo memórias perdidas. Mas também viu Íris virar o rosto quando uma memória mais escura se aproximava: uma discussão, uma despedida, um “não” que doeu.

— Eu escolhia o que parecia bonito — disse Íris, a voz carregada. — Eu confundia beleza com facilidade.

Tomás ficou em silêncio um instante, deixando a frase pousar como um pássaro.

— A beleza também vive no difícil — disse ele por fim. — Às vezes é lá que ela aprende a brilhar.

A centelha que os acompanhava — o começo de estrela — pairou sobre o lago e começou a refletir-se na água, duplicada: luz em cima, luz em baixo.

— O que falta para ela virar estrela de verdade? — Tomás perguntou.

Íris hesitou.

— Falta alguém lembrar de mim com verdade. Não como heroína, nem como vilã. Como… eu.

Tomás olhou em volta. O lago parecia esperar, paciente.

— Então vamos procurar alguém que te conheceu — disse ele. — Alguém que te tenha no peito.

Íris falou, quase sem som:

— Há um menino… que eu ajudei uma vez. Eu guiei-o para casa quando ele se perdeu numa tempestade de pólen. Eu cantei para ele não ter medo.

Tomás levantou-se.

— Onde está ele?

— Na Cidade das Janelas — respondeu Íris. — Agora deve ser mais velho. Talvez nem acredite no que viveu.

Tomás guardou o fio dourado com cuidado. A centelha pousou no ombro dele por um segundo, como se confiasse.

— Vamos — disse ele. — E, se ele não acreditar, a gente conta a história do jeito que o coração entende.

E partiram, com o lago atrás deles como uma vírgula calma no texto do mundo.

Capítulo 5 — A Cidade das Janelas

A Cidade das Janelas era feita de casas altas, cheias de vidros coloridos. Diziam que ali todo mundo via o mundo de um jeito diferente: uns com janela azul, outros com janela amarela, outros com janela rachada.

Tomás e Íris caminharam pela rua principal, onde lanternas pendiam como luas pequenas. A centelha tremia, como se o ar da cidade fosse mais pesado.

— Eu não gosto de cidades — confessou Íris. — Há muito barulho para uma pessoa que não pode ser vista.

Tomás pensou um pouco e tirou do bolso um lápis. Abriu o caderno e desenhou um círculo simples.

— Aqui — disse ele. — Este círculo és tu, no papel. Não é perfeito, mas é um lugar para existires enquanto procuramos.

Íris soltou uma risadinha, surpresa.

— Um círculo? Só isso?

— Um círculo é um começo — respondeu Tomás. — E começo é uma forma de esperança.

Perguntaram por um rapaz chamado Bento, que agora trabalhava na Oficina dos Relógios, consertando horas atrasadas e adiantadas. “Ele tem mãos de paciência”, disse uma senhora. “E uma mania de olhar o céu quando pensa”, disse um vendedor.

Na oficina, o som de tique-taques era como chuva fina. Bento, já adolescente quase homem, tinha olhos que pareciam procurar algo que não sabia nomear. Quando viu Tomás à porta, limpou as mãos num pano.

— Posso ajudar? — perguntou.

Tomás respirou fundo. Não era fácil falar de invisíveis sem parecer doido.

— Eu… procuro uma história — disse Tomás. — Uma noite em que te perdeste numa tempestade de pólen, e uma voz te guiou para casa.

Bento ficou imóvel, como se alguém tivesse desligado o som da sala.

— Quem te contou isso? — ele sussurrou.

— Ninguém. Eu estou a caminhar com essa voz — disse Tomás, e apontou para o ar ao lado dele. — Ela chama-se Íris.

Bento engoliu em seco. Os olhos dele ficaram brilhantes, como vidro prestes a virar água.

— Eu lembro… — disse ele devagar. — Eu achei que tinha inventado. Eu era pequeno e estava apavorado. A rua sumiu, as árvores pareciam monstros de algodão, e alguém cantou… Uma canção que dizia: “Um passo, depois outro, e o medo vira ponte.”

A centelha no ombro de Tomás subiu, girando no ar como um vagalume decidido.

— Essa era eu — disse Íris, a voz tremendo de emoção e vergonha. — Eu fui embora depois. Eu deixei memórias para trás.

Bento fechou os olhos por um instante.

— Tu não me deixaste — disse ele. — Eu cheguei em casa por tua causa. E, por muito tempo, quando tive medo, eu ouvi essa canção por dentro. Foi como ter uma lanterna no peito.

A oficina pareceu ficar mais clara, como se os relógios tivessem acertado a hora da ternura.

Tomás viu, com espanto, que a centelha cresceu, esticando-se em fios de luz. Ainda não era uma estrela no céu, mas já era algo que sabia para onde ir.

— Bento — pediu Tomás — lembra dela como ela é: alguém que ajudou, mas que também falhou e voltou para reparar.

Bento abriu os olhos e olhou para o vazio com respeito, como quem olha para um amigo sem precisar de rosto.

— Íris — disse ele — eu lembro de ti inteira.

Nesse instante, a luz transformou-se num pequeno astro, do tamanho de uma laranja, e subiu até bater no teto. O teto não impediu: a estrela atravessou a madeira como se a realidade fosse tecido.

Lá fora, uma nova estrela acendeu-se no céu de Lúmina.

Íris soltou um suspiro que parecia vento em flores.

— Eu… eu sinto-me mais… eu.

Capítulo 6 — A lágrima que ilumina

Na volta ao Morro dos Sussurros, a noite chegou devagar, como quem não quer assustar. Tomás e Íris caminharam em silêncio, porque algumas alegrias não precisam de barulho para serem verdade.

Quando chegaram ao topo, o céu estava cheio de memórias cintilantes. Tomás procurou a nova estrela. Encontrou-a perto de uma constelação que parecia uma mão aberta.

— É ela — disse Íris, com uma voz que finalmente tinha chão.

A estrela de Íris não era a mais brilhante, nem a maior. Mas tinha uma luz firme, que não se gabava. Uma luz equilibrada, como o Lago do Meio.

Tomás sentou-se na relva. Íris, embora invisível, sentou-se ao lado; ele sentiu o peso suave de uma presença, como um cobertor leve.

— E agora? — Tomás perguntou.

— Agora eu volto a guardar memórias — respondeu Íris. — Mas não só as bonitas. Vou guardar também as difíceis, para que ninguém precise fingir que não sente. O coração é uma casa com vários quartos. Se fechamos os que doem, a casa inteira fica abafada.

Tomás sorriu, olhando para as estrelas.

— E eu? — perguntou, meio a brincar. — O que ganho por ajudar uma pessoa invisível?

Íris riu, um riso que parecia sininho e chuva ao mesmo tempo.

— Ganhas isto: saber que a tua luz serve para mais do que te mostrar o caminho. Serve para os outros também.

Tomás ficou quieto. Pensou em quantas vezes ele tinha guardado as próprias sombras no bolso, como pedras, para ninguém ver. Pensou no conselho da velha: luz demais cega; sombra demais engole. Caminhar entre as duas.

A nova estrela de Íris piscou. Tomás sentiu algo subir-lhe aos olhos, quente e inesperado, como quando uma música acerta exatamente no lugar em que a gente não sabia que doía.

Ele limpou o rosto, mas uma lágrima escapou e caiu na relva.

Não era tristeza pura. Era emoção inteira.

A lágrima brilhou ao tocar a terra, como se tivesse apanhado um pedacinho de estrela. Por um segundo, o chão ao redor iluminou-se, e Tomás viu, bem perto, uma flor pequenina abrindo-se no escuro — como se a lágrima tivesse dito à terra: “Ainda vale a pena.”

Íris falou, baixinho:

— Obrigada, Tomás.

Tomás respirou fundo, sentindo o mundo caber no peito sem apertar demais.

— Promete-me uma coisa — disse ele.

— O quê?

— Quando guardares memórias, lembra-te de guardar também espaço. Para o riso, para o choro, para o silêncio. Para tudo o que nos faz humanos.

Íris respondeu com a serenidade de quem voltou a ter nome:

— Prometo. O equilíbrio é a minha nova magia.

E, no céu de Lúmina, as estrelas — cada uma um lembrança — pareceram sorrir com luz, enquanto Tomás, com a lágrima ainda fresca, percebeu que ajudar alguém a existir é também aprender a existir melhor.

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Tecido muito macio e suave ao toque, parecido com pelúcia fina.
Relva
Grama baixa que cresce no chão, onde as pessoas se deitam ou caminham.
Suspiro
Sopro longo e suave que se dá quando se está cansado ou emocionado.
Engasgou-se
Quando alguém tenta falar e fica sem ar ou com a voz presa.
Engarrafadas
Guardadas dentro de garrafas, como se fossem lembranças em frascos.
Vaidoso
Pessoa que se preocupa demais com a própria aparência ou elogios.
Reflexo
Imagem que aparece numa superfície brilhante, como espelho ou água.
Trocista
Palavra usada para dizer que alguém muda de ideia ou valor com facilidade.
Centelha
Pequena luz ou faísca que pode crescer até virar algo maior.
Equilíbrio
Estado de estabilidade, quando as coisas estão em justa medida.
Melancólico
Sentimento de tristeza calma, mistura de saudade e silêncio.
Bordados
Desenhos feitos com linhas sobre tecido, para decorar roupas.
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