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História de Médico 5 a 6 anos Leitura 8 min.

A doutora Clara e o dragão da barriga de Tomás

A doutora Clara e a sua equipa ajudam o menino Tomás e o seu “dragão na barriga” com calma, explicando sentimentos e ensinando estratégias simples para a dor e a ansiedade.

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Uma médica (mulher adulta) sorridente e calma, cabelo castanho-claro apanhado em coque, bata branca com bolsos, agachada a ouvir um dragão de peluche verde com estetoscópio prateado para acalmar o rapaz; rosto benevolente, olhos redondos e cílios visíveis, postura reconfortante. Um menino (Tomás, ~5 anos) sentado numa cadeira baixa segura firmemente o dragão de tecido, expressão preocupada que se acalma. Um pai (homem adulto) atrás do menino, mão no ombro, casaco azul, expressão suave. Uma enfermeira (Joana) sorridente mostra um oxímetro colorido no dedo, veste uniforme rosa-pastel e está junto a uma mesa com material médico infantil. Sala de consulta pediátrica luminosa, paredes amarelo-pálido com cartazes de emoções e desenhos de animais, estante com livros e brinquedos, pequeno lavatório, cadeira médica e um cartaz "Respirar, contar, pedir ajuda". Situação principal: a médica ausculta o peluche para tranquilizar o menino; todos atentos e descontraídos; luz suave, cores quentes, traços arredondados e contornos nítidos, estilo ilustrativo simples e alegre para crianças. reportar um problema com esta imagem

Parte 1: A bata branca e o coração calmo

A doutora Clara acordou quando o céu ainda estava cor-de-pêssego. Vestiu a sua bata branca, macia como uma nuvem, e prendeu o cabelo com um gancho azul. No bolso, colocou o estetoscópio, que parecia uma cobrinha brilhante.

Antes de sair, ela respirou devagar: entra o ar… sai o ar… “Hoje vou cuidar com calma”, pensou. No telemóvel, havia uma notificação de trabalho a piscar, mas Clara não tocou nela ainda. Primeiro, beber água. Depois, um sorriso ao espelho.

No caminho para a clínica, as árvores abanavam as folhas como se dissessem “bom dia”. Clara gostava de ser médica porque podia ajudar as pessoas a sentir-se melhor e a não ter medo. E ela nunca trabalhava sozinha. “Na saúde, somos uma equipa”, dizia sempre.

Quando chegou, encontrou a enfermeira Joana a arrumar ligaduras e pensos, como quem arruma pequenos tesouros. O auxiliar Rui empurrava um carrinho com lençóis limpos, cheirosos a sabão.

“Bom dia, equipa”, disse Clara, com voz suave.

“Bom dia, doutora!”, responderam.

Clara colocou um cartaz novo na parede: “Respirar, contar, pedir ajuda.” Era um cartaz de emoções, com carinhas simples: contente, triste, zangada, assustada.

Parte 2: O menino do dragão na barriga

A primeira criança do dia chamava-se Tomás. Entrou agarrado à mão do pai, com os olhos grandes, como duas bolinhas de gude. Tomás segurava um boneco de pano: um dragão verde com asas pequenas.

“Olá, Tomás”, disse Clara, agachando-se para ficar à mesma altura. “Este é o teu dragão?”

Tomás fez que sim, muito devagar.

O pai explicou: “Ele tem dor na barriga e está preocupado.”

Tomás apertou o dragão com força. “Acho que tenho um dragão aqui dentro… ele faz nós”, sussurrou.

Clara não se riu. Fez uma cara pensativa, como se o assunto fosse muito sério. “Um dragão pode aparecer quando estamos nervosos ou quando a barriga não gosta do que comemos. Vamos investigar juntos, como detetives.

Ela mostrou as coisas da consulta, uma por uma, para não assustar:

“Este é o termómetro. Só mede o calor do corpo.”

“Este é o oxímetro. É um anel mágico que vê como o ar está a passear no teu sangue.”

“E este é o estetoscópio. Ele escuta o coração a bater: tum-tum, tum-tum.

Tomás olhou curioso. Clara pediu à enfermeira Joana para participar: “Joana, queres mostrar como colocas o oxímetro no teu dedo?”

Joana colocou o oxímetro e piscou. “Olha, ele diz que estou bem!”

Tomás quis experimentar. O “anel mágico” brilhou com um número. Clara explicou em palavras simples: “Quer dizer que o teu corpo está a receber ar direitinho. Boa notícia.”

Depois, Clara perguntou: “Tomás, queres que o dragão de pano seja o primeiro a ser examinado?”

Tomás assentiu. Clara encostou o estetoscópio ao dragão e fez uma cara surpresa. “Ouço… um ronco pequenino! Acho que ele está com fome de calma.”

Tomás soltou um risinho. Era um mini-reviravolta: o dragão não era mau, só precisava de sossego.

Clara pediu autorização: “Agora posso ouvir a tua barriga por cima da camisola. Não dói.”

Tomás respirou fundo, como no cartaz. Entra… sai…

Clara ouviu sons de borbulhinhas e explicou: “A barriga fala com ‘glup-glup'. Às vezes, quando comemos muito rápido ou quando estamos preocupados, ela faz barulho e dá apertos.”

Ela perguntou o que Tomás tinha comido e como tinha sido o dia. Descobriu que ele tinha comido muitos doces numa festa e, depois, ficou com saudades da mãe, que estava a trabalhar.

“Então o dragão pode ser duas coisas juntas”, disse Clara. “Um pouco de barriga cheia e um pouco de coração apertado.”

Tomás franziu a testa. “Coração apertado dói?”

“Dói como um nó de fita”, respondeu Clara. “Mas dá para desfazer.”

Parte 3: A receita de respirações e a notificação desligada

Clara trouxe uma folha e desenhou um frasco com tampa. “Este é o Frasco da Calma. Quando o medo ou a saudade aparecem, fazemos três coisas.”

Primeiro, ela ensinou: “Mão na barriga. Inspirar como quem cheira uma flor. Expirar como quem apaga uma vela.” Tomás fez. O pai fez também, e até o dragão de pano ficou na barriga do Tomás, bem quietinho.

Segundo: “Dizer o que sentimos.” Clara apontou para o cartaz. Tomás escolheu a carinha assustada e a carinha triste. “Estou com medo de doer e triste porque quero a mãe.”

“Onde sentes isso?”, perguntou Clara.

“Na garganta.”

“Então vamos soltar a garganta com um ‘ahhh' baixinho.” Tomás fez um “ahhh” e riu, porque parecia um leão pequeno.

Terceiro: “Fazer um plano.” Clara explicou: “Para a barriga, hoje vamos beber água, comer uma sopa leve e descansar. Nada de mais doces. Se doer muito, voltas. Para o coração, podes mandar um desenho para a mãe e combinar um abraço grande quando ela chegar.”

A enfermeira Joana trouxe um copo de água e disse: “Aqui, detetive Tomás, uma poção transparente.”

Tomás bebeu e pareceu mais leve.

Clara também falou de prevenção, como um segredo importante: “Para o dragão não fazer nós, ajuda mastigar devagar, lavar as mãos antes de comer e dormir o suficiente. O corpo gosta de rotina.”

Tomás levantou o dragão. “Ele pode ser o guardião da rotina!”

“Pode sim”, disse Clara. “E tu és o guardião do teu corpo.”

Quando a consulta acabou, Tomás já andava mais solto. Antes de sair, ele disse baixinho: “Obrigada, doutora Clara.”

“Obrigada por cooperares”, respondeu ela. “Cuidar é uma coisa de equipa.”

O dia continuou com mais pessoas, mais curativos, mais escutas de “tum-tum”. Clara trabalhou com Joana e Rui, sempre com palavras calmas e mãos cuidadosas.

Ao fim da tarde, a clínica ficou silenciosa, como um cobertor de som. Clara arrumou o estetoscópio e olhou para o telemóvel. A notificação de trabalho ainda piscava, teimosa.

Ela sorriu, cansada mas feliz. Tocou no ecrã e fez uma coisa importante: desligou as notificações de trabalho.

“Agora é tempo de descanso”, disse para si, como quem fecha uma porta devagar. Clara respirou fundo, como ensinara ao Tomás. Entra… sai… E saiu para a noite tranquila, com o coração em paz, sabendo que cuidar também é saber parar.

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O quiz: você entendeu bem a história?

Estetoscópio
Instrumento que o médico põe no peito para ouvir o coração e os pulmões.
Oxímetro
Aparelho pequeno que mede como o ar chega ao sangue, prende no dedo.
Cartaz
Papel grande na parede que mostra imagens ou mensagens para ajudar a entender.
Enfermeira
Pessoa que ajuda o médico, cuida das feridas e dá apoio às pessoas.
Auxiliar
Trabalhador que ajuda na clínica com tarefas como arrumar e transportar coisas.
Detetives
Pessoas que procuram pistas para descobrir o que está a acontecer.
Notificação
Mensagem que aparece no telemóvel para avisar de algo novo.
Prevenção
Coisas que fazemos para evitar problemas de saúde antes que aconteçam.
Frasco da Calma
Desenho que representa um lugar onde guardamos modos de ficar calmo.
Poção transparente.
Bebida simples, aqui é água, que ajuda a barriga a ficar melhor.
Tum-tum, tum-tum
Som que representa o bater do coração, dito de forma simples.

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