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Conto africano 11 a 12 anos Leitura 7 min. Disponível em história em áudio

A chama que nasceu da paciência

Amadou, um homem curioso, deseja acender um fogo ao pé de um rempart, aprendendo com o ancião Kebe sobre a paciência e a criatividade necessárias para fazer isso. Ele reúne crianças e materiais simples, descobrindo que o fogo se alimenta de respeito e acolhimento.

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Um homem chamado Amadou, com olhos brilhantes e um sorriso caloroso, está sentado aos pés de um majestoso montículo de terra. Ele tem pele de um tom dourado, cabelo crespo e veste uma túnica colorida com padrões africanos vibrantes. Amadou está concentrado e entusiasmado, segurando um pequeno espelho de bronze que capta a luz do sol. Ao seu lado, um velho, Kebe, de cerca de 70 anos, com barba grisalha e rugas profundas, observa com sabedoria. Ele usa uma roupa tradicional e se mantém levemente curvado, com as mãos apoiadas em um cajado de madeira, pronto para compartilhar seus conselhos. Ao fundo, crianças, um menino e uma menina de cerca de 8 anos, estão sentadas no chão, com os olhos brilhando de excitação, admirando Amadou. O menino tem cabelo curto e veste uma camiseta simples, enquanto a menina, com tranças adornadas com contas coloridas, usa uma saia leve. O cenário é uma paisagem africana, com um céu azul brilhante e nuvens brancas. O montículo de terra é cercado por vegetação exuberante, com gramíneas altas e flores vibrantes balançando ao vento. A cena principal mostra Amadou criando um fogo, concentrado na luz do sol que brilha sobre o espelho, enquanto a fumaça começa a subir e as crianças aplaudem suavemente, ansiosas para ver a mágica acontecer. reportar um problema com esta imagem

A versão de áudio está disponível gratuitamente para esta história:

Duração da história em áudio: 07:45

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Ao pé do rempart

Conta-se, como os velhos contam ao redor do fogo, que havia um rempart de terra tão alto que parecia abraçar o céu. Ao pé desse rempart vivia Amadou, um homem de olhos vivos como duas sementes prontas para nascer. Amadou era curioso como o vento que insiste em mexer nas folhas; queria saber, queria tocar, queria entender. O seu maior desejo era acender um fogo — não por vaidade, mas por saber como a luz nasce do escuro.

As mulheres fiavam histórias e as crianças jogavam no pó, mas Amadou olhava o rempart e pensava: "Se eu conseguir acender um fogo aqui, vou entender a conversa da noite." E assim, com o pé no chão quente e o coração mais quente ainda, ele começou a planejar.

Conselhos do ancião

— Amadou — disse o ancião Kebe, encostando-se numa vara antiga — o fogo tem memória. Não se apressa. O fogo escuta, e quem não escuta, se queima.

Amadou sorriu. Perguntou onde encontrar o fogo. Kebe falou em verdades ditas com frases curtas, como quem distribui sementes:

— O fogo nasce do encontro. Do encontro do seco com o sopro, do segredo com a paciência. Olha para o sol, olha para a terra. Aprende a pedir, não a tirar.

As palavras do ancião balançavam como cabaças numa árvore. Amadou guardou-as dentro do peito, como quem guarda mel. Ele sabia que precisava de materiais — gravetos finos, casca seca, folhas miúdas — e de uma ideia. A ideia, disse Kebe, era a tua ferramenta mais valiosa.

Busca e experimentos

No mercado, Amadou pediu emprestado um pequeno espelho de bronze polido que a senhora Sita usava para arrumar os cabelos. — Cuida bem — advertiu ela — esse espelho guarda o rosto de quem olha.

Amadou regressou ao pé do rempart e começou a experimentar. Fricção com dois paus, como os contos mais velhos ensinaram; sopros ritmados; pequenas fagulhas que morriam antes de acender. Ele cantava enquanto trabalhava, porque nas histórias o canto acalma o espírito inquieto:

— Vai, chama pequena, vai, chama que nasce; vem da paciência e da nossa dança.

Várias vezes a fumaça fez cócegas no nariz e as labaredas da imaginação quase se tornaram verdade. Várias vezes o rempart assistiu, impassível, enquanto Amadou aprendia que mão apressada não traz calor.

O conselho das coisas simples

Uma tarde, quando o sol fazia da areia uma superfície de espelho, Amadou lembrou do espelho de bronze. Pensou em usar o sol como parceiro. Sentou-se, fez um círculo com folhas secas e gravetos ao pé do rempart. Posicionou o espelho de modo que um fio de luz se concentrasse numa pequena almofada de fibras de algodão velho.

— Como uma flecha — murmurou ele — como uma flecha de luz apontada ao coração da sombra.

Mas a luz sozinha não bastou; havia vento que brincava e desfazia as esperanças. Amadou fechou os olhos e ouviu o rempart respirar. Do silêncio, veio uma ideia. Ele lembrou das histórias das mulheres da aldeia que teciam com paciência; lembrou dos cantos que transformam atitude em magia. Chamou as crianças e pediu-lhes que trouxessem penas, cascas de caju, resquícios de pano, pedaços de madeira oca.

— Tragam-me o que parece inútil — disse — o que parece fraco.

E trouxeram. Unidos, os pedaços formaram uma cama para a luz: fibras enroladas, pó de casca para ajudar a pegar, um nenúfar de coisas simples costurado com um fio de paciência. Amadou ajeitou tudo com cuidado, como quem prepara um ninho para um passarinho que ainda não aprendeu a voar.

A música do fogo

Naquela noite, ao pé do rempart, Amadou começou a tocar um ritmo com as mãos sobre a madeira seca. O público era pequeno — algumas crianças, um cão de orelhas grandes e o ancião que observava em silêncio. O ritmo fazia lembrar o bater do coração e o bater dos tambores na festa de colheita.

— O fogo gosta de música — disse Kebe, levantando-se como se viesse de longe — o fogo gosta de histórias, e quem canta, conspira com ele.

Amadou respirou fundo e soprou com medida na cama de fibras. Enquanto isso, inclinou o espelho de bronze e buscou, com a ponta dos olhos, o ponto onde a luz do sol batia mais quente. Um ponto como se fosse um pequeno ponto-de-estrela. O sol naquele fim de tarde parecia conversar com a terra por um fio de luz.

Os primeiros fumacinhas surgiram timidamente. Amadou cantou mais alto, não para empurrar o fogo, mas para o convidar. Porque as coisas que nascem aos poucos gostam de convite, não de exigência. O vento, que até então tinha sido brincalhão, silenciou-se, curioso.

Chama e respeito

Finalmente, uma faísca fez festa nas fibras. Era pequenina, quase discreta, mas não mais uma promessa: era uma presença. As crianças bateram palmas baixinho, como quem não quer acordar um sono delicado. Amadou abençoou a chama com uma palavra simples — obrigado — e com um gesto humilde. Ele sabia que não fora só sua engenhosidade; havia o espelho, a paciência, a música, as mãos das crianças, o conselho de Kebe e até o rempart que protegera do vento.

A chama cresceu, primeiro como um pé de dança, depois como um corpo que aprende a caminhar. Amadou colocou junto alguns galhos maiores e deixou que o fogo mostrasse a sua forma. Os rostos iluminados ao redor pareciam pequenos planetas girando, e a noite ouviu a risada calma daqueles que sabem cuidar.

— Vês, Amadou? — disse Kebe — O fogo veio porque foi chamado com respeito e criatividade.

Amadou sorriu. Dentro dele era dia. Ele aprendeu que criar é juntar coisas que não parecem juntas; que criatividade é dar valor ao que a vista despista; que o fogo agradece quem não o domina, mas o compreende.

Quando a chama cresceu e fez sua dança, uma fresta no céu se abriu sobre o rempart. O ar trouxe um calor diferente, como se a própria terra resolvesse sorrir. A luz do fogo e a luz do céu conversaram por um instante breve, e então, descendo do alto, entrou pelo rempart um raio de sol.

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Rempart
Muro ou barreira de terra que serve para proteger ou delimitar um espaço.
Vaidade
Preocupação excessiva com a aparência ou com a opinião dos outros.
Fricção
Ação de esfregar uma coisa na outra, produzindo calor ou movimento.
Fagulhas
Pequenas partículas incandescentes que saem de um fogo quando ele arde.
Almofada
Coushion ou objeto macio que se usa para sentar ou apoiar a cabeça.
Conspira
Juntar-se a alguém para planejar ou realizar algo em segredo.

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