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Conto nórdico e viking 5 a 6 anos Leitura 9 min.

a canção que amansou o vento do norte

Freyja, uma jovem que canta para o Vento do Norte, acredita que até o vento mais forte pode aprender a ser gentil. Em meio a um inverno rigoroso, ela utiliza sua música para tentar acalmar o vento zangado e trazer harmonia ao seu povoado.

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Freyja, uma jovem com cabelos loiros como palha e olhos azul glaciar, está em uma grande rocha à beira de um fiorde. Ela sorri com determinação, as bochechas rosadas pelo frio, e toca flauta de madeira, seus dedos finos dançando sobre os buracos do instrumento. Ao seu lado, um grande cão de pelos espessos e brancos como a neve está deitado, com os olhos fechados, ouvindo a melodia com um ar pacífico. Ao fundo, majestosas montanhas cobertas de neve cintilante se erguem sob um céu cinza, enquanto o Vento do Norte sopra, criando redemoinhos de neve no ar. A cena transmite uma atmosfera de magia e serenidade, onde a música de Freyja parece acalmar o poderoso vento ao seu redor. reportar um problema com esta imagem

A Canção para o Vento do Norte

Na ponta fria de um fiorde comprido, onde as montanhas pareciam dedos gigantes a tocar o céu, vivia uma jovem chamada Freyja.

Ela tinha os cabelos claros como palha seca e olhos da cor do gelo derretido.

Freyja não era guerreira, não carregava espada, nem escudo brilhante.

Ela carregava apenas a sua voz.

Desde pequena, Freyja gostava de cantar.

Cantava para as focas, que levantavam a cabeça fora da água.

Cantava para as gaivotas, que faziam círculos lentos no céu.

E, muitas vezes, cantava só para o vento.

Naquele lugar, o Vento do Norte era famoso.

Soprava forte como um dragão invisível e cortava a pele como pequenas facas de gelo.

No inverno, ele entrava por todas as frestas, gemia entre as casas de madeira e fazia os telhados tremerem.

Algumas pessoas diziam:

— O Vento do Norte está zangado outra vez.

Outras pessoas murmuravam:

— Melhor não sair. Ele é perigoso.

Mas Freyja, quando sentia o vento bater no rosto, pensava diferente.

Para ela, o Vento do Norte não era mau.

Era só um gigante gelado, barulhento e… talvez um pouco sozinho.

Todas as manhãs, Freyja caminhava até uma rocha que parecia um trono de pedra, mesmo à beira do mar.

Lá se sentava, puxava o casaco de pele para junto do queixo e começava a cantar.

A sua voz era simples, mas clara.

Às vezes parecia água a correr entre pedras.

Outras vezes parecia o toque suave de uma mão quente.

O Vento do Norte vinha correndo por cima das montanhas, derrubando neve das encostas, e passava por ela, assobiando alto.

Ele não parava.

Mas, por um segundo, o seu assobio se misturava com a canção de Freyja, como duas linhas se cruzando num bordado.

Freyja sorria, mesmo quando o vento fazia os olhos lacrimejarem.

No seu coração, acreditava numa coisa que ninguém via:

acreditava que o Vento do Norte podia aprender a ser mais suave.

O Vento Impaciente

Um dia, o inverno chegou mais sério.

O céu ficou cinzento, o mar pareceu ferro escuro e a noite caía cedo, como uma manta pesada.

As pessoas do povoado fecharam bem as portas.

Os barcos foram puxados para longe da água.

Tudo ficou quieto.

Tudo, menos o Vento do Norte.

Ele desceu em fúria pelo fiorde, bateu contra as paredes das casas, fez as tochas se apagarem.

As crianças taparam os ouvidos.

Os adultos seguraram as janelas para não voarem.

Freyja sentiu o chão tremer um pouco.

O coração dela também tremeu, mas não fugiu.

Ela respirou fundo, vestiu o capuz, pegou numa pequena flauta de madeira e saiu de casa.

Na rocha do costume, o vento quase a empurrou para trás.

Os cabelos dela voavam como bandeiras.

A neve caía em rodopios nervosos.

— Tu estás mesmo zangado hoje… — murmurou Freyja, quase sem voz.

O Vento do Norte respondeu com um uivo longo, que fez as ondas se erguerem como muralhas brancas.

Era como se dissesse:

— Eu sou forte! Eu sou grande! Eu entro em todo o lado!

Freyja teve vontade de correr de volta e se esconder junto ao fogo.

Mas, bem lá no fundo, lembrou-se do que sentia desde pequena.

Lembrou-se de que o vento podia estar só… a gritar porque ninguém o entendia.

Ela levou a flauta até os lábios.

Os dedos tremiam, mas ela começou a tocar.

Primeiro, uma melodia simples, como uma história curta.

Depois, uma canção um pouco mais longa, como um caminho que vai ficando mais largo.

O som da flauta era fino, mas teimoso.

Cortava o barulho do vento como um fio de prata no meio da escuridão.

O Vento do Norte tentou engolir a canção, gritando ainda mais forte.

Mas Freyja continuou.

Dentro dela, uma voz calma dizia:

“Confia. Continua. Ele vai ouvir.”

Aos poucos, algo diferente aconteceu.

O uivo do vento começou a mudar.

Já não parecia só raiva.

Parecia… confusão.

Parecia pergunta.

A neve passou a cair em círculos mais lentos, como se dançasse com o som da flauta.

As ondas baixaram um pouco, respirando fundo.

O Vento do Norte, curioso, deu uma volta maior, subindo e descendo as montanhas, como um gigante que anda de um lado para o outro a pensar.

Depois voltou para perto de Freyja, não tão perto a ponto de derrubá-la, mas o bastante para escutar melhor.

Quando o vento se aproximou, a flauta de Freyja começou a cantar diferente.

A música ficou mais quente, como se trouxesse o cheiro do pão cozido, o som do riso e o brilho do fogo na lareira.

Era uma canção sobre casa.

Sobre abrigo.

Sobre confiança.

O vento ouviu.

Ouviu com cada sopro, com cada rajada.

Ele, que sempre falava alto, agora estava a aprender a escutar.

Uma Noite Quente de Norte Frio

Nesse inverno, a tempestade não desapareceu de uma vez.

O Vento do Norte continuou forte em muitos dias.

Mas, desde aquela tarde na rocha, algo nele tinha mudado.

De vez em quando, ele ainda vinha correndo pelas montanhas, mas parava um pouco antes das casas, como um visitante que não quer rebentar a porta.

Circulava em volta do povoado, mexia nas bandeiras, fazia girar os moinhos de vento.

Soprava alto lá fora, mas deixava as janelas em paz.

As pessoas começaram a notar.

— Estranho… — diziam. — Ele ainda é forte, mas já não parece zangado como antes.

Freyja continuou a ir todos os dias até à rocha.

Alguns dias cantava.

Noutros, tocava flauta.

Às vezes, apenas fechava os olhos e escutava o vento, como se fossem dois amigos sentados lado a lado, sem pressa de falar.

Com o tempo, as crianças ganharam coragem de sair um bocadinho mais.

Brincavam na neve, faziam pequenos barcos de gelo e lançavam-nos no fiorde.

Quando sentiam o Vento do Norte passar, apertavam bem os casacos, mas já não tinham tanto medo.

Diziam uns aos outros:

— Ele está a dançar com as canções da Freyja.

Numa noite muito escura, quando as estrelas pareciam pequenos pregos de prata batidos no céu, o povoado inteiro se juntou numa grande casa de madeira, para contar histórias.

Lá dentro, o fogo do braseiro pintava as paredes de laranja e ouro.

Cheirava a sopa grossa, a pão quente e a madeira.

Freyja estava sentada no chão, perto do fogo.

Ao lado dela, enroscado como um novelo de lã viva, dormia um cão grande de pelo espesso e branco como neve.

O cão respirava devagar, e o peito dele subia e descia ao ritmo da lenha a estalar.

Lá fora, o Vento do Norte passava pela aldeia.

Mas agora, em vez de uivar bravo, ele cantava um assobio longo, quase alegre.

Entrava pelas frestas só um bocadinho, como se quisesse espreitar a luz.

Quando tocava nas paredes, parecia dizer:

“Eu ainda sou o Vento do Norte.

Eu ainda sou forte.

Mas aprendi a ser amigo.

Aprendi a confiar.

E alguém confiou em mim primeiro.”

Freyja, ouvindo o som do vento lá fora, sorriu para o fogo.

Ela sabia que a sua voz não era grande como o mar, nem alta como as montanhas.

Mas também sabia, agora, que até uma canção pequena pode mudar um coração gigante.

O cão ao lado dela mexeu as patas no sonho, aproximou o focinho do calor e suspirou contente.

O fogo brilhava como um sol em miniatura dentro da casa.

As chamas dançavam, e o Vento do Norte, lá fora, dançava também, sem partir nada, sem assustar ninguém.

E, naquela noite, enquanto o cão ficava enrolado junto ao fogo e o vento cantava lá fora, todos no povoado dormiram tranquilos.

Porque aprenderam que, quando alguém acredita em nós com o coração inteiro, até o vento mais frio pode ficar mais suave.

E que a confiança é uma chama que não se apaga, mesmo no inverno mais longo.

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Fiorde
Uma entrada de mar entre montanhas, geralmente muito estreita e profunda.
Focinhas
Um animal marinho que vive em águas frias, parecido com uma foca, geralmente brincalhona.
Assobiar
Produzir um som agudo com os lábios, geralmente soprando entre eles.
Abrigo
Um lugar seguro onde se pode ficar protegido do frio ou da chuva.
Tempestade
Um fenômeno meteorológico com vento forte, chuva e trovões.
Raiva
Um sentimento de forte desagrado ou irritação.

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